Crítica | Westworld – 2X08: Kiksuya

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Em muitos sentidos, Kiksuya é um episódio aglutinador. Lembrar. Este é o significado da palavra Lakota que está no título e, ao longo de uma hora, Gina Atwater e Dan Dietz dão um real sentido a esta palavra, criando o mais longo flashback da série até o momento e, possivelmente, o capítulo mais lírico, fazendo de uma história de amor um motivo de revelação para a Nação Fantasma e para alguém muito importante em todo esse processo que corre na série, mesmo antes de todo o caos começar a acontecer: Akecheta.

A primeira observação importante sobre o capítulo vai para a presença de Zahn McClarnon, aqui, colocado nos holofotes. Até o momento, Akecheta era um personagem secundário da série, parte de um povo misterioso, cujo papel ativo em meio aos acontecimentos pós-morte de Ford nos intrigava. Neste episódio, o ator entrega uma brilhante e emotiva performance, enquanto narra a história de seu passado, não para a filha de Maeve (Jasmyn Rae), mas para a própria Maeve, que via e ouvia todo o processo pelos olhos e ouvidos da garota. Da “primeira vida”, em uma aldeia pacífica e amorosa, Akecheta passa por um largo processo de transformação, acordando, em algum momento do processo, e disseminando a ideia do Labirinto. Em dado momento de sua linha do tempo, ele se encontra com Ford, recebendo seguinte ordem: “Quando o Ceifador vier para mim, você vai saber juntar o seu povo e levá-lo para um novo mundo.“.

Com efeito: após a morte de Ford (que sabemos ter sido algo meticulosamente planejado) a Ghost Nation foi ganhando passo a passo um novo papel na série, algo que ainda não sabíamos qual era, mas agora entendemos que a dica dada por Logan foi o início de tudo, para Akecheta, com uma palavra que gerou uma busca, uma ideia. A “porta” e a “jornada de libertação”, dois temas centrais da temporada, estavam no radar do nativo bem antes do ‘grande despertar’ no Parque, permitindo que tivesse conhecimento de partes da Mesa e dos corpos estocados ali. Tudo isso é um ponto interessante para nós, mas, convenhamos, o que exatamente de “informações valiosas ou grandiosas respostas” trazem para a série que já não se podia ter subtendido, imaginado, aludido ou aplicado ao andamento dos eventos em Westworld, especialmente ao longo desta segunda temporada? Se colocarmos de lado os acontecimentos específicos e pertencentes ao desenvolvimento de personagens (nenhum deles essencial para a série) o que nos sobra aqui? De texto, sinceramente, pouca coisa. De técnica, porém, uma soberba e admirável jornada.

É por isso que eu entendo o maravilhamento de tantos espectadores em relação ao episódio. É difícil encontrar, tanto nesta quanto em outras séries, uma forma tão bem cuidada de narrar eventos do passado, ligando pontos de uma determinada narrativa a partir de uma história coadjuvante, fotografada com a maior delicadeza possível por Darran Tiernan, musicalizada de maneira romântica (com ótima versão de Heart-Shaped Box, do Nirvana, bem à maneira de música de câmara que desemboca em ambientes orquestrais épicos, típicos de Ramin Djawadi) e dirigida como um poema visual, conseguindo destacar-se até mesmo nas repetições da vida de Akecheta, vista por leves mudanças de ângulos e uma mais ágil ação da montagem a cada cena repetida, tendo igual mudança no contraponto dramático, inteligentemente gerando sensações e destinos diferentes a partir da mesma premissa.

Tecnicamente aplaudível e textualmente… simplista, Kiksuya é um episódio feito sob medida para dividir opiniões. Claro que é um capítulo bastante válido, pelo que apresenta, mas no fim das contas, foi mais um tira-teima e uma hora inteira para respirar do que qualquer outra coisa. Pelo menos agora estamos “descansados” para a dupla de capítulos finais da temporada.

Westworld – 2X08: Kiksuya (EUA, 10 de junho de 2018)
Direção:Uta Briesewitz
Roteiro: Gina Atwater, Dan Dietz
Elenco: Thandie Newton, Tessa Thompson, Katja Herbers, Simon Quarterman, Zahn McClarnon, Ed Harris, Anthony Hopkins, Ben Barnes, Julia Jones, Martin Sensmeier, Irene Bedard, Booboo Stewart, Sarah Alami, Jasmyn Rae, Aaron Fili
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.