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Fora de Plano #17 | Sensações sobre o final de The Last of Us

por Anthonio Delbon
164 views (a partir de agosto de 2020)

Pelo próprio título fica evidente que o presente texto trata de spoilers do jogo. The Last of Us é um game, para muitos, completo: liberdade na jogabilidade, gráficos magníficos, narrativa, level design, inovação, trilha original, tudo é visto com extremo esmero ao ponto de deixar o jogador imerso de um modo único no mundo pós-apocalíptico apresentado. O aspecto mais apelativo, todavia, se apresenta nos personagens, tanto principais quanto coadjuvantes, que passam por arcos dramáticos de profunda transformação, cuidadosamente construídos como pouco se viu na história dos videogames.

Entender o impacto que The Last of Us causou na indústria é ainda difícil, dado o ano recente de lançamento e o início de uma nova geração de consoles que promete um novo patamar de qualidade de jogos. Certamente, tal medida passa pela jornada de Joel e Ellie que culmina em um dos melhores finais escritos não só em games, como em qualquer mídia. A mentira dita pelo protagonista suscita diversos tipos de questões e sensações aos jogadores, desde revolta e incompreensão até entendimento e concordância com as atitudes tomadas. É praticamente impossível não julgar Joel após conhecer o personagem por muitas e intensas horas de gameplay.

O final do game abre, de qualquer maneira, uma gama de interpretações que podem ignorar alguns pontos ou não do próprio jogo. Um exemplo pessoal: na primeira vez em que zerei o game, acabei contando para duas pessoas próximas, pouco afeitas aos games, o fim do jogo, narrando, antes, os pontos principais da história. A reação delas foi imediata e exatamente oposta à minha, logo catalogando o fim como fraco e capaz de fazer toda a narrativa inútil, posto que a salvação da humanidade não ocorreu. Pode parecer exagero, mas uma tendência imediatista, nociva por rebater uma obra de arte classificando-a logo que ela aparece pela frente, também afeta os games. Bauman já constatou as relações líquidas e superficiais resultantes disso, e o mesmo cuidado e atenção desvanecidos em termos pessoais acabam tomando forma na relação com a arte e a cultura. A facilidade de se desconectar online se transfere para o contato com uma nova obra offline, apresentada e logo em seguida descartada, seja por desinteresse ou discordância de visões.

Dado que arte virou objeto de consumo, sua apreensão passou a ser ampla ao mesmo tempo em que se tornou impessoal. Um princípio decorrente desse cenário é o que Bauman chama de “não seja enjoado, não seja exigente”. Em outro sentido, sob o efeito, digamos, de uma morfina coletiva que inibe um maior envolvimento pessoal, cabe ao consumidor exercer seu papel em um ciclo que consiste em consumir, classificar e passar para frente. Nesse segundo passo, crítico, ou se dá pouquíssima importância com o produto, ou ele logo é colocado nas prateleiras racionais teimosas e pré-estabelecidas na cabeça do homem de consumo, que se verifica em todos nós.

Evidente que o próprio game pouco se afetou com esse tipo de atitude – nesse caso específico, minoritária, creio eu – dado o sucesso comercial e crítico. Isso não exclui, porém, um convite a analisar The Last of Us com o fim de enxergar os diversos lados de um complexo texto disfarçado em uma simples mentira no final. Uma investigação, ainda que singela, tem um propósito não de convencimento, mas de abertura dos conceitos que o game apresenta. Não de fechamento em definições que deem um ponto final à história, mas uma escavação das camadas da relação que Joel e Ellie constroem com a ajuda essencial do jogador, uma relação permeada por atitudes éticas que desafiam nossa moralidade. Videogame, afinal, também é arte.

O embate que emerge, em uma primeira vista, é o da salvação da humanidade contra a salvação de uma garota. Ellie era a cura do horror dos corredores e estaladores que vemos durante o jogo. Ao mesmo tempo, era também a única pessoa com que Joel parece ter sinceramente se importado em 20 anos, desde que sua filha morreu pelas mãos de um soldado do exército. Depois de tantos percalços, mortes de coadjuvantes queridos, ameaças de estupro e canibalismo e inúmeras quase mortes dos dois protagonistas, como olhar para Joel no momento em que a missão de chegar aos Vagalumes é cumprida e, por decisão dele, tudo é colocado abaixo?

thelastofus-final-pc

Um primeiro ponto que acho válido colocar é não olhar para tal situação objetivamente. Sim, em termos de missão, foi um fracasso. Mas não se trata da CIA retratada em Homeland, para citar uma ótima obra recente, em que a missão vem antes dos agentes que nela estão. Como disse no começo do texto, talvez o ponto mais apelativo do game seja a relação entre os protagonistas, que começa por acidente e se torna algo intenso no fim do jogo. A visão objetiva talvez parta do próprio Joel, um homem distinto do que é apresentado como pai de Sarah no prólogo. Sua intenção é clara: ajudar Tess a pegar os armamentos, utilizando Ellie como mera moeda de troca. Em uma de suas obras mais famosas, Friedrich Nietzsche vê o homem objetivo da seguinte maneira:

“O que lhe restar ainda de ‘pessoa’ lhe parece causal, não raro arbitrário, com frequência perturbador: de tal modo se tornou reflexo e passagem de formas e acontecimentos alheios. Às vezes volta o pensamento para “si” com esforço, de maneira frequentemente errada; confunde-se facilmente com outros, equivoca-se quanto às próprias necessidades e apenas nisso é tosco e negligente. Talvez o atormente a saúde, ou a pequenez e a atmosfera restrita de mulher e amigos, ou a falta de companheiros e companhia – sim, ele se obriga a refletir sobre o seu tormento: em vão! Pois logo seu pensar vagueia para longe, para um caso mais geral, e amanhã ele saberá se ajudar tão pouco quanto hoje (…) ele é sereno, não por falta de tormentos, mas por falta de dedos para lidar com seus tormentos. A habitual solicitude face às coisas e às vivências, a hospitalidade luminosa e direta com que acolhe tudo com que depara, sua espécie de inconsiderada benevolência, de perigosa indiferença para com o Sim e o Não: oh, quantas vezes ele tem de pagar por essas virtudes! – E enquanto ser humano ele se torna facilmente o caput mortuum (refugo) dessas virtudes. Querendo-se dele amor e ódio, isto é, como Deus, a mulher e os bichos entendem amor e ódio -: ele fará o que puder, dando o que puder. Mas não surpreenderá se isto não for muito – se justamente nisso ele se revelar inautêntico, frágil, duvidoso e sediço. Seu amor é forçado, seu ódio artificial, mais um tour de force (grande esforço), um pequeno exagero e vaidade. Ele só é autêntico enquanto lhe é permitido ser objetivo: unicamente em seu sereno totalismo ele continua “natureza” e “natural”. Sua alma-espelho, que eternamente se alisa, já não sabe afirmar, nem sabe negar; ele não comanda, e tampouco destrói (…) Ele tampouco é um homem modelo; a ninguém precede, nem sucede; colocando-se muito a distância, não tem motivos para tomar partido entre o bem e o mal. ” (Parte do aforismo 207 de “Além do Bem e do Mal”)

