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Crítica | X-Men Origens: Wolverine

por Rafael W. Oliveira
337 views (a partir de agosto de 2020)

  • Leiam, aqui, as críticas de todos os filmes e séries de TV do Universo Cinematográfico Mutante.

Com a popularidade da trilogia dos X-Men perante o público (por mais que o terceiro capítulo tenha dividido opiniões), seria um tarefa impossível para os produtores e para o estúdio deixar os mutantes de lado a partir do momento em que os primeiros filmes tivessem seus arcos fechados. Assim, os realizadores recorreram a um artificio mais do que previsivel: reboots. E para tentar manter a franquia viva, nada melhor do que recontar a origem do mutante mais popular dos filmes, Wolverine, que, na pele do australiano Hugh Jackman, ganhou bastante carisma nas telas. A iniciativa era interessante, uma vez que Wolverine, um personagem complexo, havia visto suas origens serem apenas pinceladas na tela, especialmente nos dois primeiros filmes de Bryan Singer.

O tiro saiu pela culatra. Em linhas curtas, X-Men Origens: Wolverine é o pior filme da franquia realizado até o momento, e isto sem precisar tecer comparações com os filmes antecessores. De fato, a própria trajetória do projeto parecia indicar que a coisa não ia acabar tão bem, uma vez que o diretor Gavin Hood (do oscarizado Infância Roubada) ainda não possuía tanta voz em Hollywood, além do fato de que seu trabalho pouco agradou ao estúdio, o que certamente acarretou em diversos cortes em mudanças na visão pessoal do diretor.

Com roteiro de David Benioff (Tróia, A Passagem, O Caçador de Pipas) e Skip Woods (Hitman – Assassino 47) visa construir uma trajetória que ressalte a complexidade emocional de Logan vista nos primeiros filmes, mas falha lamentavelmente nessa tradução. Se os filmes de Bryan Singer (e em menor escala, o terceiro capítulo de Brett Ratner) sabia criar uma aliança funcional entre o desenvolvimento de seus personagens e a ação empolgante, o filme de Hood acaba se prendendo excessivamente ao segundo ponto, e por mais que seja divertido neste sentido, não deixa de ser uma falha grave, já que aquele que deveria ser o principal objetivo do longa acaba ficando em segundo plano.

De fato, X-Men Origens: Wolverine é uma produção pra lá de descuidada. No roteiro de Benioff e Woods, tudo é motivo para pancadaria, explosões e o que mais possa partir disto. Entende-se que Wolverine é uma figura impetuosa e guiada pelo instinto, mas em determinado momento, isto parece ultrapassar o limite do aceitável, com Logan apenas dificultando sua própria jornada em busca de respostas. Da mesma forma, a produção técnica do filme apresenta uma evidente precariedade no uso da computação gráfica, com efeitos especiais que parecem ter saído de algum filme do início dos anos 90, tamanho o artificialismo visual de diversas cenas. Consequentemente, o efeito da ilusão é deveras insustentável devido a toda essa artificialidade gritante, e a impressão é de que o espectador poderá ver uma tela verde ao fundo a qualquer momento.

Há também um grande excesso de personagens que, aos poucos, vão surgindo durante a narrativa, mas pouco acrescentam à busca de Logan. Embora a aparição de Gambit (Taylor Kitsch) seja compreensível, uma vez que sua ausência foi sentida e criticada pelos fãs na trilogia original, o personagem se revela uma presença absolutamente dispensável, deixando claro que está ali apenas para saciar a sede de alguns dos admiradores mais xiitas. Da mesma forma, a inserção de um Ciclope mais jovem deixa claro a tentativa desesperada em tentar conceder algum espaço para um personagem completamente ignorado nos primeiros filmes, algo o qual os fãs também criticaram veemente.

