Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Time Meddler (Arco #17)

estrelas 4,5

O que vamos fazer com esse sujeito, hein? Ele e absolutamente irresponsável. Ele quer destruir todo o padrão da história do mundo. 

1º Doutor

Equipe: 1º Doutor, Vicki, Steven
Espaço: Nortúmbria (costa Leste do Reino Unido)
Tempo: 1066

Apesar de não haver uma declaração explícita no roteiro, O Monge, principal vilão deste último arco da 2ª Temporada Clássica de Doctor Who, é um Time Lord, o primeiro com quem o Doutor se encontra desde que sua neta Susan ficou na Terra, após apaixonar-se por um humano em The Dalek Invasion of Earth.

A temporada foi bastante emocionante, com a partida dos 3 primeiros companions do Doutor (Susan, Ian e Barbara) e a chegada de outros dois, Vicki e Steven, este último, recém-chegado. A aparição dele logo no início de The Time Meddler e a explicação de como conseguiu entrar na nave e fugir do planeta Mechanus não agradam muito o Doutor, mas num pequeno espaço de tempo a ideia é maturada pelo Time Lord e Steven é aceito como o novo companion.

A aventura na Inglaterra medieval vivida pelo trio é simplesmente fantástica. Além do encontro com alguns vikings em plena missão de reconhecimento aparece pela primeira vez o Monge, o “Time Meddler” do título do arco. Esse monge intrometido é interpretado por Peter Butterworth em excelente caracterização de um Time Lord que modifica passagens da História a seu favor, e que parece ter tido uma vida bastante movimentada nesse sentido. Fatos como a construção de Stonehenge e a ideia para Da Vinci realizar o protótipo do helicóptero parecem ter vindo do Monge, o que não agrada nada ao Doutor.

Uma das regras mais sagradas da viagem no tempo — especialmente para os Time Lords, mas a gente aprende que é mais pose do que verdade — é que você não pode modificar nada a fim de não fazer uma bagunça completa na História. É evidente que o próprio Doutor já fez e faria isso algumas vezes (hello, The Day of the Doctor!), mas a gente sabe que alguns fatos e pessoas podem ser alteradas na linha histórica sem maiores problemas, todavia, isso não é um fato para todas as coisas e pessoas. Com medo de que o Monge acabasse interferindo em algo que jamais poderia ser modificado, o Doutor pensa em um artifício para deixá-lo preso em Nortúmbria, na Idade Média, retirando o dispositivo dimensional de sua TARDIS.

Percebemos que o 1º Doutor não era muito condescendente com desobediência de regras e por mais que o Monge seja uma espécie de “vilão” do arco, é quase impossível não sentir um pouco de pena dele, na cena final da aventura.

A interação de William Hartnell e sua relação com Peter Butterworth é das melhores da série até o momento. A ironia e seriedade do Doutor e a leve maldade, canalhice e aparente bondade religiosa do Monge são temperamentos que juntos nos dão uma divertida e até tensa sequência de acontecimentos. O arco chega a ser um pequeno jogo de gato e rato, com um roteiro bastante eficiente de Dennis Spooner, exceto no tratamento dado aos vikings, a parte mais solta de toda a história, mas que nem de perto interfere na qualidade do resultado final.

Com o lamento do Monge e a desmaterialização da TARDIS do litoral da Nortúmbria, a segunda temporada de Doctor Who chegou ao final com este arco. Não há conversas entre o trio de viajantes ou promessas para a próxima aventura, mas depois dos eventos aqui, a possibilidade de o Monge ressurgir é grande — e sim, ele voltaria! –, e a curiosidade para a sequência da saga fica na mente do espectador. Com uma imagem de estrelas ao fundo, os rostos do Doutor, Vicki e Steven aparecem na tela antes dos créditos finais. Mais um capítulo da longa história de Doctor Who acabava de ser escrito.

The Time Meddler (Arco #17) – 2ª Temporada – Season Finale

Roteiro: Dennis Spooner
Direção: Douglas Camfield
Elenco principal: William Hartnell, Maureen O’Brien, Peter Purves, Peter Butterworth, Alethea Charlton

Audiência média: 8,43 milhões

4 Episódios (exibidos entre 03 e 24 de julho de 1965):
1. – The Watcher
2. – The Meddling Monk
3. – A Battle of Wits
4. – Checkmate

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.