Crítica | Westworld – 2X01: Journey Into Night

Plano Critico Westworld – 2X01 Journey Into Night Plano Crítico Análise

  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Cair atirando“. Este foi basicamente o pensamento do Dr. Robert Ford (Anthony Hopkins) quando fez o seu discurso de despedida e encerrou uma narrativa antiga do Parque, apresentando uma nova história e abrindo as portas do Inferno para o corpo diretor e para os acionistas presentes ou ausentes na ocasião. Durante toda a 1ª Temporada da série nós tivemos momentos simples e totalmente enigmáticos do que poderia ser esta nova narrativa, mas era algo que o co-criador de Westworld queria muito e que investiu tempo, trabalho e a própria vida para dar o projeto finalizado, pronto para inauguração. Isso tudo no Finale da temporada de estreia da série. O nome desta medonha nova narrativa é Journey Into Night. E ela começa com um tom bastante diferente do que foi a série em 2016.

Enquanto a temática da 1ª Temporada podia ser definida como “estabelecimento e problemas de controle“, esta Segunda Temporada tem como pontapé duas palavrinhas interessante para uma série desse porte: “novidade e caos“. Fora as semelhanças com a revolução já conhecida da fonte da série, em Onde Ninguém Tem AlmaJourney Into Night faz de maneira muito mais eficiente que no ano anterior a entrega do material-base para a nova saga, agora não tão focado em mistérios paralelos, sustentados por personagens que não conhecemos, por temporalidades influenciadas por esses personagens à distância e por relações de poder e produção artística dentro do próprio Parque, apimentando as relações entre os controladores. O foco aqui pode ir bem mais além, basta pensarmos um só momento nos segredos que Charlotte (Tessa Thompson) está escondendo…

Mas vejam bem, eu não estou dizendo que elementos narrativos do passado não estarão presentes aqui (é bem provável que estejam), mas a introdução do drama é imediatamente focado em consequências, em ações muito importantes para a série, colocando um novo tempo para Dolores (Evan Rachel Wood, em uma excelente atuação) e Bernard (Jeffrey Wright), assumindo, juntamente com Maeve, uma “linha de libertação” dos anfitriões. Com um preciso roteiro e a direção ágil de Richard J. Lewis — emprestando ingredientes visuais/dramáticos de filmes de ação, ficção científica e dramas de espionagem — o espectador fica inteiramente bem colocado na nova situação, levando em consideração coisas do tipo: até quando, na temporada, os enredos levarão esta “rebelião” adiante? Uma Nova Ordem deverá surgir daí, tendo os anfitriões com livre-arbítrio em jogo? A narrativa do tipo “Cavalo de Troia” deixada por Ford irá abarcar outros espaços temáticos (já tivemos a sugestão de um mundo japonês, ligado aos Samurais…) ou a trilha será como a da temporada passada, com um problema central se ramificando em questionamentos psicológicos dos personagens?

As perguntas são instigantes e não exigem respostas imediate. Este é o lado bom dos bons roteiros. O espectador aproveita o que tem na tela, entende como alguns paradigmas comportamentais foram alterados e acompanha a construção desta nova realidade, que já mostra seus próprios grandes problemas para resolver, algo bem mais difícil de se esgotar — convenhamos que o miolo da temporada passada padeceu com esse problema — e que aponta para um número grande de boas possibilidades. Impossível não ficar animado.

Exceto pelo pequeno problema de ritmo que o capítulo tem nos primeiros dez minutos, até estabelecer suas frentes narrativas, e pela ligação da sequência de Maeve (Thandie Newton) em sua nova busca, o episódio funciona de maneira elogiável. Com uma macabra e brilhante direção de arte, excelente uso de figurinos e fotografia medida adequadamente para criar “mundos de luz e cores” em cada sequência, marcada por mortos por todos os lados, Journey Into Night nos coloca em uma vereda de segredos e buscas. Seja em humanos originais ou sintéticos, essas duas coisas insistem em existir, fazendo seu impacto ser sentido logo de cara.

Westworld – 2X01: Journey Into Night (EUA, 22 de abril de 2018)
Direção: Richard J. Lewis
Roteiro: Lisa Joy, Roberto Patino, Jonathan Nolan
Elenco: Tessa Thompson, Evan Rachel Wood, Luke Hemsworth, Steven Ogg, Thandie Newton, Talulah RileyJames Marsden, Angela Sarafyan, Ben Barnes, Jimmi Simpson, Kiki Sukezane, Gustaf Skarsgård, Ed Harris, Shannon Woodward, Ingrid Bolsø Berdal, Rodrigo Santoro
Duração: 71 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.