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Favoritos do Plano Crítico | TV (Live-action)

por Luiz Santiago
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Favoritos do Plano Crítico | TV (Live-action). Um TOP 10 das nossas séries favoritas!

Nós aqui do Plano Crítico, seguindo a publicação das LISTAS DE FAVORITOS, resolvemos esquematizar desta vez as nossas Séries ou Minisséries live action. A proposta segue exatamente a mesma da lista anterior: os escolhidos são 10 FAVORITOS e não necessariamente melhores (perceba a diferença, por favor!).

NOTA: Esta é uma versão 2.0 da lista. A primeira publicação aconteceu em 2015, com uma estrutura completamente diferente (para começar, era um TOP 5 e não TOP 10, como agora) e com muita gente diferente na equipe. Hoje, cinco anos depois, trago a versão atualizada e acrescida de novos comentários e indicações! Vocês também vão notar que fiz uma marcação na seção de comentários, separando visualmente as participações feitas pré e pós a publicação desta segunda versão.

Não se esqueçam de comentar abaixo e deixar também a sua lista de 10! Divirtam-se!


Ritter Fan

Séries de televisão foram, aos poucos, se tornando um vício. No início, lá pelo comecinho dos anos 2000, era adepto do binge watching pré-streaming por intermédio de DVDs e Blu-Rays de temporadas inteiras. Depois, aos poucos, fui migrando para serviços de streaming como o Netflix, mas, hoje, prefiro o modelo “antigo” semanal. Cansei da correria, da ansiedade e da efemeridade que o “descarrego” de temporadas inteiras de uma vez gera, diminuindo inclusive o valor intrínseco que é o ato de saborear a obra com tempo para processar o foi visto sem competições do tipo “acabei antes de você” ou “já estou no penúltimo episódio” e coisas do gênero. Por outro lado, aproveitando um pouco da organização que vem com a idade, aumentei o número simultâneo de séries que assisto, o que é um pouco enlouquecedor, mas permite a abertura do leque considerando a estarrecedora quantidade de séries ofertadas por aí.

Mas eu divago.

O fato é que escolher 10 séries favoritas em um universo de séries já encerradas – porque eu me forcei a ficar só no universo de séries já encerradas no momento de elaboração da presente lista, o que me fez deixar Better Call Saul, com dor no coração, do lado de fora – nem foi um exercício tão difícil assim. Tive, claro, que ser criterioso e deixar de fora algumas obras indiscutivelmente sensacionais, como Família Soprano, talvez a obra que tenha definitivamente elevando o nível das séries televisivas, Sons of Anarchy, um drama shakespeareano extremamente violento que oferece muito mais do que sua superfície deixa entrever e a tão badalada Breaking Bad, mas não tem jeito. No entanto, as 10 que escolhi são as 10 que, hoje, sem titubear, levaria para uma ilha deserta para rever múltiplas vezes.
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Além da Imaginação

CBS 🇺🇸 | Rod Serling | 5 Temporadas | 1959 – 1964

plano crítico além da imaginação

Além da Imaginação não foi a primeira a mergulhar na fantasia e na ficção científica para trazer histórias de explodir o cérebro, mas ela certamente foi – e, em muitos aspectos, ainda é – a melhor de todas, com o mítico Rod Serling comandando e apresentando um show que a cada semana fincava profundas estacas no imaginário popular ao ponto de ela até hoje ser terreno fértil para muita inspiração de obras modernas, sejam séries ou filmes, além de ter revelado uma infinidade de icônicos atores e atrizes. 

Seinfeld

NBC 🇺🇸 | Larry David, Jerry Seinfeld | 9 Temporadas | 1989 – 1998

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Eu não gosto muito de sitcoms e, depois de muita análise, descobri a razão: Seinfeld! Acompanhava religiosamente essa série quando ela ainda passava na TV (antes das reprises!) e sempre me apanhava rindo que nem um louco desse show “sobre o nada” como Jerry Seinfeld e Larry David bem a qualificaram. E, quando ela acabou, seus episódios mantiveram o frescor e a vitalidade, sendo tão engraçados hoje quanto eram em sua época de ouro. Com isso, fiquei mal-acostumado e nunca mais encontrei uma sitcom que sequer arranhasse a superfície da inteligência do roteiro e do timing cômico da quadra principal.

