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Lista | As Melhores Séries de 2025 – Ritter Fan

Alienígenas, boxeadores, havaianos, gauleses e navajos.

por Ritter Fan
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Foram elegíveis para esta lista, apenas: as temporadas de séries e as minisséries que foram OFICIAL E LEGALMENTE lançadas no Brasil em 2025 em qualquer meio, seja televisão aberta, seja cabo ou streaming. Para ser considerada como sendo lançada em 2025, o que vale é a data em que a temporada atual da série ou a minissérie ACABOU no Brasil, mesmo que ela tenha começado antes de 2025. Como corolário, temporadas de séries e minisséries que tenham começado em 2025, mas que não tenham acabado no mesmo ano no Brasil, só serão elegíveis para a lista do ano que vem.

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O ano de 2025 foi mais um cheio de séries para mim, em um ritual quase diário tanto sozinho, como com minha esposa, sempre tentando abrir o leque da maneira mais ampla possível dentro do que me interesso, evidentemente. Tivemos um ano definitivamente rico e variado em termos de novas séries, seja com obras históricas sobre boxe e sobre o Havaí, invasões alienígenas com xenomorfos e também com vírus extraterrestre e thrillers policiais com agente do FBI quase aposentado e detetive desacreditado. No lado das séries em andamento, tivemos a chegada de Dark Winds ao Brasil, finalmente, South Park tirando as luvas de pelica e uma das melhores séries já feitas (sim, isso mesmo!) chegando ao seu fim.

Como assisti muitas séries, fiz como na minha lista anterior e incluí 10 obras como Menções Honrosas. Mas, no lugar de apenas listá-las na ordem alfabética de título, resolvi escancarar as portas e colocá-las em ordem de preferência, transformando meu Top 10 em um Top 20. Portanto, fiquem com a lista do 20º ao 11º lugares logo abaixo e, em seguida, o Top 10!

20. Hacks – 4ª Temporada (Lucia Aniello, Paul W. Downs, Jen Statsky – HBO Max, de 10 de abril a 29 de maio de 2025)
19. Gen V – 2ª Temporada (Craig Rosenberg, Evan Goldberg, Eric Kripke – Prime Video, de 17 de setembro a 22 de outubro de 2025
18. Chefe de Guerra – 1ª Temporada (Thomas Paʻa Sibbett, Jason Momoa – Apple TV, de 1º de agosto a 19 de setembro de 2025)
17. Star Wars: Skeleton Crew (Jon Watts, Christopher Ford – Disney+, de 02 de dezembro de 2024 a 14 de janeiro de 2025)
16. South Park – 27ª e 28ª Temporadas (Trey Parker – Paramount+, de 23 de julho a 10 de dezembro de 2025)
15. Fundação – 3ª Temporada (David S. Goyer, Josh Friedman – Apple TV, de 11 de julho a 12 de setembro de 2025)
14. O Eternauta – 1ª Temporada (Bruno Stagnaro – Netflix, 30 de abril de 2025)
13. Harley Quinn – 5ª Temporada (Justin Halpern, Patrick Schumacker, Dean Lorey – HBO Max, de 16 de janeiro a 20 de março de 2025)
12. Ruptura – 2ª Temporada ( Dan Erickson – Apple TV, de 17 de janeiro a 21 de março de 2025)
11. Alien: Earth – 1ª Temporada (Noah Hawley – Disney+, de 12 de agosto a 23 de setembro de 2025)

10º – Task: Unidade Especial – 1ª Temporada

Brad Ingelsby | HBO/HBO Max | 07 de setembro a 19 de outubro de 2025

Quem assistiu Mare of Easttown reconhecerá de imediato a estrutura de Task, em que os crimes e a investigação que se segue são muito menos importantes do que os dramas pessoais dos personagens que exigem uma cuidadosa construção e uma entrega grande do elenco a papeis difíceis, pesados e que nadam contra a corrente de abordagens espalhafatosas. O que interessa a Ingelsby é criar uma história policial realista em que os dois lados do conflito sejam povoados por seres humanos reconhecíveis que permitam a conexão do espectador com os protagonistas e antagonistas, além daqueles que gravitam ao seu redor, mantendo firme seus pés no chão, sem heróis e vilões unidimensionais, rasos e do tipo que já vimos antes um sem número de vezes antes e, sobretudo, sem sequências de ação que existem apenas como vitrine para atrair incautos.

9º – O Monstro em Mim

Gabe Rotter | Netflix | 13 de novembro de 2025

Os três episódios seguintes são verdadeiras obras-primas na forma como eles conservam a ambiguidade sobre Nile Jarvis, com Rhys abraçando com vigor seu personagem e na forma como são abordadas todas as manobras corporativas e políticas ilegais que ele e seu pai Martin (Jonathan Banks sempre excelente e particularmente ameaçador aqui), com a ajuda de seu tio Rick (Tim Guinee), também seu segurança, colocam em movimento para garantir a construção de um novo e gigantesco empreendimento imobiliário. Mas que ambiguidade, vocês perguntarão, se fica evidente logo na largada que Nile é um ricaço coberto de sujeira como tantos outros por aí na ficção e na realidade? Falo, claro, da ambiguidade sobre o desaparecimento de sua primeira esposa e sobre o desaparecimento – em circunstâncias idênticas – de Teddy, com a crescente conexão entre Aggie e o agente Abbott só servindo para colocar mais lenha nessa fogueira. Como mencionei, a relação entre Aggie e Nile assemelha-se à uma versão doentia da amizade entre Ginsburg e Scalia, com os dois se aproximando em uma mistura de admiração mútua e uma sensação de que, talvez, um complemente o outro por talvez um se enxergar no outro. É realmente fantástico ver Danes e Rhys tanto separadamente como especialmente contracenando na minissérie como dois personagens com questões psicológicas mal resolvidas que, quando misturadas, fazem o caldeirão ferver.

8º – Mil Golpes – 1ª Temporada

Steven Knight | Hulu/Disney+ | 21 de fevereiro de 2025

Não se enganem, porém, Mil Golpes é uma série que, para além dos nomes em questão, é inteiramente ficcional, mas que nasce com a vantagem de jogar luz na referida gangue exclusivamente feminina que, segundo dizem, tem origem ainda no século XVIII e em Moscow, personagem esquecido pela história por razões óbvias, apesar de ter sido sensação em sua época, o que imediatamente cria aquela sensação de estarmos vendo a realidade sendo ainda mais estranha que a ficção. Sem perder tempo, os personagens centrais imediatamente convergem em East London, com os recém desembarcados Moscow e seu melhor amigo Alec Munroe (Francis Lovehall), depois de muito esforço e unicamente em razão da herança mista africana e chinesa de Moscow (algo que não se tem certeza, mas que é sugerido pelo pseudônimo que ele usa, Ching Hook), conseguindo estadia no decrépito porão de um hotel gerenciado pelo chinês Lao Lam (Jason Tobin), o mesmo lugar que Mary Carr usa para seus encontros amorosos que mais parecem transações comerciais e na mesma região controlada por Sugar Goodson, dono de uma taverna com um ringue de lutas  atrás (um ringue de lutas com um bar na frente talvez seja a descrição mais honesta), que imediatamente vê no jamaicano um rival e inimigo.

7º – Silo – 2ª Temporada

Graham Yost | Apple TV | 15 de novembro de 2024 a 17 de janeiro de 2025

E o que Silo faz de tão diferente é algo ao mesmo tempo óbvio e ousado. Yost, que começou a série como um whodunnit que objetivava apresentar o espectador a esse universo tubular e ao (des)equilíbrio de poder lá dentro, com a necessidade de se manter segredo sobre tudo imperando sobre a vida das pessoas, cria duas narrativas paralelas que, de um lado, separa a protagonista de toda a estrutura a que estávamos familiarizados e, de certa forma, a coloca em posição coadjuvante, e, de outro, dá imenso destaque justamente às manobras de Bernard para manter aquilo que ele julga ser a ordem do silo e toda a força oposta representada por “rebeldes” do departamento de Mecânica de onde Nichols é originária. É como se os roteiristas, confiantes de que tudo estava muito bem estabelecido na mente dos espectadores, tivessem “destacado” Juliette na história principal e a colocado em um outro pedaço desse mundo segmentado, de forma a abrir espaço para toda uma revolução indireta e inadvertidamente causada por ela mesma, revolução essa que ameaça a vida de todos ali.

6º – A Agência – 1ª Temporada

Jez e John-Henry Butterworth | Paramount+ | 29 de novembro de 2024 a 14 de fevereiro de 2025

A Agência, adaptação americana da série francesa Le Bureau des Légendes, criada por Éric Rochant e que foi ao ar entre 2015 e 2020, é uma tentativa muito bem-sucedida de lidar com os aspectos psicológicos e burocráticos desse microcosmo tão explorado pelo audiovisual, só que costumeiramente de maneira bem mais espalhafatosa. A série desenvolvida pelos irmãos britânicos Jez e John-Henry Butterworth esforça-se em apresentar o mundo da espionagem no estilo John Le Carré de ser, ou seja, seguindo uma pegada mais intimista e mais relacionada com as regras do jogo que podemos ver, por exemplo, em Tinker Tailor Soldier Spy, tanto a minissérie de 1979 protagonizada por Alec Guinness, quanto o longa de 2011 protagonizado por Gary Oldman que foi batizado por aqui de O Espião Que Sabia Demais.

5º – Pluribus – 1ª Temporada

Vince Gilligan | Apple TV | 07 de novembro a 24 de dezembro de 2025

E, com isso, voltamos à fantástica premissa da série que gira em torno da perseguição da felicidade a todo custo, uma verdadeira utopia vendida em livros de autoajuda, em efêmeros devaneios lisérgicos e em uma intensa vontade de se fugir de situações terríveis, mas que não se limita a situações terríveis, pois até quem vive no conforto tem esse tipo de ilusão. A solução do vírus alienígena parece perfeita, mas as rachaduras na lógica surgem dentro da própria linha narrativa da série, com uma entidade tão apegada a imperativos que a União não é uma escolha, mas sim a única opção, mas uma única opção que carrega consigo o lento extermínio do coletivo por fome, com a vida existindo com o objetivo exclusivo de propagar esse imperativo a outros planetas habitados. Felicidade ou prisão? Vida ou escravidão? Vontade própria ou controle absoluto? Pluribus entrará em sua segunda fase de maneira lógica, levando ao audiovisual o que acontece todos os dias com assuntos dos mais banais aos mais complexos, ou seja, o entrincheiramento de dois lados que se recusam a ceder um centímetro sequer, ambos com reações extremadas, no caso da série a simbólica (mas não tanto) bomba atômica de Carol. Sim, Pluribus é sobre o estado das coisas hoje, no momento em que vivemos, e não há nada mais assustador do que isso.

4º – Asterix e Obelix: O Combate dos Chefes

Alain Chabat | Netflix | 30 de abril de 2025

Engraçado, refrescante, vistoso, divertido, inteligente e capaz de agradar a crianças e adultos da mesma forma, mas por razões diferentes, Asterix e Obelix: O Combate dos Chefes é mais um triunfo de Alain Chabat nesse risco universo em quadrinhos. Fica a torcida para que essa minissérie tenha sido apenas o começo de um projeto ambicioso do Netflix de levar os outros 23 álbuns (sim, eu me limitei àqueles escritos por Goscinny) para a telinha. Eu sei que eu estou pronto para mais, por Tutatis!!!

3º – Dept. Q – 1ª Temporada

Scott Frank, Chandni Lakhani | Netflix | 29 de maio de 2025

E é por isso que eu terminei o nono episódio de Dept. Q naquele estado de graça que normalmente nos toma quando acompanhamos uma maravilhosa produção de um dos nossos gêneros favoritos. Vinda de um material original denso e frio (não no sentido negativo do termo), a premissa e seus desdobramentos poderiam criar uma saga demasiadamente fechada, talvez até truncada pela riqueza de detalhes e ramificações. Mas o que temos aqui é ouro puro. Uma série de crimes e investigação com uma boa base de métodos, uma extensão aplaudível de procedimentos práticos para colocá-los na tela, e uma finalização que acerta até mesmo naquilo que escolhe para deixar sem resposta e montar o gancho de uma possível segunda temporada. É como acertar na loteria!

2º – Dark Winds – 3ª Temporada

Graham Roland | AMC/Netflix | 1ª de dezembro de 2025

Se Zahn McClarnon já vinha sendo o insofismável centro das atenções dramáticas de Dark Winds desde o primeiro minuto do primeiro episódio da primeira temporada, aqui ele, talvez, chegue em seu auge. Seu rosto não só carrega a dor ancestral do povo Navajo de seu personagem, como a profunda tristeza que Leaphorn suporta nos ombros pela morte de seu filho em uma explosão em uma mina que, na segunda temporada, ele descobre ter sido um assassinato. Some-se a isso a angústia – com pitadas de arrependimento – que o policial sente por ter deixado  B.J. Vines morrer no deserto como “justiça indígena” e, mais ainda, por ter que esconder isso de sua esposa, que ele ama profundamente. McClarnon parece habitar seu personagem de tal maneira que tudo é natural e imediatamente relacionável, com os roteiros esmerando-se em entregar ao ator um papel complexo e fascinante que, sozinho, já seria muito mais do que o suficiente para justificar a existência da série.

1º – Andor – 2ª Temporada

Tony Gilroy | Disney+ | 22 de abril a 13 de maio de 2025

O derradeiro episódio – Jedha, Kyber, Erso – tinha a difícil missão de encerrar a série e suas linhas narrativas, além do destino dos personagens e tudo isso estabelecendo a necessária conexão com Rogue One. E todo o elenco retorna para que isso seja possível, até mesmo Jonathan Aris e Sharon Duncan-Brewster que viveram dois senadores em Yavin IV no prelúdio do filme original de 1977. Mas o que realmente torna o último episódio especial é a forma como ele continua explicitando as divisões que existem dentro da Aliança Rebelde, com o Saw Gerrera holográfico deixando bem clara sua posição sobre o que Mon Mothma e os demais fazem e com todos ali, na “távola redonda” da quarta lua do gigante gasoso vermelho Yavin Prime, evidenciando seu desdém por Luthen Rael e tudo o que ele fez para tornar a rebelião possível. É necessário que Cassian Andor, há dois anos distante de seu mestre por ele ter tentado manobrar Bix, se desdobre para afirmar que as informações obtidas precisam no mínimo ser verificada para que a máquina burocrática seja posta em movimento por uma Mon Mothma que sabe em primeira mão o valor do agente rebelde e que conhecia Rael muito bem. Sem Mothma, Bail Organa não autorizaria a viagem de Cassian até Kafrene que marca o momento em que conhecemos o personagem de Diego Luna em Rogue One (vale rever o filme em seguida, como fiz, pois o diálogo de Cassian com Kivik encaixa-se perfeitamente com o que agora aprendemos que ele sabia).

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