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Crítica | Your Name.

por Ritter Fan
553 views (a partir de agosto de 2020)

Nunca verdadeiramente gostei da estética de animes, mas isso não me afasta completamente de animações japonesas. Your Name., em razão de seu sucesso estrondoso em seu país de origem, sendo a quarta maior bilheteria da história por lá, efetivamente acabou atiçando minha curiosidade.

Não conhecer nada da obra – da animação em si ou do romance do diretor e roteirista, publicado um mês antes da estreia – ajuda na apreciação de seu conjunto, pois a aura de mistério que rodeia a narrativa funciona na apreciação de seu conjunto. Em linhas bem gerais, para manter a crítica sem spoilers, trata-se de um drama em que somos apresentados a Mitsuha Miyamizu (Mone Kamishiraishi) e a Taki Tachibana (Ryunosuke Kamiki), a primeira uma jovem moradora de um vilarejo às margens de um lago em uma cratera, no interior do Japão e, o segundo, um jovem de Tóquio, que têm uma conexão mística que lhes permite “trocar de corpos” sem, porém, que mantenham a memória de suas experiências (daí o nome enigmático da obra, “Seu Nome”).

A situação, em seus minutos  iniciais, é confusa e desnorteadora, resultado que, creio, foi proposital por parte do diretor e roteirista (e escritor do romance) Makoto Shinkai, conhecido por O Lugar Prometido em Nossa JuventudeViagem Para Agartha, dentre outros. Com isso, o interesse do espectador é logo despertado, como um pequeno quebra-cabeças que precisa ser montado. Mas a estrutura básica da narrativa não demora para ser estabelecida e o que segue é uma história que parece ser bem mais longa do que deveria ser, com momentos repetidos tanto pelo lado de Mitsuha, o foco da primeira metade, quanto pelo lado de Taki, que recebe um tratamento mais dedicado a partir da segunda metade.

A grande verdade é que Your Name., para ser apreciado de verdade, exige um bom grau de tranquilidade e contemplação. E há muito para contemplar no anime.

Como abri a presente crítica, a estética da animação japonesa nunca foi minha preferida, mas, aqui, os exageros comuns aos animes abrem espaço para traços mais sóbrios, com expressões faciais mais controladas e nada caricatas. Sim, ainda é um claro e evidente anime e não há como afastar isso em momento algum. No entanto, Shinkai trabalha a arte como um drama clássico e não como uma animação, o que empresta uma dramaticidade contida rara de se ver em histórias do gênero. Além disso, o detalhamento é deslumbrante, realmente de cair o queixo e de dar vontade de pausar, imprimir a tela da TV e enquadrar as células de animação.

Desenhado tradicionalmente, a plasticidade de Your Name. impressiona até os mais céticos espectadores. O vilarejo de Mitsuha respira autenticidade ancestral, da mesma forma que a Tóquio de Taki deixa evidente a modernidade da capital japonesa. Pequenos detalhes de segundo, terceiro e quarto planos não são esquecidos em momento algum, enriquecendo a experiência incrivelmente e, até certo ponto, compensando o roteiro lento que parece, por várias vezes, correr atrás do próprio rabo.

Assim, a arte funciona para opor o tradicional ao moderno, o masculino ao feminino, o lento ao rápido. Os opostos, aqui, se complementam lindamente em uma história de amor que sorve inspiração de diversas fontes, desde as dezenas de livros e filmes que lidam com trocas de corpos ou experiências extra-corpóreas das mais variadas naturezas, até pitadas de AmnésiaO Feitiço de Áquila e até mesmo de Impacto Profundo.

Não há que se esperar, porém, ação no sentido tradicional da palavra. É, como escrevi, um anime que se vale da tranquilidade e da calma para funcionar, exigindo o mesmo do espectador. Há sim reviravoltas interessantes, mas nada que seja inesperado ou particularmente original. O importante é que a narrativa de Shinkai, por mais desnecessariamente alongada que seja, mantém uma lógica interna clara e resolve sua narrativa de forma satisfatória, ainda que com altas doses de água com açúcar.

