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Crítica | X-Men: Extermínio #5 (de 5)

por Ritter Fan
103 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas das demais edições.

Sagas e grandes eventos são as regras das duas editoras mainstream de quadrinhos de super-heróis. Depois que esse filão foi descoberto, os “meros” arcos épicos dentro da numeração normal das publicações tornaram-se mais raros, tudo em prol do marketing mais fácil e chamativo em cima de edições dedicadas a determinado grande acontecimentos. Isso não é de hoje e nem seria um enorme problema se tais sagas e eventos sempre se justificassem e não fossem apenas historietas mal pensadas como Guerra Civil II ou Convergência.

E nem quero com isso dizer que Extermínio, o mais recente evento envolvendo os X-Men, é do mesmo nível de ruindade das sagas citadas, pois não é. Mas, em seu agregado, ele fica ali na incômoda linha média da mediocridade, sem efetivamente fazer jus ao status de evento ou às edições separadas das publicações normais. A grande verdade é que a história, criada para devolver os X-Teens à sua linha temporal normal, é banal e poderia ter sido resolvida em duas edições. A prova disso é justamente seu encerramento, onde Ed Brisson efetivamente desenvolve a narrativa que ele faz andar de lado ao longo de quatro frustrantes números. É aqui, em 34 páginas, que ele finalmente lida, em velocidade meteórica, com aquilo que ele poderia ter abordado de maneira mais equilibrada antes.

Fundamentalmente, ele reverte todo o foco da narrativa para o convencimento final de que os mutantes adolescentes realmente têm que voltar para seu tempo, algo que já havia sido sobejamente reiterado milhares de vezes desde que o Fera do presente teve a “ótima” ideia de trazê-los para os dias de hoje e também no próprio evento. Mas, tudo acontece de forma simplista, como se os jovens acordassem de um sonho, finalmente percebendo que não dá mais para sustentar a permanência deles com suas contrapartes adultas em razão do apocalipse mutante que Kid Cable informou a eles que acontecerá. Irrita, claro, que em um estalar de dedos eles caiam em si, mas irrita mais ainda que, uma vez tomada a decisão, tudo – absolutamente tudo – dependa das crianças gêmeas Manon e Maxime. Nesse ponto, então, todos os esforços narrativos passam a ser na explicação final de quem afinal elas são, que poderes elas têm e como a jovem Jean Grey usa isso para “deus ex machinar” todo o restante da história, tanto no passado quanto no presente.

Por isso eu mencionei correria mais acima. Se Brisson tivesse trabalhado organicamente o plano de Kid Cable, que inclui a volta ao passado dos cinco mutantes, o apagamento de suas mentes e um gatilho para que a fusão de memórias então acontecesse no presente, tudo ganharia um ar mais lógico e não quase aleatório que tem nesse final. Brisson corre uma maratona por quatro edições e, na quinta, parte para os 100 metros rasos com sua equipe já sem fôlego pelo esforço anterior. No entanto, uma coisa deve ficar clara: se analisada separadamente, mesmo considerando seus problemas a derradeira edição é a melhor de todo o evento, já que vemos um encadeamento que, aí sim, justifica um evento com pompa e circunstância. Só que, dentro do contexto geral, a edição pouco faz para melhor a avaliação do trabalho do autor.

A referida correria faz outra vítima, no entanto. A arte de Pepe Larraz, que normalmente é eficiente, sofre demais com a literal falta de espaço para os acontecimentos e o desenhista acaba entulhando as páginas e nem sempre de maneira limpa e clara. Por exemplo, quando, para surpresa de ninguém, o Kid Cíclope empalado por Ahab ao final da edição anterior é revelado como sendo o Mímico, o leitor precisa estar muito atento para entender o que acontece, já que meramente seguir os quadros não é suficiente. Aliás, eu chegaria a dizer que, caso algum leitor sequer suspeitasse da troca, essa circunstância só ficara clara com os balões de fala que se seguem, o que automaticamente demonstra problemas. O mesmo vale para os momentos de pancadaria entre os X-Men e seus companheiros convertidos em Farejadores que nada mais são do que um emaranhando de gente super-poderosa se engalfinhando sem qualquer peso dramático, com o bônus (leiam a palavra com toda a ironia possível) de ter dois moleques se agarrando aos X-Men ainda sãos para transformá-los em escravos do vilão.

