Home QuadrinhosArco Crítica | Y: O Último Homem – Vol.1, Extinção (Sem Homens)

Crítica | Y: O Último Homem – Vol.1, Extinção (Sem Homens)

por Luiz Santiago
359 views (a partir de agosto de 2020)

Extinção ou Sem Homens, como também é conhecido, é o primeiro arco da série Y: O Último Homem, criação de Brian K. Vaughan (roteiro), Pia Guerra (arte) e José Marzan Jr. (arte-final), que estreou em setembro de 2002 nos Estados Unidos, sendo uma das publicações mais celebradas e lembradas da Vertigo; uma série que durou 60 edições, chegando ao seu fim apenas em 2008.

O roteiro aborda de maneira bastante peculiar o que poderia ser um cenário apocalíptico na Terra, estabelecendo a seguinte premissa: sem nenhuma explicação, num dia qualquer, todos os mamíferos com o cromossomo Y morreram ao redor do mundo (incluindo aí os embriões e espermatozoides desses mamíferos também). Com esse núcleo central somado a diversos conceitos de bioética, a discussões rápidas e práticas sobre clonagem humana, a um drama apocalíptico bem estruturado e abordagens sociológicas que trazem à tona ideias feministas, femistas e misândricas, o roteiro realiza um excelente trabalho ao colocar em cena a extinção de um gênero e tentar responder de diversas formas à pergunta: “como seria um mundo sem homens?“.

A primeira parte da trama recebe uma espécie de contagem regressiva, em diferentes momentos do dia e espaços geográficos, colocando mulheres trabalhando, divertindo-se ou conversando com homens, como acontece todos os dias. Essa preparação não serve para fazer um contraste teórico com o que viria depois, mas tem um excelente papel na criação do choque dramático, quando da constatação de que existem apenas mulheres no planeta. Para complicar a situação, símbolos e ideologias começam a despertar a imaginação de vários grupos de mulheres. Algumas integram a facção das Amazonas, outras adotam um culto a um certo monumento fálico em Washington (o obelisco), outras republicanas querem assumir a todo custo a cadeira de seus maridos  o Congresso, outras estão apenas lutando para conseguir um pouco de comida…

plano critico y o último homem quadrinho sem homens extinção

A chegada da praga: o extermínio do cromossomo Y.

O presente cenário de caos e sobrevivência são, em tese, menos agressivos em comparação a outros dramas apocalípticos que conhecemos (como os nuclear, zumbi ou de desastres naturais), mas com certeza é mais complexo. Afinal, o mundo permanece o mesmo, à parte os acidentes gerados no momento em que os homens morreram (como incêndios, batidas de carro, explosões…), mas fica a constatação de que todos os mamíferos que vivem agora são fêmeas. Ou quase isso. O roteiro de Brian K. Vaughan prepara uma intrigante e inteligente colocação de Yorick Brown e seu macaco-prego Ampersand (&) — ou seja, dois machos — nessa nova realidade e a aventura passa a se desenvolver numa linha aparentemente simples de ação: Yorick e o símio possuem uma imensa responsabilidade para com o mundo agora. Mas de novo, quando se trata de humanos, absolutamente nada é tão simples. E esse cenário só de mulheres mostra claramente que nenhum gênero tem o monopólio da babaquice.

Gosto bem mais da forma como o ritmo e os eventos se desenvolvem nas duas primeiras edições do arco. A partir da terceira, o enredo precisa se abrir para dar oportunidade a novos personagens, além de sentido à jornada de Y e & para encontrarem a Doutora Allison Mann, que insere de maneira mais orgânica o papo de bioengenharia na trama. O núcleo das Amazonas acaba funcionando mais quando colocado como uma ameaça forte, temida, mas distante dos holofotes. Quando entram em cena, parece que algo não está muito certo. O bom é que o roteiro sabe alternar cenas passando-se em diferentes espaços (cada um deles com boas particularidades visuais graças à arte e à aplicação de cores), de modo que na reta final as Amazonas são novamente distancias e o leitor está mais uma vez focado no suspense em torno da fuga e busca por respostas dos dois únicos machos (até que se prove o contrário) do planeta.

