Lista | For All Mankind – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Nota da temporada
(não é uma média)

Ronald D. Moore tem em seu currículo aquela que considero a melhor série de ficção científica já feita: Battlestar Galactica. Quando seu projeto For All Mankind foi anunciado como uma das séries de lançamento do Apple TV+, serviço de streaming da toda poderosa Apple, não tive dúvidas em embarcar no drama de história alternativa que especula sobre o que teria acontecido se tivessem sido os soviéticos os primeiros a colocar o Homem na Lua.

No entanto, a premissa foi desenvolvida lentamente ao longo da temporada, com os três primeiros episódios mantendo uma narrativa contida e o recorte talvez humilde demais, o que me fez duvidar da ambição do showrunner. Mas, logo a partir do quarto capítulo, a temporada começou a deslanchar e a mostrar a que veio e, a não ser por um pequeno deslize em Home Again, o sexto episódio, a pegada de ficção científica realista com fortes críticas sociais manteve-se forte e constante, não só com sequências de ação de tirar o fôlego, como revelando um elenco cada vez melhor e mais dono de si, além de uma reimaginação de nosso mundo com as famosas “pequenas diferenças”.

Ainda há muito o que explorar na série, pois ela está só começando. Mas o potencial para contar com vagar como seria o começo da jornada do Homem em direção às estrelas é enorme. Com a 2ª temporada já aprovada e em produção, poderemos ver a evolução dessa incrível história do que poderia ter sido.

10º Lugar: Home Again

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Todo esse cenário é derramado no colo do espectador com velocidade vertiginosa, sem muito desenvolvimento ou preparação. O único esboço de um trabalho narrativo mais compassado fica por conta das consequências negativas da investigação do FBI para Ellen Waverly e Larry Wilson, dois gays ainda dentro do armário que passam a ser o centro das atenções. No entanto, mesmo esse assunto fica em segundo plano no episódio, já que o foco é mesmo em Margo, que é obrigada a encontrar-se novamente com seu mentor Wernher von Braun, responsável pela elaboração de um laudo técnico sobre a explosão do foguete e que serve de desculpa para que ele revele o verdadeiro passado do pai da moça, um personagem que nunca teve nome e que continua sem nome, sendo magicamente criado, contextualizado e reformulado pelo roteiro escrito por Stephanie Shannon, resultando em uma gigantesca sequência de diálogos cansativos que têm como objetivo fazer com que Margo passe a “jogar o jogo” e use as informações do relatório para forçar seu crescimento na NASA. E, como se isso não bastasse, Margo ainda acaba repetindo sua relação com von Braun ao tornar-se a mentora de Aleida, a menina mexicana fascinada pelo espaço que magicamente se materializa no Controle da Missão.

9º Lugar: He Buit the Saturn V

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No segundo, He Built the Saturn V, porém, o foco muda para a investigação do senado americano para o que é percebido como a perda da oportunidade de os EUA serem o primeiro país na lua, com o alemão Wernher Von Braun (Colm Feore), então diretor da agência espacial americana, na berlinda. Finalmente, em Nixon’s Women, um terceiro assunto é abordado: a entrada forçada de mulheres no programa espacial. A costura narrativa, porém, é falha, com personagens novo sendo introduzidos a cada episódio sem que sequer haja tempo para que a conexão do espectador com aqueles que já haviam sido apresentados seja solidificada, esvaziando, por exemplo, o drama pessoal de Baldwin por ter sido o homem que quase chegou lá, ou o de Margo Madison (Wrenn Schmidt) como a controladora de voo protegida de von Braun ou mesmo as esposas dos astronautas principais, Karen Baldwin (Shantel VanSanten), a dona de casa modelo, e  Tracy Stevens (Sarah Jones), que tem outras ambições.

8º Lugar: Nixon’s Women

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Apesar de uma produção de época impecável, com uma direção de arte invejável e uma bela fotografia árida, For All Mankind sofre de uma certa frieza, de um distanciamento que incomoda e que, apesar de fazer sentido estar presente em uma obra como O Primero Homem pela forma como o assunto é abordado, não tem vez de verdade na série, deixando de realmente animar ou envolver o espectador no potencialmente fascinante drama que se desenvolve. Considerando que são apenas 10 episódios (cada um disponibilizado tem ligeiramente mais de uma hora, ou seja, são longos), esse primeiro terço, se ele efetivamente marcar o passo narrativo fragmentado em histórias quase estanques dentro de um mesmo tema, arrisca de afastar mais gente do que atrair.

7º Lugar: Red Moon

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Como protagonista, temos o astronauta americano Edward Baldwin (Joel Kinnaman) que, apesar de ser fictício, substitui o comandante Thomas P. Stafford, que realmente ficou à frente da expedição Apollo 10 que chegou a pouco mais de 15 quilômetros da superfície lunar em 22 de maio de 1969, menos de dois meses depois que Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisariam na inóspita superfície pela primeira vez. Na série, os soviéticos conseguem colocar o seu próprio homem na lua entre as duas missões americanas, o que coloca Baldwin – e paralelamente seu colega de missão Gordo Stevens (Michael Dorman) – no centro das atenções pelo que ele poderia ter sido se a NASA fosse um pouco mais ousada (ou descuidada, dependendo do ponto de vista).

6º Lugar: Rupture

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Mas Rupture não lida com a questão de forma barata ou simples e, no processo, abre espaço para Shantel VanSanten mostrar toda sua latitude dramática e entregar uma performance admirável e crível como uma mãe primeiro negando o inimaginável e, depois, fazendo de tudo para poupar o marido – isolado na lua – da terrível notícia que poderia desequilibrá-lo, arriscando sua vida. E o melhor de tudo é que a trama em solo lunar envolvendo os soviéticos é muito bem costurada com o drama na Terra, com a paranoia crescente de Ed culminando com uma mensagem dos cosmonautas (de coração ou de maldade – eu fico com a segunda opção) que começa a desfazer o silêncio sepulcral sobre Sean em um belo exemplo de roteiro que trabalha bem causas e consequências sem forçar absolutamente nada.

