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Crítica | X-Men – Primeira Classe

por Luiz Santiago
349 views (a partir de agosto de 2020)

Para surpresa de todos os fãs dos X-Men e dos que saíram frustrados dos cinemas após assistirem aos outros quatro filmes da franquia, a mais nova continuação da saga dos mutantes, enfim, acertou em ritmo, história e elementos técnicos a sua mais nova produção, assumindo a posição de melhor capítulo da cinessérie.

X-Men: Primeira Classe (2011) é o quarto filme de Matthew Vaughn, que fez jus à sua escolha na disputada indicação para tão esperado blockbuster. Manipulando estrategicamente a atuação de personagens não contemporâneos aos primeiros X-Men sem interferir na história central, o diretor conseguiu realizar uma obra de amplo alcance, atendendo as demandas mais críticas de espectadores e agradando àqueles que vão ao cinema apenas em busca de explosões e tensão. O resultado é um produto maduro de uma franquia que ia mal das pernas. Apesar do bom trabalho de Bryan Singer em X-Men – O Filme e X-Men 2, não havíamos chegado a um longa que fosse efetivamente notável ou que tivesse menos erros narrativos e maior número de acertos postos na tela com grande qualidade, como acontece neste Primeira Classe.

A trama se desenrola em torno de Erik e Charles, os futuros Magneto e Professor Xavier, mas diversas personagens coadjuvantes ganham devida importância, um trunfo que foi pouco explorado nos filmes anteriores, preocupados em encaixar no decorrer dos acontecimentos cada uma das pequenas histórias individuais, caindo na estranheza do “niilismo dramático”, o que é um erro grave em se tratando de histórias com super-heróis. Em X-Men: Primeira Classe, a narração paralela das duas histórias não privilegia e nem despreza vilões ou mocinhos. Todos conseguem um espaço satisfatório e, mesmo quando não possuem falas (caso do personagem de Álex González, o Maré Selvagem), destacam-se por sua importância em algum momento da obra.

O roteiro escrito a oito mãos livra-se do mal que fere esse tipo de parceria. Com tanta gente escrevendo uma história, era de se esperar que o resultado comece no nada e termine em lugar nenhum — exemplos não nos faltam disso, muito embora tenhamos alguns casos de parcerias entre muitos roteiristas com louvável resultado final. Entretanto, observamos em Primeira Classe uma linha segura e bastante madura de desenvolvimento, com uma história difícil de ser contada mas muito bem escrita e dirigida. A disputa entre Estados Unidos e URSS na Guerra Fria, com foco na Crise dos Mísseis de Cuba, volta agora com incontáveis referências cinematográficas, imagens da época e plena relação com a história contada e sem o famoso “encaixismo” tão comum nesse tipo de produção. O erro vem apenas ao final da película, quando após uma cena apoteótica (onde todos esperávamos que o filme terminasse), uma imatura desaceleração seguida de duas sequências de isopor põem fim à obra. Mesmo assim, permanece a impressão do ótimo trabalho realizado nos 130 minutos anteriores.

As atuações de James McAvoy, Michael Fassbender e Kevin Bacon são bons destaques do elenco, trazendo com competência as características de suas personagens. Embora uma certa preguiça nos diálogos possa ser vista no decorrer da história, não é algo que minimize o roteiro ou o trabalho dos atores. A música de Henry Jackman também se destaca pela atmosfera que imprime a cada sequência que aparece e o filme ganha mais um ponto por não saturar de temas musicais cada plano que vemos. A edição e mixagem de som alternam com a música o trabalho de impacto, gerando interessantes efeitos dramáticos e psicológicos. Assim também é o uso da câmera pelo diretor e algumas de suas espirituosas composições visuais, com destaque par uso do zoom, das grandes panorâmicas e das dinâmica cênica nas cenas de batalha.

X-Men: Primeira Classe é um evento. Um evento comercial, vindo de uma franquia que explora o início daquilo que já conhecemos, mas o faz da melhor maneira possível. Divertimento, emoção, provocação… o filme tem de tudo um pouco e cada espectador terá a sua visão da obra, embora todas elas sejam pontuadas por uma conclusão unânime: enfim, um bom filme sobre os X-Men. Ou pelo menos um companheiro para o solitário (até agora) X-Men 2.

