Crítica | Westinghouse Desilu Playhouse – 1X06: O Elemento do Tempo

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Além da Imaginação (também chamada de A Quinta Dimensão), ou The Twilight Zone, foi uma famosa e querida série americana criada por Rod Serling, cuja primeira geração, ou ‘Série Original’, foi exibida entre 1959 e 1964, ao longo de cinco temporadas, totalizando 156 episódios. O “episódio zero” foi a primeira e bem-sucedida tentativa de Serling no campo da ficção científica e, mesmo que não seja o piloto oficial de The Twilight Zone, é considerado o episódio-conceito que daria origem à série, cujo real piloto (Where is Everybody?) seria exibido quase um ano depois.

…E mais uma vez uma história de paradoxo temporal, por mais simples que seja, prova-se um excelente entretenimento. Beneficiando-se do formato televisivo e de suas resoluções ágeis, esta história de Rod Serling, dirigida por Allen Reisner, começa com um paciente em Nova York, às 11h de um sábado, 4 de Outubro de 1958, numa sessão de terapia. Ele está inquieto e reporta ter um sonho recorrente, onde sai de 1958 e “acorda” em Honolulu, Havaí, na manhã de um sábado, 6 de dezembro de 1941. Ocorre que este paciente diz que o sonho supostamente “muito realista” não é “apenas um sonho“. Ele de fato acredita que está viajando no tempo.

Sem uso de tecnologias absurdas para marcar a viagem espaço-temporal, Serling lança mão de uma narrativa inteligente e chamativa, o tempo inteiro colocando enigmas, suposições e hipóteses nas entrelinhas sem ser didático para o público e fazendo com que pensemos a respeito das possibilidades e modos de viagem no tempo. A linha tomada pelo autor é a de que se uma mudança for feita no passado ela será sentida no futuro (presente do viajante), posição onde cabe o famoso Paradoxo do Avô. Mas no início, não sabemos disso. Sabemos apenas que o personagem de William Bendix — em interpretação durona, muito boa para o tipo de “homem sem entender o que está acontecendo” — procura criar meios para obter lucros com sua posição e depois entra em uma angústia que o faz procurar terapia. No roteiro há apenas um furo incômodo ou algo que não é bem fechado. Durante sua “viagem ao passado”, o personagem faz apostas em cavalos e outras coisas que o permitiriam ter uma boa quantidade de dinheiro. Mas não há indícios de que isso tenha funcionado para ele no presente.

Alguns espectadores até podem dizer que o mesmo se dá com os avisos sobre o ataque dos japoneses, mas não é bem assim. No episódio, ninguém dá atenção aos avisos do homem, que parece bêbado ou ter algum distúrbio mental (ao menos para a maioria das pessoas). Já a questão das apostas é diferente. Todavia, isso não diminui em nada o episódio, pois o gancho dado pelo roteiro ao relacionar o tempo passado e presente é o melhor possível, com bom trabalho de flashback e uso de pistas internas que se afunilam em par com a narrativa, concluindo-se de maneira intrigante, com pelo menos duas grandes possibilidades de interpretação. Uma boa semente de uma futura grande série.

O Elemento do Tempo (The Time Element) — EUA, 24 de novembro de 1958
Direção: Allen Reisner
Roteiro: Rod Serling
Elenco: William Bendix, Martin Balsam, Darryl Hickman, Jesse White, Carolyn Kearney, Jesslyn Fax, Alan Baxter, Bartlett Robinson, Don Keefer, Joe DeRita, Paul Bryar
Duração: 55 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.