Home Colunas Lista | Fear the Walking Dead – 6ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Lista | Fear the Walking Dead – 6ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

por Ritter Fan
2937 views (a partir de agosto de 2020)

Avaliação da temporada:
(não é uma média)

Fear the Walking Dead nunca foi uma série realmente boa, daquelas que dá gosto de ver. E, quando ela finalmente estava encontrando um norte, eis que há uma mudança de showrunners que basicamente fazem um soft reboot da série na 4ª temporada, por vezes com episódios esbarrando no brilhantismo, mas sem jamais realmente provar que esse novo caminho era justificado.

A 6ª temporada da série é a terceira sob o comando de Andrew Chambliss e Ian Goldberg, sendo também a terceira que não consegue sair ali daquela incômoda linha do mediano quase bom ou bom com viés de baixa, como é o caso aqui. No lugar de transformar Virginia em uma vilã de verdade, no lugar de desenvolver o enorme número de personagens coadjuvantes, no lugar de realmente apostar em uma renovação com o final ousado e nuclear, a dupla de showrunners preferiu focar mais uma vez na liderança modorrenta de Morgan Jones, no surgimento de mais uma vilã mirim e na morte do melhor personagem da fase 2.0 da série.

Houve também acertos, é verdade, como a forma como John Dorie Sr. é introduzido que torna a existência do ensandecido vilão-mor Teddy muito mais interessante, com uma história pregressa que lhe dá estofo e verdadeira vilania, ainda que ele essencialmente acabe desperdiçado ao final. Houve também alguns momentos soltos particularmente inspirados como a execução de Virginia por June ou a luta de Al e Dwight contra ratos transmissores de peste bubônica, mas eles foram esparsos em uma temporada que tinha tudo para mais uma vez reformular a série, mas que preferiu pegar seus coadjuvantes e fazê-los desaparecer, aparecendo somente quando estritamente necessário, pegar Daniel e transformá-lo em uma sombra do que foi e, finalmente, pegar Strand, personagem de enorme potencial, somente para fazê-lo girar e girar sem sair do lugar. E Alicia, coitada, nem me lembro se ela apareceu na temporada…

Minha teimosia habitual e esperança de ver a série tomar algum rumo – qualquer que seja! – são as únicas coisas que ainda me mantêm tenuamente interessado em Fear the Walking Dead. Mentira, tem mais uma razão: #bringmadisonback, pronto, falei. Mas eu desisti da série-mãe na metade da 7ª temporada, pelo que não quero ninguém se espantando se eu jogar a toalha no próximo midseason finale

XXXXXXXXXX

Como fazemos em toda série que analisamos semanalmente, preparamos nosso tradicional ranking dos episódios para podermos debater com vocês. Qual foi seu preferido? E o pior? Mandem suas listas e comentários!

16º Lugar:
USS Pennsylvania

6X15

Claro que isso não aconteceu, mas, em minha mente, na medida em que assistia USS Pennsylvania, ficava imaginando uma discussão ferrenha entre a diretora Heather Cappiello e os roteiristas Nazrin Choudhury e Nick Bernardone em que a primeira queria fazer um episódio intimista, de espaço confinado, retornando às raízes do horror de zumbi, enquanto os outros dois se recusavam a aceitar algo assim e teimavam em inserir diálogos existencialistas mequetrefes e novos exemplos de culpas variadas e respectivas tentativas de expiação, para dar um verniz a Fear the Walking Dead que a série nunca realmente soube trabalhar. O resultado foi um “episódio cabo de guerra”, que hora caminhava em uma direção clássica e, convenhamos, alvissareira e outras várias horas parava tudo para diálogos bobalhões intermináveis em especial focados no desgastado e perdido Morgan Jones.

15º Lugar:
Honey

6X05

Afinal, reparem na maneira boba como vemos Sherry e Dwight de amorzinho em lugar incerto e não sabido, somente para Sherry misteriosamente desaparecer e misteriosas pessoas mascaradas sequestrem Dwight e, ato contínuo, ele acorde em outro lugar sem saber muito bem o que está acontecendo e desesperadamente pergunte sobre sua esposa. E, surpresa, surpresa, eis que quem desce a escada da piscina vazia é a própria Sherry, também mascarada, revelando que “tudo não passou de um truque”, ou algo assim, e que Al também havia sido capturada. Mas a cereja no bolo é, no momento em que Al será morta ao walkie-talkie, eis que a cena para mais uma vez de forma que outra pessoa mascarada possa ter entrada triunfal, revelando-se como Rollie (Cory Hart), aquele sujeito do grupo de Logan (um dos vários vilões pífios da série) cuja vida Dwight salvara na temporada anterior. Uau, quanta “surpresa” em uma cena só…