X-Men – Primeira Classe (X-Men: First Class, EUA, 2011)
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman e Matthew Vaughn
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Álex González, Jason Flemyng, Zoë Kravitz, January Jones, Nicholas Hoult
Duração: 132min.

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21 comentários

Beto Magnun 17 de setembro de 2020 - 19:52

Sinceramente esse é pra mim o pior da franquia. Rever ele hoje em dia é uma experiência dantesca, pois a edição me faz lembrar produções da Record. E francamente… Dois personagens pretos. Um tá ali apenas pra morrer e a outra pra virar a casaca. É triste.

P.s.: Eu o elegi como pior, mas não vi Os novos mutantes e nem Apocalipse. Apocalipse é aquele tipo de filme que o trailer já deixa claro o quão ruim é.

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Luiz Santiago 17 de setembro de 2020 - 22:55

Claramente estou do lado oposto dessa régua. Acho Primeira Classe sensacional!

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Anônimo 15 de setembro de 2018 - 02:36
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Rafaela Oliveira 5 de dezembro de 2017 - 12:24

O melhor filme dos x-mens! sai morta de felicidade do cinema e olhe que quase não fui assistir pq tinha odiado o x-men 3 e tinha odiado mais ainda o primeiro Wolverine

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Luiz Santiago 5 de dezembro de 2017 - 15:29

Pois é! Muita gente quase perde essa maravilha aqui por bronca com outros filmes da franquia!

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JGPRIME25 28 de fevereiro de 2017 - 11:21

Na minha opinião, o melhor filme dos X-Men e o melhor filme de equipe de super heróis.

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JGPRIME25 28 de fevereiro de 2017 - 11:21

Na minha opinião, o melhor filme dos X-Men e o melhor filme de equipe de super heróis.

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Luiz Santiago 28 de fevereiro de 2017 - 14:43

Com certeza é um dos melhores!

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Luiz Santiago 28 de fevereiro de 2017 - 14:43

Com certeza é um dos melhores!

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Helder Zemo 12 de janeiro de 2016 - 21:33

Filme ótimo, melhor obra dos xmen nos cinemas, o filme consegue ser um Blockbuster e um filme mais dramático com êxito, trilha sonora no nível dos filmes do Vaugh, não há uma saturação de personagens, apesar de alguns serem poucos aproveitados , a trinca principal da show, Fassbender faz um Magneto melhor explorado que o do Mackelen um personagem bem tridimensional e o Xavier o muito bem explorado e mais cool tbm, ate o Kevin Bacon consegue uma boa atuacao ,fora o clima a lá Watchman com a tensão da guerra fria, aliás , vemos sentimentos mais humanizados como vinganca, desejo, irá, amizades todos bem trabalhados, os diálogos são meio burocráticos, isso talvez seja o maior defeito do filme realmente, mas ainda acho que o Mathew deveria ter continuado, agora vem o Apocalipse Babaloo e sinceramente to com medo desse novo filme kkkk já cagaram todo o desenvolvimento da Mística só pelo trailer… Cade o mutante e orgulhoso kkk

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Luiz Santiago 12 de janeiro de 2016 - 22:06

O trabalho com os personagens aqui foi digno de aplausos. E olha que no início, a maioria das pessoas — inclusive eu — duvidou que fosse gostar do filme. Mas realmente me impressionei.

Sobre o novo… estou com o pé atrás, confesso.

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Mikhael 16 de março de 2015 - 16:50

Esse foi o melhor filme dos filhos do átomo até agora! Atuações impecáveis, trilha sonora excelente, boa interação entre os personagens, deixa ganchos para os próximos filmes, finalmente o uniforme é fiel aos quadrinhos, nenhum personagem é inútil, a época em que se passa ficou muito bem representada, os cenários são lindos, a dinâmica das lutas é fantástica, a história passa a emoção dos personagens.
E o mais importante, é um filme sobre uma equipe, não tem só um protagonista, não tenta ser realista e sombrio, não muda a personalidade de ninguém (só o Banshee, mas não me lembro de mostrarem ele jovem nas hqs, então não faz mal), não é pretensioso, não exagera como um tal de Dias de um futuro esquecido.
Uma pena que a Fox cagou em seguida…