Mas não é só de imagens que Your Name. vive. A trilha sonora composta por Yojiro Noda, vocalista da band japonesa Radwimps, é outro ponto alto do anime, com uma sincronização que ajuda na compreensão da narrativa e amplifica evitando qualquer traço de didatismo.

Your Name. é um anime falho, mas visualmente deslumbrante. Aparentemente, o público japonês curvou-se à forma sobre a substância, mas, sinceramente não dá para condená-lo por isso, já que a arte, aqui, é realmente inesquecível.

Your Name. (Kimi no na wa., Japão – 2016)
Direção: Makoto Shinkai
Roteiro: Makoto Shinkai (baseado em seu romance)
Elenco: Ryunosuke Kamiki, Mone Kamishiraishi, Masami Nagasawa, Etsuko Ichihara, Ryo Narita, Aoi Yūki, Nobunaga Shimazaki, Kaito Ishikawa, Kanon Tani
Duração: 106 min.

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44 comentários

alfonses 30 de janeiro de 2020 - 17:35

Eu realmente gostaria de um remake hollywoodiano. O plot eh até interessante mas tem muito daquela peculiaridade japonesa pro meu gosto.

Responder
planocritico 12 de fevereiro de 2020 - 16:26

Eu deixaria quieto…

Abs,
Ritter.

Responder
MATHEUS 18 de abril de 2020 - 23:41

Ghost in Shell é um exemplo do quão difícil é pra hollywood se moldar à cultura oriental.

Responder
Bruno de Luca 19 de janeiro de 2020 - 18:30

Melhor animação de 2016.
(E nem concorreu ao Oscar).
É mais um belo exemplo da vasta coleção de equívocos da academia.

Responder
planocritico 19 de janeiro de 2020 - 18:48

Não achei tão sensacional assim não. Coco, que levou o Oscar de Melhor animação em 2017, é muito melhor.

Abs,
Ritter.

Responder
Bruno de Luca 19 de janeiro de 2020 - 19:02

Na vdd ele deveria ter vencido o Oscar 2017, que foi vencido por Zootopia.
Coco concorreu e venceu o Oscar 2018.

Responder
planocritico 19 de janeiro de 2020 - 19:07

Verdade. Erro meu. Mas o representante parcialmente japonês – Tartaruga Vermelha – do ano de Zootopia foi bem melhor que Your Name. Zootopia não devia ter ganhado, porém.

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel Filipe 15 de junho de 2020 - 14:37

Pra mim qm devia ter ganhado aquele prêmio era Kubo

Angelo Borsato 29 de novembro de 2019 - 10:19

Que crítica simplesmente maravilhosa! Tenho lido apenas textos cheios de spoilers, só que o simples fato de dar a sinopse do filme já estraga boa parte do enredo. Também fui assistir a esse filme sem saber nada dele e as surpresas reveladas ao longo da obra foram incríveis. Aqui o texto analisa o filme sem qualquer spoiler e numa riqueza de detalhes rara, com a qual me identifiquei tremendamente, parabéns e obrigado!

Responder
planocritico 29 de novembro de 2019 - 17:46

Obrigado, @angeloborsato:disqus ! Deu trabalho driblar os spoilers e fico feliz que tenha apreciado isso!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 25 de novembro de 2018 - 15:11

Eu não acho praticamente perfeito, mas respeito quem acha.

Abs,
Ritter.

Responder
Massy Andrade 25 de novembro de 2018 - 00:09

Como alguém pode falar mal desse filme?? Ele é praticamente perfeito!

Responder
planocritico 18 de novembro de 2018 - 18:43

Muito obrigado, @disqus_IxychC9QmB:disqus ! Fico feliz que goste de minhas críticas e do site em geral.

Volte sempre!

Abs,
Ritter.