The Young Indiana Jones Chronicles

ABC 🇺🇸 | George Lucas | 3 Temporadas | 1992 – 1993

plano crítico The Young Indiana Jones Chronicles

Muita gente provavelmente nunca nem ouviu falar na série live-action do Indiana Jones que teve vida curtíssima no começo dos anos 90, mas ela existiu e, como essa lista é de favoritos, não de melhores, é chegada a hora de eu abrir meu baú de tesouros. Chega a ser constrangedor constatar como é difícil adquiri-la legalmente hoje em dia, como se a Lucasfilm quisesse esconder essa pequena joia que produziu para a ABC. Nela, um Indiana Jones bem velhinho de 93 anos e sem um dos olhos lembra sua vida de jovem aventureiro em dois momentos distintos: com 10 anos e de 16 a 21 anos. O foco da série que contava com altíssimo orçamento era educacional, com o jovem Indy esbarrando com figuras históricas importantes e eventos marcantes da história recente do mundo em uma produção caprichada que, infelizmente, foi soterrada e esquecida pelas areias do tempo. 

The Wire

HBO 🇺🇸 | David Simon | 5 Temporadas | 2002 – 2008

Thewire

Essa é a série que realmente subiu meu sarrafo qualitativo. Uma obra policial que não depende de reviravoltas, tiroteios, mortes e outros artifícios para contar magistrais histórias. É a vida como ela é tanto de policiais quanto de bandidos em Baltimore, nos EUA, sem firulas, sem invencionices, sem pirotecnia. Dominic West, apesar de nunca depois ter se provado um grande ator, dá um show aqui como Jimmy McNulty e Idris Elba se revela para o mundo com seu fascinante Stringer Bell. E, claro, como esquecer de Michael Kenneth Williams como o assassino Omar Little? Uma série muita a frente de seu tempo que põe no chinelo a totalidade dos dramas policiais da atualidade.

Battlestar Galactica

Syfy 🇺🇸 | Glen A. Larson, Ronald D. Moore | 4 Temporadas | 2004 – 2009

Battlestar

Precedida de uma minissérie, o reboot de Battlestar Galactica, série clássica da década de 70 que só durou uma temporada, é uma obra-prima da ficção científica. E olha que meu amor nostálgico de criança pela série original me fez torcer o nariz para o reboot inicialmente.

No entanto, quando a série engrenou, com discussões filosóficas, religiosas e políticas em meio à fuga desesperada de diversas naves capitaneadas pela astronave de combate Galactica com seu Comandante (e depois Almirante) Adama no comando, foi absolutamente impossível não se tragado por esse incrível universo criado por Ronald D. Moore. E os efeitos especiais, usados parcimoniosamente, ainda são de primeira mesmo considerando-se as séries modernas. Um marco na televisão, sem dúvida alguma.

Deadwood

HBO 🇺🇸 | David Milch | 3 Temporadas | 2004 – 2006

DEADWOOD

Nunca perdoei a HBO por ter cancelado Deadwood ao final da terceira temporada. O único consolo é que, como a história contada é, em grande parte, baseada em fatos reais, é possível pesquisar o destino dos personagens principais sem muito esforço, além do fato de a HBO, depois de quase 13 anos, finalmente ter produzido um filme de encerramento que, se não chega ao nível do material anterior, pelo menos veio para servir de consolo.

De toda forma, o trabalho de David Milch, criador e showrunner dessa série é inigualável. Os diálogos transitam entre o inglês shakespeareano e o coloquial, fatos são misturados perfeitamente com ficção e a reconstrução da cidade de Deadwood, na Dakota do Sul, lá pelos anos 1870 é de tirar o fôlego. É uma série de western que desmistifica a imagem clássica dos faroestes que temos na cabeça e nos apresenta personagens inesquecíveis como Seth Bullock, vivido por Timothy Olyphant (que viria mais ou menos repetir seu papel na também excelente Justified), Al Swearengen, encarnado inacreditavelmente bem por Ian McShane, E.B. Farnum, vivido por William Sanderson e George Hearst (pai de William Randolph Hearst, o homem que inspirou Orson Welles a dirigir e produzir Cidadão Kane), vivido por Gerald McRaney. Essa série é tão bem feita que, depois de assisti-la, é difícil voltar a ver faroestes novamente.
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Life on Mars

BBC 🇬🇧 | Matthew Graham, Tony Jordan, Ashley Pharoah | 2 Temporadas | 2006 – 2007

