Fora de Plano #60 | A Conquista da GameXP 2019

É impressionante o quanto o viral Escolha seu nerd dos Seminovos em 2009 seria um olhar profético visto agora, 10 anos depois. A sociedade foi realmente dominada pelos assuntos outrora “nerds” que hoje carregam por alguns a alcunha de “cultura pop”, um termo muito mais descolado do que o utilizado no passado. Eventos como a Comic-Con Experience e a GameXP são exemplos do ápice afirmativo de referência que o nerd chegou. Em sua segunda edição, a GameXP traz para o Rio de Janeiro um vasto catálogo de temas e atrações que circundeiam uma das maiores indústrias do mundo: a dos games.

O Plano Crítico esteve por lá e pôde fazer parte da grande experiência que é o evento. A começar pela GamePark, um dos grandes destaques, já que é fascinante dar de cara com o parque na área externa assim que entra no evento, servindo como uma espécie de cartão de visita. Kart promovido pelo jogo de PS4 Crash Team Racing, roda gigante promovida pela Oi, um teleférico promovido pela série The Boys, da Amazon Prime Video, um brinquedo de queda livre promovida pelo Fortnite – a grande febre gamer do momento e uma das maiores patrocinadoras do evento – além de vários brinquedos e atrações de outras marcas. Só era preciso do público uma boa organização do tempo, porque era garantia de esperar algumas horas nas atrações mais desejadas.

O evento separou dois grandes espaços exclusivos para interação com marcas de games. Estavam por lá a Playstation (promovendo Days Gone, Dreams, Medievil, entre outros), Activision (com seu carro-chefe, o divertidíssimo Crash Team Racing, dominando o evento), Ubisoft (promovendo principalmente seu Ghost Recon) e Fortnite, além de marcas como Oi, Globo e Guaraná Antarctica com atrações do ramo. A Oi Game Arena era o lugar ideal para os apaixonados pelos e-Sports, onde poderiam conferir campeonatos de PES, Counter-Strike, League Of Legends, Rainbow Six, entre outros. Já o Inova Arena, como o próprio nome entrega, visou abordar, através de stands e palestras, diversas inovações tecnológicas e curiosidades do universo tech (destaque para os robôs!) e gamer. Nessa área é interessante citar o espaço dado a desenvolvedores de games brasileiros e independentes, onde era possível bater um papo, jogar seus jogos e conhecer melhor sobre o processo de criação.

O escopo gigantesco da GameXP parece mais claro ainda ao observar os artistas que passaram pelo Palco Gênesis durante os quatro dias de evento: Anavitória, Iza, Projota e Mano Brown. A escolha em chamar alguns dos principais nomes artísticos da música mainstream nacional evidencia a ideia de fazer uma experiência cultural de entretenimento que consiga ir até mesmo além dos games e tecnologia. Dentro da temática do evento ainda teve espaço para apresentações de diversos DJs emergentes e da GameXP Sinfônica, responsável por embalar o público com trilha sonoras de games.

Para apenas um segundo ano consecutivo é surpreendente ver o escopo da GameXP. Só comprova cada vez mais a afirmativa crescente dos últimos anos de que a indústria dos games segue a mais rentável do mundo, tendo superado o cinema. Isso apenas pra reiterar a velha profecia dos Seminovos dita lá no primeiro parágrafo: “o nerd de hoje é o cara rico de amanhã“. Antes subestimados como “joguinhos de videogame”, hoje os games são onipresentes na indústria do entretenimento e sua referência e reflexo, tanto em público quanto em marcas, é sentida em um evento magnífico como a GameXP. Logo, vida longa e próspera ao mercado dos jogos.

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.