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Crítica | Zagor #601 e 602: A Herança de Hellingen

por Luiz Santiago
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A Especial edição #600 da série regular de Zagor, intitulada O Dia da Invasão, trouxe de volta um antigo inimigo, um inimigo de além das estrelas: os Akkronianos. O reaparecimento desses alienígenas em Darkwood acabou desencadeando uma sucessão de eventos que forçaram Zagor a retornar ao Monte Naatani, onde Hellingen (um de seus antigos e maiores inimigos) e os extraterrestres estabeleceram a sua base de operações. Isso porque os misteriosos dispositivos alienígenas que permaneceram lá em cima e que ficaram inativos por muitos anos, de repente, recomeçaram a funcionar.

Aqui em A Herança de Hellingen o roteirista Moreno Burattini coloca no caminho de Zagor alguns indivíduos a serviço dos cientistas da base de Elsewhere, que registram esse estranho despertar das antigas máquinas e pedem que o fato seja investigado. Dividido em dois núcleos iniciais que se encontrariam mais adiante, a história começa com um pesadelo de Zagor em sua cabana — um mal sonho que se torna uma verdadeira premonição — e termina com o Espírito da Machadinha enfrentando um guerreiro indígena criado com tecnologia alien e que aparentemente é imortal.

Toda a primeira parte do arco é marcada pela presença desse guerreiro e, pra dizer a verdade, este é o melhor momento de A Herança de Hellingen. Zagor é chamado à floresta nas primeiras páginas da revista e o corte narrativo nos leva para os seus amigos Mohawks, que enfrentam, sem muito sucesso, o poderoso guerreiro-máquina. A arte de Gallieno Ferri mantém o sabor clássico e chamativo para esta e para todas as outras sequências de luta que vemos no decorrer da revista, criando blocos de grande expectativa e torcida por parte do leitor, pois dessa vez Zagor está enfrentando alguém que é de fato superior a ele… exceto por um pequeno detalhe relacionado ao equilíbrio.

Quando o pequeno Yapeha entra em cena, o roteiro parece enveredar por um caminho diverso, um pouco mais burocrático. Apesar de ser inicialmente interessante a presença de uma criança aqui, o menino abre as portas para ações mais forçadas do que o normal e seus atos precoces e exagerados de heroísmo ressaltam ainda mais essa veia. A busca pelo entendimento do que está acontecendo, no entanto, mantêm-se firme e Zagor consegue tirar de seus companheiros de caminho informações sobre o Complexo de Altrove e o que isso tem a ver com o que aconteceu no Monte Naatani. O mistério claramente tem muitas camadas e implicações consigo, mas apenas alguns desses detalhes estão na superfície. Cabe a Zagor desvendar o restante.

Com um probleminha de elipse narrativa que me fez voltar algumas páginas para entender a partida de Zagor no final, o arco termina numa curiosa reticência, deixando a maioria das coisas em aberto e indicando que A Herança de Hellingen foi apenas uma leve abertura na antiga Caixa de Pandora de Darkwood. Uma antiga dor de cabeça de Zagor que aparentemente não vai deixá-lo em paz nem tão cedo.

Zagor #601 e 602: A Herança de Hellingen (L’ eredità di Hellingen) — Itália, agosto e setembro de 2015
No Brasil:
Zagor n°169 (Mythos, dezembro de 2016)
Roteiro: Moreno Burattini
Arte: Gallieno Ferri
Capa: Gallieno Ferri
160 páginas

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