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Doctor Who | O 1º Doutor: William Hartnell

por Luiz Santiago
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_ Who are you?

_ I’m The Doctor.

_ Doctor? Doctor Who?

O 1º Doutor

1963 – 1966

Antes de ganhar o papel, eu fiz alguns vigaristas, sargentos, carcereiros e detetives. Então, depois de aparecer em This Sporting Life, meu agente me ligou. Ele disse, “Eu normalmente não sugeriria você para trabalhar com televisão infantil, Bill, mas tem um personagem que eu acho que você iria adorar fazer”. Ele disse que esse personagem era o de um velho avô excêntrico e professoral que viaja pelo espaço e tempo. Bem, eu não fiquei muito empolgado, mas aceitei conhecer a produtora. Então, no momento em que aquela brilhante jovem produtora começou a falar sobre Doctor Who, eu fui fisgado. Lembro-me de ter dito a ela: “Isso vai durar 5 anos no ar.” E olha o que aconteceu.

William Hartnell

Carreira do Ator

William Hartnell no cinema, antes de Doctor Who.

William Henry Hartnell nasceu em Londres, em 8 de janeiro de 1908. O início de sua carreira no cinema aconteceu em 1932, no longa Say It with Music, dirigido por Jack Raymond. Nos anos seguintes, o ator estaria presente em uma grande quantidade de filmes e séries de TV, mas sempre interpretando personagens turronas, como ele mesmo afirma no trecho da entrevista que reproduzi acima. Dentre os trabalhos cinematográficos de Hartnell, destacamos A Caixa Mágica (1951), A Cruz do Meu Destino (1955), Carry on Sergeant (1958), O Rato que Ruge (1959) e o excelente O Pranto de um Ídolo (1963), dirigido pelo renomado diretor anglo-indiano Lindsay Anderson.

Personalidade em linhas gerais

Como 1º Doutor, Hartnell não pode fugir completamente da personalidade birrenta que interpretava no cinema. Seu Doutor às vezes era rude, mas aos poucos se afeiçoou aos humanos que raptara no início da série (Ian e Barbara, os professores de Susan, neta do Doutor) e demonstrando cada vez mais o tamanho de seus corações. E aqui, vale um aviso: não há nenhuma indicação de que ele tinha dois corações, ou de sua chave de fenda sônica ou mesmo do título “Time Lord”, nesse início da série.

Sente aí e vamos conversar!

O 1º Doutor era sério a maior parte do tempo e não era difícil de fazê-lo ficar irritado, mas Hartnell sempre interpretava esses momentos de modo a fazer o espectador rir. Parecia de fato um avô irritado com os netos mais novos, especialmente por chamar a todos de “my child” ou “my dear boy”. Todavia, a rudeza dele era apenas a de um Time Lord que nunca tinha tido contato constante e por um grande período de tempo com humanos e que, a partir de Ian e Barbara, se torna dócil, um processo que já podemos ver ao final do Arco #3, quando ele conversa com Barbara, antes de sair da TARDIS.

Aparência

Sim, aquele cabelo do 1º Doutor era uma peruca!

O Primeiro Doutor tinha um cabelo grande (peruca, como vocês podem ver na foto acima), e tinha um estilo de figurino mais próximo do Eduardiano, só que excêntrico, colocando em um momento ou outro um acessório interessante: a bengala – acessório mais presente; uma capa, um chapéu Panamá, e uma única vez, um cachimbo, que ele perde no arco An Unearthly Child e nunca mais procura por outro. Além do seu figurino padrão, havia sempre as roupas específicas para cada viagem, como a visita aos Romanos, à França do Reinado do Terror ou ao Velho Oeste americano em The Gunfighters, só para citar alguns.

Fim de uma Era

William Hartnell foi obrigado a deixar o papel em 1966, por conta de sua avançada doença. Ele não conseguia mais decorar todas as falas e isso gerava alguns incômodos para o andamento da série, colocando inclusive o ator em algumas agulhadas com o produtor, de quem era bastante próximo. Hartnell tinha dito à imprensa que passaria 5 anos no papel, e sua saída antes do tempo o deixou bastante triste. Foi então que ele deu duas ideias que permitiram a série se firmar e atravessar as décadas: a REGENERAÇÃO e a escolha de seu amigo de longa data para substituí-lo, o ator Patrick Troughton.

