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Lista | Alfred Hitchcock: Os Filmes Ranqueados

por Luiz Santiago
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Alfred Hitchcock. Um dos mais importantes cineastas da História e que conseguiu administrar com extrema habilidade a sua figura aliada ao tipo de obra que gostava de fazer. Começando sua carreira no Reino Unido e migrando para os Estados Unidos nos anos 1940, o diretor teve uma longa e interessante carreira tanto no cinema, quanto na TV. Esta lista (feita a partir das avaliações em listas individuais de Ritter Fan e Luiz Santiago), parte do Especial dedicado ao diretor que fizemos aqui no Plano Crítico, ranqueia os filmes do diretor do pior para o melhor.

É importante lembra que temos crítica para cada um dos 55 filmes listados! Portanto, se tiver alguma dúvida sobre o que pensamos dessas obras (todas as críticas são de autoria minha OU do Ritter, é só clicar nos links colocados nos títulos e ler os textos completos (cada indicação abaixo usa apenas um parágrafo de cada crítica). Fica aqui o convite para conversas pontuais a respeito de cada obra na caixa de comentários desses filmes.

Quantos filmes do diretor você já assistiu? Quais são os seus favoritos? Quais os que mais mudaram de qualidade, para você, ao longo dos anos? Deixe seu comentário e faça também a sua lista ranqueando os filmes que assistiu do diretor!

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55º Lugar: Juno e o Pavão

2 pontos

É quase uma vergonha pessoal admitir que um dos piores filmes que eu já vi em toda minha vida foi dirigido por Alfred Hitchcock. Baseado na peça de Sean O’CaseyJuno e o Pavão é uma coletânea de horrores por todos os lados, uma falta tremenda de imaginação de Hitchcock na direção e uma péssima condução de atores, com raríssimas cenas capazes de serem assistidas sem fazer com que o espectador queira que o filme exploda na sua frente.

54º Lugar: A Mulher do Fazendeiro

6 pontos

É quase impossível acreditar que um filme como A Mulher do Fazendeiro tenha a assinatura de Alfred Hitchcock como diretor. Quem conhece a fase silenciosa do Mestre, sabe que ele não teve um começo de carreira tão louvável quanto sua “fase sonora” no Reino Unido ou nos Estados Unidos. Também é sabido que o cineasta tinha grande dificuldade em finalizar seus filmes, um problema que foi se dissipando a cada novo projeto, sendo corrigido, enfim, a partir de Chantagem e Confissão (1929). Mas em alguns momentos desse início de jornada cinematográfica ele errou feio a mão na condução de um filme e A Mulher do Fazendeiro é um exemplo gritante disso.

53º Lugar: Mary

6 pontos

Mary é a refilmagem alemã de Assassinato!, um exercício que Hitchcock  já sabia que iria enfrentar devido a um acordo entre produtores da Süd-Film e da BIP (British International Pictures), para onde trabalhava na época. Os acordos para refilmagem foram realizados pelo próprio diretor, que conseguiu fazer com que todo o elenco germânico viajasse para a Inglaterra a fim de rodar Mary nas mesmas locações que Assassinato!, algo que funcionou perfeitamente no sentido cênico.

52º Lugar: O Mistério do Número 17

9 pontos

Confuso, abruto e truncado… essas seriam as palavras exatas com as quais eu definiria O Mistério do Número 17, filme odiado pelo próprio Alfred Hitchcock e por meio mundo de cinéfilos também. A película é a adaptação de um romance e de uma peça de Joseph Jefferson Farjeon, que também co-escreveu o roteiro do filme, e se passa em basicamente dois cenários; o primeiro numa casa sem moradores, e o segundo em externas, acompanhando uma perseguição aos bandidos que roubaram um valioso colar. Este último momento, a despeito de todas as suas falhas, é a melhor parte da obra, se é que podemos denominar assim.

51º Lugar: O Jardim dos Prazeres

13 pontos

Antes de se tornar o Mestre do Suspense, Alfred Hitchcock engatinhou por alguns crimes menores e dramas de baixa tensão, no início de sua carreira. A estreia oficial do cineasta aconteceu no ano de 1925, com The Pleasure Garden, mas ele já trabalhava há algum tempo como assistente de direção, tendo sido apresentado ao mundo da sétima arte em 1921, ocupando papéis diferentes como desenhista de intertítulos, diretor de arte e editor. Foi também nesse período que ele conheceu sua futura esposa, Alma Reville.

50º Lugar: Assassinato!

13 pontos

Depois da horripilante experiência de ver Juno e o Pavão, encarar Assassinato! não foi uma tarefa tão difícil assim. Filme de 1930 e mais uma adaptação literária, esse capítulo da filmografia de Hitchcock traz em cena o dilema do falso acusado e mais uma personagem feminina para sofrer, o que começava ser uma constante nas obras do diretor. A despeito de seus fracassos comerciais, Hitchcock tinha levantado uma boa reputação frente aos produtores e ao público britânicos, o que lhe abriu a porta para escolher dirigir filmes de suspense, mesmo que ainda não tivesse larga experiência no gênero.

49º Lugar: Entre a Lei e o Coração (O Ilhéu)

19 pontos

Na gravação das entrevistas com François Truffaut, Hitchcock chegou a dizer que achava O Ilhéu um filme muito banal e que o seu único ponto interessante era o fato de ser sua última produção silenciosa. Bem, o mestre estava certo ao classificar a película como “banal”, mas apesar de ser um filme medíocre, ainda é possível encontrar coisas interessantes nele.

48º Lugar: Agente Secreto

19 pontos

Em um resumo de leitura simples: Agente Secreto (1936) é um filme vago de motivação dramática e absurdamente insistente em situações que não ajudam a desenvolver a história, apenas desviam o espectador para coisas que o vão chateando cada vez mais, resultando em um produto final que tem momentos isolados de brilhantismo técnico de Alfred Hitchcock na direção e muita coisa que deveria ter sido cortada durante a edição.

47º Lugar: Aventure Malgache

22 pontos

Como o título evidencia, Aventure Malgache se passa não na Europa continental, mas sim em Madagascar, então colônia francesa. Com a capitulação da França diante do poderio militar nazista e a criação da França de Vichy, os patrióticos franceses habitantes da ilha no Oceano Índico organizaram sua própria Resistência e a narrativa aborda um pouco da vida de seu líder, Paul Clarus (vivido por Paul Clarus, nome artístico de Jules François Clermont, advogado e roteirista do curta), e seu trabalho para expatriar cidadãos da ilha para que eles se juntem aos esforços contra a Alemanha Nazista e seus aliados.

46º Lugar: Jogo Sujo

23 pontos

Assim como teve coragem de levar adiante uma história cheia de desesperança e firmar um encerramento trágico para essa história em Assassinato!, Alfred Hitchcock teve, ao filmar Jogo Sujo, um de seus dramas britânicos de maior abertura para críticas sociais e questões de natureza humana.

45º Lugar: Frenesi

24 pontos

Frenesi marca a volta de Alfred Hitchcock à Inglaterra depois de 20 anos fora de seu país natal. A produção, completamente britânica, com atores britânicos, se passa em Londres e lida com a investigação de assassinatos cometidos por um serial killer, ou seja, algo perfeitamente dentro da especialidade do diretor. Mas, diferente de Psicose, o cineasta dá um tratamento bem mais gráfico ao filme, logo fazendo com que o corpo nu de uma mulher seja encontrado às margens do Tâmisa.

44º Lugar: Sabotador

24 pontos

Sabotador, quinto filme de Alfred Hitchcock em Hollywood, marcou o início de sua separação umbilical de David O. Selznick, o lendário produtor que o trouxera aos Estados Unidos e que catapultaria sua carreira logo em sua primeira tentativa, com Rebecca, A Mulher Inesquecível. Com a história alinhavada, Selznick autorizou a confecção do roteiro, mas, na hora “H”, seu então editor, Val Lewton, vetou o resultado do trabalho, o que forçou o diretor a procurar a Universal para levar seu projeto à cabo.

43º Lugar: Mulher Pública (Vida Fácil)

24 pontos

Adaptado de uma peça de Noël CowardMulher Pública foi o filme de encerramento do contrato de Hitchcock com a Gainsborough Pictures, um melodrama que trazia mais uma vez um personagem ingênuo — tal qual o de Ivor Novello em Decadência – e os tormentos causados por suas escolhas em um momento delicado de sua vida.

42º Lugar: Ricos e Estranhos

25 pontos

Por mais nonsense que Ricos e Estranhos seja, há um delicioso tom de anarquia na história que diz muito sobre Alfred Hitchcock nessa fase da carreira, principalmente a partir deste filme, que dá o pontapé para a crise de sua relação com a British International Pictures. O longa não foi um sucesso, recebeu críticas mornas e negativas à época, mas era bem lembrado pelo diretor, que junto de sua esposa, fez a pesquisa in loco para os espaços iniciais da viagem empreendida pelo casal protagonista.

41º Lugar: Decadência

33 pontos

Downhill foi um dos últimos dois filmes que Alfred Hitchcock dirigiu para a Gainsborough Pictures. Ele marca a volta de Ivor Novello para um trabalho em parceria com o diretor, depois do sucesso obtido com O Inquilino (1926). O roteiro do longa é baseado em uma peça do próprio Novello e de Constance Collier, contando a história de um jovem estudante que é falsamente acusado por uma garota (falaremos da acusação um pouco mais adiante) e expulso do Colégio onde estuda. A partir desse momento, dá-se início ao declínio financeiro e psicológico do personagem, uma jornada bastante pessimista na qual se centra todo o desenvolvimento da obra.

40º Lugar: Bon Voyage

37 pontos

Bon Voyage é a prova clara que Aventure Malgache poderia ser mais do que apenas uma mera propaganda política. Só pelo fato de Alfred Hithcock utilizar também uma estrutura de flashbacks, mas, desta vez, no estilo que Akira Kurosawa tornaria famosíssimo com seu incrível Rashomon, em 1950, ou seja, como uma forma de mostrar mais de um ponto de vista sobre os mesmo acontecimentos, esse curta já merece destaque.

39º Lugar: A Estalagem Maldita

37 pontos

A Estalagem Maldita foi o último filme de Alfred Hitchcock no Reino Unido, de onde partiria para morar e trabalhar nos Estados Unidos, a convite de David O. Selznick, já no ano seguinte.

38º Lugar: Sabotagem (O Marido Era o Culpado)

38 pontos

Sabotagem, filme de Alfred Hitchcock que foi lançado originalmente no Brasil com o título estúpido e mega spoiler de O Marido Era o Culpado, tem uma fama em geral tão boa, que o espectador se aventura em sua sessão achando que vai estar diante de uma película grandiosa do Mestre do Suspense. Mas não é exatamente isso que acontece.

37º Lugar: Sob o Signo de Capricórnio

39 pontos

Depois de dirigir o sensacional Festim DiabólicoAlfred Hitchcock caiu em uma armadilha armada por seu próprio ego e auto-confiança, algo que ele mesmo confessou a François Truffaut em entrevista. Em uma época em que Ingrid Bergman era a atriz mais disputada do grande mercado, o diretor se sentiu confiante demais quando conseguiu que ela assinasse mais um contrato consigo, realizando assim o seu terceiro e último trabalho hitchcockiano: Sob o Signo de Capricórnio.

36º Lugar: Chantagem e Confissão

41 pontos

Chantagem e Confissão, primeiro filme falado de Alfred Hitchcock (e frequentemente apontado como o primeiro filme britânico falado), teve uma conturbada produção. O projeto inicial era para um filme mudo, e tanto o orçamento quanto metade das filmagens ocorreram segundo o que fora planejado. Até que a British International Pictures teve uma ideia.

35º Lugar: O Pensionista (O Inquilino Sinistro)

42 pontos

Este terceiro filme de Alfred Hitchcock foi distribuído em momentos diferentes aqui no Brasil, por isso constam dois títulos nacionais para a obra, O Inquilino Sinistro (ou só O Inquilino) e O Pensionista. O longa conta a história de um serial killer que se autodenomina “Avenger” e que inicia uma série de assassinatos em Londres, todos cometidos contra mulheres loiras, sempre à meia-noite de terças-feiras. Esses crimes anunciados geram pânico na cidade enevoada e criam uma macabra expectativa na população, que sempre está à espera da próxima vítima.

34º Lugar: O Homem Que Sabia Demais (1934)

43 pontos

É muito estranho ver e criticar a versão de 1934 de O Homem que Sabia Demais. Afinal de contas, a versão de 1956, com James Stewart e dirigida pelo próprio Alfred Hitchcock (que já refilmara Assassinato!, de 1930, como Mary, de 1931) é muito mais conhecida do que a primeira. É como entrar em um túnel do tempo e ver a versão preliminar de um filme que você já conhece.

33º Lugar: Marnie, Confissões de uma Ladra

45 pontos

Marnie, Confissões de uma Ladra, adaptação do romance de Winston Graham, publicado em 1961, era para ter sido o filme seguinte a Psicose na carreira de Alfred HitchcockJoseph Stefano, que escrevera o roteiro do filme que se tornaria o mais famoso do Mestre do Suspense, já havia sido contratado novamente e tinha um tratamento pronto em mãos. Foi a tentativa frustrada de escalar Grace Kelly mais uma vez – ela já era princesa na época e seus súditos rejeitaram a ideia de vê-la em um filme em que viveria uma mulher sexualmente traumatizada, além de ainda estar presa a um contrato com a MGM – que acabou atrasando tudo e fazendo o diretor focar seus esforços em Os Pássaros.

32º Lugar: Quando Fala o Coração

46 pontos

Um dos primeiros filmes em Hollywood a trabalhar abertamente com a psicanálise em seu enredo, Quando Fala o Coração (Spellbound, no original) teve uma produção fortemente marcada por divergências entre o diretor Alfred Hitchcock e o produtor David O. Selznick, indo do tratamento do tema psicológico que o britânico não levava muito a sério e para o qual o seu chefe queria uma abordagem com flertes quase documentais… até a contratação dos atores principais e o uso da famosa “cena do sonho” no filme, que dos cerca de vinte minutos filmados acabaram entrando apenas dois no corte final.

31º Lugar: O Ringue

47 pontos

Dos filmes da fase muda de Alfred Hitchcock, este é um dos meus favoritos. Não só pelos seus ótimos momentos visuais mas também pela história limpa e trabalhada satisfatoriamente em todos os seus pontos, algo que não podemos dizer de toda essa primeira fase da filmografia do diretor.

30º Lugar: O Homem Errado

48 pontos

O prólogo que o próprio Alfred Hitchcock faz neste filme — único cameo de sua filmografia em que ele fala alguma coisa — deixa claro para o espectador que esta é uma história baseada em fatos e o roteiro irá nos levar pelo inferno pessoal e jurídico de Manny Balestrero (Henry Fonda) que de um dia para noite viu sua vida transformada após ter sido confundido com um assaltante de lojas na região onde morava. Identificado pelas vítimas como sendo o bandido, preso e julgado, Manny atravessa aqui, juntamente com o espectador, um mar de angústia. E tudo piora quando temos em vista que ele de fato é inocente.

29º Lugar: Trama Macabra

55 pontos

Se Frenesi tivesse sido o último filme de Alfred Hitchcock, sua carreira teria acabado em um de seus mais baixos pontos. Mas, felizmente, o Mestre do Suspense teve fôlego, apesar de sua saúde claudicante, para fazer mais um, seu derradeiro filme: Trama Macabra. E o resultado, apesar de não chegar perto de suas grandes obras, pelo menos não desaponta completamente e até nos traz algumas gratas surpresas.

28º Lugar: Cortina Rasgada

56 pontos

Cortina Rasgada é uma daquelas obras famosas pelos piores motivos possíveis, inclusive por declarações nada elogiosas dadas pelo seu diretor. O longa faz parte do “quinteto pós-grandes filmes” de Alfred Hitchcock, a relativamente mal vista reta final de sua carreira que, a despeito do enorme prestígio que o diretor ainda tinha, não acompanharam a qualidade ou tiveram a recepção e marca cultural grandiosas que as produções do cineasta adquiriram até Os Pássaros (1963).

27º Lugar: Topázio

57 pontos

Antepenúltimo filme da fantástica carreira cinematográfica de Alfred HitchcockTopázio é, provavelmente, um dos menos conhecidos. Isso desconsiderando, claro, algumas de suas primeiras obras, ainda na fase britânica. No entanto, Topázio é, exatamente como a pedra, uma preciosidade esquecida do Mestre do Suspense, mas não uma pedra preciosa como os diamantes que pontilham em profusão a carreira do diretor, mas uma pedra semipreciosa mesmo. Bonita, agradável, bem talhada, mas não no mesmo nível de seus melhores trabalhos. Mas, em se tratando de Hitchcock, mesmo obras menos que perfeitas merecem a atenção de qualquer cinéfilo, não é mesmo?

26º Lugar: Champagne

57 pontos

Champagne é um dos mais interessantes filmes da fase silenciosa de Alfred Hitchcock, mesmo que não seja um suspense ou tenha assassinato em pauta, como era de se esperar de um ‘típico’ filme seu. O obra é, na verdade, um drama romântico que tem a difícil relação entre um pai rico e uma filha espalhafatosa como plano de fundo, trazendo novamente temáticas trabalhadas anteriormente pelo diretor mas em contextos distintos, como o caso da pobreza e decadência do filho em Downhill e a questão do valor da mulher dançarina ou funcionária de um cabaré em The Pleasure Garden.

25º Lugar: Agonia de Amor

60 pontos

Agonia de Amor não é apenas um trabalho pouco conhecido de Alfred Hitchcock. O filme também é mal visto pela crítica e pelo público em geral, sendo muitas vezes subestimado devido ao forte teor romântico que lhe pontua o roteiro: um triângulo amoroso que envolve “Tony” Keane (Gregory Peck), sua esposa Gay Keane (Ann Todd) e a femme fatale Sra. Paradine (Alida Valli).

24º Lugar: A Tortura do Silêncio

63 pontos

A Tortura do Silêncio foi um dos filmes de Alfred Hitchcock que mais demoraram para sair do papel, com oito anos desde o tratamento do primeiro roteiro até a versão que seria filmada, 12 roteiristas depois. Mas as dificuldades não pararam por aí. Apesar de o período de filmagens ter permanecido dentro do esperado (entre agosto e outubro de 1952), houve uma enorme dificuldade de Hitchcock em se adaptar ao estilo Método de Montgomery Clift atuar, sem contar o fato de que o ator bebia constantemente e causava mal-estar no set por insistir na presença de sua orientadora dramática (Maria Rostova), dirigindo-se a ela para checar como fora sua atuação e não ao diretor.

23º Lugar: Os 39 Degraus

65 pontos

Os 39 Degraus é o filme que marca, em termos estéticos e narrativos, a fase final da carreira de Hitchcock na Inglaterra. O diretor tinha então liberdade considerável para escolher os roteiros que gostaria de filmar e, agora trabalhando para a Gaumont British Picture Corporation, passou a ter orçamentos e produtores de peso, o que lhe garantiu maior possibilidade de ousar na direção e cada vez mais no refinamento de seu estilo pessoal de fazer cinema.

22º Lugar: Um Casal do Barulho (Sr. e Sra. Smith)

68 pontos

Hitchcock lançou dois filmes em 1941. O primeiro, Um Casal do Barulho, no final do mês de janeiro, e o segundo, Suspeita, no início de novembro. Filmes completamente diferentes. O segundo, um ótimo suspense. O primeiro, uma comédia clássica com todos os ingredientes e toda a graça comum a esse tipo de obra.

21º Lugar: Jovem e Inocente

70 pontos

Dos filmes de Alfred HitchcockJovem e Inocente talvez seja aquele que tem o elenco mais jovem de todos. Não só os protagonistas são muito jovens como também aparecem algumas crianças e adolescentes com participações de certa importância no filme, não apenas como figurantes. E é interessante ver um suspense do Mestre com personagens de pouca idade. A atmosfera da história é outra, pautada pela pouca experiência de vida dos envolvidos e por atitudes mais impulsivas.

20º Lugar: Valsas de Viena

72 pontos

Quem entende um pouquinho de História e cultura românticas da Europa sabe que a família Strauss dominou a cena musical austríaca por décadas, passando de geração para geração o talento de compor belas obras, marcos de uma época, muito embora os compositores mais lembrados do clã sejam os dois Johann Strauss, ditos pai e filho ou simplesmente grafados como I e II. Num “musical sem música” (ou pelo menos não com tanta música quanto deveria ter um musical, nos moldes como entendemos hoje), Alfred Hitchcock nos apresenta uma pequena biografia romântica, protagonizada por Strauss II ainda jovem, dividido em agradar Rasi, o amor de sua vida, ou tornar-se compositor e maestro como o pai, seu verdadeiro sonho.

19º Lugar: Pavor nos Bastidores

72 pontos

Depois de uma experiência bem “fora de seu radar” com Sob o Signo de Capricórnio (1949), Hitchcock voltou ao familiar suspense e também à sua terra natal, criando um drama que faria história por apresentar um falso flashback. A produção de Pavor nos Bastidores teve consideráveis problemas de relação entre a atriz Jane Wyman e o diretor, pois ela não queria parecer “feia e desarrumada” como camareira, enquanto contracenava com alguém tão glamourosa e imponente quanto Marlene Dietrich. Já em relação à diva alemã, Hitchcock teve um dos melhores processos de filmagem de sua carreira, mesmo que ela não tivesse sido uma escolha do cineasta para viver Charlotte Inwood, uma marcante femme fatale.

18º Lugar: A Dama Oculta

73 pontos

A história da produção de A Dama Oculta foi bastante agitada. Em 1937, o diretor Roy William Neill foi contratado para guiar uma obra chamada The Lost Lady. Ele e uma parte da equipe viajaram para a (antiga) Iugoslávia para dirigir as cenas de ligação e ambientação da obra (que cobrem o primeiro ato do longa), mas foram expulsos do país assim que as autoridades locais descobriram que a nação não era representada positivamente pelo enredo. A dificuldade de continuar com o projeto a partir dali fez com que a primeira fase de produção fosse engavetada. E assim morreu The Lost Lady.

17º Lugar: O Homem Que Sabia Demais (1956)

75 pontos

versão original de O Homem que Sabia Demais era um filme que tinha muito espaço para evoluir e Alfred Hitchcock sabia muito bem disso. Sua ideia de fazer uma versão americana de sua obra começou ainda em 1941, mas ela só veio mesmo a concretizar-se em meados dos anos 50, como uma forma de ele matar os proverbiais dois coelhos com uma cajadada só: ele nunca havia ficado satisfeito com o original e ele precisava de um filme para cumprir contrato com a Paramount.

16º Lugar: Ladrão de Casaca

76 pontos

Ladrão de Casaca é um agradabilíssimo thriller romântico de Alfred Hitchcock estrelado por Cary Grant e Grace Kelly, em mais uma daquelas fantásticas escolhas de duplas de pombinhos apaixonados que só mesmo o Mestre do Suspense consegue fazer. Se uma vez mencionei que em Interlúdio, Grant e Ingrid Bergman faziam o casal dos sonhos, vendo Ladrão de Casaca fica difícil realmente decidir qual é o casal mais perfeito e isso porque há o casal James Stewart e a própria Kelly na produção anterior, Janela Indiscreta.

15º Lugar: Correspondente Estrangeiro

80 pontos

Quando filmou Correspondente Estrangeiro, seu segundo filme em Hollywood, Hitchcock já tinha experiência em dirigir dramas de espionagem e de cunho político das mais diversas motivações, como podemos comprovar em algumas de suas películas britânicas como O Homem Que Sabia Demais (1934), Sabotagem (1936), Agente Secreto (1936) e A Dama Oculta (1938).

14º Lugar: Os Pássaros

81 pontos

Se a gente olhar para os 5 filmes que Alfred Hitchcock dirigiu depois de Os Pássaros (1963), fica muito fácil entender por que esta sua livre adaptação do conto de Daphne Du Maurier é considerada a “última grande obra” do Mestre. Não acho que nenhum desses filmes seguintes sejam ruins, mas certamente não tiveram o impacto sobre o público que diversas outras produções do diretor tiveram, sendo Os Pássaros esse último grande momento de um filme do Mestre do Suspense como símbolo, como referência, como algo que chamasse atenção além do normal. E nesse caso específico, não é para menos.

13º Lugar: Intriga Internacional

82 pontos

Intriga Internacional é o thriller de ação por excelência, um dos melhores filmes “menos complexos” de Alfred Hitchcock e que nasceu de um bloqueio artístico de Ernest Lehman, que ficara encarregado de escrever um roteiro para o cineasta com base em um romance de The Wreck of the Mary Deare, mas sem sucesso. Os dois, então, passaram a jogar ideias para o alto, uma sobre alguma aventura que se passasse no Monte Rushmore, outra sobre uma história verdadeira de invenção de um espião para enganar a inteligência alemã durante a Segunda Guerra Mundial que Hitchcock tinha na cabeça há anos e outra ainda com uma espécie de viagem lisérgica do cineasta que queria ver Cary Grant dentro do nariz de Abraham Lincoln ou o protagonista em um campo aberto sendo “atacado” por um tornado.