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Uma série policial com viagem no tempo ou uma série sci-fi com investigação policial. Você escolhe. Mas a grande verdade é que essa curtíssima série de duas temporadas e 16 episódios que conta uma história completa – e que ganhou mais tarde uma continuação, além do obrigatório reboot americano – desafia convenções e gêneros e faz um magnífico trabalho de situar o espectador em Manchester, na primeira metade dos anos 70, onde o policial Sam Tyler, de 2006, logo se encontra depois de um acidente. Personagens marcantes, tramas envolventes e, claro, aquele toque de humor britânico.
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Mad Men

AMC 🇺🇸 | Matthew Weiner | 7 Temporadas | 2007 – 2015

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Essa série mantem-se em uma interminável disputa mental com The Wire em minha cabeça para ver quem fica no topo. Assim como a série policial da HBO, Mad Men é uma obra-prima de queima lenta com atenção quase sem paralelo a seus personagens. Seja pelo elenco fenomenal, pela cuidadosa reconstrução de época, pelos figurinos, pela narrativa cadenciada que sabe equilibrar a importância dos personagens e pela fascinante história do dia-a-dia dos publicitários da Madison Avenue, capitaneados pelo carismático e problemático Don Draper que é costurada com os mais importantes eventos da época em que se passa, a criação de Matthew Weiner é um triunfo audiovisual que simplesmente precisa ser conferido.
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Halt and Catch Fire

AMC 🇺🇸 | Christopher Cantwell, Christopher C. Rogers | 4 Temporadas | 2014 – 2017

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Raramente no radar das pessoas, Halt and Catch Fire é, mal comparando, a Mad Men dos computadores, ou seja, um drama de época que se passa no nascimento do computador pessoal e da internet, usando diversos personagens fictícios fascinantes que fazem a mímica – e por vezes a sátira – de figuras reais importantes nessa área. Tecnologia que deu base a praticamente tudo que temos hoje, dramas pessoais perfeitamente relacionáveis e um elenco perfeitamente azeitado em quatro excelentes temporadas que encapsulam momentos históricos da história tecnológica recente.
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The Deuce

HBO 🇺🇸 | David Simon, George Pelecanos | 3 Temporadas | 2017 – 2019

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Não imaginei que colocaria nessa lista uma segunda série não só da mesma produtora, como dos mesmos showrunners de The Wire. Mas foi inevitável. A curta, mas magnificamente bem produzida série da dupla Simons e Pelecanos que aborda a subcultura da pornografia na Nova York decadente – mas no começo de sua ascensão – do final dos anos 70 e começo dos anos 80 é um recorte histórico de extrema relevância para o mundo do entretenimento, perpassando a luta pela prostituição, igualdade de gêneros, a epidemia de AIDS, o preconceito de todas as formas e, claro, a corrupção policial. 

Luiz Santiago

O meu primeiro contato com narrativas seriadas na TV foi através de desenhos animados e novelas, como a maioria dos brasileiros na minha geração, creio eu. Minha última novela eu me lembro muito bem, foi O Clone (eu tinha 14 anos na época) e as minhas primeiras séries foram Chaves e Chapolin, que acompanhava durante o almoço, depois que chegava da escola. Mas foi com Os Normais e A Grande Família (ambas iniciadas em 2001) que eu realmente peguei o gosto pelo formato e passei a procurar coisas na minha internet discada (há muito tempo…), até descobrir Friends. E tudo começou a mudar. Um caso curioso em relação à essa segunda versão da lista é que eu retirei Twin Peaks, que em termos de favoritismo da vida só perdia mesmo para Doctor Who! Até o acometimento da 3ª Temporada. Desse ponto em diante, a obra simplesmente perdeu todo o meu amor devotado ao longo dos anos, apesar de eu ainda reconhecer sua enorme importância para a História da TV e a inabalável grandeza da 1ª Temporada e metade da 2ª Temporada… Mas chega de conversa. Vamos à lista..

Doctor Who

BBC 🇬🇧 | Sydney Newman | 38 Temporadas + Especiais | 1963 – presente

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DOCTOR WHO! Qualquer pessoa que me conheça pelo menos um pouquinho saberia que DW entraria nessa lista! Como eu amo essa série! Eu conheci o show de verdade em 2009, por um feliz acidente de feed em redes sociais. Eu já havia ouvido falar em Doctor Who àquela época, claro, sempre com muito respeito e paixão, mas nunca me animei para ver a série. Até que uma simples pergunta que eu fiz (“precisa ver a série antiga antes?“) e a sábia resposta que recebi (“não“) definiram o meu futuro televisivo. Eu precisei apenas de dois episódios para me viciar — pois é, sou daqueles que viram Rose e conseguiram se sentir 100% animados para continuar assistindo ao show — e hoje coleciono e consumo tudo o que posso sobre a série. De longe, de perto, de qualquer distância, Doctor Who é a minha série favorita.
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Cenas de um Casamento

Sveriges Radio 🇸🇪 | Ingmar Bergman | 1 Temporada | 1973

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Relacionamentos são imensamente complicados, em qualquer esfera que a gente pensar. Sim, eles são capazes de nos trazer inúmeras alegrias, mudar para melhor as nossas vidas e nos fazer direcionar hábitos e pensamentos a ponto de nos transformar em pessoas melhores. Mas são muito, muito complicados. Nesta minissérie, Bergman mergulha num tipo específico de relacionamento, o matrimonial, e olha para o casal protagonista como um cirurgião fazendo uma complicada operação. O resultado é simplesmente inesquecível.
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Berlin Alexanderplatz

WDR, RAI 🇩🇪 | Rainer Werner Fassbinder | 1 Temporada | 1980

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Como vocês já viram na nossa lista de diretores favoritos, Fassbinder é um dos meus xodós da vida e minha história com ele começou de duas formas, primeiro assistindo a O Desespero de Veronika Voss e depois vendo esse colosso absurdamente genial que é Berlin Alexanderplatz. Uma adaptação que serve também como leitura histórica aplaudível a respeito da ascensão do nazismo. Verdadeira obra-prima da TV.
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Decálogo

TVP 🇵🇱 | Krzysztof Kieslowski | 1 Temporada | 1989 – 1990

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Minha história com essa série do Kieslowski começou por insistência de um grande amigo meu, religioso, para saber a minha opinião (um não-religioso) sobre o episódio de estreia do showAmarás a Deus Sobre Todas as Coisas. Eu vi o episódio, adorei o que vi, escrevi sobre — uma crítica muito positiva, por sinal –, mas não dei sequência à série por pelo menos dois anos. Só então foi que voltei, revi o Piloto e segui com o programa inteiro (inclusive com os 2 filmes feitos a partir dos episódios Não Matarás e Não Cometerás Adultério) e quando eu terminei o último episódio (Não Cobiçarás Coisas Alheias, que se tornou um dos meus favoritos de toda a série) eu estava em verdadeiro estado de graça. Esse é o tipo de série que faz muitíssimo mais pelo cristianismo do que a maioria dos pastores e cristãos-ódio que temos espalhados pelo mundo em nossos tempos.
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Friends

Warner 🇺🇸 | David Crane, Marta Kauffman | 10 Temporadas | 1994 – 2004

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Como já falei na apresentação, conheci Friends pela internet, mais ou menos em 2001. E nem preciso dizer que foi amor à primeira vista. E também nem preciso dizer que até hoje foi a série que eu vi mais vezes inteira (são 10 temporadas!). Pois é. Primeiro amor é daquelas coisas incontroláveis, inesquecíveis e viciantes.

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Firefly

FOX 🇺🇸 | Joss Whedon | 1 Temporada | 2002 – 2003

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Essa aqui eu devo reverências ao meu Mestre Ritter Fan. Em idos de 2010, quando o Plano Crítico ainda não existia e nós dois tínhamos nossos humildes blogs, trocamos alguns comentários simpáticos sobre a saga do Planeta dos Macacos e sobre séries de TV. E então ele me indicou duas séries, uma delas, Firefly. E sou grato a ele por ter me indicado essa preciosidade de Joss Whedon! Não há dúvidas que se trata de uma das melhores do gênero!
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O Mestre e a Margarida

Goskino, Telekanal 🇷🇺 | Vladimir Bortko | 1 Temporada | 2005

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Quando o livro O Mestre e a Margarida (1928 – 1941) foi lançado no Brasil, eu já o conhecia de um fórum que comentava sobre a série baseada nele. Depois de ouvir tantas maravilhas, fui, um pouco relutante, comprar a obra. Confesso que comecei me impressionar já a partir da capa, e, quando li o primeiro capítulo, já estava naquele estágio em que você só larga o volume depois de terminar. O livro é tão bom que se tornou o meu segundo livro favorito de todos os tempos (este e os outros quatro vocês podem ver nesta lista) e a série baseada nele é tão boa que entrou para a minha lista de favoritas também! Bulgákov deve estar sorrindo de maneira muito macabra de onde ele deve estar.
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Community