14º Lugar:
The Holding

6X11

Iniciando com uma elipse que já coloca o grupo liderado por Alicia sendo encontrado pela tal comunidade, o que segue daí é um episódio-tour, ou seja, um capítulo que tem como objetivo fazer o espectador conhecer essa nova ameaça que, como quase todas antes dela, se mostra boazinha inicialmente somente para, em seguida, revelar suas garras. A descoberta que Derek (Chinaza Uche), irmão de Wes, está vivo e vivendo e pintando ali é o maior fio condutor para os eventos que, se pararmos para pensar, não só são corridos, como são telegrafados a cada segundo, tirando toda e qualquer nesga de tensão que poderia haver. Basta notar o desmorto totêmico que ganha destaque na “decoração” da garagem subterrânea que, claro, não teria outra função que não eliminar Derek sem nem dar tempo para o personagem esquentar.

13º Lugar:
The Beginning

6X16

O último episódio da 6ª temporada de Fear the Walking Dead faz algo realmente corajoso, tenho que admitir, que é explodir as bombas nucleares do míssil que Teddy lançou por sobre o Texas. No entanto, essa coragem toda vai imediatamente pelo ralo quando notamos que os showrunners só realmente queriam fogos de artifício, executando a coisa toda da maneira mais “limpa” possível, ou seja, só matando bandido (com uma única exceção, que já abordarei) que merecia morrer mesmo e sem sequer efetivamente mostrar os efeitos das explosões para além de cogumelos de fumaça à distância. Só falta, na temporada seguinte, revelarem que toda a radiação foi levada para Oz por um tornado mágico…

12º Lugar:
Damage from the Inside

6X07

Mas isso não quer dizer que o episódio é uma maravilha, pois ele está longe, bem longe disso. Ele é, como praticamente todos dessa primeira metade, apenas um trabalho que orbita ali entre as esferas do “mediano” e do “bom”, o que, temos que convir, já é um avanço para a série depois de duas temporadas seguidas cheias de altos e baixos, com saldo final não muito positivo. O episódio volta a focar em Alicia depois de um longo e tenebroso inverno, mais precisamente desde Welcome to the Club em que, ainda por cima, ela foi usada apenas como coadjuvante de luxo em história focada em Strand. E é justamente Strand, já estabelecido em local confortável na hierarquia de “chavinhas” de Virginia, que mais uma vez convoca Alicia para o serviço, mas desta vez deixando a jovem ter destaque sozinha, ou quase sozinha, considerando que ela, agora, é mentora de Charlie, a assassina de seu próprio irmão se é que alguém ainda se lembra disso.

11º Lugar:
Bury Her Next to Jasper’s Leg

6X06

E, pela primeira em sei lá quanto tempo, isso se não tiver sido a primeira vez, Fear the Walking Dead traz um episódio eminentemente focado na tão falada Virginia, supostamente a grande vilã dessa história toda, mas que, até agora,  muito sinceramente, mesmo levando em consideração o episódio sob análise, não exatamente mostrou a que veio. Por outro lado, aquela vilania do tipo Negan em seu início, ou seja, o cara sádico que gosta de estourar cabeças com um taco de beisebol envolto em arame farpado apenas para dar uma lição, é mais relacionável no sentido de ser mais facilmente identificável na linha do “Ali está o vilão. Temos que lutar contra ele.” e, portanto, mais rasteiro, mais simples de se colocar nas telinhas.

10º Lugar:
Handle with Care

6X10

Ah, mas que coisa bonitinha. John Dorie era pistoleiro e morreu baleado. Agora, Daniel, que fingiu ter perdido a memória, começa a ter problemas reais de perda de memória. É isso mesmo, produção? Os próximos passos serão matar Morgan por espancamento com um pedaço de pau, June de overdose de medicamento, Strand sendo enganado por um salafrário maior que ele, Dwight queimado e Alicia e Luciana por tédio profundo? Já percebemos a ironia, Srs. Andrew Chambliss e Ian Goldberg, mas não precisa esfregá-la em nossa cara desse jeito…

9º Lugar:
Things Left To Do

6X09

Na seção de comentários da crítica anterior, disse a um leitor que June não era nada sem John dentro de um contexto em que eu queria indicar que nenhum dos personagens remanescentes de Fear the Walking Dead é realmente cativante para mim. Pois bem, não tenho problema nenhum em fazer um mea culpa e afirmar categoricamente que, depois de Things Left to Do, June é minha nova personagem favorita da série. Não tinha como ser diferente, pois uma personagem que, sem falar muito, mostrando-se atormentada pelo assassinato sem sentido do marido, acaba com toda a lenga lenga e choradeira do roteiro estourando os miolos da vilã simplesmente merece todo meu respeito e admiração, especialmente quando a sequência seguinte é ela colocando o chapéu de cowboy de Dorie e caminhando com a pistola dele para fora do acampamento utópico de Morgan-Que-Voltou-A-Ser-Paz-e-Amor. Só faltou tocar Bad to the Bone no momento…

8º Lugar:
Welcome to the Club

6X02

Strand pelo menos tem consciência das implicações do que fez. Ele sempre foi egoísta, sempre pensou primeiro nele e só com muita hesitação fez o que unanimemente consideraríamos o correto. A mera presença de Alicia ali ao seu lado é um lembrete do que ele deveria ser e não é e ele precisa ser que o que ele é novamente para fazer o que precisa. É um dilema bem colocado, mesmo considerando que a situação não é nova para o personagem e mesmo que, para isso, Alicia tenha que ter sido jogada para escanteio quase que completamente no episódio, assim como Charlie (como a atriz cresceu, não?) e Janis que, aqui, são mais figurantes do que Dakota (Zoe Margaret Colletti), irmã de Virginia e a mais recente personagem que não é de uso único a se juntar à série. Pelo menos Colman Domingo fez seu dever de casa dramático e, como quase sempre, encarnou muito bem seu personagem.

7º Lugar:
Alaska

6X03

O fato de Al estar monitorando as frequências usadas pelo misterioso grupo de sua paixão combina com a personagem e Dwight querer ajudá-la custe o que custar também, ainda que os momentos de “eu faria tudo por você” ou coisa do gênero revelem um quê de breguice no texto de Westfall que poderia ter sido evitado. Além disso, o que parece ser algo fácil, torna-se razoavelmente complexo pela presença de ratos transmissores da peste bubônica – porque somente apocalipse zumbi é pouco – e a descoberta de sobreviventes infectados, dentre eles Nora (Devyn A. Tyler), a líder do grupo que, claro, acaba ajudando os dois. Com isso, a aventura funciona, especialmente considerando a fotografia escurecida e os espaços confinados que sempre amplificam a tensão e o suspense, algo que Colman Domingo, novamente na direção de um episódio da série (o terceiro!), aproveita muito bem mantendo a câmera próxima aos personagens por grande parte do tempo.

6º Lugar:
The Key

6X04

Esse segundo objetivo do episódio – a discussão sobre a moralidade de John -, porém, merece destaque e é, juntamente com a atuação de Dillahunt, o que retira The Key do padrão da temporada, colocando-o um degrau acima. Diferente da abordagem sobre o tema feito em Welcome to the Club, já que lá o personagem sujeito da análise era o canalha de marca maior Strand, de quem nada podemos esperar de realmente bom que não sejam lampejos aqui e ali de um senso qualquer de fidelidade, aqui o roteiro de David Johnson tem ninguém menos do que John Dorie como o foco do experimento. O personagem, desde sua introdução em What’s Your Story?, foi desenvolvido como um homem de moral ilibada, incorruptível, fiel a seus amigos e, mais ainda, apaixonado perdidamente por June, capaz de fazer o que fosse necessário para salvá-la. A maldade de The Key é, justamente, derrubar essa percepção ou, no mínimo relativizá-la.

