Home Colunas Lista | American Horror Story – 11ª Temporada: NYC – Os Episódios Ranqueados

Lista | American Horror Story – 11ª Temporada: NYC – Os Episódios Ranqueados

Difícil é não decepcionar.

por Felipe Oliveira
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O que ainda nos leva a encarar cada nova temporada de American Horror Story? Seria a promessa do que pode ser o próximo tema, as expectativas em torno da antologia ou simplesmente um compromisso corrompido que nem se fala mais em ignorar? O décimo primeiro ano da série é uma prova de que ainda há formas de contar histórias usando ferramentas do terror, porém, é também uma prova de que não sabe mais o que está propondo.

Do que adianta tematizar de NYC e não ter o mínimo de ambientação?  Por se passar na década de 80, os figurinos são só detalhes na falta de caracterização e personalidade do tema, ignorados nos altos e baixos do confuso roteiro. Ao imprimir uma abordagem investigativa criminal num escopo de cunho psicológico, Ryan Murphy esqueceu de fazer o básico: desenvolver os personagens. Exceto pelo carismático Adam (Charlie Carver), tivemos figuras resumidas a peças do enfadonho jogo policial e slasher sobrenatural, sem qualquer dimensionalidade.

No geral, NYC só é mais temporada de AHS: anticlímax, perdida nas inspirações e que nunca consegue trabalhar com o que quer contar.

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10º Lugar: Bad Fortune

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A julgar que Bad Fortune funciona mais como um filler, na imaginação de Murphy, tudo está seguindo o planejado, tanto que dedicou a metade da temporada para inserir mais lacunas do que reforçar as inspirações que tem utilizado com os vilões. Dando uma pausa até na abordagem investigativa do spin-off CSI: BDSM em Nova York, a premissa aqui foi de trazer o subgênero do terror sobrenatural como forma de refletir os acontecimentos brutais na cidade, o que termina sendo um retrocesso narrativo, aliás, mais um exemplo de repetição com sugestões da temática e melodrama com os personagens.

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9º Lugar: Requiem 1981/1987: Part 1

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Em linhas resumidas, enquanto tínhamos o Mai Tai Killer representando o terror da violência ao corpo gay nos crescentes casos de homofobia e o desleixo das autoridades em oferecer proteção, em paralelo, o Leather Killer ou Big Daddy surgia em alegoria ao lento surgimento da Aids até se tornar um assombro desolador durante a década de 80 e 90… ao menos, foi até onde NYC quis trazer seu argumento. Deixando de lado a aura de sugestões e trama sobrenatural, o décimo primeiro ano de AHS busca imprimir o terror na sua forma mais realista e palpável, porém, será mesmo que, apesar do reconhecimento proposto pela temática, houve algum impacto que faça dessa temporada um exemplar diferencial?

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8º Lugar: Requiem 1981/1987: Part 2

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A segunda parte do episódio traz como destaque o que se teve de melhor nesta temporada: Charlie Carver e seu Adam. O que serviu como exemplo para a falta de foco das tramas em trabalhar apenas um conceito como alegoria. Seria muito interessante Carver ser um final boy em meio a uma Nova York com um assassino a solta, e que terminava encontrando apoio do jornalista Gino e seu marido Patrick para capturar o Bid Daddy, e como fundo, a lenta chegada da Aids, mas Murphy quis que NYC tivesse de tudo, menos sentido. E mesmo sendo interessante a montagem como um videoclipe experimental estendido de Gino sendo assombrado pela figura do Leather Killer, como um lembrete de sua luta contra Aids, não deixa de ser anticlímax toda essa organização.

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7º Lugar: Blackout

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Mesmo que Smoke Signals tenha se concentrado em explorar as ameaças que tem aterrorizado New York City, a direção de Jennifer Lynch se mostrou mais eficiente ao executar a síntese de Blackout, o quarto episódio. O óbvio exercício de utilizar os apagões repentinos que acomete a cidade em momentos dramáticos e de terror funcionam como uma distração a mesmice das cenas, porém, o maior acerto está na alusão ao tom cada vez mais obscuro que os crimes estão ganhando e arrastando os personagens, ainda que sirva também para os plots dramáticos estão se afunilando, seja nas brigas entre Patrick e Gino, ou no triângulo amoroso conturbado de Adam, Theo (Isaac Powell) e Sam (Zachary Quinto).

