Entenda Melhor | Quibi: Uma Nova Modalidade de Streaming?

  • Importante: esse artigo até pode parecer, mas não é uma peça publicitária do Quibi (não fazemos isso no Plano Crítico, podem ter certeza). Trata-se, apenas, da maneira que encontramos de fazer breves comentários sobre o serviço, além de mini-críticas de algumas das obras disponibilizadas, já que o formato em que elas são oferecidas não permite críticas “normais” por episódio.

Na madrugada do dia 06 de abril de 2020, Jeffrey Katzenberg lançou o Quibi, seu muito prometido serviço de streaming com conteúdo próprio, empreitada que ele tornou possível ao levantar nada menos do que investimentos na monta de um bilhão de dólares para aplicar em tecnologia, campanha publicitária e material exclusivo para distribuir. Logo na estreia, o portfólio de conteúdo chega a 50 novos produtos audiovisuais.

Digo “produtos audiovisuais”, pois a variedade de gêneros logo na partida é grande e pode ser dividida da seguinte forma, segundo a publicidade deles próprios: reality shows, talk shows, documentários em capítulos, filmes em capítulos (não exatamente séries, mas quase lá), notícias jornalísticas e de variedades. Mas o que torna o Quibi diferente do que já conhecemos?

Em poucas palavras, o Quibi é um serviço feito para ser utilizado em smartphones apenas. O aplicativo, inclusive, só está disponível para download em telefones, não computadores, televisões e nem mesmo em tablets. O timing do lançamento, porém, no meio da pandemia de COVID-19, pode atrapalhar essa “mobilidade” embutida no conceito. É possível, porém, “projetar” o conteúdo em televisões, usando as funções de compartilhamento comuns a praticamente todos os aparelhos modernos. Vale lembrar que o aplicativo aparentemente só pode ser baixado na loja americana da Apple (não verifiquei em outras lojas virtuais), o que exige uma conta americana (é fácil de fazer e é gratuita) e que o Quibi está oferecendo 90 dias gratuitos de teste. O preço do serviço, depois do prazo inicial, é de US$ 4.99 por mês na versão com anúncios e US$ 7.99 por mês na versão sem anúncios (a promessa é que os anúncios só acontecerão no começo e/ou no final de cada episódio e não no meio). Não há preços em Reais, até porque o serviço não está sendo oferecido ainda a partir do Brasil, mesmo que possa ser acessado legalmente daqui, conforme mencionei acima (e, como consequência, não há dublagem ou legendas em português, somente, por enquanto, em inglês e espanhol).

Conforme o próprio Katzenberg e Meg Whitman, diretora executiva da empresa, o Quibi não pretende exatamente concorrer com serviços como Netflix e Amazon Prime Video cujo conteúdo pode ser assistido em, mas não é feito para telefones móveis, mas sim com os provedores de conteúdo para smartphones. Se isso vai dar certo, só o tempo dirá. Pelo momento, resta só entender o que faz do Quibi o Quibi:

  1. O conteúdo é disponibilizado para a geração Twitter, ou seja, em “clipes” de 7 a 10 minutos apenas. Em outras palavras, no caso de um “filme em capítulos”, cada capítulo – ou episódio – terá a duração mencionada, para um total de 10 a 12 episódios, às vezes um pouco mais;
  2. O objetivo é que o espectador tenha plena facilidade de usar o aplicativo em movimento, ou seja, em transportes coletivos e outros, com a possibilidade inclusive de mudar os controles de lado, caso alguém, como eu, seja canhoto;
  3. O conteúdo pode ser assistido na horizontal ou na vertical, com o uso da tecnologia batizada de Turnstyle (mais sobre isso logo abaixo);
  4. Os capítulos ou partes serão disponibilizados diariamente, com três “clipes” de cada obra tendo sido disponibilizados no dia da estreia do serviço (como a Apple TV+ fez, vale lembrar).

A tecnologia Turnstyle que, vale ressaltar, já está em disputa judicial patentária nos EUA, altera a orientação do conteúdo conforme o uso horizontal ou vertical da tela. Isso, em si, não é novidade, claro, pois essa função é nativa de todos os smartphones. A novidade mesmo é que a troca é instantânea e, mais do que isso, todo o conteúdo do Quibi, conforme afirmação de Katzenberg e Whitman, foi filmado “duas vezes”, ou seja, cada uma extraindo o melhor de cada orientação, com o software Turnstyle fazendo as transições sem nenhum “salto” sensível.

Para quem se lembra das priscas eras do pan and scan, algo que achei que nunca mais veria novamente e estava feliz por isso, o efeito é… hummm… parecido. Não há muito pan – ou seja, a câmera artificialmente andando para focar na pessoa ou objeto importante na cena – quando a tela é usada na vertical, verdade seja dita, e alguns diretores sabem usar melhor o recurso que outros, mas a sensação geral é de uma incômoda volta ao passado. A vantagem, claro, é que o espectador poderá simplesmente ficar o tempo todo na horizontal, sem problema algum. Como sempre odiei o pan and scan, mas estava testando, mudei a orientação frequentemente e até voltei algumas cenas para ver como elas ficavam de um jeito e de outro e, para minha surpresa, até que a orientação vertical não ficou tão horrível quanto achei que ficaria, ainda que a horizontal seja invariavelmente melhor.