Uma história que já começa engajando pelos mais diversos motivos, além de ter uma interessantíssima linha dramática para seguir. E só pelo que temos aqui na ficção, nossos rogos é que nunca, nenhuma das situações de fato aconteçam, porque um mundo só de mulheres ou só de homens não seria nada divertido…

Y: The Last Man #1 a 5 – Unmanned — EUA, 2002 – 2003
No Brasil:
Panini, 2009 e 2015
Roteiro: Brian K. Vaughan
Arte: Pia Guerra
Arte-final: José Marzan Jr.
Cores: Pamela Rambo, Digital Chameleon
Letras: Clem Robins
Capas: J.G. Jones
Editoria: Zachary Rau, Heidi MacDonald, Steve Bunche
132 páginas

Você Também pode curtir

13 comentários

Wagner Pires 28 de novembro de 2019 - 13:42

Essa HQ é sensacional! Sempre recomendo essa junto com Saga, Fábulas e The Wicked+The Divine pra qlqr um que acha que quadrinho é só sobre super herói. Por falar nisso, não vou continuar as criticas de TW+TD?

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 28 de novembro de 2019 - 13:57

São excelentes indicações mesmo! Sobre TW+TD, o Pedro não está mais conosco, então as críticas deveriam vir por outro autor. Bora ver, eu não li nada dessa série ainda, então se iniciar no próximo ano, posso dar continuidade às críticas dos arcos, sem problema. É uma possibilidade.

Responder
Italo Bandeira 27 de novembro de 2019 - 13:00

Levando em consideração o cenário atual, essa HQ traz uma temática bastante interessante. Vou dar uma conferida depois!

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de novembro de 2019 - 13:07

Interessantíssima! Confira sim.

Responder
planocritico 26 de novembro de 2019 - 17:26

Cara, essa série é boa demais. Um conceito intrigante e que é muito bem executado!

Abs,
R, o Último Crítico.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 26 de novembro de 2019 - 18:13

O conceito é muito foda. E gostei bastante de como as coisas andaram nessa primeira parte. To ansioso pra continuar a leitura.

Responder
planocritico 26 de novembro de 2019 - 18:24

Ou eu posso revelar TUDO o que vai acontecer até o final, com o Yorick descobrindo que, na verdade, o que aconteceu foi que todos os machos foram teletransportados para uma outra dimensão que só tinha fêmeas e tudo virou um grande bacanal e o protagonista da HQ ficou foi a ver navios…

Abs,
SpoileRitter.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 26 de novembro de 2019 - 20:20

Às vezes a pessoa gosta de brincar com a morte…

Responder
Italo Bandeira 7 de dezembro de 2019 - 11:55

Mano … por que raios fui ler seu comentário?! Nem tive tempo de ler ainda e já vou começar a conspirar coisas xD

Responder
Fórmula Finesse 27 de novembro de 2019 - 09:01

Todos os homens/machos são merecedores da misericórdia e privilégio divino, o que aconteceu foi apenas o ARREBATAMENTO bíblico previsto eras atrás. As mulheres, fêmeas e quetais (sic), filhas diretas da encrenqueira da Lilith, não poderiam partilhar de tal graça – No último quadrinho, aparece apenas um desenho ilustrando toda a profecia: uma página gasta de uma Bíblia, jogada e abandonada na calçada…
FIN
P.s: Yorick era descendente sanguíneo de Judas, por isso teve que penar mais um pouco, mas logo seria levado aos céus também.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 27 de novembro de 2019 - 13:19

VOCÊS NÃO VALEM O PEIDO DE UMA JUMENTA!!!

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Responder
Fórmula Finesse 27 de novembro de 2019 - 13:54

rsrsrsr… só queremos ajudar!!!

victor lima 28 de novembro de 2019 - 12:34

PO MANO KKKKKKK.

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais