Veredito Cinéfilo #17 | As 20 Melhores Séries de 2019

  • ATENÇÃO: As despedidas, votos finais e fofuras de encerramento do ano deixaremos para fazer no tradicional Editorial Plano Crítico, dia 31/12, como de costume.

As regras para a indicação na lista mantiveram-se tal qual a dos anos anteriores: contamos séries e minisséries que terminaram suas temporadas em 2019. Participaram da composição desta lista as versões de melhores do ano enviadas por Ritter Fan, além da minha própria.

ADVERTÊNCIA: Se você ficou muito triste porque a sua série favorita do ano não está na lista, considere primeiro se ela se encaixa nas regras expostas acima, mas independente de qualquer coisa, peço que use e abuse do espaço de comentários nessa postagem para você mesmo criar a sua versão! Não adianta chorar, espernear, xingar ou dizer que “parei de ler quando…” porque a nossa lista não mostra exatamente o que você queria que ela mostrasse — e na colocação que você sempre sonhou. Entre também na brincadeira, componha seu TOP 20 e aí, na #pas dos enche-linguiça e das explosões de cabeça, vamos falar sobre nossas escolhas, sobre concordâncias e discordâncias diante delas, sobre as séries do ano como um todo e… batata frita pra todo mundo!

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20. The Umbrella Academy – 1ª Temporada

A família é o nosso Universo pessoal, independente de ter um núcleo bom ou ruim. Nossos primeiros valores, escolhas e impulsos surgem do seio familiar e é em par ou contra ela que tomamos as primeiras decisões de nossa vida. Essa trajetória socialmente natural e bastante realista aparece em The Umbrella Academy com toda a dinâmica, brigas, alfinetadas, provocações, mágoas e tentativas de reconciliação. Ao misturar o caminho super-heroico com o de laços assim tão íntimos, a série consegue nos transportar para ela através da empatia e, com isso, agarra a nossa atenção com rapidez, até porque logo aparecem poderes, mistérios para serem resolvidos e, a cereja do bolo, viagens no tempo. Na superação de dificuldades, tentativas de conviver com as diferenças e redefinir a capacidade de confiar e partilhar, The Umbrella Academy finca suas raízes. Uma série estranhamente humana sobre humanos incomuns, com quem nos identificamos ou a quem rejeitamos de cara. Um convite + acompanhantes para curtir o caos de mãos dadas.

THE UMBRELLA ACADEMY PLANO CRITICO TV SERIE NETFLIX

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19. Boneca Russa – 1ª Temporada

Boneca Russa é um prazer de série que usa um artifício comum da ficção científica como um inteligente trampolim para mergulhar na psiquê humana e fazer-nos estudar com cuidado essa pessoa que vemos sempre que olhamos para um espelho. Nós somos o nosso reflexo e, diferente de Nadia, só temos uma chance para nos acertar.

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18. The Mandalorian – 1ª Temporada

Ancestralmente ligado aos mandalorianos — por ter sido criado por Tarre Vizsla, o primeiro desse grupo a entrar para a Ordem Jedi, mais de mil anos antes de Yavin — e tendo aparecido sem exatamente muita coisa de sua história pregressa nas Guerras Clônicas e em Rebels (quem não surtou com Trials of the Darksaber, hum?), a indicação que temos aqui é que o título da série será levado realmente a sério pelos produtores a partir de agora, fortalecendo canonicamente e em live-action a trajetória dos mandalorianos, ou seja, coisa boa e muitas novidades nos aguardam no futuro. Exceto por alguns diálogos de Cara que achei meio bobos e pela estrutura de montagem um pouco antes de o bicho pegar fogo (literalmente), o episódio foi um verdadeiro evento para mim, e certamente se tornou o melhor da temporada. The Mandalorian encerra o ano de maneira sólida e com um olhar extremamente promissor para o futuro. Muito obrigado por isso, Jon Favreau!

plano crítico the mandalorian 1ª temporada episódios ranqueados

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17. O Príncipe Dragão – 3ª Temporada

Mais uma vez, O Príncipe Dragão mostra-se como um primor da animação serializada, com uma história não só engajante e divertida, como relevante e repleta de simbolismos e críticas sociais que equilibra muito bem o humor e o drama. Além disso, a arte é um literal capítulo à parte, com cada fotograma merecendo ser degustado com calma e prazer, já que um mundo ao mesmo tempo familiar e completamente estranho é amplificado magnificamente diante de nossos olhos.

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16. The Boys – 1ª Temporada

A 1ª temporada de The Boys é, portanto, uma grata surpresa mesmo considerando a saturação de séries baseadas em quadrinhos. Há uma baita história ainda a ser contada e esse começo foi exemplar a ponto de superar o material fonte. Agora é torcer para que a qualidade demonstrada aqui seja repetida nas vindouras temporadas, mas sem que a série se estenda para além do que estritamente precisa.

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15. Patrulha do Destino – 1ª Temporada

O final, para mim, é tão genial como o começo, e eu estava feliz novamente com o tom que esperava que o episódio tivesse, mas era simplesmente o fim. Meus votos é que o Sr. Ninguém não se vá e, por que não, que ele seja colocado de maneira frequente ao lado da futura Patrulha. Afinal, ele é umas 100 vezes menos vilão que o Niles, que para fazer testes de imortalidade, usou humanos, causou a morte da esposa de Cliff, deixou a filha dele órfã e salvou o cérebro do cara num corpo de robô, talvez para aliviar um pouco a própria consciência. Se o Chefe, que fez tudo isso, pode fazer parte da Patrulha, não vejo por quê o Sr. Ninguém não possa fazer. Vamos esperar a próxima temporada. Eu estou animado. E vocês?

plano critico doom patrol patrulha do destino kaiju

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14. Jessica Jones – 3ª Temporada

Os cinco anos de parceria entre a Marvel e a Netflix valeram o ingresso e seu encerramento com a terceira temporada de Jessica Jones foi mais do que digno. Gostaria muito que todos esses personagens, com o mesmo elenco e aproveitando-se de todas as respectivas histórias pregressas continuassem sob a batuta da Disney, mas é improvável que isso ocorra. Seja como for, vale um brinde – com bastante bourbon – ao final dessa breve era!

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13. Years and Years

Seja como for, a cápsula do tempo de Russel T. Davies é imperdível e um ótimo “resumo” da percepção de muitos sobre o futuro imediato de nosso pequeno planeta azul. Se, quando essa cápsula for desenterrada em, sei lá, 15 ou 20 anos, ela provar-se-á profética, teremos que realmente esperar. Isso se chegarmos lá, dirão os mais apocalípticos!

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12. The Morning Show – 1ª Temporada

The Morning Show ficcionaliza uma realidade dolorosa, convertendo-a em televisão do mais alto gabarito que não deixa pedra sobre pedra ao ponto de ser até difícil visualizar como a série continuará na próxima temporada (e, só para ficar claro, isso é um elogio!). Não é fácil trabalhar um assunto do momento sem cair na armadilha do maniqueísmo ou do didatismo extremo, mas Jay Carson, mesmo derrapando no começo, recupera sem demora o equilíbrio e presenteia a Apple TV+ com sua melhor série inaugural.

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11. Legion – 3ª Temporada

Legion, no fundo, é uma história sobre a importância da família, como ela pode fazer a diferença na vida de uma criança. Syd em sua segunda vida ganhou outra visão de mundo no deslocado Chapter 25. O David “estragado” sofreu traumas irremediáveis quando ainda muito jovem, traumas esses que não necessariamente têm relação com o Rei das Sombras. O novo David, como Syd deixa claro para Gabrielle e Farouk “velho” deixa claro para Charles, precisará de todo o carinho e o amor de seus pais para caminhar em outra direção. Noah Hawley quebra expectativas e encerra sua saga não com fogos de artifício ou viagens incompreensíveis, mas sim com uma muito bem-vida abordagem lindamente simples para seu protagonista e todos que gravitam ao seu redor. Uma despedida inusitada, mas sem dúvida muito eficiente para uma série que deixará saudades.

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10. Ray Donovan – 6ª Temporada

Ray-Donovan-PLANO CRÍTICO 6 TEMPORADA

A temporada que reconstrói Ray Donovan depois de reduzi-lo a nada em meio à uma saga de corrupção em Nova York, seu novo lar. Uma temporada incrível de uma série infelizmente pouco comentada.

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9. Chernobyl

No final das contas, fica meu agradecimento à HBO e a Mazin por terem reacendido meu pavor de infância e adolescência da ameaça nuclear e por terem criado a minissérie de horror pela qual as futuras obras de horror terão que ser comparadas. Chernobyl é televisão do mais alto gabarito e merece desde já figurar entre as grandes obras da década.

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8. After Life – 1ª Temporada

After Life, portanto, usa a morte para nos falar da vida e Tony é o nosso avatar exagerado e inflado para que vejamos com mais clareza que somos apenas uma peça em um quebra-cabeças complexo. E um quebra-cabeças não fica completo sem que todas as peças sejam encaixadas, mas, para que isso aconteça, precisamos compreender o quadro completo e perceber que a vida é mais do que só a nossa vida. Sim, After Life é uma comédia, mas uma comédia da vida que não trata a vida como uma comédia.

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7. The OA – 2ª Temporada

Claro que eu poderia escrever muito mais sobre The OA, mas essa é uma série muito mais para ser sentida do que racionalizada. No entanto, mesmo aqueles que preferirem destrinchá-la – respeitando sua lógica interna – perceberão que o trabalho de Brit Marling e Zal Batmanglij tocam temas caros da ficão científica de maneira original e desafiadora ao mesmo tempo sem paternalismos expositivos que pegam o espectador pela mão e explicam tudo, mas também sem deixar ninguém no escuro. A segunda parte de The OA não se furta em responder as perguntas deixadas pela primeira parte, mas sabe como cuidadosamente abrir ainda mais o leque das possibilidades. As showrunners, aqui, entregam mais e ainda melhor do que antes, prometendo dobrar a aposta para o que ainda está por vir. Se o preço da qualidade é esperar outros dois anos pela terceira parte, que assim seja!

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6. The Crown – 3ª Temporada

Não tenho nenhuma dúvida em afirmar desde já – ainda na metade do projeto de Peter Morgan – que The Crown é uma das melhores e mais ricas séries da década, capaz de transformar assuntos potencialmente áridos em uma sinfonia narrativa quase sem par que assombra por ter um elenco soberbo, um design de produção de fazer o queixo cair e por nos fazer rever o século XX a partir de um olhar elegante e sublime. E isso fica ainda mais incrível quando mais uma vez lembramos que estamos falando de uma obra que não teve cerimônia em trocar todo o seu elenco principal de um ano para o outro.

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5. Watchmen – 1ª Temporada

A condução do capítulo teve um ritmo aplaudível e passou muito fluidamente da explicação e fechamento do arco de Ozymandias (que achei que teria a pior condução, mas qual o quê! Mesmo não gostado do exato final, tive uma ótima experiência com todo o trajeto) para as explicações finais e fechamento do arco de Angela/Manhattan/Justiça Encapuzada, tornando a série cíclica não só em seu tempo, mas acenando para a História desse próprio Universo e também para o Watchmen original. Através de excelentes interpretações e uma corajosa tomada de rumo para uma obra tão adorada como esta, a série nos deixa com os mistérios essenciais resolvidos e, pelo menos para mim, com uma imensa vontade de uma segunda temporada. Se não vier, porém, tenho aqui a felicidade de ter visto um dos shows mais inventivos e interessantes da década, e mesmo não concordando ou gostando de algumas das resoluções, não dá para ignorar a grandeza dessa versão de Watchmen. Quem sabe o que o futuro nos reserva, não é mesmo?

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4. The Deuce – 3ª Temporada

Apesar da gigantesca oferta de séries, obras verdadeiramente ricas como The Deuce ainda são relativamente raras. Nos dias agitados da modernidade, parar para contemplar a vida por meio de arquétipos de um passado não muito distante e enxergar-se em muitos deles mesmo que as realidades sejam muito diferentes é quase que uma arte. E David Simon e George Pelecanos entregaram uma obra-prima novamente.

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3. Fleabag – 2ª Temporada

A temporada se abre com uma promessa e termina com uma despedida. A nossa impressão de que algo grandioso se ergueu e se concluiu é plena, e tudo isso ocorre em apenas seis episódios, todos dirigidos de maneira elogiável e editados com perfeição. A química entre Phoebe Waller-Bridge e Andrew Scott é algo difícil de se colocar em palavras, apenas vale dizer que a dupla conseguiu incorporar a grandeza do texto e torná-lo definitivamente inesquecível. Sem facilidades, esta temporada de Fleabag mostra que mesmo para os desesperançados ou para os que não contam com o amor, o sentimento pode aparecer e fazer a sua pequena revolução, tomando tudo de assalto e deixando um largo rastro de coisas para se lembrar, sentir e recolocar no lugar. O que vem daí para frente já não importa. O que importa agora é que se tem esperança.

Phoebe-Waller-Bridge-Fleabag plano crítico season 2 temporada 2

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2. Mr. Robot – 4ª Temporada

Mr. Robot manteve-se fiel à sua essência até o final, e a série inteira foi a jornada de preparação do mundo para que o nosso protagonista pudesse estar em um lugar melhor, depois de uma vida tão amargurada e desgraçada… A série termina com uma mensagem de esperança, mas não ignora as perdas, não ignora o egoísmo e os erros cometidos pelas pessoas. Todavia, o autor escolhe olhar para frente e trazer o verdadeiro Eu do protagonista à tona, agindo como uma espécie de pagamento inestimável para esse jovem tão complexo: ele enfim tem a oportunidade de ser ele mesmo. Que jeito mais lindo de finalizar um show! Que linda viagem foi essa que fizemos aqui! Muito obrigado por tudo, Sam Esmail! Goodbye, friend.

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1. O Cristal Encantado: A Era da Resistência – 1ª Temporada

Para todos os efeitos, O Cristal Encantado: A Era da Resistência não era para existir nos dias de hoje, mas fico extremamente feliz que a garimpagem de material para ser adaptado resulte em obras corajosas como essa, que nadam efusivamente contra a maré de CGI que tomou Hollywood há anos. Meu medo, agora, é que essa obra-prima não seja bem recebida justamente por aqueles que foram contaminados pela doença da computação gráfica e que não consigam mais apreciar a arte feita da maneira mais difícil e pouco convencional, o que pode levar ao seu cancelamento à destempo. Seja como for, porém, meu sorriso bobo de êxtase audiovisual ao longo de 503 minutos de “banho de descontaminação cinematográfica” e que continua até agora já é muito mais do que eu poderia esperar na Era da Pasteurização.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.