Crítica | Westworld – 3X04: The Mother of Exiles

Foi Emma Lazarus em seu soneto The New Colossus (1883) que chamou a Estátua da Liberdade de "A Mãe dos Exilados". Título de um monumento que simbolizava uma Nova Era, o primeiro olhar para o lugar da promessa de uma vida diferente, The Mother of Exiles aparece aqui em Westworld como um farol para uma narrativa que parece temer demasiadamente sair dos trilhos e está se pautando de aberturas e fechamentos em pequenos ciclos, inclusive com respostas muito importantes já no meio da temporada. Plano Crítico.

  • Há SPOILERS do episódio e da série. Leia, aquias críticas dos outros episódios.

Foi Emma Lazarus em seu soneto The New Colossus (1883) que chamou a Estátua da Liberdade de “A Mãe dos Exilados”. Título de um monumento que simbolizava uma Nova Era, o primeiro olhar para o lugar da promessa de uma vida diferente, The Mother of Exiles aparece aqui em Westworld como um farol para uma narrativa que parece temer demasiadamente sair dos trilhos e está se pautando de aberturas e fechamentos em pequenos ciclos, inclusive com respostas muito importantes já no meio da temporada.

A escolha, mesmo que pareça estranha — ainda mais para os padrões da série — tem um sentido em si mesma. Está claro desde Parce Domine que teremos nessa temporada um conflito e um ideal central tão intricados, que os showrunners resolveram engrandecer os assuntos principais entregando chaves de portas importantes, como a revelação completa sobre Caleb no episódio passado e agora a revelação sobre Dolores e sua jogada de mestre ao criar corpos diferentes para um tipo de mente replicada de si mesma. Uma verdadeira aula de narcismo à la Arte da Guerra que funciona como uma vingança e uma antecipação quase inacreditável de passos frente aos planos de Serac ou mesmo frente ao andamento dos planos de Dolores no comando da Delos.

A volta de William como um homem alquebrado e com esse “destino” que teve (ao menos no momento) nos dá uma dica sobre o quanto os criadores pretenderão criar de novidade em cima dessa nova premissa, sem apelar de forma ampla para mistérios — seja temáticos ou de personagens — do passado. Notem que a discussão sobre o retorno do Setor 16 está novamente na mesa e este é o verdadeiro desejo de Serac: encontrar a chave para destravar todo o conhecimento ali armazenado e então moldar o mundo sob sua visão, já que, segundo ele, o homem é o pior inimigo que existe dele mesmo — e só por um olhar na destruição de Paris a gente entende que esse futuro de 2058 é consideravelmente mais problemático do que imaginávamos.

Paul Cameron dirige o episódio com toda a elegância possível para gerar aquilo que o roteiro propõe: o grande passo de Dolores e a revelação de que todos os corpos são… Dolores também. Gosto bastante do uso de uma paleta majoritariamente escura aqui (grande destaque para o azul, como se estivesse inundando a todos) e principalmente da soberba montagem, que guia todos os blocos atualmente em andamento na série, de modo que eles chegam ao final do capítulo com todos descobrindo a grande verdade ao mesmo tempo. A impressão que eu tenho agora é que esses 4 capítulos iniciais foram um grande preâmbulo temático e que o contra-ataque de Serac ou o avanço ainda maior de Dolores é que trarão os elementos mas duradouros da 3ª Temporada, em termos de camadas secundárias. Se for mantido o fantástico nível de ação que tivemos aqui, mais um coeso entrelaçamento dos fatos, estamos em boas mãos. Que venha, então.

Westworld – 3X04: The Mother of Exiles (EUA, 05 de abril de 2020)
Direção: Paul Cameron
Roteiro: Jordan Goldberg, Lisa Joy
Elenco: Evan Rachel Wood, Thandie Newton, Jeffrey Wright, Tessa Thompson, Aaron Paul, Vincent Cassel, Ed Harris, Elando Baltimore, Chad Doreck, Tommy Flanagan, Chrystall Friedemann, John Gallagher Jr., Rafi Gavron, Diego Gilberte, Brian Gilleece, Iddo Goldberg, Luke Hemsworth, Katja Herbers, Hiroyuki Sanada
Duração: 65 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.