5º Lugar:
The Door

6X08

Não sei até que ponto podemos perdoar as questões acima para então tirarmos do episódio aquilo que ele realmente tem de bom, até porque, na medida em que escrevo, vou tendo mais e mais reticências sobre a forma como tudo foi executado (até essa frase aqui, a avaliação estava em 4 HALs…). No entanto, por seu turno, construir um texto que, em uma penada só, faz com que John Dorie retorne à sua cabana, atire em desmortos que aparecem de tempos em tempos em sua porta trazidos pelo rio que impedem seu suicídio, relembre seu pai, use duas portas para manter os monstros à distância e, ao final, acabe ele mesmo zumbi e levado pelo rio até a porta de sua cabana para ser achado por June em uma subversão da forma como os dois se conheceram e se apaixonaram é o que torna o episódio realmente valioso. Percebe-se muito claramente que Chambliss e Goldberg foram muito cuidados com a narrativa circular, que retorna até o magnífico Laura, para por um fim a John Dorie, quase que como uma homenagem ao personagem e o reconhecimento do valor que ele trouxe à série.

4º Lugar:
In Dreams

6X12

Toda a reconfiguração de Grace (olha o nome!) como Maria, mãe de Jesus, ou, mais genericamente, como vetor de qualquer religião que gira em torno de um Messias, foi um grande acerto do texto que os showrunners escreveram com Nazrin Choudhury e Satrazemis, traindo seu próprio estilo, mas sem fazer feio, ilumina a narrativa com fotografia clara, diurna, com as tais onipresentes árvores rosas (um tantinho exagerado, diria) dando vida à paleta de cores e ao filtro esmaecido típico de sequências oníricas que ele emprega. Karen David, por seu turno, tem todo o espaço do mundo para brilhar e brilhar ela brilha com uma atuação no começo confusa, depois repleta de esperança pelo futuro utópico que imagina para Morgan e sua filha, até que tudo é estilhaçado nos duros momentos no celeiro. E a jovem Srinivasan, debutando na série, encanta imediatamente como Athena ao ponto de eu agora querer que a atriz retorne como alguma outra personagem que não morra tão rapidamente.

3º Lugar:
The End is the Beginning

6X01

Seja como for, The End is the Beginning promete mais um recomeço. Se vai dar certo, só o tempo dirá, mas pelo menos o episódio inaugural faz um bom esforço para repaginar Morgan, potencialmente extirpando aquela filosofia insuportável do “não matarás” ou “serás bonzinho como um carneirinho” que simplesmente não estava funcionando e transformando-o em algo diferente que ele mesmo ameaçadoramente diz para Virginia ao final pelo rádio – “Morgan Jones está morto. Você está lidando com outra pessoa agora.” – com a câmera depois focando no personagem agora à cavalo, vestido como bandoleiro e armado com um baita machado no lugar daquela vareta ridícula que ele usava. Só faltou tocar “Bad to the Bone“, de George Thorogood, para completar o clichê. É esse tipo de coisa boba que me dá a esperança de que no mínimo veremos Morgan massacrando o grupo de Virginia para salvar seus amigos e não tentando apenas “dialogar” com assassinos. Qualquer coisa menos do que isso será vergonhoso, já digo logo.

2º Lugar:
Mother

6X14

Como contexto é importante, não é mesmo? Quando o mítico Teddy, vivido por John Glover, foi apresentado no finalzinho de The Holding, minha reação foi algo como “ah, não, mais um vilãozinho mequetrefe na série” acompanhado de olhos revirados e um suspiro de inconformismo. Eis que, então, no excelente episódio passado, dedicado à introdução e desenvolvimento de John Dorie, Sr., vivido pelo veterano Keith Carradine, tudo o que Teddy representa e como ele se encaixa de maneira significativa na mitologia da série veio à tona e aquele sujeito extremamente barbado que não era mais do que um louco varrido qualquer imediatamente tornou-se uma força a ser temida. Ainda completamente doido, não tenham dúvida, mas um doido com conteúdo, com passado e com propósito.

1º Lugar:
J.D.

6X13

Afinal de contas, para começo de conversa, o novo personagem não só é o tão falado pai de John Dorie, que tem o mesmo nome do filho, como ele é vivido por ninguém menos do que Keith Carradine, o que, vale o parênteses, estabelece uma poética conexão com uma das melhores séries que já tomou as telinhas, Deadwood, em que o ator viveu Wild Bill Hickok, pistoleiro morto por Jack McCall, interpretado – sim, você acertou! – justamente por Garret Dillahunt. E, com isso, Andrew Chambliss e Ian Goldberg não só mostram que estão realmente dispostos a manter acesa a chama do melhor personagem da fase 2.0 da série, o que por si só é uma ótima notícia, como querem expandir a mitologia do “clã” John Dorie (curiosamente algo que também sempre caracterizou a família Carradine) de uma maneira lindamente circular.

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais