Crítica | Wolverine: The Lost Trail

  • spoilers apenas de Wolverine: The Long Night, audiodrama anterior.

Empolgadas com o sucesso de The Long Night, o primeiro audiodrama de Wolverine que marcou o retorno da Marvel para essa mídia desde o longínquo ano de 1974, a Marvel New Media e a Stitcher reforçaram sua parceria e produziram The Lost Trail, continuação direta da obra anterior. Novamente contada em 10 episódios de mais ou menos 30 minutos cada, a história se passa algum tempo depois dos eventos pregressos, mas sem perder a premissa básica de Logan sendo perseguido pela Arma X, entidade secreta que o criou e que o usava como instrumento de morte até sua fuga.

Sem conseguir contato com Maureen (Rachael Holmes), que é mencionada diversas vezes em The Long Night, Wolverine (Richard Armitage) vai até a Louisiana para localizá-la somente para descobrir que ela sumira juntamente com a mãe mutante do jovem Marcus Baptiste (Rodney Henry), com quem faz hesitante amizade além de toda uma comunidade local portadora do gene X. Com a agente Sally Pierce (Christina Bennett Lind substituindo Celia Keenan-Bolger) ao seu encalço, Logan e Marcus envolvem-se com Remy LeBeau (Bill Heck), mais conhecido como Gambit, em uma batalha contra os caipiras preconceituosos liderados por Bonnie Roach (Blair Brown, a Judy King de Orange is the New Black) e em um mistério que envolve o mutante Jason Wyngarde (Bill Irwin, o Carry Loudermilk de Legion), o Mestre Mental, nos famosos pântanos locais.

Logo de partida é possível notar a maior ambição da produção. Diferente de The Long Night, que mantinha Logan em segundo plano ao contar a história a partir do ponto-de-vista dos sentinelas humanoides que o perseguem, The Lost Trail coloca Wolverine no centro das atenções, fazendo toda a narrativa girar a seu redor. Isso faz com que o trabalho de voz de Armitage seja exigido ao máximo, com o ator cumprindo maravilhosamente bem sua tarefa e tornando-se a voz moderna definitiva do personagem. Além disso, pela mera presença de Gambit e do Mestre Mental, além de, mais para a frente, outro personagem importante da mitologia mutante, percebe-se a intenção de alargar o escopo do audiodrama para algo que vai além de apenas o Carcaju canadense e que pode preparar spin-offs para formar um “universo audiodramático”.

Mas, com mais ambições, vem a necessidade de mais cuidado e, mesmo com os trabalhos de mixagem e edição de som mantendo a qualidade, há problemas nas lutas mais francas, especialmente as que envolvem Gambit, já que seu poder não é exatamente “sonoro” e ele não ganha textos explicativos do que está fazendo, exigindo que se conheça previamente suas habilidades especiais. Mesmo que essa questão não fique saliente o tempo todo, ela já levanta um cartão amarelo de atenção caso realmente futuras produções dessa natureza envolvam mais mutantes com poderes não imediatamente discerníveis pelo som. Wolverine tem seu famoso snikt e o barulho de metal destroçando as coisas, mas outros, como por exemplo Jean Grey e Colossus, teriam que ganhar algum tipo de assinatura sonora, algo que falta aqui para Gambit. Pelo menos Wyngarde, que também em tese tem um poder problemático sob o ponto de vista de um audiodrama, ganha um artifício sonoro de “vozes” misteriosas que marcam sua influência psíquica sobre os demais.

Por outro lado, os trabalhos de voz impressionam. Já mencionei a responsabilidade de Armitage, mas também vale nota a belíssima performance de Rodney Henry, que imediatamente faz de Marcus Baptiste um personagem facilmente relacionável. Bennett Lind, que vem para carregar a tocha de Keenan-Bolger como a vilanesca sentinela Sally Pierce, é outra que tira de letra o trabalho e estabelece uma personagem que faz jus ao desenvolvimento que ganha aqui. Blair Brown é imediatamente odiosa como Bonnie Roach, algo que o roteiro de Benjamin Percy sabe explorar maravilhosamente bem ao longo dos 10 episódios, ainda que seu fim seja um pouco decepcionante.

Wolverine: The Lost Trail vem para solidificar os audiodramas da Marvel com a Stitcher e mostrar as possibilidades de um alargamento de universo. Cuidados precisam ser tomados nas demonstrações sonoras de poder, mas com certeza não é nada extremamente complicado para a ótima equipe de produção e para o diretor Brendan Baker, que retorna para a série. Agora é torcer para que a parceria da Marvel com a Stitcher só se intensifique.

Wolverine: The Lost Trail (EUA, maio a setembro de 2019)
Produtoras: Marvel New Media, Stitcher
Direção: Brendan Baker
Assistente de direção: Chloe Prasinos
Roteiro: Benjamin Percy
Elenco: Richard Armitage, Bill Irwin, Bill Heck, Blair Brown, Rodney Henry, Rachael Holmes, Mugga, Lizan Mitchell, Christina Bennett Lind, Willie Carpenter, Cadden Jones, Elizabeth Paige
Duração: aprox. 30 min. por episódio (10 no total)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.