Responder
Armando Ribeiro 14 de novembro de 2018 - 19:01

Prezado Ritter.. realmente gosto de suas criticas… mesmo quando discordo delas ( nao e o caso de “Your Name”). Suas criticas sao de modo geral, simples mas tambem muito bonitas. Voce nao se preocupa em fazer uma “tese”, apresenta sua percepcao da obra que assisitiu e coloca suas opinioes. Sempre procuro o PLANO CRITICO quando descubro alguma serie ou filme novos..Ja assisti muita coisa boa por uma critica positiva sua .. e ja me livrei de muita “bomba” tambem!! Muito obrigado pelo seu trabalho!

Responder
planocritico 12 de novembro de 2018 - 17:21

É uma beleza que literalmente cansa!

Abs,
Ritter.

Responder
Matheus Barros 10 de novembro de 2018 - 16:20

É isso! Achei o filme deslumbrante visualmente e até estava envolvido na história, mas quando foi se resolvendo, chegou num ponto que eu já estava com tédio e me perguntando que horas que isso vai acabar, tava enrolando muito hahahaha

Responder
Anônimo 3 de fevereiro de 2018 - 16:28
Responder
planocritico 4 de fevereiro de 2018 - 13:43

É um desenho belíssimo em termos de animação, mas que é bastante redundante em seu roteiro.

Abs,
Ritter.

Responder
danimoes 16 de dezembro de 2017 - 14:33

Makoto Shinkai se perde demais no filme, criando tramas cada vez maiores na parte final. Epilogo, além de mostrar insegurança para fechar a história, usa truques ao estilo John Green.
Eu também indico o Koe no Katachi( A Silence Voice). Só tem uma cena que não gosto no filme, mas o roteiro e a direção de Naoko Yamada são muito superiores.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2017 - 16:47

Exatamente o que eu acho, @disqus_nv7dATCVyA:disqus . Sobre Koe, já é a segunda indicação aqui. Realmente preciso correr atrás!

Abs,
Ritter.

Responder
danimoes 16 de dezembro de 2017 - 18:19

Quero ver uma crítica sua sobre Koe, caso for assistir, gostaria muito de saber a opinião de uma pessoa que não é familiarizada com anime.

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2017 - 03:06

Prometo procurar o anime e trazer a crítica para o site!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 17 de dezembro de 2017 - 03:06

Prometo procurar o anime e trazer a crítica para o site!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2017 - 16:47

Exatamente o que eu acho, @disqus_nv7dATCVyA:disqus . Sobre Koe, já é a segunda indicação aqui. Realmente preciso correr atrás!

Abs,
Ritter.

Responder
Flavio Batista 21 de dezembro de 2017 - 12:16

Koe no Katachi é lindissimo… @danimoes@disqus_nv7dATCVyA:disqus q cena vc nao gostou? pode tentar falar sem dar spoilers?

Responder
danimoes 22 de dezembro de 2017 - 16:02

Perto do final do filme quando os dois personagens se reencontram. Eu gosto do diálogo e do que a cena representa, mas não gosto de como acontece.
O filme realmente é lindíssimo, nota 10 tranquilamente. Coloco entre as melhores animações japonesa desde “Wolf Children”.

Responder
danimoes 22 de dezembro de 2017 - 16:02

Perto do final do filme quando os dois personagens se reencontram. Eu gosto do diálogo e do que a cena representa, mas não gosto de como acontece.
O filme realmente é lindíssimo, nota 10 tranquilamente. Coloco entre as melhores animações japonesa desde “Wolf Children”.

Responder
danimoes 16 de dezembro de 2017 - 14:33

Makoto Shinkai se perde demais no filme, criando tramas cada vez maiores na parte final. Epilogo, além de mostrar insegurança para fechar a história, usa truques ao estilo John Green.
Eu também indico o Koe no Katachi( A Silence Voice). Só tem uma cena que não gosto no filme, mas o roteiro e a direção de Naoko Yamada são muito superiores.

Responder
Galadriel 16 de dezembro de 2017 - 09:18

É por isso que eu não gosto de críticas. Sempre acham defeitos nas minhas coisas preferidas. Entendo seu ponto de vista, mas não vejo assim.

