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Crítica | Wolf Creek – Minissérie Completa

por Leonardo Campos
532 views (a partir de agosto de 2020)

Está bastante complicado ser “original” na contemporaneidade. Depois de tantos conflitos, as comédias românticas dificilmente conseguem sair do trivial e bobo desfecho no aeroporto, com um dos membros do casal tentando impedir o fim do relacionamento. No que diz respeito aos filmes de ação, há numerosas produções sobre invasões à Casa Branca, ao Pentágono, ao Banco Central, bem como aviões sequestrados, além das bombas em ônibus e metrôs.

No que tange ao gênero suspense e terror, poucos conseguem o diferencial: quando não se investe em um plot twist intrigante, as narrativas caem no lugar comum. São espíritos que não aceitam a ida ao mundo dos mortos, psicopatas em busca de vingança por causa do grupo que o humilhou no baile de formatura ou a policial que decide colocar a sua vida em risco para resolver uma lista de crimes realizados por um serial killer. Esta personagem, geralmente, possui dramas do passado que não foram devidamente resolvidos, sendo o tempo presente da ação o espaço terapêutico durante a sua jornada.

Não digo aqui que sejam plots ruins. A questão é a dificuldade em sair desses lugares comuns do cinema contemporâneo. A indústria, no ápice de toda a sua esperteza, sempre acha uma forma de escavar os terrenos da criatividade em busca de possíveis novidades. Sendo assim, as refilmagens ou a prática do spin-off tem ganhado bastante notoriedade desde os anos 2000. Mais recentemente, a adaptação televisiva para filmes de sucesso é a receita para possíveis produtos de sucesso. O gênero terror, em especial, ganhou vários produtos neste formato: Damien (A Profecia) e Scream (Pânico) são alguns destes, além do road-movie de horror Wolf Creek – Viagem ao Inferno, produção com cara de filme independente, lançado em 2005, sucesso de crítica e bilheteria.

Baseada em fatos supostamente reais, a série nos apresenta novamente ao sarcástico psicopata Mick Taylor, interpretado de maneira asquerosa por Jphn Jarrat, um homem que ganha parte do seu tempo massacrando viajantes que atravessam o deserto australiano, em especial, os frequentadores da histórica Wolf Creek, uma cratera famosa, alvo de muitos turistas ao longo do ano.

Desta vez, o foco inicial é uma família que acampa no ambiente. Um dos filhos, ao tomar banho em um riacho, é atacado por um crocodilo. Para a alegria da família, um misterioso caçador surge e mata a criatura, salvando a vida do menino. Entretanto, a felicidade dura pouco. Mais adiante, o psicopata ataca toda a família e mata um a um com crueldade. O cálculo, por sua vez, não é bem feito, haja vista uma das integrantes do núcleo ter ficado viva.

É a partir daí que a série vai focar as suas energias em Eve (Lucy Fry), a sobrevivente que não tem a sua tese aceita pelos policiais da região. Eles acreditam que o pai da família tenha atacado a todos e depois cometido suicídio. Ciente de que a investigação será engavetada, Eve rouba os arquivos do detetive Sullivan (Dustin Clare) e parte em sua jornada em busca de vingança.

Ao longo de seis episódios, a série nos apresentará aos amargos momentos desta saga cheia de altos e baixos. Repleto de idas e vindas, enquanto Eve não encontra o psicopata para o embate final (que será, óbvio, no último episódio), o roteiro nos oferta uma gama extensa de subplots: há o casamento em crise do detetive Sullivan (o que lhe permite aproximar-se de Eve com outras intenções ao passo que a narrativa se desenvolve), há um motoqueiro que nos remete ao clima do instigante Easy Rider – Sem Destino, um presidiário em fuga e outros personagens flutuantes e desnecessários, juntamente aos outros essenciais para a eficácia das estratégias dramáticas, num roteiro acima da média, um pouco prejudicado pelos seus excessos, mas seguro da proposta central: a jornada evolutiva de Eve.

Aos interessados em sangue e vísceras, recomendo a continuação do filme, Wolf Creek 2. Nem o primeiro do “selo” investe em tanta violência, pois a tortura surge apenas próxima ao desfecho do filme. O foco da série é o drama. Há alguns assassinatos entre um episódio e outro, mas são cenas deslocadas e sem a mesma organização enfileirada de crimes, como num típico slasher. A ideia do roteiro é mesmo desenvolver a personagem interpretada com segurança por Lucy Fry. Ela é bem humana, comete falhas ao longo do processo, age com impulsividade, mas é astuta, mesclando características que a deixam menos óbvia do que poderia ser, caso os criadores estivessem mais interessados em mortes criativas e excesso de violência gráfica.

Greg McLean, responsável pela direção e roteiro do filme retorna para esta adaptação televisiva, dividindo os créditos de realização com Tony Tilse, diretor que assina cinco dos seis episódios. Peter Gawler e Felicity Packard assinaram o roteiro, tendo como base o argumento de Greg McLean, também produtor da adaptação. Basta aguardar se haverá uma segunda temporada. Por enquanto, há rumores para uma continuação nos cinemas. Para a televisão, o produto foi vendido como minissérie. E que assim seja: seis episódios foram o suficiente, afinal, se o vilão ainda tiver forças para atacar depois do massacre do embate final, é bem possível que ele faça parte do clã sobrenatural de Freddy Krueger, Jason Voorhes e Michael Myers, o que por sua vez, vai descaracterizar e enlatar um produto tão diferenciado.

Wolf Creek – A Minissérie Completa (Austrália, 2016)
Showrunner:  Greg McLean.
Direção: Tony Tilse e Greg McLean.
Roteiro: Peter Gawler e Felicity Packard, baseado no argumento de Greg McLean.
Elenco: Lucy Fry, John Jarratt, Dustin Clare, Deborah Mailman, Maya Stange, Damian De Montemas, Miranda Tapsell, Robert Taylor, Matt Levett.
Duração: 50 min (cada episódio – 6 episódios no total)

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