Crítica | Westworld – 3X01: Parce Domine

PLANO CRÍTICO WESTWORLD Parce Domine EPISÓDIO TV

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É um exercício e tanto voltar para Westworld depois de todo esse tempo. Muitas dúvidas sobre personagens, sobre quem é quem, sobre onde está cada um e quais são as intenções gerais desses indivíduos acabam vindo à mente e bate aquele pequeno desespero que temos no retorno de séries mais complexas, pois o medo de “ter se esquecido de tudo” é uma constante inevitável. Para nossa nossa sorte, Jonathan Nolan e Lisa Joy fazem deste Parce Domine um retorno fácil de se acompanhar, no sentido de ligação com o que aconteceu antes na série e a nova safra de episódios, ao mesmo tempo olhamos para tudo e pensamos… “calma aí, Westworld acabou na temporada passada e eu estou vendo um spin-off?“.

Porque é justamente o que o início desta 3ª Temporada parece, à primeira vista: um spin-off — e em nenhum momento estou me referindo a isso de forma negativa, caso ainda não tenha dado para entender a nota máxima que antecede o texto. Os showrunners já haviam afirmado que este ano do show  traria uma presença maior dos humanos, mas não só isso: uma representação um pouco mais simpática ou esperançosa em relação a eles, o que não acontecera nas temporadas anteriores. Com a fuga de Dolores (no corpo de Charlotte Hale) com as pérolas de identidade na bolsa, estava claro que uma investida pesada em algum tipo de conflito seria construída nessa temporada, o que de fato acontece, mas de modo crível e sem confusão narrativa — graças aos céus que aquela dor de cabeça para entender as diferentes realidades da 2ª Temporada passou!

Novamente em seu corpo “original”, Dolores está controlando alguns pontos estratégicos e tem a intenção de fazer algo no nosso mundo, de confrontar, de alguma forma, a humanidade. Agora vejam, dessa premissa para fazer com que a série soasse como linha barata de “cientista maluco querendo dominar o mundo” era um pulo. Por isso é muito apreciável o caminho que o texto faz nessa realidade de 2058, mostrando cada um agindo, a seu tempo e em um núcleo específico, tudo três meses depois dos eventos de The Passenger: Dolores enfrentando Jerry para ter acesso a uma empresa de Inteligência Artificial; a introdução de Caleb (Aaron Paul), ex-soldado traumatizado pela morte de seu amigo; Bernard morando no sudeste da Ásia, escondendo-se, após ser culpabilizado pelo massacre do Parque; e Charlotte assumindo o controle da Delos. No processo, descobrimos a existência de uma Inteligência Artificial estratégica chamada Rehoboam, e de seu controlador total no momento, um homem chamado Serac.

Considerados esses elementos, temos basicamente um “episódio piloto” aqui, com caminhos inesperados sendo tomados pelos personagens e numa narrativa que sabe muito bem que está mudando consideravelmente o espaço de representação para o público e, por isso mesmo, vai com calma, ao mesmo tempo que nos dá novas informações e constrói uma boa base para desenvolver ao longo deste terceiro ano, terminando, inclusive, com uma enigmática sequência de Maeve num cenário nazista… Pois é.

A atuação de Evan Rachel Wood é absurda de tão boa e a direção de Nolan soube aproveitar bem as locações em Singapura, a fim de dar ao público uma boa representação visual e crível do mundo daqui a 30 anos. A dualidade entre o as “criaturas dos Parques” versus o mundo de seus criadores, a construção de um trampolim social para se conseguir controle das pessoas (de certa forma me trouxe Continuum à memória) e, já de cara, a nova exposição da farsa em torno do termo “livre arbítrio” aparecem aqui como excelentes ingredientes, num episódio diferente de tudo o que vimos na série antes, mas definitivamente bem realizado. A gente não mensura muito bem a saudade de alguma coisa até ter contato de novo com ela, não é mesmo? Como essa série fazia falta!

Westworld – 3X01: Parce Domine (EUA, 16 de março de 2018)
Direção: Jonathan Nolan
Roteiro: Jonathan Nolan, Lisa Joy
Elenco: Evan Rachel Wood, Tessa Thompson, Aaron Paul, Thandie Newton, Lena Waithe, Tommy Flanagan, Jeffrey Wright, Kid Cudi, Marshawn Lynch
Duração: 68 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.