 

A esposa de Hartnell disse certa vez que ele assistia e adorava os episódios do 2º Doutor, mas deixou de ver a série na Era de Jon Pertwee. Ele aceitou, mesmo completamente afetado pela doença, a participar do Especial de 10 anos da série, Os Três Doutores (1972-73), mas não conseguiu decorar uma única linha, tendo que ler todas as falas, escritas em algum ponto atrás das câmeras.

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A VIDA DO 1º DOUTOR: MAIS DETALHES

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Da Infância à Partida de Gallifrey

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ATENÇÃO: na maior parte das informações cedidas nesse texto, o leitor vai encontrar, entre parênteses, as mídias e as fontes de onde elas foram retiradas. E claro, vale lembrar que há MASSIVOS SPOILERS abaixo!

O Doutor nasceu no Planeta Gallifrey. Segundo algumas fontes (Livro: Lungbarrow) o Doutor foi TECIDO (isso mesmo!) na Casa de Lungbarrow junto com seus “primos”. Mas há uma grande dificuldade em provar essa parte da teoria sobre sua origem.

Segundo o próprio Doutor, ele teve uma família e uma infância (TV: The Tomb of the Cybermen / Doctor Who – O Filme / The Sound of Drums / The End of Time), e sua casa ficava ao lado de uma montanha chamada Monte Cadon (TV: The Time Monster). Ele também tinha um irmão, Irving Braxiatel. Segundo o próprio Doutor, ele era meio-humano, por parte de mãe. Para saber mais detalhes sobre essa informação, por favor leia o artigo Entenda Melhor: Doctor Who.

Consta também que antes de iniciar suas viagens na TARDIS, o Doutor sequer havia ouvido falar no Sol ou no Planeta Terra. Aos 8 anos, ele foi levado de sua família para passar pelo ‘Untempered Schism’, o rito de iniciação dos Time Lords. Ao olhar para a fenda no espaço tempo, ele saiu correndo (TV: The Sound of Drums).

O Doutor e o Mestre eram amigos próximos de infância e costumavam brincar juntos na propriedade do pai do Mestre, no Monte Perdition, em Gallifrey (TV: The End of Time). O Mestre ensinou a hipnose ao Doutor. Ele costumava hipnotizar as pessoas e o Doutor desipnotizá-las (Livro: The Dark Path). Também consta que o Doutor e o Mestre sofriam bullying quando crianças e o Doutor chegou a matar um bully de nome Torvic para salvar a vida do Mestre (Áudio: Master)

O Doutor entrou para a Time Lord Academy, onde foi colega de classe do Mestre, na Prydonian (ou Prydon) Chapter (uma espécie de “casa” ou “classe” da Academia). Ele tinha o Time Lord Borusa como tutor (TV: The Deadly Assassin). O Doutor nunca foi um aluno brilhante. Ele tirou 51% em seus exames de qualificação (na segunda tentativa!), a média mais baixa possível permitida pelos Time Lords para que um aluno passasse (TV: The Ribos Operation).

Durante seu período na Academia, o Doutor fez parte de um grupinho de 10 jovens rebeldes chamado The Deca. Cada um dos 10 membros eram chamados por um apelido (Livro: Divided Loyalties). Veja lista abaixo.

The Deca - Apelidos e nomes verdadeiros ou conhecidos posteriormente

Drax

Theta Sigma (1º Doutor)

Jelpax

Koschei (O Mestre)

Magnus (The War Chief)

Millennia

Mortimus (O Monge / The Time Meddler)

Rallon

Ushas (Rani)

Vanssell

  .

O Doutor foi pai em algum momento de sua vida (TV: Fear Her), e ele teve tanto “filhos” quanto “filhas” (Livro: The Eleventh Tiger). O Doutor também teve 3 netos: Susan (com quem fugiu de Gallifrey), John e Gillian. Os dois últimos viviam na Terra e não temos muitas informações sobre eles, mas sabemos que se encontram pela primeira vez com o Doutor em The Klepton Parasites (uma possibilidade também é que o Doutor os tenha visto quando ainda eram bebês ou bem mais novos, mas não existe nenhuma prova disso). Há também a teoria de que John e Gillian não são reais. Mais detalhes sobre isso no artigo Companions do 1º Doutor.

O Doutor prestou o exame para pilotar uma TARDIS, mas foi reprovado. E ele se recusou a prestá-lo novamente. Antes de partir de Gallifrey, ele possuía uma TARDIS Modelo 50, que abandonou no planeta.

