Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Planet of Giants (Arco #9)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: Planet of Giants (Arco #9)

por Luiz Santiago
69 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3,5

Equipe: 1º Doutor, Susan, Ian e Barbara
Espaço-tempo: Londres, Reino Unido, 1964

Planet of Giants (1964) é o arco de abertura da 2ª temporada clássica de Doctor Who. Apesar de ter um tema ecológico bastante relevante e muito propício à discussão em nossos dias, o roteiro de Louis Marks peca pelo imediatismo dos acontecimentos e pela má distribuição das questões dramáticas em torno dos viajantes e dos “gigantes” do título. Por mais que se elogie a direção de arte e o maravilhoso trabalho com a escala dos objetos (numa era distante do CGI), a pobre trama não nos deixa muito espaço para ter o arco em alta conta.

Embora o Doutor acerte o tempo e o espaço desta vez, um superaquecimento no console da TARDIS faz com que ela entre em pane (de novo, coitada) e para não implodir, usa um de seus muitos truques de defesa no momento em que está se materializando. Após o primeiro susto, com as portas da nave se abrindo quando não eram para abrir, tudo parece estar normal. Só depois de alguns minutos é que o grupo percebe que eles diminuíram de tamanho para apenas algumas polegadas. Com essa estatura, uma formiga, uma mosca ou um gato parecem inimigos mortais, e é impossível o espectador não temer também a situação, ou imaginar como seria diminuir tanto de tamanho em seu próprio planeta, onde tantas coisas podem representar um grave perigo.

Se pensarmos metaforicamente, podemos atribuir esse diminuto tamanho do grupo à humanidade, insignificante diante das ambições de empresários que não se importam com as consequências de seus produtos químicos na natureza. O “caso Forester” aqui trabalhado pode muito bem ser adaptado a um sem-número de situações onde o interesse financeiro ou a busca pela fama levam algumas pessoas a um caminho de problemas morais e éticos, caminhos que geralmente colocarão os outros em risco, até mesmo condenando-os à morte.

A criação do inseticida DN6 e seus impactos no solo e na água são literalmente falados por Ian e Barbara em Dangerous Journey, o segundo episódio, e essa abordagem deixa em evidência a motivação ecologicamente engajada do roteiro. É uma pena que um texto com essa característica não tenha sido estendido por pelo menos mais um episódio. Se assim fosse, seria possível dar uma maior atenção aos eventos do arco e zerar as terríveis resoluções imediatistas, em especial do último episódio.

Creio que eu não tenha sido o único espectador a perceber uma mudança interessantíssima no comportamento do Doutor aqui, que pede desculpas a Barbara quando acredita ter sido rude com ela. Definitivamente a primeira encarnação do Time Lord amolecera após tantas aventuras ao lado dos professores. É pena (ou não?) que ele não tenha tido muita sorte em estacionar a TARDIS sem incidentes. Ian e Barbara já haviam manifestado várias vezes o desejo de voltar para casa e essa seria uma oportunidade, já que estavam na cidade certa e no ano certo. Infelizmente, com esse tamanho, jamais poderiam se considerar “em casa”.

Planet of Giants é um daqueles arcos com ótima realização técnica e teor narrativo muito bons, mas com uma história central e execução precipitadas. Não é uma história ruim, mas poderia ser bem melhor.

Planet of Giants (Arco #9) – 2ª Temporada – Season Premiere

Roteiro: Louis Marks
Direção: Douglas Camfield, Mervyn Pinfield
Elenco principal: William Hartnell, Carole Ann Ford, Jacqueline Hill, William Russell, Reginald Barratt, Frank Crawshaw, Alan Tilvern

Audiência média: 8,57 milhões

3 Episódios (exibidos entre 31 de outubro e 14 de novembro de 1964):
1. – Planet of Giants
2. – Dangerous Journey
3. – Crisis

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21 comentários

Luiz Santiago 14 de julho de 2018 - 08:35

É aquela história com uma boa proposta e que de repente te coloca contra a parede, porque você começa a fazer perguntas: “ué, mas por que isso?”; “nossa, mas sério que fizeram isso?” e assim por diante. Entendo seus pontos. Alguns deles me incomodaram, mas não tanto quanto a você, pelo que parece. Ambos concordamos, porém, que no fim das contas, é uma história bem bacana.

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Rafael Lima 13 de julho de 2018 - 23:00

Esse arco é bem interessante ao revelar mais essa habilidade da TARDIS. Quando assisti há um bom tempo atrás, também me surpreendi positivamente com o teor ecológico da trama.

De fato, o 1º Doutor não apenas surge mais gentil aqui, mas também bem mais engajado. Na 1ª temporada, ele provavelmente daria de ombros pra questão do DN6 e voltaria para a TARDIS. Mas aqui, ele está determinado a impedir que o pesticida entre em produção (literalmente botando fogo em tudo. Hehehe).

Mas tem algumas coisas que me incomodam muito neste arco. O inexplicável silêncio de Barbara sobre o seu envenenamento não tem justificativa alguma. A montagem, com aquelas elipses estranhas incomodam demais (marcas do quarto episódio, que de fato existia, mas que ficou na sala de edição), e achei que podiam ter brincado mais com a questão da escala. “Carnival of Monsters” do 3º Doutor brinca muito melhor com essa questão da perspectiva de escala, ao meu ver.

Mas ainda assim, é um bom arco, mas podia mesmo ser bem melhor.

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Tiago Lima 7 de janeiro de 2018 - 17:58

Sabe, eu tenho fé que vou conseguir terminar a Série Clássica. Hahaha. Isto posto voltei de onde parei e finalmente terminei Planet of Giants. E não há muito o que comentar sobre esse arco, nê? É divertido. E só. As escalas são bem feitas, me lembrou Querida, Encolhi as Crianças! ou os episódios do Chapolin em que ele toma a Pílula Diminuta. Hahaha. Vou tentar ver pelo menos um arco durante a semana. Vamos ver se consigo. Invasão dos Daleks, here I go!

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Luiz Santiago 7 de janeiro de 2018 - 18:41

CHAPOLIM!!! HAHAHAHHAHAHHAHAH É disso que eu to falando!

Mas vai na fé, tem todo meu apoio nessa jornada! Só vai precisar de força na peruca para passar por todos os recons, alguns em arcos que nem a história ajuda um pouco, mas de resto, é só alegria (quer dizer… quase… The Web Planet que o diga)…

Responder
Tiago Lima 7 de janeiro de 2018 - 20:25

Ai meu Rassilon, já estou temendo este arco. Hahaha.

Responder
Luiz Santiago 8 de janeiro de 2018 - 00:24

TENHA MEDO!!! TENHA MUITO MEDO!!!

Responder
Tiago Lima 9 de janeiro de 2018 - 23:27
Luiz Santiago 9 de janeiro de 2018 - 23:37

Já roubei esse gif maravilhoso!

Luiz Santiago 8 de janeiro de 2018 - 00:24

TENHA MEDO!!! TENHA MUITO MEDO!!!

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Tiago Lima 7 de janeiro de 2018 - 20:25

Ai meu Rassilon, já estou temendo este arco. Hahaha.

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Luiz Santiago 7 de janeiro de 2018 - 18:41

CHAPOLIM!!! HAHAHAHHAHAHHAHAH É disso que eu to falando!

Mas vai na fé, tem todo meu apoio nessa jornada! Só vai precisar de força na peruca para passar por todos os recons, alguns em arcos que nem a história ajuda um pouco, mas de resto, é só alegria (quer dizer… quase… The Web Planet que o diga)…

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Denilson Amaral 24 de fevereiro de 2017 - 15:11

Planet of the Giants tem uma premissa no mínimo interessante: explorador o mundo em miniatura. Depois de uma temporada muito mais histórica (parem para pensar, excentuando-se The Daleks e The Edge of Destruction, todos os episódios “espaciais” não trouxeram nenhum elemento científico forte) finalmente temos uma aventura sci-fi de raiz.

Os elementos ecológicos demonstram o viés de utilidade pública que Doctor Who já apresentava desde o começo de sua história. O debate sobre a preservação da natureza é colocado de forma extremamente orgânica (afinal, temos dois professores e uma “aluna”, é justo o uso dos “temas educativos” que eram o foco original da série) de modo que esse bônus do roteiro não é o foco principal e a história passa de forma muito boa mesmo para aqueles que não pegam essas nuances.

O prêmio vergonha alheia do arco vai para o Ian na cena em que ele entra na mala e ela começa a chacoalhar, que cena mal dirigida meu Deus!

Eu concordo que o arco poderia se prolongar por pelo menos mais um episódio, porém, a meu ver, a opção da produção por editar as duas últimas partes em uma só foi muito acertada e acabou garantindo que esse arco se tornasse bem mais ágil que a maioria.

Pela primeira (e provavelmente única) vez a polícia é acionada e milagrosamente temos uma dinâmica interessante e a equipe policial acaba por resolver o plot do assassinato. A cena do quatro encolhidos tentando chamar a atendente é impagável. E falando nela, é incrível como essa personagem é perspicaz, ela praticamente resolveu todo o caso em 5 minutos. E que ideia foi aquela que o Doutor teve? Taca-lhe fogo!

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Luiz Santiago 24 de fevereiro de 2017 - 16:16

Essas ideias do Doutor às vezes faz a gente rir demais!

Eu realmente gosto dessa história, apesar dos tropeços. Essa brincadeira com a ficção científica, em uma era onde a série tinha a “função” de ser um “programa educativo para crianças” faz toda a diferença do contexto maior…

E a atendente deve ter ganho o prêmio de funcionária do mês! ahhahahahahahahhahaha

Responder
novo homem de ferro 8 de julho de 2016 - 04:00

estranho essa historia me lembra lucas no formigueiro

Responder
Luiz Santiago 8 de julho de 2016 - 04:31

Verdade! Bem lembrado!

Responder
Luiz Santiago 8 de julho de 2016 - 04:31

Verdade! Bem lembrado!

Responder
novo homem de ferro 8 de julho de 2016 - 04:00

estranho essa historia me lembra lucas no formigueiro

Responder
novo homem de ferro 8 de julho de 2016 - 03:54

estou no primeiro ep ainda e a historia esta sendo interessantissima eu venho notado essa mudança no doutor a tempos mais estranho que ele diz a cor da minhoca morta ai eu pensei como seria bom se a serie estivesse em cores mais ainda assim a historia esta exelente

Responder
Luiz Santiago 8 de julho de 2016 - 04:31

Eu começo é bem bacana. Depois a trama dá uma travadinha, mas mesmo assim, é um bom arco.

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Luiz Santiago 8 de julho de 2016 - 04:31

Eu começo é bem bacana. Depois a trama dá uma travadinha, mas mesmo assim, é um bom arco.

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novo homem de ferro 8 de julho de 2016 - 03:54

estou no primeiro ep ainda e a historia esta sendo interessantissima eu venho notado essa mudança no doutor a tempos mais estranho que ele diz a cor da minhoca morta ai eu pensei como seria bom se a serie estivesse em cores mais ainda assim a historia esta exelente

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