NBC, Yahoo 🇺🇸 | Dan Harmon | 6 Temporadas | 2009 – 2015

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Favoritismo é um troço curioso. Mesmo que eu tenha uma bronca crítica enorme em relação à 4ª Temporada dessa série, não consigo retirá-la do meu coração de jeito nenhum. Certamente um dos programas mais inventivos, mais engraçados e mais fora da caixinha, em termos de comédia, que eu já vi na vida. Sem sombra de dúvida, uma das séries que eu levaria para uma ilha deserta!
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Utopia

Channel 4 🇬🇧 | Dennis Kelly | 2 Temporadas | 2014 – 2015

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O mesmo amigo que me indicou Community também me indicou Utopia, isso mais ou menos na mesma época. E olha que eu realmente não esperava que iria me apaixonar tanto pelas duas obras. Pois aqui estamos. Utopia é uma série de explodir cérebros. Daquelas que misturam realidade, teorias da conspiração, assassinatos hiper-estilizados e um plot de estrutura de poder, controle ou molde da sociedade em nosso tempo, que nos faz ter medo de olhar para fora da janela. No momento em que escrevo esse pequeno comentário, estamos todos em quarentena por conta da COVID-19, e na boa, Utopia é a série perfeita para se ver nesse tipo de situação de pandemia e distanciamento social, nem que seja para fugir para algo um pouco mais exagerado do que a nossa própria realidade. Uma baita série.
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Sense8

Netflix 🇺🇸 | J. M. Straczynski, Irmãs Wachowski | 2 Temporadas + Especial | 2015 – 2018

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Conexão. Amores. Identidades. Superação de obstáculos. Acompanhamento no luto. Aprendizagem. Suporte aos que precisam. Tomada de atitudes. Coragem. Sense8 significa muito, mas muito mesmo para mim. Uma série que marca por fazer parte da nossa própria história também. Um retrato sobre os poucos e fiéis amigos. Sobre aqueles que fazem a diferença na nossa vida. E sobre amar e viver. Muito amor por essa série.

Michel Gutwilen

Primeiramente, cabe ressaltar que a grande maioria das séries listadas abaixo são do período de minha adolescência (2010-2015), momento em que consumia meu tempo muito mais com produtos televisivos do que com filmes. Por volta dos 17 anos, a equação inverteu e hoje a proporção é inversa, uma vez que eu venho me dedicado ao aprendizado da arte do cinema. Ou seja, estou devendo tanto nas séries mais recentes, quanto nas antigas (The Wire, Sopranos, Twin Peaks, The Twilight Zone). Para terem noção, no ano de 2019 só acompanhei 4 séries: Dear White People; GLOW; The Boys e Game of Thrones. Logo, as explicações para a entrada de cada uma das séries também são baseadas em uma memória afetiva do auge da minha adolescência, com foco na 1ª metade da década de 2010s.
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24 Horas

FOX 🇺🇸 | Joel Surnow, Robert Cochran | 9 Temporadas | 2001 – 2010

24-horas-plano crítico

Não sei se isso é uma lenda urbana, mas eu prefiro acreditar que Jack Bauer influenciou o novo 007 vivido por Daniel Craig. Da pose e das brigas sem arruinar o cabelo, para um agente bruto, que sangra e é capaz de recorrer a uma ultraviolência para conseguir seus objetivos. Um retrato perfeito das ações policiais da nossa década. Ainda que muitas vezes tenha se dado liberdades poéticas, eu sempre fiquei muito atraído pelo tom de urgência da proposta da série, no qual os 24 episódios representavam uma hora de um único dia no qual o agente Bauer precisava resolver uma ameaça para a nação norte-americana. Certamente um marco no gênero.
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Lost

ABC 🇺🇸 | Jeffrey Lieber, J.J. Abrams, Damon Lindelof | 6 Temporadas | 2004 – 2010

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Gosto de chamar mais de LOST de um fenômeno do que uma série. E ele é o principal exemplo que eu uso como motivo para odiar o modelo de produção da Netflix, no qual uma temporada é lançada toda de uma vez. Se por um lado o espectador ganha autonomia, perde-se muito na série como um fenômeno social. Nunca me esquecerei das visitas a fóruns e comunidades no Orkut para debater as teorias dos episódios da semana, mensagens escondidas e até análise frame-a-frame dos trailers. Com fulano assistindo o episódio 7, você no 4 e beltrano tendo maratonado, perde-se este poder de debate e conspiratório que ajudou a criar o culto ao seriado. Aliás, de modo algum se engane que os motivos para que eu ame LOST estejam só neste fator exterior. A narrativa inovativa que alternava entre linhas do tempo diferentes, os personagens extremamente complexos e não-maniqueístas, o eterno debate que coloca a série tanto num lado fantasioso quanto num científico e claro: o que era aquele monstro de fumaça!? Defenderei o final da série até o fim da minha vida.
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How I Met Your Mother

CBS 🇺🇸 | Carter Bays, Craig Thomas | 9 Temporadas | 2005 – 2014

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Fugindo das picuinhas bestas entre Friends e HIMYM (por que não apreciar as duas obras? Tudo precisa ser um Fla-Flu?), considero um fator diferencial para a segunda estar nessa lista no lugar da primeira. Inegavelmente, acho que as duas sucedem a um nível cômico. Porém, a catarse dramática que How I Met Your Mother constrói ao longo das temporadas, para mim, é uma sensação única. Não deixa de ser irônico que eu comecei a série para me divertir, mas já na terceira temporada eu me preparava para chorar a cada episódio (e chorava). De mesmo modo, como divertido era alternar meu ship de casal favorito a cada episódio. Uma hora, torcida mais por Barney e Robin. Na outra, queria Robin e Ted. E no fim, fiquei super satisfeito.
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Dexter

Showtime 🇺🇸 | James Manos Jr. | 8 Temporadas | 2006 – 2013

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Nada como uma boa romantização de um serial killer falando de seus crimes em um voice-over poético! Ainda bem que uma lista de favoritos é essencialmente parcial, pois é inegável que Dexter possui pelo menos umas 3 temporadas bem duvidosas, inclusive seu final. Ainda assim, as temporadas boas são excelentes (como esquecer do Trinity); Miami é como uma personagem viva, o valor dado aos rituais da rotina (como esquecer daquela intro); a dualidade entre um homem tentando seguir seu código ético e um assassino insaciável. Surprise, mothefucker!
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Fringe

FOX 🇺🇸 | Alex Kurtman, J.J. Abrams, Roberto Orci | 5 Temporadas | 2008 – 2013

Fringe-plano crítico TV

Marcando a segunda aparição de J.J. Abrams na lista, Fringe é o motivo pelo qual eu me apaixonei pela ficção científica, até mais do que Star Wars. Além do fenômeno parecido com o de LOST, a série se balanceava muito bem entre os casos procedurais da semana e uma trama maior da temporada. Além disso, outro contraste muito interessante sempre foi a leveza dos relacionamentos entre o elenco, com os casos até assustadores, podendo dizer que a série ia para o gênero do suspense muitas vezes. Mundos-espelhos (o World Trade Center que nunca caiu), acontecimentos científicos bizarros, Leonard Nimoy, um grupo de carecas sem sobrancelha que vigiavam os protagonistas. Mais uma vez, assumo totalmente que caí nas manipulações de Abrams.
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Sons of Anarchy

FX 🇺🇸 | Kurt Sutter | 7 Temporadas | 2008 – 2014

plano crítico SONS OF ANARCHY

Imaginem um jovem de 16 anos, super influenciável, vendo uma gangue de motoqueiros tatuados, barbudos e que seguiam sua própria lei ou código de ético. Quem não iria querer se teletransportar para aquela realidade e ser Jax Teller? Possuo no armário até hoje um colete comprado na emoção da época que, obviamente, usei no máximo umas 5 vezes na vida. Se a série começa completamente rebelde, aos poucos ela ganha um forte subtexto político (toda aquela temporada na Irlanda envolvendo a IRA, sensacional!), dilemas éticos, além das diversas traições inesperadas, com um forte tom de autodestrutividade assombrando o grupo dos Redwood Original. Aliás, Gemma Teller (Maggie Siff) talvez tenha sido a personagem que eu mais odiei em toda minha vida.
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Breaking Bad

AMC 🇺🇸 | Vince Gilligan | 5 Temporadas | 2008 – 2013

breaking-bad-plano crítico tv

Confesso que não me apaixonei de cara por Breaking Bad e acho que nem estava maduro o suficiente na época que vi. Ainda assim, aquele jovem já reconhecia que estava diante de algo que parecia ser maior e mais ambicioso do que o próprio formato televisivo. De uma sinopse improvável para se tornar um dos maiores dramas da década, acompanhar a jornada de Walter White, com seus altos e baixos, me fez perceber que eu não poderia gastar tempo com séries “mais ou menos”. Acho que foi aí que começou minha transição para o cinema. Eu queria menos Supernatural, Arrow, Flash e mais histórias parecidas como aquela. E isso eu não acharia na televisão, mas no cinema.
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Parks and Recreation

NBC 🇺🇸 | Greg Daniels, Michael Shur | 7 Temporadas | 2009 – 2015

parks plano crítico TV

Muitos me perguntam porque eu não fico deslumbrado com Brooklyn 99 (que, inegavelmente, é bem divertida). A resposta é porque eu já vi tudo isso em Parks and Recreations, que ao invés de se passar numa delegacia de polícia, se passava num departamento do governo que cuidava de Parques Públicos (e óbvio, Parks é derivada de The Office). Se este tema parece algo massante e sem conteúdo para 7 temporadas disso, não se engane, pois há muito o que contar, mas o principal está em acompanhar a interação entre o grupo ou a evolução profissional/emocional da dedicada Leslie Knope (Amy Poehler). Aliás, voltando a analogia inicial, se vocês gostam da dupla cômica Hitchcock/Scully, se preparem para o hilário Jerry (ou Larry).
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Justified

FX 🇺🇸 | Graham Yost | 6 Temporadas | 2010 – 2015

Justified plano crítico

O nome do escritor Elmore Leonard talvez seja mais lembrado por uma de suas obras, Jackie Brown, ter sido adaptada por Quentin Tarantino nos cinemas. Mas outra obra sua resultou numa das séries mais subestimadas da história da televisão norte-americana. Nesta espécie de western moderno, acompanhamos o xerife bad-boy Raylan Givens (Timothy Olyphant) fazendo seu trabalho na sua cidade natal de Harlam. O mais fascinante da série é como tudo ganhar um olhar muito intimista. Como a cidade é muito pequena, policiais e bandidos são amigos de infância. Por isso, não era comum na série, após um intenso tiroteio, uma calma conversa entre camaradas se desenrolar. Assistir a Justified era como um “jogo de compadres”, futebolísticamente falando, onde para os dois times basta o empate e eles ficam tocando para o lado. Obviamente, as coisas vão mudando com o passar do tempo.
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Game of Thrones

HBO 🇺🇸 | David Benioff, D.B. Weiss | 8 Temporadas | 2011 – 2019

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Assim como Dexter, nem tudo são flores durante os 8 anos de Game of Thrones. Ainda assim, seria impossível não botar na lista uma série que, após assistir a primeira temporada, eu engoli os 5 livros lançados por George R.R. Martin e fiquei esperando o lançamento da segunda. Aliás, é com Game of Thrones que iniciei minha carreira na crítica, fazendo análises dos episódios, então possi este valor íntimo. Sendo o único dos meus amigos que leu o livro, eu era uma espécie de Wikipédia viva para eles que só assistiam a série, sendo um daqueles fanáticos que sabiam o nome de todas as casas e dos personagens terciários. Por mais que D&D tenham me magoado ao cortar diversas partes essenciais dos livros, não há como negar que fiquei extremamente satisfeito com o resultado geral e que alguns episódios entraram para a história do audiovisual televisivo na década: O Casamento Vermelho; Nascimento dos Dragões; Oberyn vs Montanha; Batalha de Durolar; Batalha dos Bastardos, entre tantos outros. Caso seu personagem favorito não seja Theon Greyjoy, você viu errado.

Handerson Ornelas

Chaves

Canal 8, Canal 2 🇲🇽 | Roberto Gómez Bolaños | 7 Temporadas | 1873 – 1980

A série que começou tudo, qualquer fascínio que eu possa ter hoje por TV. Roberto Bolaños criou uma série que extrapola os limites do tempo e que faz diversas gerações rirem das mesmas piadas (e chorar também). Brilhante.
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Friends

Warner 🇺🇸 | David Crane, Marta Kauffman | 10 Temporadas | 1994 – 2004

Assim como The Office, mudou minha vida. Assistir Friends sempre foi, pra mim, sinônimo de conforto e alegria, por isso sempre serei grato a aqueles 6 amigos pela jornada que compartilhamos.
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The Office

