Crítica | X-Men: Extermínio #5 (de 5)

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Sagas e grandes eventos são as regras das duas editoras mainstream de quadrinhos de super-heróis. Depois que esse filão foi descoberto, os “meros” arcos épicos dentro da numeração normal das publicações tornaram-se mais raros, tudo em prol do marketing mais fácil e chamativo em cima de edições dedicadas a determinado grande acontecimentos. Isso não é de hoje e nem seria um enorme problema se tais sagas e eventos sempre se justificassem e não fossem apenas historietas mal pensadas como Guerra Civil II ou Convergência.

E nem quero com isso dizer que Extermínio, o mais recente evento envolvendo os X-Men, é do mesmo nível de ruindade das sagas citadas, pois não é. Mas, em seu agregado, ele fica ali na incômoda linha média da mediocridade, sem efetivamente fazer jus ao status de evento ou às edições separadas das publicações normais. A grande verdade é que a história, criada para devolver os X-Teens à sua linha temporal normal, é banal e poderia ter sido resolvida em duas edições. A prova disso é justamente seu encerramento, onde Ed Brisson efetivamente desenvolve a narrativa que ele faz andar de lado ao longo de quatro frustrantes números. É aqui, em 34 páginas, que ele finalmente lida, em velocidade meteórica, com aquilo que ele poderia ter abordado de maneira mais equilibrada antes.

Fundamentalmente, ele reverte todo o foco da narrativa para o convencimento final de que os mutantes adolescentes realmente têm que voltar para seu tempo, algo que já havia sido sobejamente reiterado milhares de vezes desde que o Fera do presente teve a “ótima” ideia de trazê-los para os dias de hoje e também no próprio evento. Mas, tudo acontece de forma simplista, como se os jovens acordassem de um sonho, finalmente percebendo que não dá mais para sustentar a permanência deles com suas contrapartes adultas em razão do apocalipse mutante que Kid Cable informou a eles que acontecerá. Irrita, claro, que em um estalar de dedos eles caiam em si, mas irrita mais ainda que, uma vez tomada a decisão, tudo – absolutamente tudo – dependa das crianças gêmeas Manon e Maxime. Nesse ponto, então, todos os esforços narrativos passam a ser na explicação final de quem afinal elas são, que poderes elas têm e como a jovem Jean Grey usa isso para “deus ex machinar” todo o restante da história, tanto no passado quanto no presente.

Por isso eu mencionei correria mais acima. Se Brisson tivesse trabalhado organicamente o plano de Kid Cable, que inclui a volta ao passado dos cinco mutantes, o apagamento de suas mentes e um gatilho para que a fusão de memórias então acontecesse no presente, tudo ganharia um ar mais lógico e não quase aleatório que tem nesse final. Brisson corre uma maratona por quatro edições e, na quinta, parte para os 100 metros rasos com sua equipe já sem fôlego pelo esforço anterior. No entanto, uma coisa deve ficar clara: se analisada separadamente, mesmo considerando seus problemas a derradeira edição é a melhor de todo o evento, já que vemos um encadeamento que, aí sim, justifica um evento com pompa e circunstância. Só que, dentro do contexto geral, a edição pouco faz para melhor a avaliação do trabalho do autor.

A referida correria faz outra vítima, no entanto. A arte de Pepe Larraz, que normalmente é eficiente, sofre demais com a literal falta de espaço para os acontecimentos e o desenhista acaba entulhando as páginas e nem sempre de maneira limpa e clara. Por exemplo, quando, para surpresa de ninguém, o Kid Cíclope empalado por Ahab ao final da edição anterior é revelado como sendo o Mímico, o leitor precisa estar muito atento para entender o que acontece, já que meramente seguir os quadros não é suficiente. Aliás, eu chegaria a dizer que, caso algum leitor sequer suspeitasse da troca, essa circunstância só ficara clara com os balões de fala que se seguem, o que automaticamente demonstra problemas. O mesmo vale para os momentos de pancadaria entre os X-Men e seus companheiros convertidos em Farejadores que nada mais são do que um emaranhando de gente super-poderosa se engalfinhando sem qualquer peso dramático, com o bônus (leiam a palavra com toda a ironia possível) de ter dois moleques se agarrando aos X-Men ainda sãos para transformá-los em escravos do vilão.

Pelo menos Brisson cumpre sua promessa e devolve os X-Teens para seu tempo. Claro que isso, não demora, será revertido ou retconado em edições futuras, mas, pelo momento, tudo volta ao “normal” para os X-Men do presente em um evento que não precisava desse rótulo. Ou quase, claro, pois o cliffhanger que traz Ciclope (o original) de volta está lá, ocupando uma página inteira ao final. Se estou curioso para saber como ele está de volta? Posso garantir que não dou a mínima, já que esse retornos de personagens mortos já perderam a graça há décadas…

Extermination #5 (EUA, 19 de dezembro de 2018)
Roteiro: Ed Brisson
Arte: Pepe Larraz
Cores: Marte Gracia
Letras: Joe Sabino
Editoria: Darren Shan, Jordan D. White
Editora original: Marvel Comics
Páginas: 34

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.