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Lista | David Fincher – Os Filmes Ranqueados

por Iann Jeliel
3425 views (a partir de agosto de 2020)

David Fincher é um dos diretores mais cultuados da contemporaneidade. Costumo denominá-lo como “o príncipe do suspense”, mesmo que sua curta filmografia também seja ocupada de dramas biográficos e em maior parte por adaptações literárias, seu lado forte está na condução de thrillers, especialmente os policiais, onde o detalhismo soturno de sua decupagem cênica aliado ao entendimento e domínio de convenções narrativas modernas captura o público como poucos cineastas na história conseguiram.

Com a estreia de seu novo filme, Mank, eu (Iann Jeliel) me junto ao nosso cheiroso editor, Ritter Fan, e aos colunistas Kevin Rick, Davi Lima e Roberto Honorato para ranquear os onze filmes do diretor, do pior ao melhor. Por se tratar de uma lista conjunta, existiram alguns critérios para chegarmos a esse veredito (por ordem de prioridade):

  1. Somatório das notas. Cada participante mandou seu ranking com a nota dos filmes acompanhada, quanto maior o somatório, melhor a colocação;
  2. Somatório das posições. Em caso de empate no primeiro critério, os dois filmes disputariam o somatório dos números das posições dos rankings. O menor número (indicando o mais bem posicionado) levaria vantagem;
  3. Maior nota, mais vezes. Persistindo o empate, aquele que tivesse a maior nota individual presente na disputa por mais vezes levaria a vantagem.

Lembrando que nenhuma lista tem caráter definitivo, especialmente as feitas por mais de uma pessoa, que por si só já divergem entre si, portanto, deixem sua lista nos comentários! Abaixo, alguns comentários (meus) supérfluos sobre cada filme, mas você pode conferir uma opinião bem mais detalhada acessando nossas críticas, é só clicar no link em cada título.
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11° Lugar: O Curioso Caso de Benjamin Button

(14 Pontos)

Certamente é a adaptação mais confortável que ficou responsável. Em muitos momentos, parece que Fincher só está filmando o roteiro que lhe foi dado e aceito certamente como oportunidade para conquistar premiações. No máximo, o diretor acrescenta certos detalhismos à construção cênica que nos faz absorver com mais empatia a história e ajuda a manter sob controle a dependência da maquiagem digital, fazendo-nos comprar o romance por mais visualmente bizarro que aparente. É um bom filme, mas aquém do Fincher que conhecemos.
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10° Lugar: Alien 3

(14 Pontos – Vantagem Por Maior Nota)

Contestado por muitos pela digitalização do Alien que tinha como marco, os fantásticos efeitos práticos em sua construção, além de interferências do estúdio que deixam a história da franquia com escolhas duvidosas. Tirando isso do bolo, é um suspense competente, existe uma tensão muito bem articulada na geografia da prisão, retendo o clima de Alien – O 8º Passageiro, sem, contudo, replicá-lo, utilizando uma Ripley mais badass para potencializar a expectativa do confronto. Apesar de visualmente os efeitos não terem envelhecido bem mesmo, a continuação é digna da franquia pela atmosfera inegavelmente envolvente construída por Fincher.
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9° Lugar: Mank

(15 Pontos)

Assim como Benjamin Button, é um filme com um certo apelo a premiações, onde Fincher abre mais espaço para o roteiro do que interfere nele para potencializá-lo. Por se tratar de uma homenagem a um roteirista, essa abordagem mais impessoal do diretor acaba por fazer sentido para a própria lógica interna do filme, tornando-se um comentário metalinguístico que é assumido dentro da ironia do texto sobre a era clássica hollywoodiana e o que os bastidores de Cidadão Kane representam a ela.
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8° Lugar: O Quarto do Pânico

(18,5 Pontos)

Subestimado pela simplicidade da história, Quarto do Pânico talvez seja o filme mais expositivo do método de Fincher para sua condução de suspense. A forma como ele complexa a história por meio do detalhamento de cenários, personagens, situações, cuidadosamente maturadas em um perfeccionismo técnico que nunca se torna mirabolante o suficiente para se tornar mais grandioso do que é pedido pela intimidade da história.
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7° Lugar: Vidas em Jogo

(19 Pontos)

Outro thriller extremamente simbólico para o método Fincher. Um suspense moderno puro, daqueles que dá gosto de decifrar a narrativa junto ao protagonista, onde cada reviravolta é tão óbvia quanto indecifrável só pelo flerte de descrença cuidadosamente inserido pelo diretor para manipular nossos sentimentos e direcioná-los a outros cômodos. Com a condução surpreendentemente próxima ao seu protagonista mais imoral, além de uma atmosfera hipnotizante, Fincher exercita uma brincadeira séria, onde o final frustrante só reforça o quanto o homem é bom ao fazer suspense.
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6° Lugar: Millennium: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

(21 Pontos)

Fincher além de respeitar o excelente material fonte de Stieg Larsson dá a ele uma nova personalidade, em um show de cinema na sua forma mais completa. A atmosfera fria e melancólica nos aproxima dos personagens, que são brilhantemente trabalhados separadamente, e quando unidos, cada atitude deles é justificada pelo seu desenvolvimento prévio. Chama a atenção de novo a elaboração do anticlímax como sobreposição das consequências do estudo de personagem. Talvez não seja tão efetivo quanto seu primeiro filme a fazer isso, mas sem dúvidas é tão bem-feito quanto.
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5° Lugar: Garota Exemplar

(22 Pontos)

Outra adaptação de suspense potencializada pela leitura de Fincher, mas com o diferencial de talvez ser a história tematicamente mais moderna que teve em mãos. É um filme sobre relacionamentos sustentados por falsas aparências, a sociedade liquida. A montagem trabalha em sincronia com o descascamento dessas aparências entre realidades dúbias e/ou manipulativas por parte dos personagens de acordo com seus interesses. E isso é suficiente para conduzir o suspense, que tem um quê clássico de policial, mas é focado exclusivamente nessa constante subversão das aparências que nos é apresentada. Com direito a uma extraordinária Rosamund Pike, esse talvez seja o filme mais relevante de Fincher em sua carreira.
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4° Lugar: A Rede Social

(23 Pontos)

Faz parte dos conglomerados de filmes na sua carreira direcionados à conquista de premiações, no entanto Fincher está trabalhando com Aaron Sorkin, um hábil escritor que nunca o deixa na zona de conforto para apenas filmar seu roteiro. Pelo contrário, a agilidade do texto exigiu do diretor uma resposta por ser praticamente antagônica ao seu estilo, que gosta mais de maturar cada cena em detalhes. Felizmente, o filme encontra um equilíbrio na conjuntura entre os dois estilos, onde um auxilia o outro para conceber uma cinebiografia autêntica, eletrizante e não menos complexa como estudo de personagem.
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3° Lugar: Clube da Luta

(23,5 Pontos)

Tratando-se de dualidade, poucos filmes são tão representativos, literal e sensorialmente. A dicotomia do explicado e do sentido vale para qualquer perspectiva temática lançada em tela, a escolha de diálogos expositivos ritmados pela hábil narração esconde o duplo sentido semiótico revelado silenciosamente com a decupagem detalhista de Fincher, e quando exposto no final, inverte o jogo, uma reviravolta não só historicamente emblemática como simbolicamente sincronizada à linguagem. É a obra mais autoral do diretor, um turbilhão de emoções, sentidos e reflexões, daqueles que nasceram para ser clássicos.
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2° Lugar: Seven: Os Sete Crimes Capitais

(23,5 Pontos – Vantagem Por Posição)

É o suspense mais impactante do Fincher, sua atmosfera mais opressora, que gradativamente vai mergulhando o público e seus personagens na tentativa de compreensão da natureza mais baixa da violência direcionada aos nossos pecados mais clássicos como seres humanos. É um filme que lida muito bem com convenções tradicionais, a dupla de policiais, um jovem inexperiente e um experiente prestes a se aposentar, com a construção moderna e urbana do thriller, realista em essência, megalomaníaco e grandioso em desdobramentos cuidadosamente articulados em crescente ao sentimento de mau presságio que vai ficando cada vez mais desesperador até o ápice, em um dos finais mais emblemáticos da história do cinema.
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1° Lugar: Zodíaco

(24 Pontos)

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