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Crítica | X-Men: Extermínio #1 (de 5)

por Ritter Fan
171 views (a partir de agosto de 2020)

  • spoilers.

Chega a ser irônico que os X-Men tenham sido criados tendo em mente a forte crítica contra a segregação racial, mas sempre serem tratados pela Marvel Comics de maneira substancialmente segregada, com eventos e sagas próprios que pouco se misturam com os heróis não-mutantes da editora. Claro que há exceções como a saga Vingadores vs X-Men e a participação de determinados mutantes dentro de sagas fora do seio específico dos portadores do gene X, mas o núcleo mutante da Marvel sempre foi abordado separadamente, o que não é necessariamente uma crítica, apenas uma constatação.

Em 2012, como parte da reformulação dos títulos da editora, Brian Michael Bendis teve a excelente ideia de fazer o Fera, basicamente para dar uma lição de moral no Ciclope e demais colegas nervosinhos, voltar ao passado e trazer de lá os cinco X-Men originais, em começo de carreira. Com isso, as versões adolescentes do próprio Fera (antes de ganhar pele e pelos azuis), além de Ciclope, Garota Marvel, Homem de Gelo e Anjo, este ainda com asas de pena, foram arrancados de sua linha temporal e usados como a demonstração viva dos ideais puros de Charles Xavier. Mas o que era para ser transitório tornou-se permanente e os cinco se recusaram a voltar quando conheceram suas contrapartidas extremamente modificadas do futuro deles, nosso presente, pois queriam saber mais para justamente poderem evitar esse futuro/presente.

Nesse meio tempo, o Bobby Drake adolescente “saiu do armário”, Anjo ganhou “asas cósmicas” (acho que ninguém na editoria da Marvel acha viável um herói que é substancialmente um passarinho…) e o time se dividiu e juntou de acordo com as fases da Lua. Se a mixórdia temporal com os X-Men “velhos” já era insolúvel, a adição de suas versões com espinhas na cara só veio adicionar ao problema, mas de uma forma que, no agregado, diria que foi positiva. Corta para 2018 e temos um evento simultâneo a Guerras Infinitas (exclusivo dos heróis não-mutantes) focado nos cinco heróis mutantes deslocados no tempo. A ideia, segundo o anunciado, seria reverter esse quadro e mandá-los de volta à sua era, algo que, obviamente, não será tão simples assim.

A primeira edição do evento chega a ser um pouco frustrante para quem, como eu, acabou de ler as edições iniciais de Guerras Infinitas, pois, estruturalmente, as histórias começam praticamente iguais. Há mortes “chocantes” e um personagem encapuzado misterioso, só para começo de conversa. Além disso, a previsão apocalíptica do “fim do infinito”, que aparece em Guerras Infinitas, é refletida, em Extermínio, em mais um futuro distópico em que todos os mutantes foram mortos (sim, podem rolar os olhos…). A criatura encapuzada, então, tem como objetivo impedir esse futuro e, para isso, de alguma maneira os cinco mutantes adolescentes têm que estar envolvidos.

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(1) Mais um futuro distópico e (2) a chegada de Ahab.

Nesse meio tempo, outra ameaça aparece que pode ou não estar ligada com esse futuro: Ahab. É ele o responsável pela primeira morte da revista, a de Tormenta (Bloodstorm), versão vampira de Tempestade vinda de outra realidade. Sua presença no começo da história é tão gritantemente deslocada que a estaca que atravessa seu peito é telegrafada desde o primeiro quadro em que ela aparece.

O roteiro de Ed Brisson usa a técnica de guerra do “shock and awe” e marreta evento bombástico atrás de evento bombástico e esquece de contar uma história que vá além de um colcha de retalhos que parece de longe ter alguma estrutura. Afinal, não demora e Cable é introduzido na equação e, surpresa, surpresa, ele também é morto — e da maneira menos inspirada possível, chegando até a ser desrespeitosa com o personagem –, mas desta feita não por Ahab. O assassino é o tal personagem encapuzado que, na última página é revelado como o próprio Cable, só que mais novo, mais magro e aparentemente sem o vírus cibernético (ou tecno-orgânico, para quem leva esses detalhes a sério).

A reviravolta final não deixa de ser interessante e decididamente é capaz de levantar a sobrancelha de curiosidade. É, diria, uma bela isca que Brisson joga ali em seu texto bem lugar-comum que força o leitor a voltar para a próxima edição, mesmo que seja para se frustrar (mas torço que não!) e para ver mortos sendo revividos antes que sequer seus corpos esfriem (não no caso de Tormenta, mas vocês entenderam, não é?).