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Luiz Santiago 17 de março de 2015 - 21:32

É uma adaptação muitíssimo bem feita, eu concordo. Havia momentos, sentado na cadeira do cinema, que eu não acreditava quem um baita filme dos X-Men estava seguindo aquele rumo incrível…
Essa é uma daquela ótimas surpresas que a gente tem e fica extremamente feliz após a sessão. 🙂

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Awos95 17 de setembro de 2014 - 19:10

Esse filme foi o qual capturou melhor o espirito das historias do X-men(pelo menos ele tem tudo que me faz gostar do X – Men
E vc comentou sobre a direção, aquela cena final representando a perda total do Erik e ele colocando o capacete pela primeira vez, enquanto o plano fica trocando entre o Charles tentando salvar o amigo e o Erik com o capacete e aquela musica foda tocando ao fundo
Aquela cena foi linda e tensa, naquela hora eu estava grudado na cadeira sem mal respirar é muito epico

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Luiz Santiago 17 de setembro de 2014 - 20:06

@awos13:disqus, esse filme tem momentos maravilhosos na direção, atuação do elenco e trabalho com efeitos. Eu realmente gostei bastante do que o diretor faz aqui. E concordo com o que você disse: capturou muito bem o espírito das histórias dos mutantes…

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Rafael Gardiolo 21 de maio de 2014 - 01:52

A cena na Argentina já vale o ingresso. Surpreso com a trilha sonora, superou e muito os filmes anteriores, que já contava com um trabalho inspirado. De negativo apenas alguns efeitos especiais e nos diálogos, como apontado na crítica.

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Luiz Santiago 21 de maio de 2014 - 15:13

É realmente um filmaço!

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Ricardo Correa 15 de maio de 2014 - 15:22

Eu costumo tachar os dois primeiros xmen com o lado dark ( contando com
Blade ,seguido depois por outros como o batman de Nolan , e poderíamos
ampliar este espectro ou “estilo” pra matrix e tantos outros …) Sempre
me deram a impressão de foram filmes de super-heróis feitos por pessoas
nem tão fanáticas por suas temáticas ou caras que não conseguiam crer
que um argumento de quadrinhos poderia ser realmente celeiro correto
para um roteiro cinematográfico e portanto tentaram de fato extrair
apenas o melhor o sumo das suas histórias e provar que aquilo sim
poderia se tornar um cinema digamos “legítimo” se não se envolvessem
tanto com os exageros…Já x-men primeira classe me pareceu como a
legítima redençao da sétima arte realmente abraçando seriamente e
inteiramente a nona que desembocara maravilhosamente no auge com
Vingadores de Joss whedon. Amei demais sua resenha pois me deixou mais
tranquilo : pensei que somente eu tinha achando o filme tão completo
tanto para fãs quanto para iniciantes ( ou va lá – somente esfomeados
por ficçao seja de que tipo for ) e não lembro de ter visto nunca
personagens tão bem desenvolvidos numa trama de “origem” quanto neste
filme. A escolha da trama se enredar nos dois ícones maduros da franquia
e não somente nos heŕois que os teens mais amam foi algo ousada e
talvez determinante como fator de conquista para platéias não iniciadas em mutantes x.

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Luiz Santiago 15 de maio de 2014 - 18:37

Ricardo, muito interessante a sua visão em relação a esses filmes, especialmente a colocação em relação aos X-Men. E fico feliz que também veja como eu vi este maravilhoso filme. É uma obra realmente incrível, não?
Grande abraço e volte sempre!

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Rafael Oliveira 14 de maio de 2014 - 12:18

Michael Fassbender. Pra mim, o filme poderia ser resumido nele, de tão monstruoso que seu Magneto consegue ser em cena.

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Luiz Santiago 14 de maio de 2014 - 20:10

Ele realmente está sensacional! Aliás, o elenco desse filme está afinado pra caramba, visivelmente tiveram um bom guia, na direção e, com os taletos aqui em cena, simplesmente brilharam!!!

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