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Crítica | Zagor #200: O Tesouro Maldito

por Luiz Santiago
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O Tesouro Maldito é mais um dos inúmeros capítulos na série de Zagor que provam que Darkwood tem segredos até demais guardados em seu interior. Escrito por Tiziano Sclavi, este volume comemorativo lançado em 1982 começa de maneira feliz até demais para o protagonista, que festeja a chegada da primavera e atesta que está tudo bem na região por ele protegida: os índios, os animais, a mata, o território. Já nesse momento o leitor lança um bom olhar de desconfiança para a situação, pois sabe que as coisas não ficarão tão maravilhosas por muito tempo. E dessa vez o ponto crítico vem por parte de Chico, que deixa um bilhete vago para Zagor, dizendo que foi pescar — o que já é algo difícil de se imaginar de um preguiçoso como o gorducho companheiro de Zagor.

A preocupação do protagonista em relação ao seu amigo é admirável. Zagor observa com atenção o interior da cabana, leva em consideração a forma vaga como o bilhete de Chico foi escrito e sai em busca de rastros, conseguindo acompanhar a trilha deixada pelo gorducho e por Digging Bill, o azarado pirata caçador de tesouros. Nesse corte narrativo, Tiziano Sclavi aproveita todas as oportunidades possíveis para explorar facetas diferentes do humor, já que os dois personagens em destaque são verdadeiros alívios cômicos.

Nessa toada, acaba sendo bem mais interessante ver os momentos de pesquisa de Digging Bill em flashback e como sua personalidade bobona (no bom sentido) se entrelaça com sua febre pirata claramente cercada de azar. E já em avançado momento, quando o texto ganha uma camada de ação diante da chegada de um certo professor que também buscava o tesouro do navio Discovery, Zagor volta a entrar em cena, salvando o dia.

Não vi como atrativa toda aquela história do cometa, mas ao mesmo tempo acho que esse evento astronômico combina com a presença de “esqueletos-vivos”. O que acontece na legítima nascente do Rio Susquehanna (que existe de verdade, cortando os Estados de New York, Pennsylvania e Maryland) pode ser classificado como um dos acontecimentos “misteriosos” no interior de Darkwood, onde um cometa faz as águas de um rio baixarem e depois subirem a ponto de submergir um grande navio cheio de ouro. Esse elemento quase fantasioso (e digo “quase” porque o roteiro tenta dar uma explicação legítima para o fato dentro desse Universo) é bem atado à linha principal, direcionando o leitor e o Espírito da Machadinha para um macabro encontro na noite em que o cometa retorna e revela o navio afundado.

É compreensível que Zagor tenha enfrentado sozinho os “esqueletos-vivos” do Discovery. Isso deu um pouco mais de tempo de ação para o protagonista e livrou o roteirista de ter que criar situações divertidas diante dessas assombrações… caso Chico e Digging Bill estivessem acordados e presentes no navio. Mesmo tendo achado a mudança de comportamento do professor intensa demais em tão pouco tempo, mais uma vez vejo essa resolução como algo que se pode aceitar nessa realidade. Me incomoda, isso é verdade, mas não a ponto de derrubar a história para baixo da linha do aceitável.

Zagor #200: O Tesouro Maldito (Il Tesoro Maledetto) — Itália, 1982
No Brasil:
Zagor n°1 (RGE, 1985)
Roteiro: Tiziano Sclavi
Arte: Gallieno Ferri
Capa: Gallieno Ferri
116 páginas

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