A arte de Pepe Larraz quase que consegue driblar completamente as armadilhas que a sofreguidão de Brisson cria, com uma enorme profusão de personagens e histórias que apenas tangenciam. Digo quase, pois, apesar de ele ter bom comando da progressão dos quadros e páginas, volta e meia ele torna a ação complicada de entender. Mas seus traços são fortes e bonitos, com belas definições de rostos e corpos, além de splash pages bem colocadas.

Extermínio tem um começo pouco inspirado que quer chocar mais do que contar uma história. Mas a fórmula de viagem no tempo + futuro apocalíptico + adolescentes perdidos costuma casar muito bem com os X-Men e é possível entrever potencial entre uma pseudo-surpresa e outra. Só o tempo dirá se Brisson quer mais do que fazer um evento meramente passável.

Extermination #1 (EUA, 15 de agosto de 2018)
Roteiro: Ed Brisson
Arte: Pepe Larraz
Cores: Marte Gracia
Letras: Joe Sabino
Editoria: Darren Shan, Jordan D. White
Editora: Marvel Comics
Páginas: 34

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27 comentários

planocritico 6 de setembro de 2018 - 15:27

Olha, não tem o que se preocupar. Pegue Extermínio para ler, que dá para entender direitinho!

Abs,
Ritter.

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vitor josé 6 de setembro de 2018 - 15:33

Ah vlw, eu só fico mal por não entender algumas referências hehe

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planocritico 6 de setembro de 2018 - 15:54

Alguma coisa sempre passará, mas acho que é uma dor de cabeça maior ainda correr atrás de tudo para ler!

Abs,
Ritter.

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planocritico 24 de agosto de 2018 - 15:54

Desistiu porque achou que ficou ruim ou por outra razão?

Abs,
Ritter.

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Leonardo Lima 24 de agosto de 2018 - 15:57

Principalmente pq estava se tornando um hobby caro de se manter, mas a questão da qualidade das estórias também influenciou bastante.

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planocritico 24 de agosto de 2018 - 16:01

Entendi. Para mim, a qualidade só começou a cair mais para a frente, lá pela altura de Ultmates vol. 3. Até lá, achei muito bacana.

Abs,
Ritter.

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planocritico 23 de agosto de 2018 - 14:32

Sou leitor das antigas também. Parei durante os anos 90 e voltei só quando a Marvel criou o universo Ultimate, que eu adorava. Hoje em dia, a quantidade de sagas irrita, de fato, mas tem muita coisa boa no meio delas.

Abs,
Ritter.

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Leonardo Lima 24 de agosto de 2018 - 09:14

Cheguei a ler o primeiro ano/ano e meio do universo Ultimate, mas logo em seguida desisti.

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planocritico 23 de agosto de 2018 - 14:31

@abner_alencar:disqus , não sei se arriscada é a melhor palavra. Diria que ela periga ser inútil se não houver uma mudança efetiva no status quo dos X-Teens, como a volta deles para sua linha temporal. Mas veremos!

Abs,
Ritter.

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Leonardo Lima 23 de agosto de 2018 - 10:10

Faz tempo que parei de acompanhar quadrinhos. Gostava principalmente dos da Marvel, mais especificamente dos X-Men. Mas vendo estas novas sagas, tenho cada vez mais certeza que tomei a decisão certa. Tomara que estas novas histórias estejam agradando aos novos leitores, pois creio que os antigos – como eu – não estão gostando nada dessa nova leva de sagas…

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Abner Alencar 22 de agosto de 2018 - 23:38

Gostei desta crítica. Estou achando essa Saga meio arriscada; mesmo que possa ser para encerrar a presença dos All New X-Men no presente, ela meio que esta se igualando a Batalha do Átomo. “Grupos” ou “Pessoa” que vem de um futuro, para fazer com que os All New X-Men voltem para o passado traçando uma caça á eles ao decorrer da historia; a presença de Ahab, no começo, imaginei que seria um elemento inserido para trazer um segundo arco dentro da saga, mas pelo visto até aqui, esta me parecendo que ele tem o objetivo de matar ao invés de manda-los de volta para o passado, tendo então algo em comum com “jovem” Cable: caçar os All New X-Men com finalidades diferentes. Bom espero também que essa historia traga surpresas, tirando mortes, porque só isso que sabem fazer no universo mutante, para depois trazer de “volta a vida”. Fico bem feliz em saber que eles podem voltar pra casa e acabar essa chatice que é Cullen Bunn em X-Men Blue ( é explicito o quanto ele é baba ovo do loucão do Magneto)

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vitor josé 22 de agosto de 2018 - 16:49

To bem perdido nas hqs alguém me diz a ordem q devo ler Pfvr

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planocritico 22 de agosto de 2018 - 16:55

Ordem do que exatamente? X-Men?

Se for X-Men, desde quando?

Abs,
Ritter.

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vitor josé 23 de agosto de 2018 - 22:36

Xmen, eu vi Vingadores vs Xmen, vi os cinco originais chegando ai apareceu a irmandade do futuro, teve a hq da Jean grey (q estou esperando a continuação) a ressurreição da outra Jean só q eu me perdi em relação ao q aconteceu cm os outros Xmen adolescentes

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planocritico 21 de agosto de 2018 - 22:50

Complexo de Messias forma uma trilogia com Messiah War e Second Coming.

Depois eu leria Cisma e Regênese e aí começaria a nova fase Marvel – All-New Marvel – que traz os cinco X-Men originais do passado. A primeira saga deles é Batalha do Átomo e, em seguida, o Julgamento de Jean Grey. Eixo é uma saga X-Men + Vingadores que você pode gostar também.

Abs,
Ritter.

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flie 22 de agosto de 2018 - 09:40

Obrigado pelas dicas

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planocritico 21 de agosto de 2018 - 22:30

Eu já fiz as pazes com as mortes em quadrinhos. Tenho levado na galhofa…

E, de fato, essa saga está longe de dizer a que veio. Mas eu acho que os X-Teen mostraram potencial e, se eles sumirem dessa linha temporal (que também é o resultado que espero), gostaria de vê-los na linha temporal deles no passado, moldando o futuro a partir dos conhecimentos que adquiriram.

Abs,
Ritter.

Responder
Raffiinha 21 de agosto de 2018 - 20:43

Depois dessa primeira edição, tenho pra mim que Extermínio é a pá de cal que faltava pra essa leva nova de revistas X.
X-Men Blue ta intragável. X-Men Gold da pra levar, mas é uma coisa rasa e sem graça que chega quase a dar pena. X-Men Red é a pérola recém-encontrada e está fadada ao fracasso tendo sua narrativa entrecortada pra esse evento repetitivo e sem sal.
Essas mortes “chocantes” hoje em dia tem o efeito contrário. Você vê aquilo e revira os olhos. Tudo bem que a primeira eu até gostei, pq era uma personagem irrelevante ao extremo e que só servia pra emular um universo alternativo em Blue, mas a segunda…
O twist realmente foi interessante. A identidade do encapuzado deixa mesmo uma curiosidade pro desenrolar. Só que a irrelevância dessa saga continua gritando e, pra mim, qualquer coisa diferente dos x-teen sumindo dessa linha temporal, vai continuar corroborando isso.

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planocritico 21 de agosto de 2018 - 14:50

Cara, sensacional sua mensagem de revolta visceral. Quase me engasguei com o café aqui de tanto rir…

Garth Ennis para se livrar dos X-Adolescentes? EU QUERO JÁ!!!!!

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Abs,
Ritter.

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planocritico 21 de agosto de 2018 - 14:49

Não entendi…

– Ritter

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pabloREM 21 de agosto de 2018 - 14:25

Depois de ler ou acompanhar coisas bisonhas como desfazer o casamento do Aranha, Homem-Aranha Superior, Vingadores Vs X-Men, Essência do Medo, entre outras, essa ideia, na minha opinião, péssima, de trazer os X-Novinhos para o tempo presente foi a gota d’água para eu parar de comprar mensais. Espero sinceramente que até o final dessa saga esses novinhos sejam enviados para a PQP rs. Sonho: colocarem o Garth Ennis para se livrar deles.

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Ronaldo César 21 de agosto de 2018 - 13:57

Parei de ler no vírus cibernético…

Responder
flie 21 de agosto de 2018 - 13:20

Eu fiquei um bom tempo sem ler quadrinhos, mas queria voltar. Os x-men sempre foram os meus favoritos. a última saga que acompanhei foi complexo de Messias. Quais as sagas que vcs recomendariam para eu me atualizar e que são realmente relevantes pro universo mutante?

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Artur Montenegro 21 de agosto de 2018 - 11:33

Achei muito repetitivo, estão sempre apertando na mesma tecla para os mutantes. Pelo menos me deixaram curioso para entender um pouco mais sobre o plot. Excelente crítica!

Responder
planocritico 21 de agosto de 2018 - 11:40

Obrigado!

Mas bota repetitivo nisso. Quando a primeira página mostra mais um futuro apocalíptico com os mutantes mortos não deu para não revirar os olhos…

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 21 de agosto de 2018 - 10:17

Meia boca define mesmo esse começo.

Abs,
Ritter.

Responder
enCICLOPEdia 21 de agosto de 2018 - 09:15

Achei meia boca esse primeiro.. nada de novo e nada de realmente importante

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