Existem muitas versões para a partida do Doutor de seu planeta natal. A oficial é que que vemos no episódio The Name of the Doctor, mas ali não temos indicações do MOTIVO pelo qual ele estava saindo de lá. Isso já foi trabalhado em diversas versões em livros, quadrinhos e áudios da série, mas como há muitos exemplos, não podemos escolher um oficial. Dois fatos comuns, no entanto, podem ser vistos na maioria das versões: a) o Doutor estava entediado em seu planeta; b) o Doutor não concordava com as leis de não-intervenção dos Time Lords.

Ao fugir de Gallifrey com Susan, o Doutor se torna um renegado.

O Início da Jornada

Para os leitores interessados em saberem de fato como foram as primeiras aventuras do Doutor após deixar Gallifrey ao lado de Susan, sugiro que leiam o conto The Exiles (Lance Parkin, 2003) e ouçam o audiodrama The Beginning (2013). Ambas as fontes possuem uma grande quantidade de informações e aberturas para teorias sobre o início da jornada do Doutor. Ainda vale citar o livro Desgastado (Tara Samms, 2003), que traz uma outra versão para os primeiros passos galácticos do Doutor e sua TARDIS Modelo 40, roubada de uma oficina de reparação com a ajuda de Clara Oswald.

Segundo o livro Just War (Lance Parkin, 1996), o primeiro contato do Doutor e Susan com a história da Terra foi quando visitaram a Revolução Francesa. A aventura contra os Piratas de Almas, no conto Uma Mãozinha Para o Doutor aconteceu pouco tempo depois disso. Segue-se mais aventuras, e o Doutor até encontra alguém que no futuro seria um grande amigo seu, o Brigadeiro Lethbridge Stewart (Conto: The Gift). Outras viagens notáveis desse período: Roma, México, Antioquia, Jerusalém, Akhaten, Caribe, Índia, Mondas (sim, o planeta dos Cybermen! – ver livro Byzantium!), Paris (no século XXII).

Por conta de problemas biológicos — perda de memória, como um processo derivado da TARDIS — o Doutro e Susan procuram um lugar para morarem temporariamente, até se recuperarem.

Vivendo na Terra e Continuação das Aventuras

Com uma estadia mais ou menos permanente em Londres — mais ou menos porque o Doutor e Susan faziam ainda algumas viagens tanto por lugares da Terra quanto do espaço — o Doutor tentava se recuperar por completo e também à TARDIS, que começava a apresentar um grandioso número de problemas a cada nova viagem.

A chegada do Doutor e Susan na Totter’s Lane aparece praticamente em duas fases, uma em março e outra em junho e 1963, provavelmente com um intervalo ocupado por viagens pelo Universo. Susan começa a visitar as aulas na Coal Hill School (provavelmente em abril de 63, mas logo em seguida eles viajarão de novo e só deverão chegar em julho do mesmo ano, para então se fixarem definitivamente no local por mais tempo, ao menos até o final de novembro). O primeiro grande problema do Doutor e Susan na Terra aconteceu em outubro de 1963, no áudio Hunters of Earth. Um mês depois, os professores de Susan, Ian e Barbara, descobririam a TARDIS e seriam sequestrados pelo Doutor (TV: An Unearthly Child).

A partir desse momento, o leitor pode tomar a Série Clássica como mote das aventuras do 1º Doutor. É claro que existem uma série de detalhes vindos do Universo Expandido da série, mas eles, a partir desse momento, são curiosidade e ampliação de temas que dependem muito do que foi televisionado para serem canonizados ou não, de modo que seria uma perda de tempo enumerar nem que os principais aqui.

Para maiores informações a respeito das aventuras completas desta encarnação do Doutor, leia o artigo A TIMELINE DO 1º DOUTOR.

O 1º Doutor se regenerou no arco The Tenth Planet, devido a uma forte fraqueza e esgotamento de seu corpo, que já tinha acontecendo por conta de sua velhice e se tornou mais avançado após o contato com os Cybermen.

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Primeira aparição: An Unearthly Child (1963)

Regeneração: The Tenth Planet (1966)

Última aparição: The Day of the Doctor (2013)

Primeiras palavras: What are you doing here?

Últimas palavras: ‘It’s all over’. That’s what you said. No, but it isn’t. It’s far from being all over. I must get back to the Tardis immediately! I must go now… I must go at once. Ah yes, thank you. Keep warm.