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6º Lugar: The Sentinel

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O tema em NYC assumiu tantas atribuições e referências ao longo dos episódios que em The Sentinel é clara a inspiração a Jogos Mortais, o que funciona por trabalhar com uma notória atmosfera que não foge de mesclar o estilo violento da franquia de filmes e sádica resoluções dos jogos e injetar isso ao universo da série. O resultado é imediato terror psicológico banhado a um leve gore. O que chama atenção não é por AHS se arriscar em fazer uma sequência convincente, e sim por tirar de cena um dos vilões apresentados. Certo de que não tinha nenhum quebra-cabeça complexo, uma caça de gato e rato por um serial killer com toques de suspense criminal e psicológico, mas o Sr. Whitely falava de executar um plano mórbido e isso foi convenientemente solucionado.

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5º Lugar: Something’s Coming

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Como o subtítulo da temporada indica, o cenário da vez é o da cidade de Nova York, e como pano de fundo, a história se passa na década de 80 em meio a uma onda de assassinatos brutais contra homossexuais e a chegada de um vírus mortal entre animais que precisa ser contido antes que atinja seres humanos. Dessa forma, é a lógica por onde pavimenta o título do primeiro episódio Something ‘s Coming: algo está acontecendo e parece ser apenas a ponta de um grande iceberg.

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4º Lugar: Thank You For Your Service

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O maior problema nessa estreia de temporada está na ausência do texto em incrementar esse submundo e suas discussões. As referências são claras, mas nada consegue empolgar visto a forma instantânea com a qual as ideias vão sendo apresentadas e debatidas. Parece mesmo muito simples que com apenas dois episódios a síntese de NYC é traçar uma alegoria de terror sobre a homofobia, mas não há nuances, desenvolvimento de personagens ou esforço em dimensionar esse universo além da obviedade e os diálogos meramente expositivos e sem emoção.

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3º Lugar: Smoke Signals

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O ponto em comum entre os episódios é que focaram em dar ênfase aos dois vilões, o que envolve os elementos de terror, enquanto buscava balancear a dramatização. O roteiro de Smoke Signals escrito por Brad Falchuk e Manny Coto movimenta a trama a partir da inconformação de Gino e Adam (Charlie Carver) pela ineficiência da polícia em solucionar a onda de homicídios que acomete os gays de Nova York, o que termina os atraindo para armadilhas. Ao tempo que o Mai Tai soa como um serial killer iniciante, o Leather Daddy lembra uma figura inspirada no subgênero slasher.

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2º Lugar: The Body

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Essa terrível dinâmica ganha um pouco de sentido em The Body, episódio que dispõe a trazer algumas respostas. É incrível como o conceito proposto por Murphy é até interessante, digamos, pois o que faz aqui é utilizar a estrutura dos slashers oitentistas e joga numa mistura com Parceiros da Noite. Se Sexta-Feira 13 fosse um filme LGBT, ele se passaria em Fire Island e traria um trisal gay que durante o sexo com fetiches BDSM provoca um acidente. Trazendo de Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, entendemos pela primeira vez o que tem causado a série de crimes em Nova York: alguém buscando apontar a hipocrisia entre a comunidade gay, e entre os culpados, temos Patrick e sádico Sam como alvos principais deste jogo.

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1º Lugar: Fire Island

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Se a direção de Paris Barclay por pouco conseguiu trabalhar com uma atmosfera, muito pela composição do cenário e iluminação em The Sentinel, no enfadonho Fire Island, Jennifer Lynch, contudo, aproveita muito bem as peças psicológicas deixadas no capítulo anterior com ares de uma season finale precoce e apressada. É ótimo como suas escolhas conseguiram emular, ainda que nos limites anticlímax e estranho de AHS, um pouco da linguagem slasher sem parecer tão deslocada. Pela primeira vez o Leather Daddy protagoniza cenas que arranjam um timing na narrativa, o que pontua mais um acerto, mesmo que mínimo para o episódio.

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