Pelo menos Brisson cumpre sua promessa e devolve os X-Teens para seu tempo. Claro que isso, não demora, será revertido ou retconado em edições futuras, mas, pelo momento, tudo volta ao “normal” para os X-Men do presente em um evento que não precisava desse rótulo. Ou quase, claro, pois o cliffhanger que traz Ciclope (o original) de volta está lá, ocupando uma página inteira ao final. Se estou curioso para saber como ele está de volta? Posso garantir que não dou a mínima, já que esse retornos de personagens mortos já perderam a graça há décadas…

Extermination #5 (EUA, 19 de dezembro de 2018)
Roteiro: Ed Brisson
Arte: Pepe Larraz
Cores: Marte Gracia
Letras: Joe Sabino
Editoria: Darren Shan, Jordan D. White
Editora original: Marvel Comics
Páginas: 34

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39 comentários

Big Boss 64 20 de dezembro de 2018 - 22:11

Ritter, isso não é uma crítica. Tá mais pra um desabafo. Deixe o mainstream de lado e vá resenhar quadrinhos autorais, europeus ou autorais europeus kkk

Responder
planocritico 20 de dezembro de 2018 - 23:12

Mas eu ADORO quadrinhos mainstream!!!

Abs,
Ritter.

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Big Boss 64 21 de dezembro de 2018 - 13:05

Caramba, você é um masoquista e não sabe. Meus pêsames… 😔

Responder
planocritico 21 de dezembro de 2018 - 14:25

Eu sei que sou! HAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHA

Abs,
Ritter.

Responder
Big Boss 64 20 de dezembro de 2018 - 22:11

O Ciclope terrorista VOLTOU??? Ah, vá a merda, porra! VÁ A MERDA! VAAAAA!!!!!

Responder
planocritico 20 de dezembro de 2018 - 23:12

Ciclopaço is back, bitches!!!

Abs,
Ritter.

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Luiz Santiago 21 de dezembro de 2018 - 07:27

Aguardem que na próxima série ele já mata uns e vem com discursinho pseudo-salvador. Pior ainda: tirando o corpo fora e dizendo que “só fiz o que fiz porque era o certo”.
HAUAHUAHUHUAAUAHUAHAUAHUAHUAHAUHAUHUHUAHAUHA

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Big Boss 64 21 de dezembro de 2018 - 13:15

Não, não, putz. Se ele ressuscitou, que continue o mesmo porque voltar a ser o escoteiro de antes não cola. Vai ser a mesma merda do Magneto nos X-Men 2 VEZES!!!

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João Victor Dantas 20 de dezembro de 2018 - 17:49

Destestei esse final ridiculo em varias maneiras.

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planocritico 20 de dezembro de 2018 - 17:50

Nossa, quanta raiva, HAHAHAHAHAHAHAHAHA

Mas sério, o que você mais detestou?

Abs,
Ritter.

Responder
pabloREM 20 de dezembro de 2018 - 17:27

Se essa história serviu para “consertar” uma das maiores cagadas das histórias em quadrinhos em todos os tempos, já valeu o esforço.

Responder
planocritico 20 de dezembro de 2018 - 17:50

Quanta maldade com os X-Teens!!!

Abs,
Ritter.

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Luiz Santiago 20 de dezembro de 2018 - 16:57

Ciclope faz alguma merda (como sempre) ou é suportável, nessa mini?

Responder
planocritico 20 de dezembro de 2018 - 17:49

Aqui só tem o Kid Ciclope. Ele mal aparece e, quando aparece, só faz o que todo Ciclope faz: COISAS MUITO BACANAS, DE SE APLAUDIR DE PÉ E CHORAR DE EMOÇÃO.

Abs,
Ritter, Líder do Movimento Pró-Ciclope e Anti-SantiGADO.

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Luiz Santiago 20 de dezembro de 2018 - 18:34

HAUAHUAHUAHUAHAUHAUAHAUHAUAHUAHAUHAUAHUA

Eu fico imaginando o Kid Ciclope tentando fazer algo bom, alguma coisa que não seja ficar de mimimi ou ficar bancando o “líder linha dura” quando na verdade as merdas acontecem justamente por causa dele!!! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHA

Mas já que ele mal aparece, então tá tudo bem. 😀

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planocritico 20 de dezembro de 2018 - 19:43

Quer um cara inútil? O Anjo.

Poder: voar com asas de penas.

Tem superforça? Não.

Tem invulnerabilidade? Não.

Lança raios? Não.

Tem qualquer outro “poder” que não seja voar batendo asas de pena? Não.

Ou seja, é basicamente um passarinho sem garras e sem bico…

Abs,
Ritter.

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Luiz Santiago 20 de dezembro de 2018 - 19:47

HHAAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHHAHHAHAAH

Não posso negar isso. Mas pelo menos o anjo não é um poço de fazer merda, né?

planocritico 20 de dezembro de 2018 - 19:48

Não sei… Passarinho é craque em cagar na cabeça das pessoas…

Abs,
Ritter.

Luiz Santiago 20 de dezembro de 2018 - 19:52

Touché, motherfucker!

Big Boss 64 20 de dezembro de 2018 - 22:15

Tu não sabe que o poder do Anjo não é pra lutar, mas levar a galera na hora de recuar? Kkk

planocritico 20 de dezembro de 2018 - 23:12

A galera? Ele leva UM e olhe lá. E tem que ser levinho senão nem isso…

Abs,
Ritter.

Big Boss 64 21 de dezembro de 2018 - 13:00

É verdade kkk. Eu lembro que no Ultimate X-Men, o Anjo jogou o Colossus no prédio dos irmãos Strucker (nem pergunte), mas o Peter só se transformou no meio da queda porque… né?

planocritico 21 de dezembro de 2018 - 14:25

Exato. Passarinho inútil!

Abs,
Ritter.

Big Boss 64 21 de dezembro de 2018 - 13:05

E considerando que HQs antigas tinham muito diálogo, dava tempo dele tirar um por um kkk

Léon 23 de dezembro de 2018 - 16:53

Tinha esquecido de comentar isso. Eu também acho a mesma coisa e fico pensando: “Foi perda de criatividade na hora de conceber o personagem ou realmente estavam desesperado para colocar uma figura religiosa na história?” porque nem (até onde eu saiba, não acompanho muito as HQs) ele não tem nenhuma mutação secundária que lhe dê outros poderes.

A falta de criatividade com o coitado é tão grande que no filme Apocalypse a “melhora” que ele recebe é ter as asas cromadas. A pessoa fica: “Sério? Uma galvanoplastia já resolvia a coisa. Precisava de um mutante antigo para isso não.”

Desabafo nada a ver, mas que preciso fazer (perdão pela rima): espero que não estraguem a Saga Fênix Negra (o que acho difícil) com esse novo filme…

planocritico 24 de dezembro de 2018 - 11:05

Que eu me lembre, o anjo não tem mutação secundária, mas, a começar por sua transformação em Arcanjo pelo Apocalipse, o que lhe deu asas de metal que atiravam “penas” letais, ele ganhou algumas versões de asas poderosas. Mas só…

Estou bem receoso por Fênix Negra. A compra da Fox pela Disney e o atraso no lançamento me deixaram com vários pés atrás.

Abs,
Ritter.

Léon 20 de dezembro de 2018 - 17:54

Só este comentário já mostra toda a felicidade (que está sendo disfarçada por uma camada diáfana de ironia) que o @luizsantiago:disqus sentiu ao saber da ressurreição milagrosa do personagem favorito dele (e que o guiará com a sua luz) Ciclope!

Responder
planocritico 20 de dezembro de 2018 - 17:57

Não é?

Ele está que nem pinto no lixo com a volta do Ciclopão!!!

Abs,
Ritter.

Responder
Luiz Santiago 20 de dezembro de 2018 - 18:32

Vocês não valem o peido de uma jumenta!!!

Responder
planocritico 20 de dezembro de 2018 - 19:30

Ou seria de uma vaca?

AHAHAHHAHHAHAHAAHAH

Abs,
Ritter.

Léon 20 de dezembro de 2018 - 19:25

Isso mesmo. Ele está disfarçando, mas essa notícia o ajudou a fechar com chave de ouro 2018.

Responder
planocritico 20 de dezembro de 2018 - 19:30

Ele até já disse que vai passar a virada do ano com um dos olhos fechados em homenagem ao MELHOR SUPER-HERÓI QUE EXISTE!

Abs,
Ritter.

Luiz Santiago 20 de dezembro de 2018 - 19:47

Queima ele, Jesus!

planocritico 20 de dezembro de 2018 - 19:48

@luizsantiago:disqus , sinto muito, mas Jesus já se converteu:

https://uploads.disquscdn.com/images/4e0ae9707e9ded5fafe80d3f1b34d701c5d1707ca1aac32bfc252c990888088a.jpg

Abs,
Ritter.

Luiz Santiago 20 de dezembro de 2018 - 19:52

OH NÃO!!! Cheguei tarde demais!!!

Terei que apelar para Azathoth.

Léon 21 de dezembro de 2018 - 16:40

E isso tudo aconteceu quando ele foi tentar subir em um pé de goiaba, caiu e e perdeu um dos olhos…

Léon 21 de dezembro de 2018 - 16:36

Ele vai usar aquele tapa-olho do Carnaval para se sentir ainda mais próximo e digno dos ensinamentos do Mestre Ciclope.

Luiz Santiago 20 de dezembro de 2018 - 18:32

Papai Noel,

este ano, eu fui um bom garoto. Suportei os coleguinhas malignos que ficam falando de um tal de menininho merdeiro dos raios nos olhos (quase poético, né, Papai Noel? Mas é A TREVA!!!). Por favor, mate os coleguinhas.

Com carinho.

Lulu

Responder
Léon 21 de dezembro de 2018 - 16:32

Eu fiquei com medo desta cartinha “amorosa” para o Bom Velhinho, mas eu sei que ele não vai conceder este pedido porque também fui um bom menino este ano. Até tentei ajudar colegas que uns dizem ser personalidades recessivas de outros a encontrarem a Luz através de um grande guia e modelo para humanidade, Scott “Ciclope” Verão! E o que ganhei em troca? Pedidos para ser assassinado por um velhinho risonho que voa em um trenó puxado por renas 🙁 🙁 🙁

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