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Crítica | Wolverine e os X-Men – 1X01: Hindsight: Part 1

por Davi Lima
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 1
Número de episódios: 26
Período de exibição: 23 de janeiro de 2009 a 29 de novembro 2009
Há reboot? Não.

Num período de ressuscitação da voz altiva da Marvel Studios, entre os contratos de distribuição de longa-metragem em live-action com Paramount (Homem de Ferro, O Incrível Hulk) e a compra da Disney do estúdio como subsidiário, o braço artístico de investimentos em animação reintegrado em 2008, Marvel Animation, apostava na co-produção com empresa indiana de animação chamada Toonz Animation para distribuição da imagem dos X-Men na Nickelodeon. Tudo que se conhecia no cenário audiovisual do grupo mutante eram dos filmes da Fox dirigidos por Bryan Singer desde 2000, logo, colocar Wolverine como título e protagonista do desenho televisivo era reflexo direto da fama que o personagem tinha conquistado ainda mais entre o público da cultura pop. Dessa forma, o piloto da série aposta na conhecida personalidade de Logan para redesenhar em pouco tempo uma linha serial de estrutura narrativa em busca da mitologia dos X-Men.

Dentre os atributos que se popularizaram do protagonista Wolverine era sua misantropia, seu caráter antipático e desconfiante com as pessoas em geral. Esse seu conflito cerne é o ponto de partida, de certa forma, empático do personagem, pois o torna intrigante pela sua história quanto a Arma X, suas memórias antes do Adamantium e como se integra minimamente aos X-Men em luta pela causa mutante. Em linhas gerais esse é o princípio do episódio, tornando cômica e progressivamente muito dramática, rapidamente, a despedida de Logan da Mansão Xavier. Porém, o gancho de um acidente na mansão envolvendo o professor Xavier e Jean Grey, e a passagem temporal de um ano, força a transformação da misantropia de Logan. Se de imediato há a falta dos X-Men, que dão título a animação e aparecem na abertura televisiva lutando contra Sentinelas da Divisão Anti-Mutante, há também o impulso de buscá-los como objetivo do episódio piloto, emulando uma aventura resgate heróico como tradução da proposta da série e a missão fundamental de Wolverine.

Diante disso, não é à toa que a trama gire em volta de uma família inter-racial, que ajuda Logan após um dos seus atos heroicos diante dos civis, e também a parceria inicial do protagonista seja exatamente o Fera, ou Dr. Hank, como o X-Men remanescente da Mansão. Tanto a história com essa família recoloca Wolverine na civilidade para apresentar a situação mutante diante da sociedade dentro da animação, desenvolvendo os futuros conflitos para serem trabalhados na série, como Hank é base do mistério do acidente na Mansão Xavier, a segunda narrativa de conflito para ser resolvida ao longo dos próximos episódios.

Pensando em questões de organização e conhecendo a mitologia X-Men, seja do cinema ou das HQs, há várias dicas que empolgam automaticamente a continuar progredindo na série, especialmente pela liderança de Wolverine e com a separação do piloto de um episódio maior de duas partes. Mas, independente das sugestões dramáticas, a construção única do episódio, que mesmo sendo chamado de parte um tem uma conclusão redonda do roteiro, é cadente de timing circunstancial das interações. Há bons momentos emocionais, porém é muito dependente do imediatismo e da crença involuntária do espectador da falta dos X-Men presente a todo instante como ponto interativo.

Claramente a história de Logan com a família que o protege em sua casa da Divisão Anti-Mutante, e o homem branco gordo que o denuncia expõe o ponto discutido sobre a representatividade que os X-Men tem quanto aos párias sociais e os oprimidos pelas diferenças. Assim, também, todas as cenas de ação com o heroísmo na fuga e no resgate de mutantes presos pela Divisão é o tratamento do Wolverine como herói que vai voltando à ativa após a sua última ação de ir embora da família X-Men. Evidente, com essa interpretação mais direta, a proposta de paralelo do episódio com Logan, porém exatamente por seu tom misantrópico, acompanhar ele não o torna necessariamente o melhor personagem para instigar o drama da falta familiar, não na guinada temporal que o piloto se coloca em ritmo.

O sentimento é muito mais parecido com um arranque apressado em busca de Ciclope, Noturno, Vampira e a galera mutante que aparece no comecinho, do que relacionar a obviedade do título da série como algo inseparável. Porque dessa maneira Wolverine se torna apenas um caminho, um meio, realmente como a estrada que ele dirige a sua moto, para mais uma aventura X-Men, não um diferencial dramático como Hugh Jackman fazia nos filmes do Bryan Singer, que muito inspira a animação nesse episódio piloto.

Entretanto, afinal de tudo, pelo mesmo imediatismo e a profunda involuntariedade de ânsia pelos X-Men, além de Hank, Wolverine e outros mutantes menos conhecidos que aparecem mais, o 2D produzido pela Toonz Animation India foi a suficiente reintrodução dos X-Men no cenário televisivo animado após X-Men Evolution ter terminado no final de 2003. Mesmo que o piloto não seja um primor inicial, um alento plenamente satisfatório para a capacidade de X-Men além de mistério e aventura metafórica, e até mesmo do protagonismo de Wolverine, ainda assim, compreendendo os primeiros minutos sustentáveis e identificáveis da série, não apenas artisticamente reflete qualidade como também um cenário profusor de uma grande trama que X-Men pode sempre proporcionar. Em vez de ficar com o final do piloto, a abertura da série, de crianças sendo perseguidas por serem mutantes e os X-Men agindo individualmente nas ruas, é bem mais determinante dos caminhos que ela pode chegar.

Wolverine e os X-Men (Wolverine and the X-Men) – 1X01: Hindsight: Part 1 – EUA, 23 de janeiro de 2009
Criação: Craig Kyle, Greg Johnson
Direção: Boyd Kirkland
Roteiro: Craig Kyle, Greg Johnson
Elenco: Steve Blum, Chris Edgerly, Jennifer Hale, Michael Ironside, Danielle Judovits, Phil Morris, Nolan North, Liam O’Brien, Crystal Scales, Fred Tatasciore, Kieren van den Blink
Elenco (Dublagem Brasileira): Raul Schlosser, João Ângelo, Jorge Alex, Antônio Scharrenbroich Simão, Gláucia Franchi, Raul Schlosser, Carol Solidad, Rita Almeida
Duração: 23 min.

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