Nietzsche pode servir como base para identificar em Joel alguns traços deste homem objetivo. Talvez não todos, pelo menos não no momento em que o vemos, décadas depois da maior tragédia de sua vida. Mas sua apatia e seu desinteresse no início da jornada com Tess parece clara, da mesma forma que sua raiva por ter sobrado com Ellie, após a morte, digamos, banal da própria Tess, acabou se transformando em outro sentimento com o passar do tempo.

Nessa passagem, que consiste em praticamente todo o game, é onde talvez esteja o fundamento para ignorar o fato de a missão, no fim das contas, não ter sido bem-sucedida. Em um primeiro encontro entre os dois, duas situações chamam atenção: primeiro Ellie repara que o relógio de Joel está quebrado, o mesmo que Sarah deu de aniversário na primeira cena do jogo. Metaforicamente, uma interpretação plausível é a de que Joel está ali parado no tempo, pois seu relógio psicológico também não funciona. Logo depois, Ellie, que nunca saiu dos limites daquela sociedade, pergunta para Joel, olhando pela janela, se as coisas poderiam ficar pior lá fora, genuinamente em dúvida. Uma pequena amostra de uma inocência que Joel perdera há muito.

thewalkingdead-rick-pcFica claro no jogo, pelos diálogos com Ellie no caminho para encontrar Tommy, que Joel já matou muita gente inocente. Isso o coloca como um monstro, do jeito que alguns jogadores pintaram o personagem ao final do game? Dificilmente. Quando Tess grita que eles são pessoas de merda, Joel retruca no mesmo tom que são sobreviventes.  The Walking Dead cansou de mostrar o que o cenário é capaz de fazer às pessoas. O Coringa de Alan Moore já tentava mostrar o que apenas um único dia ruim pode fazer com as pessoas mais esforçadas. E o que dizer de Walter White então?

Mas ali está Joel, sobrevivendo, encontrando em Ellie uma relação de pai e filha que já parecia enterrada. Um pouco de humanidade, espontaneidade, amizade, em um mundo onde tais palavras nem sequer são lembradas, pelo que parece. Pela garota nunca ter visto a natureza, Joel acaba vivenciando-a, como se fosse pela primeira vez, pelos olhos de sua parceira. Pode soar clichê, mas só quem jogou sabe o quanto aquele momento pontual com a girafa é especial. Da mesma forma, há uma troca, ainda que gelada, por vezes, entre as experiências de ambos. Quando Ellie diz: Eu não consigo imaginar perder alguém que você ama…perder tudo que você tem…eu sinto muito Joel, o jogador sabe que foi sincero.

Caso a missão fosse cumprida, Ellie seria sacrificada pela ciência por um bem maior. A questão é que “bem maior” é um termo relativo, da mesma forma que se pode perguntar pela utilidade do sacrífico da ciência. Um primeiro ponto que pode ser ressaltado, nesse sentido, é histórico: a ideia de ciência e progresso da humanidade dos séculos XVII e XVIII culminou, para muitos pensadores, nas duas grandes guerras do século XX. Adorno, Horkheimer e a Escola de Frankfurt são cada vez mais lidos por colocarem progresso científico e técnico em outra linha, diferente da do progresso da humanidade enquanto tal. Acreditar que o desenvolvimento da racionalidade humana é a solução de todos os problemas é objeto das críticas frankfurtianas a respeito da tendência no mundo moderno para o totalitarismo, o que suscita outro ponto visto durante The Last of Us: seriam os Vagalumes e os militares duas faces da mesma moeda? Pouco se é visto da sociedade que se formou sob as mãos dos militares, mas facilmente é percebido a precariedade e a supressão da autonomia e liberdade do indivíduo. Ao mesmo tempo, os Vagalumes pouco diferem, principalmente sob a perspectiva de Joel e de seu irmão Tommy, um ex-vagalume que resolveu deixar o grupo aparentemente tido como resistência organizada contra um governo opressor.

Independentemente dessa dualidade, na qual é difícil se aprofundar exatamente por este não ser o foco do jogo, uma cura biológica é colocada como objetivo final, o cume da montanha a ser alcançado para que o mal ocorrido à humanidade seja desfeito pelas mãos da ciência – nem vou abordar como isso poderia ser utilizado politicamente pelos Vagalumes. Usando este ponto de vista, tem-se o apocalipse zumbi como ruína e Ellie como salvação. Mas essa ruína é em relação à civilização anterior. Claro que muitas famílias foram destruídas e dinâmicas sociais mudaram – para pior, pelo que parece – mas uma cura biológica dificilmente melhoraria as coisas de um dia para o outro. A questão que coloco é: e se o ponto do jogo fosse recuperar a humanidade não na forma biológica, mas dentro daquela sociedade devastada? E se o mal ocorrido fosse não o apocalipse em si, mas as consequências que os próprios humanos sofreram e causaram após tal evento?

Lembro, nesse ponto, da própria Ellie, ao fugir com o cavalo de Tommy para uma cabana na floresta, se referir àquele mundo anterior, visto no quarto de uma menina de uma sociedade pré-apocalíptica, como fútil, mesquinho. De que adiantaria retomar todas as coisas e a humanidade voltar à esta normalidade? Esse é um caminho oposto ao objetivismo inicial de Joel e que o próprio Joel sentiu, no fim do game, como o mais correto, pelo menos em certo sentido particular à sua história. Ellie, como dito anteriormente, é quem recupera a humanidade em Joel. Mas como determinar o que é natureza humana? Muitos filósofos abordaram tal questão, sendo um deles Martin Heidegger, no início do século XX, mesmo não usando exatamente o termo natureza humana. O que ele coloca em sua obra “Ser e Tempo” é que o traço fundamental inerente ao ser humano não é a razão, como por muito se acreditou na história do pensamento humano, e sim, o cuidado. Seria do humano, chamado de mortal pelo pensador alemão, ter no cuidar a morada de seu ser. Trata-se de uma característica ontológica nossa.

