Home TVEpisódio Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Myth Makers (Arco #20)

Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Myth Makers (Arco #20)

por Luiz Santiago
102 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4

Equipe: 1º Doutor, Vicki, Steven e Katarina
Espaço-tempo: Troia, c.1184 a.C.

Após a saída da Galáxia 4 e uma passada pelo Planeta Kembel, para onde retornaria em breve, a TARDIS se materializa na Grécia Antiga. Vicki e Steven perguntam-se por que dois soldados (um grego e um troiano) estão lutando, mas em pouco tempo essa questão fica clara para todos. O Doutor descobre que está na fase final da Guerra de Troia, um evento que ele mesmo ajudaria terminar, dando a ideia da construção do famoso cavalo para os gregos.

O arco é uma reconstituição, com pequenos momentos de película salva. O trabalho de recon aqui é certamente muito melhor que o realizado em Galaxy 4. Talvez a ausência de máquinas engraçadas, monstros e naves espaciais tenha ajudado bastante a junção das fotografias que restaram, formando uma história bastante funcional com o material que sobrou do original.

Este seria um daqueles arcos em que Barbara ganharia grande destaque caso aina estivesse com o Doutor, assim como foi em Os Astecas e Os Romanos. Mas de qualquer forma, além do Doutor e o seu plano de construção do Cavalo de Troia, Vicki é quem ganha grande destaque no episódio, uma vez que este foi o fim da jornada para ela. A garota resgatada do planeta Dido em 2493, apaixona-se por um príncipe troiano e resolve passar o resto de seus dias na Grécia Antiga.

É interessante pensar nesse caráter de despedida. E mais interessante ainda é perceber o quão comum as despedidas vão se tornando para o 1º Doutor. Primeiro Susan, em The Dalek Invasion of Earth, depois Ian e Barbara em The Chase, e agora Vicki. Não podemos dizer que foi uma despedida muito calorosa, mas certamente foi muito bonita, e em certa medida, emotiva. A garotoa sai da TARDIS, abraça a nave e depois se perde em meio à batalha, indo em direção a Troilus, com quem resolve ficar.

Vicki apareceu na série como uma possível substituta de Susan, e com o tempo ganhou maior liberdade, inclusive não tendo um tratamento tão chateante como fizeram com a neta do Doutor, na Primeira Temporada. Com sua partida, uma nova passageira chega, a serva grega Katarina. Ela servia Cassandra, a tétrica profetiza troiana, e acredita estar a caminho do Paraíso e que o Doutor era Zeus. Aliás, o próprio Aquiles achava que o Doutor era Zeus, quando ele saiu da TARDIS, no início o episódio.

Mesmo sendo uma reconstituição é possível perceber o bom trabalho da equipe técnica. Os ambientes internos que conseguimos ver são bem decorados, a maquete de Troia e os truques para a apresentação do cavalo também são impressionantes. A trilha sonora aposta em temas de batalha um pouco atípicos, não o normal épico, mas algo mais alegre, marcando os passos e manejos dos soldados em luta.

The Myth Makers segue a qualidade dos arcos históricos vividos pelo Primeiro Doutor até o momento, além dos já citados, The Reign of Terror, na Revolução Francesa; A Cruzada, na corrida dos cristãos contra os árabes em Jerusalém; e The Time Meddler, com os vikings.

A partida de Vicki tornou a história memorável e ainda trouxe uma importante reflexão para as companions femininas do Doutor que, exceto Barbara, deixou a TARDIS apenas por uma paixão arrasadora. Essa afirmação, no entanto, iria mudar no arco seguinte, com o destino de Katarina em The Daleks’ Master Plan.