Responder
Galadriel 16 de dezembro de 2017 - 09:18

É por isso que eu não gosto de críticas. Sempre acham defeitos nas minhas coisas preferidas. Entendo seu ponto de vista, mas não vejo assim.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2017 - 16:48

He, he. Faz parte!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2017 - 16:48

He, he. Faz parte!

Abs,
Ritter.

Responder
Cesar 15 de dezembro de 2017 - 23:29

Perfeito Ritter. Animação e trilha são de cair o queixo. Até gostei bastante do roteiro, fiquei feliz com o plottwist que da um novo fôlego no meio da obra, mas em geral, roteiro que não traz tanta originalidade.

Your name foi um dos pré indicados ao Oscar, o outro foi Koe no Katachi, se um dia tiver oportunidade, pega pra ver Ritter, aborda um tema bem mais maduro.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2017 - 00:15

@disqus_MQyZmw7MOm:disqus , valeu! Vou anotar aqui sua sugestão!

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2017 - 00:15

@disqus_MQyZmw7MOm:disqus , valeu! Vou anotar aqui sua sugestão!

Abs,
Ritter.

Responder
Kylo Ren 15 de dezembro de 2017 - 23:28

Será que algum dia na minha vida eu concordarei com alguma crítica escrita pelo senhor Ritter Fan? Descobriremos nos próximos episódios de Plano Crítico.

Mentira huahauahuah já concordei com umas duas ou três hehehe

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2017 - 00:15

@disqus_jFUL0XvghO:disqus , você matou seu pai. Não tem moral para dizer que discorda de alguma coisa que escrevo! E bota a máscara, vai, assim tá feio…

HAHAAHAHAHHAAHAHAHAHHAAHAHAHA

Abs,
Ritter

Responder
Kylo Ren 16 de dezembro de 2017 - 01:04

Bem argumentado hahahaha, mas não colocarei minha máscara, cansei de ser Pseudo-Vader, é hora de deixar o passado morrer huehue

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2017 - 16:48

Boa! Ganhou pontos! Mas foi trollado pelo Luke mesmo assim… HAHAHAHAHAHAHHAHAHA

Abs,
Ritter.

Responder
Kylo Ren 16 de dezembro de 2017 - 01:04

Bem argumentado hahahaha, mas não colocarei minha máscara, cansei de ser Pseudo-Vader, é hora de deixar o passado morrer huehue

Responder
planocritico 16 de dezembro de 2017 - 00:15

@disqus_jFUL0XvghO:disqus , você matou seu pai. Não tem moral para dizer que discorda de alguma coisa que escrevo! E bota a máscara, vai, assim tá feio…

HAHAAHAHAHHAAHAHAHAHHAAHAHAHA

Abs,
Ritter

Responder
Steampunk Vagaroso 15 de dezembro de 2017 - 21:15

Segunda vez (sim, eu conto) que discordo de uma crítica daqui.

Acredito que os méritos narrativos de Your Name se concentram na forma em que o roteiro discute as relações humanas na modernidade, principalmente ao trazer a tecnologia como um elemento fundamental no romance dos personagens.

E é o filme mais coeso em termos de roteiro do Makoto. Os outros é que são só beleza e deslumbramento.

Responder
planocritico 15 de dezembro de 2017 - 21:56

Eita, a outra crítica de que você discordou foi minha também? He, he, he…

Entendo seu ponto, mas não vejo esse aspecto bem desenvolvido no anime não. Está lá, claro, mas é um detalhe, algo que não está exatamente a serviço do roteiro.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 15 de dezembro de 2017 - 21:56

Eita, a outra crítica de que você discordou foi minha também? He, he, he…

Entendo seu ponto, mas não vejo esse aspecto bem desenvolvido no anime não. Está lá, claro, mas é um detalhe, algo que não está exatamente a serviço do roteiro.

Abs,
Ritter.

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