12º Lugar: Suspeita

84 pontos

Quando Alfred Hitchcock mudou-se para os Estados Unidos em 1939, ele começou uma impressionante carreira de muitos acertos. Com Rebecca, seu primeiro filme em solo ianque, ele foi indicado a “meros” 11 Oscars, levando os de filme e fotografia. Em seguida, com Correspondente Estrangeiro, ele foi indicado a mais seis Oscars, mas não amealhou nenhum. Seu terceiro filme, sua única comédia de verdade, Um Casal do Barulho (esse título “sessão da tarde” é ruim demais…), foi um grande sucesso de bilheteria em 1941 e passou a década de 40 sendo adaptado algumas vezes para o rádio e uma vez para o teatro, tamanha sua fama.

11º Lugar: A Sombra de uma Dúvida

90 pontos

Quando o trem que traz o tio Charlie (Joseph Cotten) para a pequena cidade onde mora a irmã, o cunhado e os sobrinhos se aproxima da plataforma, nós vemos uma exagerada quantidade de fumaça saindo da máquina, um símbolo — dito pelo próprio Alfred Hitchcock como proposital — da sombra, da maldade que chegava àquele lugar. Baseado em uma história de Gordon McDonell, o roteiro quase fantasia uma pequena localidade “pura”, intocada pelo mal, que passa a ter como visitante alguém que se esconde da polícia, suspeito de cometer crimes atrozes contra mulheres viúvas.

10º Lugar: O Terceiro Tiro

91 pontos

Estreia de Shirley MacLaine nos cinemas, último papel de Philip Truex (o pobre Harry) e primeira parceria de Hitchcock com o compositor Bernard Herrmann, O Terceiro Tiro é uma improvável comédia romântica do diretor, recheada de tons macabros, e cujo roteiro de John Michael Hayes (baseado na obra de Jack Trevor Story) brinca com o comportamento de pessoas muitíssimo respeitáveis diante da morte de um homem sobre o qual ninguém fará perguntas ou irá se importar.

9º Lugar: Um Barco e Nove Destinos

97 pontos

Um Barco e Nove Destinos é um filme extremamente rigoroso no quesito técnico e muito importante nas discussões históricas, éticas e morais que propõe em pouco mais de uma 1h30 de duração. Lançado durante a Segunda Guerra Mundial, a obra não recebeu boas críticas e nem se sagrou um sucesso de bilheteria, mas foi redescoberta com o passar dos anos e apreciada (tardiamente) pelo seu altíssimo valor cinematográfico.

8º Lugar: Rebecca, a Mulher Inesquecível

97 pontos

Alfred Hitchcock mudou-se para os Estados Unidos no final de 1939, a convite do badalado produtor David O. Selznick, que tinha acabado de lançar …E O Vento Levou. A princípio, o diretor britânico estrearia em Hollywood com uma adaptação de Titanic, mas Selznick mudou de ideia sobre o projeto e, aproveitando a simpatia de Hitchcock para com a obra de Daphne Du Maurier (de quem já adaptara para o cinema A Estalagem Maldita e futuramente viria adaptar Os Pássaros), comprou os diretos do romance Rebecca e se propôs a produzir o filme, com Hitchcock na direção.

7º Lugar: Pacto Sinistro

100 pontos

Se há um adjetivo que classifica com perfeição a história desse filme é “sinistro”. A tradução para o português do enganador título em inglês Strangers on a Train não é terrivelmente original, mas não se pode dizer que é impreciso. Afinal de contas, tendo como premissa o encontro casual entre dois homens gerando uma conversa sobre como cometer o crime perfeito pelas lentes hábeis de Alfred Hitchcock, a fita não poderia ser diferente, especialmente se levarmos em consideração a cuidadosa construção da atmosfera tenebrosa que o filme carrega do começo ao fim.

6º Lugar: Um Corpo Que Cai

100 pontos

Há uma atmosfera fantasmagórica, opressiva e desesperada em Um Corpo que Cai (1958), que quando o filme chega ao fim, completando um ciclo de tragédias mentirosamente anunciadas — até que então se tornam reais — o espectador não consegue se livrar da carga meio mística que o roteiro tão intensamente constrói ao longo da obra. O texto vem do romance originalmente intitulado Dentre os Mortos (1954), escrito pela dupla Boileau-Narcejac, de quem o Mestre do Suspense já tinha tentado adaptar outro livro, mas foi precedido na negociação dos diretos pelo diretor Henri-Georges Clouzot, que da referida obra fez As Diabólicas.

5º Lugar: Psicose

101 pontos

Alfred Hitchcock é, provavelmente, o diretor que mais consistentemente legou imagens memoráveis à Sétima Arte. Há a sequência do leite em Suspeita, da Estátua da Liberdade em Sabotador, praticamente os filmes inteiros, nos casos de Festim Diabólico e Janela Indiscreta, a direção arriscada pela Riviera Francesa em Ladrão de Casaca, a sequência do Victoria and Albert Hall de O Homem Que Sabia Demais (1956), a sequência do avião fumigador em Intriga Internacional, as sequências de vertigem em Um Corpo Que Cai e muito, muito mais. E isso sem contar com duplas inesquecíveis, como James Stewart e Grace Kelly (ou Cary Grant) e  Ingrid Bergman e Cary Grant.

4º Lugar: Interlúdio

102 pontos

Interlúdio é o segundo filme de Alfred Hitchcock em que Cary Grant e Ingrid Bergman participaram (o primeiro de Grant foi Suspeita e o de Bergman foi o imediatamente anterior Quando Fala o Coração), mas essa foi a primeira vez que os dois dividiram a tela, formando uma das mais belas duplas que já sagrou a Sétima Arte. Ambos viriam a atuar em filmes de Hitchcock novamente (Cary Grant mais duas vezes e Ingrid Bergman mais uma vez) e ambos viriam a dividir a tela novamente em Indiscreta (1958), de Stanley Donen, mas é em Interlúdio que os dois produzem uma química tão perfeita que é difícil até de prestar atenção na trama do filme.

3º Lugar: Disque M Para Matar

103 pontos

Alfred Hitchcock já tinha bancado uma empreitada arriscada no sentido de “fazer uma peça no cinema” quando dirigiu Festim Diabólico, em 1948. Seis anos depois, voltaria ao mesmo palco cinematográfico dirigindo um roteiro de Frederick Knott, baseado em sua própria peça: Disque M Para Matar, filme que caiu no colo de Hitchcock após o fracasso na produção de The Bramble Bush, que deveria ter sido o longa do diretor após a finalização de A Tortura do Silêncio, mas que não deu certo devido a divergências na parceria com o produtor Sidney Bernstein, que já tinha produzido os citados Festim e Tortura, além de Sob o Signo de Capricórnio.

2º Lugar: Festim Diabólico

108 pontos

Antes que alguém venha ler essa crítica aqui todo pimpão já dizendo que Festim Diabólico é o filme que Alfred Hitchcock filmou em uma plano-sequência só, já vou logo dizendo: não é nada disso. Eu mesmo, quando vi essa obra pela primeira vez há anos, cheguei a achar isso, mas repetidas conferidas e um pouco de estudo revelaram que, apesar de Hitchcock ter procurado nos passar esse efeito (e ele conseguiu, diga-se de passagem), o filme, até por questões técnicas incontornáveis à época, é composto de uma série de planos-sequência longos costurados como se fossem um só. São exatamente 10 desses planos, o maior deles de 9’57” e o mais curto de 4’37”.

1º Lugar: Janela Indiscreta

110 pontos

O que é assistir a um filme que não praticar uma forma de voyeurismo? Sentamos confortavelmente na cadeira do cinema ou no sofá da sala para ver, perante nossos olhos, as vidas de terceiros – fictícias ou não – passarem. Não podemos interferir. Podemos, apenas, torcer por elas, sofrer, xingar, aplaudir e, em casos de obras de mistério, tentar adivinhar o “culpado” ou o “grande segredo”. E, assim, dessa forma vicariante, continuamos vivendo e absorvendo experiências mil que, porém, não são nossas.

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