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7 comentários

Anônimo 30 de novembro de 2013 - 08:27
Responder
Luiz Santiago 30 de novembro de 2013 - 15:09

Ele realmente tem uma história emocionante, algo que ficou bem claro no filme do Mark Gatiss. Eu gosto muito do 1º Doutor, especialmente da transformação que ele foi passando através das temporadas. Com certeza é um ator memorável e se não fosse o ótimo trabalho dele como personagem principal, a série não teria vingado…

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Adriano Cardoso 27 de novembro de 2013 - 13:46

Eu gostaria muito de assistir a série clássica, mas me falta algo que o Doutor tem de sobra, tempo rsrs…
Então eu queria saber se a princípio eu tenho que assisitir tudo desde o começo ou posso começar assistindo os principais arcos de cada Doutor. Se sim quais seriam eles?

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Luiz Santiago 28 de novembro de 2013 - 00:36

Adriano, como a Série Clássica é composta por arcos bem distintos, não vejo problema você assistir aos principais. No caso do 1º Doutor, você não vai sentir assim tanta diferença de um para o outro, só que a partir da 6ª Temporada (já na era do 2º Doutor) fica um pouco difícil escolher os “principais”, porque nessa temporada surgem os Time Lords, e daí pra frente a série passa ter elementos canônicos tem fortes em casa um dos arcos. Mas vou te passar uma lista dos PRINCIPAIS arcos do 1º Doutor, ok? Aqui no site temos críticas para todos eles, então, caso tenha alguma dúvida, talvez possa te esclarecer melhor lendo os textos. Lá vai:

An Unearthly Child (Arco #1)
The Daleks (Arco #2)
The Reign of Terror (Arco #8)
The Dalek Invasion of Earth (Arco #10)
The Rescue (Arco #11)
The Time Meddler (Arco #17)
The Massacre of St Bartholomew’s Eve (Arco #22)

The Celestial Toymaker (Arco #24)
The War Machines (Arco #27)
The Tenth Planet (Arco #29)

Pronto. Esses são os principais arcos do 1º Doutor.

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Adriano Cardoso 28 de novembro de 2013 - 13:52

Valeu Luiz, muito obrigado, An Unearthly Child e The Daleks eu já vi. E eu já imaginava que a partir do 2º Doutor fosse ficar mais difícil escolher os arcos. Eu queria assistir ao tão comentado e querido 4º Doutor do Tom Baker, mas eu vou assistindo aos poucos então.

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Viva Aimaginação 16 de novembro de 2013 - 14:51

o doutor na verdade não é filho de mae humana,sei que isso apareceu no fime ,mas pelo que vi pela internet isso foi completamente ignorado pelo canone da serie,materia muito boa sobre o primeiro doutor,nessa epoca os episodios eram muito arrastados,mas a interpretaçao do ator muitas vezes tornavam mais agraveis os episodios de se assistir,me lembro de um arco the chase que foi um dos poucos que realmente achei excelentes mostrando uma perseguiçao por parte dos daleks atras da tardis por varios momentos do tempo,muito bom.

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Luiz Santiago 17 de novembro de 2013 - 09:00

Viva Aimaginação, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado do texto.
Achei muito interessante a discussão levantada por você sobre a mãe do Doutor. Devido a isso e devido ao pequeno número de detalhes que coloquei no texto a esse respeito, resolvi acrescentar mais alguns parágrafos a respeito. De fato, há uma controvérsia enorme sobre essa questão, mas veja, quem ignorou esse fato do Doutor ser meio-humano não foi a BBC, foi UMA PARTE DO FANDOM. O filme de 1996 é canônico, isso não tem como tirar, e mesmo que muita gente do Fandom da série rejeite isso, existem indícios oficiais de que é uma afirmação verdadeira, embora também haja indícios de outras coisas, só que em menor quantidade.
Eu não pretendo repetir tudo o que escrevi nesse adendo aqui, sugiro que você volte um pouquinho ao texto e encontre a indicação da família e origem do Doutor e veja algumas referências. Ficaria muito feliz se você tivesse um outro lado para mostrar, porque isso me parece um ótimo assunto para discussão. Mas tenho que ressaltar mais uma vez: o fato do Doutor ser meio-humano nunca foi desmentido pela BBC e teve reflexos em outras produções extra-TV de Doctor Who, ok? Mas muita gente do Fandom rejeita, isso é fato, embora eu não faça parte desse grupo.

Sobre os episódios serem mais arrastados, é isso mesmo. Até por ser concebida como uma série educativa, é de se entender o motivo… Eu particularmente adoro o primeiro Doutor, e como historiador, tenho fascínio pelos arcos históricos que ele protagoniza.

Allons-y!

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