5º Lugar: Hi Bob

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Finalmente, há Gordo. Ele já havia mostrado vários sinais de descontrole antes de ir para a lua, especialmente no que se refere sua entrega à bebida, com seus “passeios” lunares já sendo algo no mínimo intrigante no episódio anterior. Agora, ele realmente “quebra”. O astronauta não aguenta o espaço confinado e começa a arriscar a sua própria vida e a de seus colegas com seus ataques maníacos que trazem um bom grau de tensão a Hi Bob, além de uma melancolia pesada, destrutiva que Michael Dorman consegue imprimir muito bem em seu personagem, sem exageros e sem que seja fácil chamá-lo de maluco ou desequilibrado. A construção de sua queda é bem feita e lógica dentro da estrutura da série, com uma conclusão que demanda o referido sacrifício de Dani e também de Ed, que acaba realmente isolado na base, sem chance de voltar antes da chegada da Apollo 24 em “duas semanas”.

4º Lugar: Prime Crew

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Não é que os problemas da série tenham simplesmente desparecido agora, que fique bem claro. Eles persistem, mas ganham uma nova forma em Prime Crew, parecendo até que Naren Shankar está correndo atrás do tempo perdido ou mal-aproveitado, acelerando as interações humanas relevantes quando Deke Slayton (Chris Bauer), rebelando-se contra as instruções do assessor de Richard Nixon que requer o cancelamento do programa das mulheres para a NASA focar na colocação de uma base militar na lua, faz exatamente o contrário e acelera tudo, encampando publicamente como astronautas as quatro mulheres que ainda estavam no programa depois da tragédia que ceifou a vida de Patty ao final do último episódio. Com isso, Molly é marretada no programa Apollo 15 no lugar de Gordo (Michael Dorman) para a revolta de Edward Baldwin (Joel Kinnaman) e todo o desenvolvimento que vai do estranhamento entre os dois até a criação de uma conexão de confiança é infelizmente corrido, com elipses que nem sempre são bem resolvidas.

3º Lugar: Into the Abyss

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Em Into the Abyss, apesar de ser fascinante ver Molly e Ed (Joel Kinnaman) arriscarem tudo em uma missão feita na base de clipe e fita adesiva (ou quase), com elipses eficientes que evitam protrair demais o suspense de uma missão que, lá no fundo, sabemos que vai dar certo (afinal uma mulher já havia morrido em treinamento no terceiro episódio e a Apollo 11 já trouxera o suspense devido no primeiro episódio) e que, de forma alvissareira, permitem que haja tempo para focar naqueles que ficaram na Terra. Vemos um pouco da tensão no Controle da Missão, mas o destaque fica mesmo na relação entre Karen, esposa de Ed e Wayne (Lenny Jacobson), marido de Molly, em uma bem-vinda inversão de papeis, com a mulher sendo a forte e durona e o homem sensível e emocional, com os dois chegando a um belo meio-termo. Seus estilos de vida completamente diferentes, suas profissões e suas formas de encarar o mundo colorem o episódio e trazem toda a humanidade que Molly e Ed, no espaço, demonstram não ter em um diálogo particularmente duro e pesado com os dois em suas redes na capsula lunar (vale reparar na sujeira nos rostos dos dois, um detalhe minúsculo, mas importante em razão da duração do voo e, claro, da ausência de banhos).

2º Lugar: Bent Bird

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Mesmo assim, Bent Bird é um baita episódio que reúne corretamente boas doses de drama, ação e uma chocante reviravolta que quase o transforma em um digno candidato a episódio final de temporada, já que o próximo provavelmente não conseguirá ultrapassá-lo em termos de qualidade, ainda que eu torça para que consiga esse feito para que o primeiro ano de For All Mankind acabe no topo. Dividindo a narrativa em três núcleos, o roteiro de David Weddle e Bradley Thompson (responsáveis pelo outro melhor episódio da temporada, Into the Abyss) continua a abordar a dor de Karen Baldwin pela perda de seu filho, estabelece uma crise na órbita da Terra com a turbina da Apollo 24 se recusando a ligar e, finalmente, coloca Ed Baldwin em uma espécie de “ponto sem volta” em sua trajetória como veterano de guerra e pai que recentemente perdeu o filho, descobrindo o fato não por sua esposa ou amigos, mas sim por intermédio do inimigo.

1º Lugar: A City Upon a Hill

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Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo é um dos melhores thrillers espaciais realistas do cinema, reunindo tensão de arrancar os cabelos com uma boa dose de humanidade tanto no espaço quanto na Terra. Ronald D. Moore, fico feliz em afirmar, conseguiu fazer seu próprio Apollo 13 agora, bem no finalzinho da 1ª temporada de For All Mankind, com o magnífico A City Upon a Hill. São 76 minutos de um roteiro azeitado de Matt Wolpert e Ben Nedivi e uma direção precisa de John Dahl (melhor ainda do que sua própria direção do já excelente episódio anterior) que tocam as teclas certas entre ação, emoção e crítica social, encerrando a temporada com chave de ouro e, melhor ainda, sem nenhum grande cliffhanger, daqueles que deixam o espectador pendurado no meio de algum momento crítico, mostrando que não é necessário recorrer a esse tipo de artifício barato para se contar uma baita história. E olha que eu tinha certeza, como escrevi na última crítica, que o episódio final não seria capaz de ser melhor que Bent Bird

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.