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Crítica | Zatoichi 7: Zatoichi e a Espada Brilhante

por Luiz Santiago
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  • Confira as críticas para os outros filmes da saga aqui.

Em Zatoichi e a Espada Brilhante temos o retorno do diretor Kazuo Ikehiro para o seu segundo filme na saga, após a primeira e ótima aventura que assinou na série, a saber, Zatoichi e o Baú de Ouro. Depois de um sinal de atenção para o cansaço da fórmula percebido no quinto filme da franquia (O Samurai), a entrada de Ikehiro serviu como uma renovação de fôlego, dando para o personagem um tratamento interessante não apenas nas lutas, mas também nas funções cotidianas ou no desenvolvimento de interações sociais, eventos festivos ou culturais e encontros do protagonista com pessoas de uma vila ou cidade em que se encontra.

Aqui em Espada Brilhante, a abordagem visual que instigou o público naquela ocasião, se mantém. Gosto bastante da abertura do filme, com um belíssimo plongée de caráter teatral, mostrando Zatoichi cochilando após uma refeição, sendo observado por pessoas que certamente pretendiam roubá-lo. Quando sai do plano de mergulho, a câmera brinca com o motivo do despertar do espadachim: uma mosca. A trajetória do inseto é acompanhada pela câmera e então temos (mais) uma demonstração definitiva da excelência de Zatoichi com sua espada cane, para verdadeiro espanto dos malfeitores que o observavam. É neste clima que o diretor abre o filme e segue com uma sequência realmente bacana de planos de diferentes pés em corrida, sinalizando uma perseguição.

A utilização dos ângulos para filmar personagens em pontos diferentes do terreno é outro caminho notável que vemos logo no início da obra, isso porque uma disputa geográfica (o controle de um vau — ou passo — de um rio) será o motivo de briga entre dois chefes de clã em A Espada Brilhante. O chefe Bunkichi (Ryôsuke Kagawa) é o atual proprietário do terreno, e cobra um preço baixo e acessível para que as pessoas sejam atravessadas naquele trecho de água. Por sua vez, o chefe Yasugoro (Tatsuo Endô) quer assumir o controle do passo, a fim de aumentar o valor cobrado pela travessia e ganhar muito dinheiro de forma fácil. A coroação desse conflito vem com um festival de fogos de verão, que é esperado com muita ansiedade pela população local, e o já corrente drama de Zatoichi ser um homem procurado, o que sempre coloca caçadores de recompensa em sua cola.

Pode parecer um filme relativamente profundo, pelo tema ligado ao poder e por camadas culturais e sociais em sua volta, mas não é. O roteiro não dá grande atenção para todos os eventos ou mesmo para os personagens. Os diálogos parecem ter sido escritos com um fator alto de dispersão embutido, pois quando não dão informações pouco ou nada interessantes para o momento (isso quando não expõem algo que a imagem já nos fornece ou quando citam aquilo que a imagem deveria mostrar), falham parcialmente em manter uma coerente linha de desenvolvimento para os coadjuvantes. Por sorte, Zatoichi escapa desse tipo de perigo porque já conhecemos algo sobre ele, e o pouco de novidade ou de reafirmação que temos a seu respeito aqui, como o fato de que não consegue sossegar em lugar nenhum e às vezes isso não é por sua vontade, dá para o gasto.

Zatoichi e a Espada Brilhante tem uma abordagem similar àqueles faroestes onde pistoleiros famosos querem se aposentar, mas são retirados de sua paz e tentativa de anonimato por pessoas que os procuram para lembrar ou cobrar coisas do passado. A impossibilidade de viver em companha de pessoas que lhes trazem felicidade é uma maldição para esse tipo de personagem, e é exatamente essa sensação que temos em torno de Zatoichi aqui, o tempo inteiro chamado pela violência. O roteiro consegue completar uma linha poética em torno do quimono especial de verão, da queima de fogos, do desalento e deslocamento do protagonista em meio à essa possibilidade de uma nova vida que é dilacerada à sua volta… mais uma vez. Uma verdadeira sina de espadachim solitário.

Zatoichi e a Espada Brilhante / Zatoichi #7 (Zatôichi abare tako) — Japão, 1964
Direção: Kazuo Ikehiro
Roteiro: Shôzaburô Asai, Minoru Inuzuka, Kan Shimozawa
Elenco: Shintarô Katsu, Tatsuo Endô, Takashi Etajima, Ryûtarô Gomi, Bokuzen Hidari, Ryôsuke Kagawa, Jun Katsumura, Naoko Kubo, Ikuko Môri, Mayumi Nagisa, Yutaka Nakamura, Koh Sugita, Teruko Ômi
Duração: 82 min.

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