Exemplos de cuidado não faltam, certamente, sendo o mais evidente o de Joel e Ellie no inverno, quando o personagem David aparece. Joel claramente passa a se importar e se preocupar com Ellie, como um legítimo pai coruja. Não se trata de um simples anti-herói, mas de um homem comum que achou, por acidente em uma desconhecida, o que lhe faltava desde que sua filha morreu. Se Joel soubesse que estaria levando a garota para a morte, evidentemente, após determinado ponto do jogo, não o faria. Achar determinado ponto me parece uma questão aberta, se é que há apenas um momento específico em que Joel se dá conta do que está acontecendo de maneira racional. Ao chegar no hospital e ser perguntado por Marlene como que conseguiu chegar até ali, Joel diz que “era para ser” e dá crédito à Ellie por terem chegado. Talvez, nesse ponto, o protagonista esteja se referindo a si mesmo, ao que Ellie fez com ele. A vida humana, nesse caso específico, deixou de ser descartável e banal para Joel.

E Ellie? Seria o desejo dela ser morta para salvar a humanidade e validar todas as mortes causadas indiretamente no percurso até os Vagalumes? Marlene, líder dos Vagalumes, confia que sim. Joel logo fala que isso é uma besteira que ela, Marlene, fica repetindo para si mesma. Se isso é um argumento covarde, ou se Ellie sabia que morreria é difícil falar. Um dos pontos a serem frisados é a resposta de Ellie à pergunta de Sam sobre se ter medo dos zumbis, mais ou menos pela metade do jogo: ela diz que seu grande medo é acabar ficando sozinha.

Duas perspectivas são colocadas nesse final, não de modo racional pelos personagens, nem explicitado na cara do jogador. O subtexto abre margem para uma série de observações sobre a determinação de Marlene conseguir a vacina de qualquer modo, justificando o meio pelo fim. É interessante notar que tanto Joel e Marlene são assassinos no game, mas é possível interpretar que Joel é mais honesto, ainda que mais calado, posto que gritou à Tess que são sobreviventes e que por isso foi necessário matar. Até a tortura feita em cima dos homens de David, em determinado momento, poder ser visto não como puro sadismo, mas como um ódio genuinamente humano posto em prática uma vez que Ellie sumiu nas mãos daqueles homens. Marlene também tem boas justificativas para matar Ellie, mas a impressão que passa é a de que Marlene coloca na exterioridade as razões de tal ato.

Uma postura objetiva, outra sentimental. Como identificar o certo e o errado, o bem e o mal nessa história? Nietzsche deixa claro na sua Genealogia da Moral que Bem e Mal são conceitos construídos historicamente, analisando a moral tendo como único critério a vida. O afeto de Joel por sua filha o fez um homem triste após a tragédia ocorrer. Na linguagem de Nietzsche, o pensamento do protagonista estacionou em tal afeto e o paralisou por sua memória, que o impediu de seguir em frente com sua vida. Só o vemos leve, dando um sentido para sua existência quando cresce seu afeto por Ellie, ao ponto de matar deus e o mundo para efetivar o que considera ser o que faz sua vida boa, ou seja, a presença de Ellie. Finalmente ele olha para um futuro, promissor, mesmo naquele mundo destruído.

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Talvez mais do que dispor o final como mero egoísmo da parte de Joel, ou enxergar erro ou acerto, ou ideologias diferentes, seja possível ver perspectivas distintas do que faz do indivíduo um ser humano. Distopias certamente colocam o interlocutor no limite e suscitam uma série de questionamentos que, antes de serem catalogados como filosóficos, brisas etc., são básicos a qualquer um. The Last Of Us trata desse último de nós, não no sentido literal, mas compreendendo que mesmo que o mundo esteja caindo aos pedaços, certos traços não perdem a importância, por mais que estejam esquecidos ou encobertos. É certo que a atitude de Joel de salvar Ellie é uma e a de mentir é outra, mas antes de julgá-las em rótulos e lugares comuns, é impossível ignorar toda uma história que faz Joel fazer o que fez. A grande graça do game é exatamente investigar essas áreas cinzentas, propositalmente deixadas sem informação, subliminares em sorrisos, olhares e omissões de Ellie e Joel. Se lembrarmos do que Heidegger diz, o protagonista está sendo, plenamente, exercendo seu cuidado na vida que tem com Ellie. O homem, não sendo algo meramente ante-os-olhos, não pode ser tratado como simplório número em uma equação maior. Ele faz parte de um mundo, mas também possui um mundo. O pensador alemão diz que “construir já é em si mesmo habitar”. Joel sente-se vivo, ele é quando protege, permanece com ela, cultiva, ações que não fazia por muito tempo. Por isso sua ficha cai quando percebe que a relação com Ellie deixou de ser meio-fim, antes mesmo de chegar ao hospital, oferecendo uma volta ao seu irmão Tommy. Ellie responde: Depois de tudo que a gente passou, de tudo que eu fiz…isso não pode ter sido em vão…

Você, jogador, acha que foi em vão? Comente à vontade. E não esqueça que o final verdadeiro é o postado por um fã no início desse ano em um fórum:

Ellie e Joel se afastavam do hospital. Ele a salvou e matou os vagalumes. No retrovisor, Joel vê um carro se aproximando. Levemente, ele acelera, tentando criar uma distância entre os dois carros. O carro continua se aproximando, até encostar no de Joel.

Joel olha pela janela e vê a última pessoa que esperava encontrar

É Vin Diesel. Uma lembrança do passado sombrio de Joel como corredor de drifts.

Vin olha de um jeito para Joel que quer dizer apenas uma coisa: O desafio está lançado.

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40 comentários

João 1 de abril de 2021 - 19:33

Esse jogo é bom, já o 2 é uma merda que nunca deveria ter lançado.

Responder
Hugo Moraes 3 de julho de 2019 - 17:27

O jeito que o jogo termina como um espelho, igual ao início, é algo que eu amo demais:

No início, com a filha no colo e uma arma apontada para ele, Joel tem Sarah tirada dele por um ser humano, outro ser como ele. No fim, com sua outra ‘filha’ Ellie no colo, e com uma arma apontada para ele, Joel não iria cometer outro erro, não iria deixar tirarem dele o sentido de viver.

