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Crítica | Júlio César (1953)

por Sidnei Cassal
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Uma das mais fiéis e bem-sucedidas versões para o cinema de uma obra de Shakespeare, Júlio César, do diretor Joseph L. Mankiewicz, foi também responsável por sedimentar a brilhante carreira de um dos maiores astros do cinema americano de todos os tempos. A escolha de Marlon Brando para integrar o elenco de Júlio César, foi anunciada bem antes das filmagens começarem. Praticamente todo o resto do cast principal era formado por veteranos atores ingleses, com experiência nos palcos e na interpretação de personagens clássicos da obra shakespeariana.

Portanto, a escolha de Brando foi seguida de duras críticas e desconfianças pela imprensa especializada e também pelos demais membros do elenco, principalmente o ator James Mason, que chegou a sugerir substitutos ao diretor. As filmagens, portanto, não transcorreram dentro da normalidade desejada, sendo marcadas pela disputa entre Brando e Mason, este último reclamando constantemente que o outro deliberadamente procurava lhe roubar as cenas, com sua interpretação moldada segundo os novos preceitos do Actor´s Studio. Conta a lenda que o ator John Gielgud quis testar a capacidade de Marlon Brando em interpretar um texto clássico, e lhe propôs ensaiar com ele algumas falas, surpreendendo-se com a qualidade e a dedicação que o ator demonstrou.

Embora seja sempre lembrado pela forte presença de Marlon Brando, Júlio César tem outras qualidades. Uma delas é a própria direção de Mankiewicz, que seguramente soube aparar as arestas nas brigas de bastidores entre os egos dos astros, pois nada disso transparece no resultado final, a não ser a qualidade geral das interpretações. Ainda hoje, é possível questionar a discrepância do forte sotaque ianque de Marlon Brando num filme shakespeariano dominado por atores britânicos. Fora isso, foi bastante acertada a decisão de filmar Júlio César em preto & branco, ressaltando na falta de cores e nos contrastes de luz e sombras, o caráter clássico do texto e a dualidade moral de suas personagens.

Com um resultado muito melhor que as versões de Shakespeare dirigidas e produzidas pelo ator Lawrence Olivier na mesma década, Júlio César resistiu ao tempo e ainda hoje pode ser desfrutado como o clássico absoluto que é.

Júlio César (Julius Caesar, Estados Unidos, 1953)
Direção: Joseph L. Mankiewicz
Roteiro: Joseph L. Mankiewicz
Elenco: Marlon Brando, James Mason, John Gielgud, Louis Calhern, Edmond O’Brien, Greer Garson, Deborah Ker, George Macready, Michael Pate, Richard Hale, Alan Napier, John Hoyt
Duração: 121 min.

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