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Crítica | Zagor #602 a 605: Ressurreição!

por Luiz Santiago
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Formado pelos capítulos Ressurreição!, Nos Subterrâneos do Mistério, Mad Doctor e Final de Partida, este arco de Zagor marca o retorno de Hellingen (cientista maluco que é o grande vilão do Espírito da Machadinha) depois de 18 anos sem um encontro nas páginas dos quadrinhos. A trama se segue imediatamente ao arco-prólogo intitulado A Herança de Hellingen, e nos mostra a chegada de Zagor à Filadélfia, procurando encontrar em contato com seus amigos no Complexo de Altrove e constatar com seus próprios olhos um fato impossível: Hellingen, que deveria estar morto, supostamente voltou à vida.

Como é um arco que deriva de uma interferência Akkroniana (O Dia da Invasão), o leitor espera que haja uma porção de coisas inexplicáveis no roteiro de Moreno Burattini, coisas que podem se encaixar nesse Universo a partir de um empurrãozinho alien… sem contar a possibilidade de grandes invenções que podem vir do vilão em cena ou mesmo do grupo de cientistas do Complexo de Altrove. E é de fato o que acontece, mas de maneira inicialmente bem dosada. A estranha reticência ao final de A Herança de Hellingen é mais ou menos remediada com a chegada de Zagor à cidade e o constante corte para o que acontece no Monte Naatani, onde Chico e mais alguns outros esperam o protetor de Darkwood juntamente com reforços e algumas respostas.

A primeira edição tem por objetivo fazer essa ponte entre o prólogo estabelecido no arco anterior e a apresentação de um cenário que só dores de cabeça pode trazer para o mundo. Com alguns momentos de flashback (recurso do qual o autor posteriormente abusa, adicionando a isso uma boa dose de didatismo) descobrimos como aconteceu a ressurreição do Mad Doctor e vemos o reencontro dele com Zagor, uma retomada de inimizade que desta vez recebe todo o tratamento épico que merecia, exceto pelo final da aventura.

De todo o arco, a melhor edição, em astronômica disparada, é a #603, intitulada Nos Subterrâneos do Mistério. Tanto o roteiro quanto a arte trabalham de modo a nos fazer sentir a vilania de Hellingen em suas mais diversas demonstrações, com atos de violência por toda a parte, desprezo à vida e, para piorar, ideias racistas para “justificar” as suas criações. Segundo ele, os autômatos criados tinham por objetivo “limpar a Terra” de pretos, amarelos e vermelhos, no que é seguido de maneira zumbificada pelo jovem e curioso cientista Quaritch, o personagem mais patético do arco, em todos os seus atos, falhas e principalmente na forma como o autor esquematiza a sua postura no final, mudando de ideia e servindo de mão amiga para salvar Zagor dos guerreiros criados por Hellingen.

É muitíssimo frustrante que um arco com uma introdução e desenvolvimento tão ágeis e instigantes tenha como resolução um Deus Ex Machina abrupto, com tudo se resolvendo em poucas páginas quando claramente a aventura precisava de muito mais. E precisava porque a caçada que os guerreiros autômatos faziam a Zagor era interessante e o fato de os amigos de Zagor estarem nas mãos de Hellingen tornava tudo melhor ainda! Mas o pesadelo lá do outro arco volta aqui como uma inspiração para a entrada da magia em Ressurreição!, derrubando por terra a torcida do leitor em relação ao desenvolvimento da história até ali. Até agora não consigo entender por que Burattini resolveu trazer Wendigo de volta (nem o valor canônico do cameo é alto!) e por que algo tão ancorado em tecnologia e ciência — mesmo uma avançada para a época ou de ordem alienígena — tenha caído no mar da magia, o único mar dramático que não era bem vindo aqui.

Zagor #602 a 605: Ressurreição! (Resurrezione!, Nei sotterranei di Altrove, Mad Doctor, Finale di Partita) — Itália, setembro a dezembro de 2015
No Brasil:
Zagor n°169 a 171 (Mythos, 2016 – 2017)
Roteiro: Moreno Burattini
Arte: Gianni Sedioli
Arte-final: Marco Verni
Capas: Gallieno Ferri
290 páginas

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