Vi um comentário no Youtube em um vídeo-tributo aos dois, e uma frase me resumiu bem The Last Of Us e a relação Joel-Ellie: “O mundo tirou tudo de Joel (Sarah), e no fim Joel tirou tudo (Ellie) do mundo”.

Curiosidade: Quando Joel salva Ellie do estupro de David, e a trilha sonora (LINDA DOS INFERNOS) toma conta não ouvimos as vozes, dá pra ‘ler’ os lábios de Joel dizendo “I’ll never gonna leave you again”. E a partir daí, ele involuntariamente passa a chamá-la de “baby girl”, que é o jeito carinhoso da qual ele chamava a filha Sarah.

Esse jogo, mano… não existe. <3

Responder
Hugo Moraes 3 de julho de 2019 - 17:27

O jeito que o jogo termina como um espelho, igual ao início, é algo que eu amo demais:

No início, com a filha no colo e uma arma apontada para ele, Joel tem Sarah tirada dele por um ser humano, outro ser como ele. No fim, com sua outra ‘filha’ Ellie no colo, e com uma arma apontada para ele, Joel não iria cometer outro erro, não iria deixar tirarem dele o sentido de viver.

Vi um comentário no Youtube em um vídeo-tributo aos dois, e uma frase me resumiu bem The Last Of Us e a relação Joel-Ellie: “O mundo tirou tudo de Joel (Sarah), e no fim Joel tirou tudo (Ellie) do mundo”.

Curiosidade: Quando Joel salva Ellie do estupro de David, e a trilha sonora (LINDA DOS INFERNOS) toma conta não ouvimos as vozes, dá pra ‘ler’ os lábios de Joel dizendo “I’ll never gonna leave you again”. E a partir daí, ele involuntariamente passa a chamá-la de “baby girl”, que é o jeito carinhoso da qual ele chamava a filha Sarah.

Esse jogo, mano… não existe. <3

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Marcelo Garcia 1 de novembro de 2016 - 16:14

Assisti uma review do jogo no YouTube há muito tempo, nem lembro do canal agora. O cara era muito bom e expôs um ponto de vista que eu concordei e gostei bastante. Para ele, na épica cena da Girafa, Joel se deu conta de que o mundo seguiu em frente. O mundo – no caso, a natureza – soube se adaptar e seguir em frente. Ou seja, o mundo não precisa necessariamente do ser humano para dar certo. Pelo contrário, o ser humano está é acabando com o planeta. Nisso, entra justante o que tu disse. Pra que uma cura se o objetivo é fazer o mundo voltar a ser o que era, já com tantos problemas sociais? Vale mesmo a pena sacrificar uma pessoa por isso, sendo que os animais e natureza seguiram em frente? Não pode o homem também aprender a seguir em frente ao invés de querer voltar ao fracasso que era antes? Na cena da girafa Joel percebeu isso, por isso ofereceu a Ellie não continuar com a busca pela cura. O fato dela precisar morrer para isso apenas comprovou – para o Joel – que a sua visão das coisas estava correta. Não era certo sacrificar Ellie, especialmente pela importância que ela ganhara em sua vida, para que o mundo voltasse aos erros de outrora. Que a sociedade e os homens se adaptasse ao novo mundo, assim como os animais e a natureza fizeram. Essa visão não é profunda e filosófica como a ideia do teu post, admito que é mais simplista. Mas queria contribuir com a discussão, pois é uma ideia que me deixa bem feliz, afinal, gostei e compreendi a decisão do Joel. Pra mim, ele não foi egoísta, embora tenha escondido a verdade de Ellie. Ele foi realista ao perceber que o mundo podia seguir perfeitamente como estava. The Last of Us é uma obra-prima em todos os sentidos.

Responder
Anthonio Delbon 17 de novembro de 2016 - 18:15

Cara, foi uma ótima contribuição! Muito bela essa interpretação, não tinha pensado nessa maneira, ainda que a cena da girafa seja, provavelmente, a mais inesquecível em termos contemplativos. Você perguntou: “Não pode o homem também aprender a seguir em frente ao invés de querer voltar ao fracasso que era antes?” e a resposta, pelo que entendi, é a de que Joel optou por seguir em frente na cena da girafa. Eu acredito que essa seja uma pergunta crucial @disqus_hfyULWM4x3:disqus, mas receio que minha resposta, grosso modo, seja contrária: Joel só não seguiu em frente como passou a ver a própria Ellie como o último vínculo com um sentimento que ele teve em um passado longínquo. Nesse furor egoísta, a cegueira me pareceu tomar conta de toda e qualquer questão social e coletiva. E talvez eu até me contradiga em relação ao meu posto – confesso que minha reflexão do final do game vem passando por vários períodos, ainda que o grosso da minha percepção continue intacto.

Puxando exatamente essa questão da natureza e da cena da Girafa, também não seria possível interpretar o olhar de Joel como uma reflexão sobre a própria natureza de cada ser? A dos animais, a do mundo, mas também a do homem? Enfim, parece-me que há brechas para ver esse momento de introspecção, suscitado por esse evento magnífico com a girafa, talvez como uma paz antes da calmaria, ou para ver a diferença ontológica entre homem e animal, tendo em vista que a paixão e o desejo do primeiro tenham tamanho poder sobre qualquer atitude racionalista. No fim, um utilitarismo racional pouco valeu para um ímpeto passional – e essa hipótese me parece mais trágica e pessimista do que a que você suscitou.

Um abraço e valeu pelo comentário!

Responder
Anthonio Delbon 17 de novembro de 2016 - 18:15

Cara, foi uma ótima contribuição! Muito bela essa interpretação, não tinha pensado nessa maneira, ainda que a cena da girafa seja, provavelmente, a mais inesquecível em termos contemplativos. Você perguntou: “Não pode o homem também aprender a seguir em frente ao invés de querer voltar ao fracasso que era antes?” e a resposta, pelo que entendi, é a de que Joel optou por seguir em frente na cena da girafa. Eu acredito que essa seja uma pergunta crucial @disqus_hfyULWM4x3:disqus, mas receio que minha resposta, grosso modo, seja contrária: Joel só não seguiu em frente como passou a ver a própria Ellie como o último vínculo com um sentimento que ele teve em um passado longínquo. Nesse furor egoísta, a cegueira me pareceu tomar conta de toda e qualquer questão social e coletiva. E talvez eu até me contradiga em relação ao meu posto – confesso que minha reflexão do final do game vem passando por vários períodos, ainda que o grosso da minha percepção continue intacto.