NBC 🇺🇸 | Greg Daniels | 9 Temporadas | 2005 – 2013

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A melhor série de comédia já feita. Steve Carrell entra pra história com um dos personagens mais hilários que a comédia já viu, junto a uma produção e roteiro que satiriza não apenas o ambiente de trabalho, mas a sociedade como um todo. Se quiser saber tudo que o humor é capaz de fazer, assista The Office. Mudou minha vida.
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Heroes

NBC 🇺🇸 | Tim Kring | 4 Temporadas | 2006 – 2010

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Atualmente, diante de tanta série que assisti com o passar dos anos, Heroes jamais estaria aqui, mas não posso esquecer que foi sua primeira temporada que fez eu me apaixonar pelos seriados americanos e até aprofundar meu interesse por quadrinhos. Mesmo com seus altos e baixos (baixos que eram muito baixos mesmo), me mantive fiel e sempre vou lembrar da grande experiência que foi ver sua primeira temporada.
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Breaking Bad

AMC 🇺🇸 | Vince Gilligan | 5 Temporadas | 2008 – 2013

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É difícil falar de Breaking Bad, porque tudo que há pra falar dela já foi dita mil vezes por todos os cantos da internet. Se é chamada por muitos de melhor série já feita, é porque seu impacto é imensurável, acredite. A história da ascensão e queda de Walter White apresenta uma narrativa que faz o telespectador mergulhar intensamente na vida dos personagens, se colocar na pele deles e saborear cada uma de suas conquistas e dores. Uma obra de arte praticamente irretocável.
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Fargo

FX 🇺🇸 | Noah Hawley | 4 Temporadas | 2014 – presente

Pegaram um ótimo filme dos irmãos Coen e criaram uma série de antologia em cima dele. É impressionante como conseguiram criar três temporadas (e vem quarta aí) com uma assinatura tão forte lembrando o filme original. Fargo exibe uma trama criminal extremamente misteriosa e instigante, tendo seu ápice, na minha humilde opinião, em sua subestimada terceira temporada. Uma excelente comédia de erros onde cada esquina do roteiro é presenteado com uma grande surpresa.
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Better Call Saul

AMC 🇺🇸 | Vince Gilligan, Peter Gould | 5 Temporadas | 2015 – presente

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A prequel de Breaking Bad me pegou de surpresa e desde a terceira temporada venho dizendo que possivelmente é melhor que a série original. O que me fascina em BCS é a maestria como o ordinário é contado em uma narrativa completamente envolvente (ainda que existam momentos que o teor dramático se assemelha a tensões de Breaking Bad). É uma prequel que conta a história de nada mais do que um advogado fracassado lidando com problemas familiares e afetando aqueles ao seu redor. Por isso Better Call Saul é minha série preferida: por trabalhar relações entre personagens de forma impecável, me entregando uma experiência extraordinária muitas vezes simplesmente através do ordinário.
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Ash vs. Evil Dead

Starz 🇺🇸 | Sam Raimi, Ivan Raimi, Tom Spezialy | 3 Temporadas | 2015 – 2018

ashvsevildead plano crítico

Evil Dead é uma das minhas franquias preferidas e Ash é simplesmente um dos meus heróis preferidos da ficção. Ash Vs Evil Dead é diversão acima de tudo, sabendo brincar com a comédia, o gore e o slasher com extremo frescor e criatividade.
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Demolidor

Netflix 🇺🇸 | Drew Goddard | 3 Temporadas | 2015 – 2018

Demolidor plano crítico

Eu conheço pouquíssimo do personagem nas HQs, mas a jornada que sua série me proporcionou equipara ao trabalho de Christopher Nolan em Batman: Cavalheiro das Trevas. Demolidor não é uma série perfeita, mas a espiral de emoções que sua primeira e, principalmente, terceira temporada me geraram é absurda.
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The Night Of

HBO 🇺🇸 | Richard Price, Steven Zaillian | 1 Temporada | 2016

NightOfFinale plano crítico

Adoro séries de tramas criminais e investigação, The Night Of foi provavelmente minha melhor experiência com uma série desse gênero (depois da primeira temporada de True Detective). A saga de Riz Ahmed é cheia de tensão, envolvendo o telespectador da mesma forma que o faz questionar. Ainda há John Turturro em uma das interpretações mais subestimadas e incríveis da TV.


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