A exceção fica por conta de Dentes-de-Sabre, numa caracterização surpreendente de Liev Schreiber, até então, um ator bastante limitado. Embora o parentesco entre Dentes-de-Sabre (que descobrimos se chamar Victor) e Logan possa soar estranho logo de início, o personagem é o que tem os conflitos melhor delineados, o que permite que o espectador consiga compreender sua fúria explosiva, algo ressaltado pela interpretação de Schreiber. Hugh Jackman também segue excepcionalmente bem como Wolverine, conseguindo oscilar com eficácia entre seus sentimentos explosivos e os mais serenos, algo surpreendente em um personagem/atuação já suficientemente explorado na tela.

Mas no fim das contas, X-Men Origens: Wolverine não passa de um equívoco da parte de seus realizadores. Como um simples filme de ação, é funcional e diverte com suas sequências movimentadas, mas também não deixa de ser um filme pra lá de mal aproveitado, repleto de excessos, e cujas ambições mercadológicas, ao falarem mais alto do que outras necessidades, acabaram por prejudicar consideravelmente o resultado final.

*Crítica originalmente publicada em 07 de maio de 2014.

X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine, EUA, 2009)
Roteiro: David Benioff, Skip Woods
Direção: Gavin Hood
Elenco: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Will i Am, Lynn Collins, Kevin Durand, Dominic Monaghan, Ryan Reynolds, Taylor Kitsch
Duração: 107 min.

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26 comentários

Beto Magnun 17 de setembro de 2020 - 19:21

Revendo esses filmes já que esse ano completou 20 anos que fiquei boquiaberto no cinema assistindo X-Men.
No caso desse spin-off da franquia, eu realmente gosto dos minutos iniciais, mostrando James e Victor ao longo dos anos.
Mas convenhamos: Wolverine era um personagem legal, até o Grant Morrison transforma-lo em um ser virtualmente imortal, e ter dado o passo derradeiro pra revelação do passado do personagem. Perder aquele background do passado misterioso acabou com o personagem. Daí lançar um filme baseado naquela tenebrosa minissérie, e com tantas cagadas nos bastidores, não poderia resultar em algo bom.

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planocritico 17 de setembro de 2020 - 20:37

@betomagnun:disqus , estou 100% com você sobre o que fizeram com o Wolverine nos quadrinhos ter sido tenebroso. Aquela revelação detalhada, interminável e cheia de cambalhotas sobre o passado dele acabou com o personagem para mim. Todo aquele charme e mistério que ele tinha foi completamente para o ralo.

Dito isso – e vale salientar que eu não redigi a crítica desse filme, mas eu o vi, claro – diria que o problema do longa é bem maior do que usar essa linha narrativa. Ele é TODO errado para mim. Conseguiram, com exceção da montagem de abertura, esculhambar o Carcaju a tal ponto que eu nem consegui acreditar no que estava vendo. Não sei se chegaria a dar uma estrela completa para esse filme…

Abs,
Ritter.

Responder
Beto Magnun 17 de setembro de 2020 - 19:21

Revendo esses filmes já que esse ano completou 20 anos que fiquei boquiaberto no cinema assistindo X-Men.
No caso desse spin-off da franquia, eu realmente gosto dos minutos iniciais, mostrando James e Victor ao longo dos anos.
Mas convenhamos: Wolverine era um personagem legal, até o Grant Morrison transforma-lo em um ser virtualmente imortal, e ter dado o passo derradeiro pra revelação do passado do personagem. Perder aquele background do passado misterioso acabou com o personagem. Daí lançar um filme baseado naquela tenebrosa minissérie, e com tantas cagadas nos bastidores, não poderia resultar em algo bom.

Responder
Leonardo Pereira 27 de maio de 2020 - 01:01

Que exagero. Sinceramente, não acho esse filme pior do que a primeira trilogia dos X Men.

Responder
planocritico 27 de maio de 2020 - 03:13

Eu acho MUITO pior.

Abs,
Ritter.

Responder
Iure Cintrao 11 de julho de 2017 - 01:19

O filme em si foi legal mas essa porcaria do Logan não podia morre com ele morto perdeu a graça de tudo

Responder
Casten Kids 14 de maio de 2014 - 18:44

Foi apenas eu, ou mais alguém ficou extremamente decepcionado com Deadpool? o.O Reynolds se metendo em altas enrascadas, como diria o narrador da sessão da tarde!

Responder
Rafael Oliveira 15 de maio de 2014 - 02:43

Foi outro personagem bastante mal aproveitado, Casten Kids. E no meu caso, lamento bastante esse desperdício, pois considero Ryan Reynolds um ator talentoso.

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joão 14 de maio de 2014 - 12:22

ehehehehehe. Realmente esse filme é horrível. Mas se é o pior eu não sei. Além do Batman já citado, ainda colocaria o Lanterna Verde, Elktra, e na minha opinião o primeiro Motoqueiro Fantasma. O segundo também não gostei, mas achei um pouco melhor que o 1.

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Rafael Oliveira 15 de maio de 2014 - 02:42

Eu nem acho Lanterna Verde e Elektra tãaaaaao ruins assim, acredita João? Considero-os divertidinhos até. Mas o Motoqueiro Fantasma é algo a se lamentar, realmente.

Responder
joão 7 de maio de 2014 - 23:06

Cara, gostei da resenha mas achei esse filme um dos piores filmes de herói que já assisti.

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planocritico 8 de maio de 2014 - 19:48

João, ganhei de você! Acho esse filme O PIOR filme de super-herói já feito em todo o universo. Pior ainda que Howard, o Super-Herói… 🙂 – Ritter.

Responder
Rafael Oliveira 9 de maio de 2014 - 11:02

Se querem conhece os piores filmes de super-herói, assistam Batman & Robin ou Superman III… Origens é um filme lindão perto deles.

Responder
planocritico 9 de maio de 2014 - 11:34

Batman & Robin ok. Já Superman III é BEM melhor que Wolverine. Superman IV sim é que fica no mesmo nível… – Ritter.

Responder
Rafael Oliveira 10 de maio de 2014 - 03:31

Superman III é uma ofensa! O IV também é ruim, mas tem um nível de diversão a mais, pelo menos…

Erik Blaz Dos Santos 9 de maio de 2014 - 11:18

Howard, The Duck é muito superior ao Wolverine, poxa,
era ótimo na Sessão da tarde :’D

Responder
Leonardo Pereira 27 de maio de 2020 - 01:01

Impossível você achar pior do que Lanterna Verde, Mulher Gato, Batman e Robin ou Elektra.

Responder
planocritico 27 de maio de 2020 - 03:13

Acho sim. Esse filme é revoltante. Os outros são apenas péssimos.

Abs,
Ritter.

Responder
Erik Blaz Dos Santos 7 de maio de 2014 - 14:07

Nossa Rafael, tá sendo bondoso em dar duas estrelas e meia para o filme… ‘-‘

Responder
Rafael Oliveira 7 de maio de 2014 - 23:39

Eu ainda disse pra Ritter que quase, QUASE dou meia estrelinha a mais. HAHAHAHA

Responder
Erik Blaz Dos Santos 8 de maio de 2014 - 04:03

Céus… Quanta bondade emanando de seu ser D:
Bem, vejo um lado positivo, se fosse eu, simplesmente esculacharia a adaptação…

Responder
planocritico 8 de maio de 2014 - 19:37

Eu também daria duas estrelas, só que negativas! Garras de papelão e mais furos no roteiro do que o proverbial queijo suíço… – Ritter.

Responder
Erik Blaz Dos Santos 8 de maio de 2014 - 19:56

HAHAH… Nem liguei para as garras ósseas,
o problema mesmo foi o roteiro que nossa, tinha tanto furo quanto excesso de personagem ¬¬

Rafael Oliveira 9 de maio de 2014 - 10:59

Ah gente, mas vá lá, o filme é divertidinho ao menos, né não? 😀

planocritico 9 de maio de 2014 - 11:34

Não… 😀 – Ritter.

Erik Blaz Dos Santos 15 de maio de 2014 - 17:45

HAH!
Sim… só que não xD
Wolverine num pode ser engraçadão U_U
Só o Deadpool, mas pera… HAhAHAUAHUHAU!!

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