Puxando exatamente essa questão da natureza e da cena da Girafa, também não seria possível interpretar o olhar de Joel como uma reflexão sobre a própria natureza de cada ser? A dos animais, a do mundo, mas também a do homem? Enfim, parece-me que há brechas para ver esse momento de introspecção, suscitado por esse evento magnífico com a girafa, talvez como uma paz antes da calmaria, ou para ver a diferença ontológica entre homem e animal, tendo em vista que a paixão e o desejo do primeiro tenham tamanho poder sobre qualquer atitude racionalista. No fim, um utilitarismo racional pouco valeu para um ímpeto passional – e essa hipótese me parece mais trágica e pessimista do que a que você suscitou.

Um abraço e valeu pelo comentário!

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Marcelo Garcia 1 de novembro de 2016 - 16:14

Assisti uma review do jogo no YouTube há muito tempo, nem lembro do canal agora. O cara era muito bom e expôs um ponto de vista que eu concordei e gostei bastante. Para ele, na épica cena da Girafa, Joel se deu conta de que o mundo seguiu em frente. O mundo – no caso, a natureza – soube se adaptar e seguir em frente. Ou seja, o mundo não precisa necessariamente do ser humano para dar certo. Pelo contrário, o ser humano está é acabando com o planeta. Nisso, entra justante o que tu disse. Pra que uma cura se o objetivo é fazer o mundo voltar a ser o que era, já com tantos problemas sociais? Vale mesmo a pena sacrificar uma pessoa por isso, sendo que os animais e natureza seguiram em frente? Não pode o homem também aprender a seguir em frente ao invés de querer voltar ao fracasso que era antes? Na cena da girafa Joel percebeu isso, por isso ofereceu a Ellie não continuar com a busca pela cura. O fato dela precisar morrer para isso apenas comprovou – para o Joel – que a sua visão das coisas estava correta. Não era certo sacrificar Ellie, especialmente pela importância que ela ganhara em sua vida, para que o mundo voltasse aos erros de outrora. Que a sociedade e os homens se adaptasse ao novo mundo, assim como os animais e a natureza fizeram. Essa visão não é profunda e filosófica como a ideia do teu post, admito que é mais simplista. Mas queria contribuir com a discussão, pois é uma ideia que me deixa bem feliz, afinal, gostei e compreendi a decisão do Joel. Pra mim, ele não foi egoísta, embora tenha escondido a verdade de Ellie. Ele foi realista ao perceber que o mundo podia seguir perfeitamente como estava. The Last of Us é uma obra-prima em todos os sentidos.

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michael knigth 5 de fevereiro de 2016 - 11:35

Na parte em que é difícil falar se Ellie sabia que iria morrer… estive assistindo recentemente o jogo em um canal do Youtube, o Electronic Desire GE… e creio eu que ela não sabia, assim como Joel. Pois em um trecho do jogo ela pergunta algo como que se seria dolorido para eles acharem a cura, Joel responde que não, pois eles iriam retirar um pouco de sangue para fazer isso (ou algo do gênero). Claro que ele tinha receios de que talvez fosse má ideia levar ela para realizar estudos, já que ele não sabia o que iria ser realizado… e se ela soubesse o que se procedia (já que a mesma chega desacordada ao local, após ter se afogado), provavelmente não teria deixado eles fazer a cirurgia, que aquela não era a chave para as resposta (já que nunca garantiram que exite uma cura, seriam apenas estudos pra tentar achar uma) e fugiria do local, pois demonstrava medo do que eles fariam, e também se importava com os sentimentos dela sobre Joel e os sentimentos do próprio Joel, se não não teria se arriscado tanto para salvá-lo no inverno. O único detalhe que eu achei errado é dele não ter contado a verdade no final (talvez por medo da reação dela, para protege-lá) e não ter falado o que sentia e relação a ela, por mais que ela soubesse disso, mais ela gostaria de ouvir ele falando, o que ficou bem claro em varias cutscenes. Ela sabe que é mentira o que ele falou sobre os fireflies e a respeito da cura, aparentemente ela perdoa ele, mas conhecendo a personagem, iria atras de respostas do que realmente aconteceu. E o medo dela ficar sozinha na minha opinião, é de que ela é imune e os outros a sua volta se infectaram, começando pela Riley, depois por Tess e por Sam, ou seja, que todo mundo seja infectado algum dia menos ela e acabe sozinha, ai está a outra parte da mentirá de Joel, que ela não é a única imune. No jogo mostra a que ponto chegou a humanidade, de matar pessoas inocentes para saquear, se proteger pois ninguém é confiável, ou pior para comer, ao ponto de sacrificar uma criança para talvez em uma tentava frustrada de acha o antidoto do fungo… Você, o que faria no lugar de Joel? Salvaria Ellie? Salvaria sua filha? Eu no lugar dele faria a mesma coisa sem pensar duas vezes, é isso que a razão de viver, a felicidade e a família, e é isso que o jogo transmite… O pessoal da Naughty Dog ta de parabéns pelo excelente jogo… Parabéns ao Allan pela atuação do Canal Electronic Desire GE… E parabéns ao Anthonio Delbon pela critica construtiva.

Responder
Anthonio Delbon 10 de fevereiro de 2016 - 13:44

A questão do medo que a Ellie sente por se considerar a única imune foi bem lembrada @michael_knigth:disqus. Em alguma proporção, isso talvez ocorra com o próprio Joel, o que pode ter levado à mentira, além das hipóteses que você citou (o medo da reação dela). O medo que ele mesmo sente em ficar sozinho novamente, o que o leva a ter no cuidado com a garota o símbolo máximo da vida que o tinha abandonado há tanto tempo. Se a mentira foi certa ou errada me parece difícil avaliar, uma vez que ela preserva muita coisa. Mas se Ellie realmente percebeu, ela então compreendeu o porquê da ação de Joel… tudo parece restar num subtexto só compreensível para quem acompanhou a obra do começo com o controle nas mãos. Aí que reside a beleza do game! Praticamente único nesse sentido, ainda mais sendo um blockbuster.

Valeu pelo comentário, um abraço!

Responder
Egito86 18 de novembro de 2015 - 14:28

Outra coisa, esse mundinho construído de forma tão metódica. Nuss, juro que vi o Animals do Pink Floyd numa loja de discos, bem no começo do jogo. Muito igual! E oque são aqueles gibis que traçam um paralelo com a narrativa do game? Sério!? Aquele traço? É John Romita Jr. ? Produção ?

Responder
Anthonio Delbon 19 de novembro de 2015 - 02:43

Olha, eu não reparei sobre Animals, mas quando entrei na loja de discos fiquei buscando qualquer referência que pintasse também! E ótima lembrança essa dos gibis. Confesso que lembrei sobre Watchmen agora, no mesmo sentido. Se é John Romita Jr. eu já não sei, mas ainda espero um game sobre aquela história feito com a mesma qualidade pela Naughty Dog. Seria um spin-off sutil!

E para qualquer informação sobre o desenvolvimento do game eu recomendo o documentário “Grounded”, uma espécie de making of da melhor qualidade possível, que ainda terá uma crítica aqui no site, @egito86:disqus

Abraço!

Responder
Egito86 18 de novembro de 2015 - 14:20

Um dia, meio que por acaso, caí nesse site buscando me aprofundar no universo do filme “homem – formiga”. Plano critico virou, então, leitura obrigatória.
O que diriam Heiddeger e Nietzche ao ver seu escritos corroborando um mero game? É isso o que me encanta aqui: profundo sem ser pedante, esmiuçado sem ser enfadonho. Grande crítica.
LOUS é um clássico instantâneo. Ação, estratégia, belos gráficos e o melhor, (e tristemente raro), um SENHOR roteiro. Tábua de salvação , faz refletir e traz esperança de que não precisamos afundar no oceano de mediocridade em que parecemos boiar. Isso vale também para o PC e sua equipe. Parabéns!

Responder
Anthonio Delbon 19 de novembro de 2015 - 02:40

@egito86:disqus, é um prazer receber elogios como esse. Todos aqui no site gostam muito do próprio trabalho e possuem liberdade suficiente para escrever sobre seus gostos. Quando leitores apreciam nosso esforço nós só temos que agradecer.

Sobre o game, tudo parece pouco para notar o alcance e qualidade de The Last Of Us, por isso discussões como essas me parecem sempre boas para absorver a dimensão desse clássico.

Um abraço!

Responder
Ruan Araújo 30 de outubro de 2015 - 13:20

O game em si é foda, não é a toa que foi considerado um dos melhores games de 2013. completei a campanha recentemente e posso dizer que a história tem um desfecho empolgante. A forma como a história desenrola é impressionante, ver a forma como o amor paternal se desenvolve no desenrolar nos faz querer de verdade que eles não sigam até os vaga-lumes e vivam em paz. O final é intrigante, vejo muitas criticas a cerca do final de the last of us, achei genial, primeiro: O mundo só está dessa forma devido os erros que os seres humanos cometeram, o que o mundo deu ao protagonista se não dor e sofrimento? Mesmo não justificando a decisão, achei digno de melhor game do ano. The last é uma obra prima que não necessita de uma continuação, só estragaria tentando prolongar essa história com um final que fazem com que os jogadores reflitam.

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Anthonio Delbon 31 de outubro de 2015 - 11:28

Todo o percurso do game é realmente um primor! Ainda tenho minhas dúvidas sobre uma possível continuação da Naughty Dog. A história ficou redondinha, mesmo com qualquer brecha possível para continuações com os mesmos personagens. Mas sem dúvida, pela qualidade que você citou @ruan_ara_jo:disqus , fica o gostinho inevitável de querer mais desses personagens.

Um abraço!

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Ruan Araújo 2 de novembro de 2015 - 22:55

Concordo com você, não deve ser descartado a possibilidade de uma continuação, afinal de contas, é de The last of us que estamos falando. Valeu Anthonio!

Abraço!

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WilldManBlues 27 de agosto de 2015 - 01:03

Desde q joguei The Last of Us pela primeira vez no PS3, achei o final simplesmente irretocável. A narrativa toda em si é cheia de significados. São tantas camadas de interpretações das motivações dos personagens, os sentimentos conflitantes q as ações finais e a mentira de Joel desperta nas diversas pessoas – afinal, o suposto “herói” no final sabota completamente a missão q sofremos tanto pra vermos concluída -, o significado ambíguo do “OK” da Ellie no final. São poucos games cujas histórias têm a capacidade de mexer com certezas e convicções pré-concebidas dos jogadores.

Eu adoro obras narrativas com finais abertos, q deixam margem para o leitor/espectador/jogador refletir sobre o significado da experiência q teve por si próprio. Sendo assim, quero relatar aqui minha experiência de como me dei conta mais uma vez de q o final aberto e ambíguo de The Last of Us é extremamente genial pela riqueza de possibilidades de interpretações. O final de The Last of Us é tão incrível q nos permite escolher se ele é “bom” ou “ruim”.

Eu sempre interpretei q, ao dizer “OK”, Ellie sabe q Joel mente pra ela, mas ao mesmo tempo aceita o amor incondicional dele por ela, e essa palavra marcava finalmente a reciprocidade desse amor por parte dela (“Ok, sei q vc está mentindo pra mim, mas sei q vc faz isso pq me ama e quer me proteger, e por isso eu te amo tb”). Entretanto, depois de meses consumindo textos, análises, críticas e entrevistas sobre o jogo (sim, fiquei obcecado por um tempo), eu me deparei com uma entrevista em q o próprio Neil Druckmann explica o significado daquele final (http://o.canada.com/technology/gaming/the-last-of-us-how-the-games-creator-envisions-its-ending). Eu fiquei devastado com isso pq eu tinha preenchido por muito tempo o vazio da história de Joel e Ellie após o fim da narrativa do jogo com aquela ilusão de “…e assim, viveram felizes para sempre (matando infectados e lutando contra caçadores canibais)”, mas Neil tratou de pisotear minha ingenuidade ao me mostrar q, na mente dele, o mundo de The Last of Us é tão real e cruel q não permite finais felizes. Mas o legal é q esse final aberto me permite até mesmo discordar do autor da história e escolher viver com a ilusão do meu final feliz.