Tive a oportunidade de assistir todos os conteúdos ficcionais atualmente disponíveis na plataforma, já que tenho ojeriza em relação a reality shows (como o leitor pode conferir aqui) e nenhum interesse no que foi disponibilizado em relação a documentários e conteúdo jornalístico e preparei breves “críticas” sobre cada um deles para que o leitor possa ter uma ideia do que o Quibi pretende oferecer. Coloquei em ordem do menos ao mais promissor, para seguir algum critério:

5. 50 States of Fright

Tipo: antologia de horror
Sinopse (tradução livre): Uma antologia de horror contendo as mais assustadoras histórias de cada estado no país. O produtor executivo Sam Raimi traz cada conto aterrador à vida.

Os três primeiros episódios dão conta da primeira história de horror, localizada no estado de Michigan e que aborda uma mulher vã que, ao perder o braço, acaba convencendo o marido a fazer uma prótese de ouro. Não é exatamente assustadora, mas sim bizarra. Por outro lado, há sanguinolência para dar e vender e, com Sam Raimi, na produção, a promessa é de muita diversão descompromissada.

4. Most Dangerous Game

Tipo: thriller de ação
Sinopse (tradução livre): Um homem desesperado e endividado. Em um thriller distópico onde o caçador acaba sendo a caça. O jogo começou.

Com apenas três episódios disponibilizados e a tal caçada ainda não iniciada, fica difícil saber se a sinopse acima faz algum sentido, pois até agora não faz muito não. Sim, Liam Hemsworth faz um homem desesperado que aceita ser o caçado em mais uma adaptação do famoso conto de Richard Connell (O Jogo Mais Perigoso ou, apenas, Zaroff), mas não vi distopia alguma e nem dúvida sobre quem é a caça. Mas tudo pode mudar e a história base de Connell é sempre interessante o suficiente para segurar adaptações audiovisuais. Ah, de brinde tem Christoph Waltz como o magnata que faz a oferta a Hemsworth.

3. When the Streetlights Go On

Gênero: drama, policial
Sinopse: Um homicídio duplo em um subúrbio do meio-oeste sacode as vidas de um grupo de adolescentes e inicia uma investigação em busca de respostas no outono de 1995. Uma meditação sobre o amadurecimento, a passagem do tempo e a violência insidiosa que espreita os subúrbios.

A premissa é um tanto genérica, mas os três episódios disponibilizados dialogam bem com o mundo adolescente, sem, porém, cair nas armadilhas usuais do gênero, além de manter a seriedade que o drama parece exigir. A fotografia, com muitas tomadas noturnas, é sofisticada e o elenco jovem responde muito bem à escolha de manter tudo low profile, sem exageros e pirotecnia. Dá para ver o potencial por trás de tudo, mas o “filme em capítulos” pode também muito facilmente descambar para bobagens, ainda que não pareça que seguirá por aí.

2. Flipped

Gênero: comédia
Sinopse: Jann e Cricket acham que têm o necessário para tornarem-se o mais novo casal de reforma de casas da TV. Infelizmente, um cartel mexicano de drogas acha a mesma coisa. Agora, a dupla iludida tem que sobreviver a seu novo projeto – renovar as mansões do cartel.

A sátira a reality shows capturou imediatamente minha atenção em razão de minha já citada ojeriza a esse tipo de programa e o casal formado por Will ForteKaitlin Olson funciona bem como dois completos idiotas sem o menor semancol que se acham o máximo. O lado do envolvimento com o cartel, porém, que acontece nos últimos segundos do terceiro episódio disponibilizado não me convenceu muito, mas tem Andy Garcia no elenco (não apareceu ainda, porém) e isso pode mudar o jogo.

1. Survive

Gênero: drama
Sinopse (tradução livre): Jane quer acabar com tudo. Então, um acidente aéreo quase acaba com tudo para ela. Agora, ela está saindo debaixo dos escombros com Paul, o único outro sobrevivente, e com uma nova vontade de permanecer viva.

Tudo começa em um hospital psiquiátrico de elite onde Jane está internada há quase um ano com profundos problemas psiquiátricos e tendências suicidas. Isso já estabelece um drama pesado e até bastante gráfico que, por incrível que pareça, mostra que Sophie Turner sabe realmente atuar (ou pelo menos me enganou bem por 20 minutos…). A atmosfera lúgubre do lugar já foi suficiente para me prender e fiquei até meio “desapontado” quando depois li a sinopse e notei que havia um acidente de avião (é o cliffhanger do terceiro episódio). Mas a combinação inusitada pode funcionar, valendo até destacar que esse “filme em capítulos” (ridículo chamar assim, pois cada parte tem um título como uma série normal) é o que melhor utiliza os recursos do Turnstyle até agora.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.