Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Rescue (Arco #11)

Barbara: Doutor, a tremedeira parou!

Doutor: Oh, minha cara, estou feliz que você esteja se sentindo melhor.

Barbara: Não! Não eu! A nave parou!

estrelas 4,5

Equipe: 1º Doutor, Ian e Barbara
Espaço-tempo: Planeta Dido, c. 2493

É impressionante que um arco de apenas dois episódios consiga trazer uma história tão densa e uma excelente introdução de uma nova companion. Além disso, The Rescue conta com um notável trabalho junto às relações pessoais e emoções dos viajantes da TARDIS, agora sem Susan entre eles. David Whitaker escreveu momentos muito interessantes entre os protagonistas, e estes estão tão à vontade, que é impossível não rir junto e se impressionar com o tom de amizade, leveza e bom humor presente na história, mesmo com a ameaça de um inimigo com motivações misteriosas como o Koquillon.

Christopher Barry volta à série, depois de dirigir alguns episódios do primeiro arco dos Daleks, e guia um elenco afinadíssimo nos dois episódios, mas com reinado supremo de William Hartnell, o Doutor. É impressionante como a figura frágil do avô viajante do tempo veio ganhando importância e novas abordagens na série, desde o primeiro arco. Todavia, o mais importante é o desenvolvimento da personagem principal, que inicia a série como um velho turrão com cara de poucos amigos e chega agora ao seu 11º como um afetuoso avô e um companheiro muito engraçado. As piadinhas do Time Lord, que ganharam merecido espaço em The Dalek Invasion of Earth, voltam aqui, e novamente são muito bem contextualizadas, não sendo apenas uma pausa para o riso, mas a manifestação da persona do Doutor.

Pela primeira vez na série temos a nomenclatura técnica de uma função da TARDIS. Ao chegar no planeta Dido, Barbara comenta alguma coisa sobre o pouso ou aterrissagem da nave, ao que o Doutor replica que “materializar” seria uma palavra melhor. O arco inteiro é composto desses momentos fraternos entre o grupo, e mesmo a chegada da órfã Vicki à equipe é feita de maneira sutil, nada forçosa. A identificação da jovem com o Doutor é imediata, e fica clara a intenção da produção em substituir o papel de Susan. Eu já havia comentado no arco anterior que isso era pra acontecer assim que a TARDIS saísse da Londres recém-libertada dos Daleks, mas a presença de uma “nova neta” teve que aguardar o arco seguinte.

Embora a revelação do inimigo não tenha sido, ao final, uma surpresa tão grande para o espectador, o trabalho de suspense em torno da misteriosa personagem foi bem realizado, e convence o espectador sem maiores problemas. Ainda me incomoda deixar o nome do inimigo do episódio como Koquillion, mas seria um grande spoiler expor assim, de forma tão aberta, quem é quem nessa história toda.

Confesso que nos últimos minutos eu imaginei que a história iria terminar com um buraco na explicação do vilão ou com um péssimo cliffhanger, mas qual o quê! Desperate Measures é um episódio fantástico, um término digno de um bom arco com uma grande promessa para este ano da série. Sobre Vicki, devo dizer que seu début não poderia ter sido melhor. Sua postura é um pouco parecida com a de Susan no início da primeira temporada: um pouco tímida mas bastante proativa e questionadora. Uma nova fase e um novo ano (1965) começava para Doctor Who e exatamente como uma fala de Barbara no início de The Powerful Enemy, um outro lado do Doutor se fazia então conhecer.

The Rescue (Arco #11) – 2ª Temporada

Roteiro: David Whitaker
Direção: Christopher Barry
Elenco principal: William Hartnell, Jacqueline Hill, Maureen O’Brien, William Russell, Ray Barrett

Audiência média: 12,50 milhões

2 Episódios (exibidos entre 02 e 09 de janeiro de 1965)
1. – The Powerful Enemy
2. – Desperate Measures

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.