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Anthonio Delbon 28 de agosto de 2015 - 21:55

A sensação de ver no OK da Ellie um tipo de aceitação da atitude de Joel é bastante compreensível, realmente. Isso também passou pela minha cabeça após a primeira jogatina, mas tentei me livrar dessa percepção por vê-la como uma tentativa minha, meio que inconsciente, de encaixar as peças e fechar uma história que terminou aberta e abruptamente. Ou seja, que me tirou da zona de conforto que os próprios games me colocaram por tantos anos.

Mas a graça é mesmo essa que vc citou Will, essa permissão de discordar inclusive do diretor. A reação da Ellie pode ser uma aceitação da atitude e uma desconfiança da mentira, ou uma aceitação de tudo, ou, como o próprio diretor disse, um momento em que Ellie acorda para o mundo, seguindo uma nova etapa na escala dramática que começa na DLC que conta seu passado, no encontro com David e, por fim, em uma possível quebra de confiança da única pessoa com quem ela se sentia segura.

Particularmente, eu vejo no medo de ficar sozinha uma resposta para o enigma do final. Minha tendencia é concordar contigo e ver no OK uma aceitação por ter esse medo. Todavia, talvez nesse momento ela perceba que não há como não se sentir sozinha. Por mais que ela entenda o que Joel fez e continue sua jornada com ele, seguindo nessa linha de interpretação, ainda assim esse pode ser um momento onde ela vê, como o Neil disse, um momento de certa emancipação dela em relação ao seu próprio modo de agir. Essa seria a única maneira de não se decepcionar, talvez, na cabeça dela.

Enfim, talvez dê pra misturar ambas as teorias, talvez seja só uma viagem. Essa é a diversão dessa obra-prima! Valeu pelo comentário.

Um abraço!

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jcesarfe 21 de agosto de 2015 - 19:34

Quem disse que o final é fraco por que toda a humanidade não foi salva só pode estar de brincadeira, o melhor do final é que ele não é utópico como muitas histórias idiotas que vemos em games. É lógico que um ser humano com sentimentos, ( o que não é o meu caso), faria o que o Joel fez. Ainda mais lógico que curar uma infecção que devastou o planeta seria algo longe do simples e como vimos mais vale uma vida que se ganha lutando do que uma entregue na mordomia. Mas fora isso, o que fica mais evidente é que o jogo fecha o ciclo, mas deixa uma brecha para continuar a história, mesmo que apenas na imaginação.
Deixando questões éticas de lado, quem gosta de drama e ação não pode dizer que o jogo (que mais parece um filme) é ruim em qualquer aspecto. O pior é que têm gente que como não vê defeito no game resolveu perturbar reclamando que o protagonista é egoísta. Imagina o que dizer de das histórias de GTA, Driver, God of War ou Street Fighter (o RYu e o Ken)?

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Anthonio Delbon 21 de agosto de 2015 - 21:16

A brecha do final é cativante. O problema dessa obsessão por uma cura, vista na figura de Marlene, seja, talvez, exatamente ignorar os sentimentos e os detalhes da relação humana.

O legal de The Last Of Us é essa criação de um mundo realista, com personagens identificáveis e bem construídos, ainda difíceis de enxergar em games blockbusters. O foco é em outro tipo de diversão e me parece que qualquer rótulo retira muito do trabalho feito pela Naughty Dog nesse sentido

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jcesarfe 25 de agosto de 2015 - 15:51

Concordo plenamente.

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Mauro Guimaraes 7 de maio de 2016 - 03:44

Concordo plenamente com a crítica no que diz respeito ao Joel. Não concordo com as atitudes e as mentiras finais dele, mas devido a tudo o que ele passou durante o jogo, é compreensível.
O que não poderia acontecer é ele colocar totalmente de lado a vontade da Ellie, pois ele tomou uma atitude na qual ela não pode opinar. Ela tinha o direito de escolha, e pessoalmente, por tudo que o jogo mostrou e pela personalidade dela, acredito que ela se sacrificaria pela causa, mesmo sabendo que não haveria certeza absoluta de que seu sacrifício trouxesse resultados. Ainda mais pelo fato de que seu medo de ficar sozinha, de um jeito ou de outro, estaria resolvido…

P.S: Crítica excelente e jogo excelente tbem. De modo algum esse final prejudica o jogo.

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Mauro Guimaraes 7 de maio de 2016 - 03:44

Concordo plenamente com a crítica no que diz respeito ao Joel. Não concordo com as atitudes e as mentiras finais dele, mas devido a tudo o que ele passou durante o jogo, é compreensível.
O que não poderia acontecer é ele colocar totalmente de lado a vontade da Ellie, pois ele tomou uma atitude na qual ela não pode opinar. Ela tinha o direito de escolha, e pessoalmente, por tudo que o jogo mostrou e pela personalidade dela, acredito que ela se sacrificaria pela causa, mesmo sabendo que não haveria certeza absoluta de que seu sacrifício trouxesse resultados. Ainda mais pelo fato de que seu medo de ficar sozinha, de um jeito ou de outro, estaria resolvido…

P.S: Crítica excelente e jogo excelente tbem. De modo algum esse final prejudica o jogo.

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Carlos H. 21 de agosto de 2015 - 13:51

Acho o final do TLOU sensacional. Por diversas vezes me peguei justificando a decisão do Joel, especialmente devido a um fato: A Ellie não foi a primeira pessoa imune ao fungo que os vagalumes tiveram acesso.
Eles não obtiveram sucesso em replicar a cura nas primeiras tentativas e, extrapolando um pouco, acredito que possuíam algum banco de dados com as informações obtidas que os permitiria continuar trabalhando. Sendo assim, será que a morte da Ellie seria realmente necessária?

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Anthonio Delbon 21 de agosto de 2015 - 21:12

Bem lembrado Carlos. Lembro de alguns trechos dos game, principalmente pelas fitas encontradas no hospital, que deixam claro que outros já foram objetos de teste. Mas fiquei com a impressão de que Ellie era tida pelos Vagalumes como um tipo novo de imunidade, algo diferente das demais cobaias. Sem dúvida, isso também dá um indício do tipo de procedimento que os Vagalumes faziam sem amarras.

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Joly81 21 de agosto de 2015 - 11:44

Ellie tinha consciência de que seu sacríficio era necessário ou sua aparente ingenuidade obliterou as reais intenções dos vagalumes? Acho que o segredo é exatamente não haver um indício claro, o que torna ainda mais complexa a teia de motivações e sentimentos entre os dois protagonistas. Creio que o final de The Last of US, assim como todo o escopo do game, é uma obra impactante e controversa. Impactante porque foge um pouco do lugar-comum, pois a “cura” não é encontrada, a humanidade não é “salva”. Controversa porque as opiniões acerca da decisão de Joel são diversas, sua motivação é questionável para alguns e totalmente aceitável para outros. Sabemos que histórias distópicas de “zumbis” existem aos milhares em todas as mídias; no entanto, o que diferencia The last of US do restante é a profunda harmonia entre o enredo do game play e a complexa construção dos personagens, que ocorre de maneira sutil e paulatina. Uma Obra-prima.

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Anthonio Delbon 21 de agosto de 2015 - 21:10

É uma obra realmente diferente das demais. Parece inesgotável os pontos críticos e que são próprios de The Last Of Us. Pessoalmente, quando joguei pela primeira vez fiquei com a impressão de que Ellie era ingenua nesse aspecto, ignorando o fato que poderia ser morta

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Joly81 25 de agosto de 2015 - 15:29

Também acho que ela não imaginava… mas há algumas passagens que ainda me deixam em dúvida

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Junito Hartley 21 de agosto de 2015 - 11:06

O site vai fazer alguma critica sobre o jogo life is strange? Sobre o TLOU, joguei uma vez no play 3 de meu primo, espero um dia joga-lo do inicio ao fim.

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Anthonio Delbon 21 de agosto de 2015 - 21:07

Sem previsão cara. E sobre TLOU, acho que já ficou claro que vale muitíssimo a pena!

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tiagohardco 21 de agosto de 2015 - 09:26

The Last Of Us é um game emblemático pra mim.
A proposta de um jogo sério com temática de zumbis me encantou desde os trailers. Tanto que quando joguei, finalizei o game em 2 dias se jogatina quase sem pausas.
Entrei de cabeça no universo criado pela Naughty Dog e senti cada impacto da história.
Assim, a mentira final me atingiu como um soco no estômago.
Embora esteja acostumado com as narrativas e arcos dramáticos modernos e cheios de tons de cinza na construção de personagens, ainda tenho uma visão muito romântica e, no fundo imaginava que as coisas terminariam bem (eu sei, eu sei).

A chacina dentro da sala de cirurgia já dava uma pista do que aconteceria, mas ainda assim depois da cena final eu demorei alguns dias pra digerir tudo que tinha acontecido.

Pra piorar eu não conhrcia ninguém que havia finalizado o jogo pra poder trocar uma ideia. Como você, comentei tudo com a minha esposa que, imagine, ignorou solenemente toda a história de Joel e Ellie.

The Last Of Us é um marco na minha vida gamer e é sem dúvida um dos melhores games que já joguei na vida, ficando atrás somente da aventura de Big Boss em Metal Gear Solid 3, essa sim bastante romantizada.

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Anthonio Delbon 21 de agosto de 2015 - 21:07

MGS 3 é sempre uma boa lembrança! O poder de imersão desse jogo é realmente incrível, o que só deixa o final um pouco abrupto e sutil ainda mais impactante. É um jogaço.

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Jefferson Viana 21 de agosto de 2015 - 02:16

Eu acho que joel se importava muito com Tess, o suficiente para que mesmo ela condenada a morte ele se arriscar a morrer na luta contra os soldados por ela.

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Anthonio Delbon 21 de agosto de 2015 - 21:07

Ali eu via uma relação próxima e creio que Joel se importava com a Tess também, mas, talvez, a luta contra os soldados tenha sido mais para dar prosseguimento a missão iniciada pela Tess do que realmente uma luta por ela. Vejo mais uma missão a ser cumprida do que um sentimento pessoal nesse caso

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Felipe Alvino 21 de agosto de 2015 - 02:10

Interessante seu texto Anthonio! Já tem cerca de 4 meses que terminei ele no ps4, e esse texto me fez ver alguns acontecimentos sob outra ótica. Eu gostei desse final e achei que fez todo sentido, dado aos acontecimentos no decorrer jogo que você mencionou. Fora o fato de que esse final deixou mais pano pra manga. A cena das girafas foi um dos momentos mais imersivos pra mim, onde travei meu gameplay nessa parte por alguns minutos, para apreciar a cena e a própria música. Não me lembro de ter sentido tudo o que eu senti, em qualquer outro jogo, em todos meus anos de gamer.

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Anthonio Delbon 21 de agosto de 2015 - 21:07

Cara, a cena das girafas é realmente memorável! O final me parece aberto na medida certa pra deixar a imaginação do jogador fluir do jeito que preferir, sendo um dos maiores méritos da Naughty Dog sem dúvida.

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Mateuss SS 20 de agosto de 2015 - 18:36

Em uma conversa um amigo me disse não ter gostado do final do jogo levantando opiniões já conhecidas como a falta de um propósito para historia do jogo e o egoísmo do personagem principal, eu que particularmente achei o jogo fantástico perguntei a esse amigo se hipoteticamente em uma situação parecida o mesmo sacrificaria a vida de seu filho para uma possível cura, a princípio ele titubeou mas disse que sim, porém após discutirmos por algum tempo ele concordou comigo, pois a possibilidade de existir uma cura não superaria para ele o amor que sente por seu filho, a humanidade não estaria salva continuaríamos nos matando em uma sociedade escassa e com poucas perspectivas, e para mim a grandiosidade do jogo é ainda maior com sua conclusão, o fato de um jogo levantar tais questões morais e opiniões diferentes o faz único.

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Anthonio Delbon 21 de agosto de 2015 - 21:07

É raríssimo ver em um jogo de videogame essas questões levantadas. Engraçado ver como uma perspectiva que coloca Joel como egoísta pode rapidamente mudar de figura Mateus. E vice-versa também né.

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Mateuss SS 25 de agosto de 2015 - 17:08

Verdade deu até vontade de jogar de novo.

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Jefferson Viana 22 de agosto de 2015 - 17:48

Eu entendo completamente os motivos de joel, além do mais não se tinha certeza se conseguiriam ou não a cura, eu no lugar dele faria a mesma coisa , mesmo tendo certeza que achariam a cura, não conseguiria “sobreviver” ao baque de perder 2 filhas, e olha eu não tenho filhos, mas com certeza isso destruiria ele, só teria deixado a rainha vagalume viva, se ela tinha me dado o direito de escolha, baixou a arma permitindo que eu escolhesse , eu teria deixado viva, creio que não viria atrás dela.

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