The Myth Makers (Arco #20) – 3ª Temporada

Roteiro: Donald Cotton
Direção: Michael Leeston-Smith
Elenco principal: William Hartnell, Adrienne Hill, Maureen O’Brien, Peter Purves, Max Adrian, Francis de Wolff, Barrie Ingham, Cavan Kendall, Ivor Salter, Frances White

Audiência média: 8,35 milhões

4 Episódios (exibidos entre 16 de outubro e 06 de novembro de 1965)

1. – Temple of Secrets
2. – Small Prophet, Quick Return
3. – Death of a Spy
4. – Horse of Destruction

Você Também pode curtir

12 comentários

Bruno 25 de fevereiro de 2020 - 13:08

Nossa, mas a saída da Vicki conseguiu ser pior que a saída da Susan hein! Além do amor repentino que te faz ficar num lugar e numa época totalmente estranhas, ela não se despediu de ninguém, exceto da TARDIS. Chateado fiquei, ela foi a melhor companion até agora, merecia mais.

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 25 de fevereiro de 2020 - 18:30

Foi uma saída que me deixou “meio assim” também. Aliás, o futuro dela é tão triste… Tem um áudio da Big Finish que mostra o que acontece com ela depois… É bem triste.

Responder
Bruno 26 de fevereiro de 2020 - 19:48

O que acontece? Ela morre tragicamente?
Aliás, tem algum texto aqui no site sobre o destino dos companions fora da série?

Responder
Luiz Santiago 🌮😈🐂½ 26 de fevereiro de 2020 - 22:17

Sobre a Vicki, vou resumir ocultando o contexto geral e as dores menores: ela ficou contando as aventuras dela pro povo, aí acusaram ela de louca e que estava possuída por uma divindade ruim e a isolaram numa ilha.

Sobre o destino do companheiros após a série, não há um texto didático sobre isso, mas há críticas para a série The Companion Chronicles, que tem justamente essa função: contar o que aconteceu com eles depois, rememorando algumas aventuras que ainda não aconhecemos.

Responder
Rafael Lima 27 de dezembro de 2016 - 15:25

Quando vi que o arco de despedida da Vicki era um Recon já não fiquei muito feliz. E a despedida em si foi um pouco frustrante. A saída da Vicki acaba parecendo um pouco improvisada (a própria Maureen O’Brien só ficou sabendo da saída de sua personagem ao ler o roteiro do arco)

Claro, não chega a ser nenhum desastre. Na categoria “Companions que deixam a Tardis pra se casarem com caras que acabaram de conhecer”, a saída da Leela na era do 4º Doutor por exemplo, foi bem pior. Existe uma construção no romance entre Vicki e Trollus, mas fica aquela sensação de que a saída da Vicki podia ser bem melhor.

Mas justiça seja feita, o momento em que a Vicki dá aquele abraço na Tardis faz a gente quase dar uma embaçada no olho, isso faz. Hehehe

A Katrina foi uma oportunidade desperdiçada mesmo. Nunca considerei nem ela nem a Sara Kingdon companheiras, pois pra mim, tem que sobreviver um arco inteiro (fora apresentação) pra ganhar esse título. Hehehe

Responder
Luiz Santiago 27 de dezembro de 2016 - 16:47

Aquele abraço na TARDIS… Oh,my…pro que tu foi me lembrar isso, @disqus_wPGYD1xKX4:disqus??? Socorro!!!

Cara, eu ODEIO Sara Kingdom, a assassina. ODEIO essa mulher. E tenho uma bronca de Big Finish por dar bola pra essa personagem, transformando ela em companion do 1º Doutor, com inúmeras viagens entre aqueles episódios infinitos do grande plano dos Daleks… Como é que podem transformar a assassina do próprio irmão em companheira? Aff… deixa eu parar de falar senão vou passar a tarde inteira reclamando. ODEIO essa mulher. hahahahahha

Responder
Rafael Lima 27 de dezembro de 2016 - 20:40

Também nunca entendi esse destaque dela no Universo Expandido. E sempre achei que o Doutor e o Steven a haviam aceitado fácil demais trabalhar com a mulher que havia acabado de matar um amigo e que estava prestes a fazer a mesma coisa com eles. E não é como se ela não tivesse tido escolha, ela simplesmente resolveu aceitar ordens que nem um robozinho.

Não está sozinho nesse desgosto. Hehehe

Responder
Rafael Lima 27 de dezembro de 2016 - 20:40

Também nunca entendi esse destaque dela no Universo Expandido. E sempre achei que o Doutor e o Steven a haviam aceitado fácil demais trabalhar com a mulher que havia acabado de matar um amigo e que estava prestes a fazer a mesma coisa com eles. E não é como se ela não tivesse tido escolha, ela simplesmente resolveu aceitar ordens que nem um robozinho.

Não está sozinho nesse desgosto. Hehehe

Responder
Luiz Santiago 27 de dezembro de 2016 - 22:50

Vem cá, @disqus_wPGYD1xKX4:disqus, dá um abraço! Não estou sozinho nesse desgosto hahhahaha.

Responder
Luiz Santiago 27 de dezembro de 2016 - 16:47

Aquele abraço na TARDIS… Oh,my…pro que tu foi me lembrar isso, @disqus_wPGYD1xKX4:disqus??? Socorro!!!

Cara, eu ODEIO Sara Kingdom, a assassina. ODEIO essa mulher. E tenho uma bronca de Big Finish por dar bola pra essa personagem, transformando ela em companion do 1º Doutor, com inúmeras viagens entre aqueles episódios infinitos do grande plano dos Daleks… Como é que podem transformar a assassina do próprio irmão em companheira? Aff… deixa eu parar de falar senão vou passar a tarde inteira reclamando. ODEIO essa mulher. hahahahahha

Responder
Carlindo José 21 de janeiro de 2016 - 00:52

Mais um arco histórico, que dessa vez não me cativou tanto, talvez por ser uma recon e eu sentir falta principalmente das cenas de luta e ação que acabaram por ser perdidas e tornam os episódios bem mais interessantes de se assistir, embora a ambientação e o roteiro prendam bastante a atenção.

Fiquei bastante chateado com a saída da Vicki, por mim ela ficaria essa temporada inteira, é uma das melhores companions da série, embora ela tenha funcionado muito melhor com Ian e Barbara do que com o Steven, o que me confortou foi sua despedida que não foi triste, mas até feliz e esperançosa, mesmo em meio a batalha. O roteiro é bem delineado e passeia bem pela narrativa da Ilíada, inserindo muito bem o Doutor e seus companions, ver o Doutor ser confundido com Zeus e Vicki se passando muito bem por profetisa foi muito legal. Fiquei chateado porque o Ulisses do arco é bem diferente da visão que eu tenho do mesmo, ele mais parece um aproveitador, ganancioso e bruto, bem diferente do homem corajoso e inteligente retratado na Odisseia.

Arco bem interessante, embora com eu já falei, o fato de ser recon diminui bastante a qualidade do mesmo, sobre a nova companion, o fato dela sair já no próximo arco e não ser desenvolvida me deixa chateado, seria interessante ver alguém da Idade Antiga voando por aí com o Doutor para os lugares mais distantes no tempo e no espaço.

Responder
Luiz Santiago 21 de janeiro de 2016 - 01:16

O fato da Katarina não ter ficado para acompanhar o Doutor até hoje me deixa triste. Você vai ver como é sensacional a presença dela no arco seguinte. É difícil não ficar meio magoado com a BBC por não ter deixado que ela ficasse mais tempo.

A saída de Vicki me deixou triste. Eu gostava bastante dela, muito mais do que da Susan. E como nunca fui com a cara do Steven, pelo menos até a chegada da Dodo, a partida da Vicki foi um baita golpe.

Agora chegou a hora. Você vai entrar do icônico plano dos Daleks. Boa jornada, cara! Afinal, são 12 episódios!!!

Responder

Escreva um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais