Crítica | Westworld – 2X09: Vanishing Point

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  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Mesmo para quem não trabalha como minerador no reddit, a revelação sobre o Homem de Preto não foi exatamente um choque, no sentido de “OMG como é que a série nunca tinha dado indícios disso antes?“. Muito pelo contrário, na verdade. E não falo apenas do Man in Black, aqui. Mas a revelação não deixa de ser chocante, a seu modo, tendo sido entregue em um mar de acontecimentos chamativos e quase rindo de nós, diante de um proto-McGuffin: “vocês acham isso chocante? Mas perceberam que não é exatamente a coisa que importa aqui, não é?“. E é justamente esse ponto que torna Westworld uma série muito peculiar no tipo de roteiro e plot twists que revela. Por mais importante que seja uma coisa, na série, ela sempre trará um anticlímax aveludado a tiracolo, mostrando que se o que temos agora é algo para explodir mentes, a pergunta é: como isso aconteceu? E sendo mais preciso, onde está/esteve/estará William? O show parece não esgotar a sua cota de perguntas e mistérios, usando a revelação de uns para gerar outros.

O texto de Roberto Patino poderia ter evitado a repetição do ciclo de dissabores em torno de Juliet Delos (Sela Ward), para não barrar o episódio algumas vezes, com uma passagem não tão orgânica entre os blocos no Parque e o mundo externo (talvez essa tenha sido a intenção aqui, para gerar um choque de percepções no público que, pelo menos para mim, se sobrepôs a outras tantas coisas chocantes, acabando por se anular-se parcialmente), mas isso não é grave a ponto de baixar imensamente o texto ou atrapalhar o episódio. O que possivelmente incomodará alguns espectadores é o tipo de enigma que esse texto exibiu, fazendo-nos questionar tudo, mais uma vez, e nos deixando com aquela sensação de não estar entendendo nada (mais uma vez). Para mim, no entanto, isso foi ótimo, porque a colocação foi bem feita e os enigmas dentro dos enigmas fizeram sentido aqui, tendo sua existência justificada.

Ed Harris crava uma interpretação soberba nesse episódio, mais uma para a coleção da temporada. O comportamento irascível mesclado com a incompreensão de estar seguindo algo ou alguém parecem despertar ao mesmo tempo na persona do Homem de Preto, o que nos faz repensar a ideia de quem acordou primeiro (seria Will, o trabalhador pobre que entrou para uma família rica e acabou ascendendo a um alto posto de comando da empresa, conseguindo seu lugar de imortalidade mais cedo do que jamais nos revelou?) e qual é o real objetivo dele nesse jogo todo. Suas vitórias diante dos obstáculos de Ford, as conversas que teve durante todo esse tempo, a saga do Labirinto e, agora, a saga da Porta… qual é o real papel desse velho homem no jogo? Seria esse o final do “último jogo” que Ford lhe dissera para ele, quando se encontraram na fatídica noite do suicídio de Juliet?

Agora que chegamos à beira do abismo, parece-nos que era séria a frase de que o Vale, ou o que está no Vale, não é para todos. Dolores aqui tem um choque bastante pessoal diante de si (em uma cena filmada com uma delicadeza e elegância absurdas, fazendo homenagens visuais e textuais a dois westerns muito bons, Trinity e Seus CompanheirosOnde Começa o Inferno) e a morte (?) de Teddy pode servir de combustível final para ela seguir em sua jornada até a Porta, seja lá o que esta porta seja: a passagem para fora do Parque ou outra coisa? Para o mesmo lugar decisivo segue Bernard — deixando Elsie no caminho, o que me pareceu uma decisão estranha do roteiro, e espero que não abandonem ou façam bobagem com esse ponto da narrativa, no Finale — e ao que tudo indica, Charlotte está preparando uma pequena surpresa também para o encontro no Vale, a ser executada por Clementine. 

Vanishing Point é o tipo de episódio duro, seco, importante em mais sentidos do que a gente consegue imaginar antes do final, trazendo grandes momentos como o drama do Homem de Preto (as cenas com Grace são ótimas e Katja Herbers está muito boa no papel), o baita discurso de Ford para Maeve (Anthony Hopkins grandioso, de novo) e infelizmente, Maeve deitada naquela maca, sem fazer nada a não ser processar e enviar mensagens eletrônicas (hehehe), outra escolha do roteiro que não achei benéfica para o episódio e que espero que faça sentido no final. Quase chegamos diante da Porta e as perguntas não param. Quem é que vai abri-la? Ela será aberta? E que diabos há do outro lado?       

Westworld – 2X09: Vanishing Point (EUA, 17 de junho de 2018)
Direção: Stephen Williams
Roteiro: Roberto Patino
Elenco: Evan Rachel Wood, Thandie Newton, Jeffrey Wright, James Marsden, Tessa Thompson, Katja Herbers, Angela Sarafyan, Shannon Woodward, Ed Harris, Anthony Hopkins, Sela Ward, Jimmi Simpson, Martin Sensmeier, Jack Conley, David Midthunder
Duração: 60 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.