Lista | Gotham – 5ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Nota da Temporada

Gotham encerra-se justamente com a sua pior temporada. Mesmo que tenha começado bem, os arcos dos personagens foram perdendo vigor, a repetitividade cansando os espectadores e a preguiça do roteiro parando de sustentar uma premissa até interessante. Essa quinta temporada, no caso, tinha começado com o pretexto de uma terra de ninguém, governada por gangues e super-vilões do crime. Gotham não apenas desiste de explorar isso como prefere recriar uma espécie de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, mas de maneira porca e sem qualquer inventividade.

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios da série.

16º Lugar: They Did What?
5X12

Os roteiristas de Gotham, esse negócio, parecem criancinhas brincando de serem responsáveis por uma série conhecida, porque é impossível alguém experiente, no auge do campeonato, encontrar essa como a única conclusão possível para uma suposta guerra. They Did What? é um episódio, em outro plano amador, que enxergará arcos sendo concluídos em diálogos redundantes, o que, curiosamente, exemplificará o vazio dessas trajetórias, especialmente no que se refere à temporada em questão. Todos os personagens precisam ter o momento de suas vidas, aquele instante onde, em um monólogo “engrandecedor”, nos remeterão às jornadas que a série construiu. Tão perdida tornou-se Gotham, contudo, que o seu último capítulo avançará 10 anos, apenas para explodir os seus espectadores com tudo aquilo que eles esperavam: o Batman. Um gigantesco fan service nos aguarda portanto, mas eis a única coisa que restou mesmo de Gotham.

11º Lugar: I Am Bane
5X10

Que vingança mequetrefe é essa de Nyssa, em última instância? E por que Bruce precisa de anos para desvendar o mistério em questão, reiterando o mesmo comportamento adolescente e gritando à torto? “Se você me quer, você me tem”, comenta Mazouz, ou alguma coisa da espécie, logo após Nyssa apontar claramente que machucar Gordon significa machucar Bruce. Que texto fraco! Selina (Camren Bicondova) é quem acompanha o mordomo. Olha, a trajetória de Alfred não poderia ser mais poderosa caso o mordomo tivesse sido raptado? Gordon é uma figura paterna para Bruce, ou não seria Pennyworth, que está na jornada em ajudar seu garoto uma última vez? Os arcos se cruzam sem qualquer sincronia, contraditórios entre si. E esse é um marco negativo para o seriado.

10º Lugar: The Beginning…
5X12

Enquanto certos elementos, como o bigode de Jim, são apenas referências vazias e piscadinhas para o público entreter-se, a série nunca os assume como esses sendo os seus propósitos, embora sejam. Logo, Gordon já raspa esses pelos. Chamar o Coringa de Coringa? Chamar o Batman de Batman? Contudo, a morte de Ecco é basicamente uma deixa para a possibilidade de uma Arlequina mesmo existir. O que Gotham tornou-se, portanto? Cory Michael Smith e Robin Lord Taylor podem usar trajes coloridíssimos e Lili Simmons, vivendo a Selina mais velha, não pode ter umas orelhas? É uma mistura estranha entre a série de televisão dos anos 60 com a trilogia cinematográfica comandada por Christopher Nolan

9º Lugar: The Trial of Jim Gordon
5X09

Última temporada de Gotham. Última. E, ainda por cima, uma temporada encurtada, com menos capítulos. Mas, novamente, os roteiristas do seriado realmente acreditaram que um episódio majoritariamente filler seria importante para os espectadores. Engano. O começo dessa crítica é uma reiteração dos meus pensamentos acerca de Nothing’s Shocking. Agora, pelo menos, sei que tais episódios foram encomendados posteriormente pela emissora, após a série já ter sido concluída com apenas dez exemplares. Ou seja, são ainda mais fillers do que aparentemente seriam, porque, dada a ideia original sobre essa temporada, nem mesmo existiriam.

8º Lugar: 13 Stitches
5X06

Mas Jeremiah desponta, ao sequestrar Alfred Pennyworth (Sean Pertwee), muito mais como uma ameaça secundária do que como um antagonista entrelaçado com a narrativa central. Em outra instância, as cenas envolvendo o personagem servem para mostrar o quão Ben McKenzie poderia agregar realmente à série como diretor. Com uma aura de horror muito forte, Cameron Monaghan ganha espaço de sobra para divertir-se com a sua loucura, em ângulos mais ousados que fortalecem o temor do personagem pelo vilão. Sobra o humor para sustentar o interesse do público, em cenas mais cômicas protagonizados por Nygma, e pelo arco – um pouco gratuito, porém engraçadinho – vivido por Selina (Camren Bicondova) e Oswald (Robin Lord Taylor). E agora, Jim?

7º Lugar: Nothing’s Shocking
5X08

O pior: Gotham simplesmente avança no tempo de uma maneira errática, sem se preocupar com o conteúdo que estabelecera previamente. Cadê Jeremiah, desfigurado pelo ácido? Onde está Lee? E Selina Kyle, simplesmente despareceu? Gotham possui pouquíssimos episódios restantes e não conseguiu, por exemplo, explorar uma possível guerra entre as gangues de super-vilões, que até previu em Year Zero. O grupo do Espantalho, o grupo do Sr. Frio. Gotham poderia ter uma última temporada que remetesse ao jogo Batman: Arkham City, sem precisar de uma amarração super complexa e conspiratória, porém, necessariamente um certo nível de coesão. O que resta, no entanto, são fillers para preencher um tempo que a série, para início de conversa, nunca possuiu.

6º Lugar: Ace Chemicals
5X07

Ace Chemicals é um sucessor estranho ao último episódio dessa quinta temporada de Gotham13 Stitches. A presença de Jeremiah (Cameron Monaghan) na temporada, de certa forma, soa como filler, como um rompimento à narrativa central, que envolve muito mais a presença de Eduardo (Shane West), o futuro Bane. Portanto, os passos dados pela série parecem ser extremamente desengonçados, porque não conseguem amarrar vários arcos, tramas e personagens organicamente, como até conseguia no início da temporada, sob uma lógica própria de terra de ninguém. O início competente originou um desenvolvimento fraco, sem interessar os espectadores.

5º Lugar: Trespassers
5X02

“Quem seria policial em uma cidade como essa?”, aponta um dos criminosos mostrados em Trespassers, segundo episódio da última temporada de Gotham. O Capitão Gordon (Ben McKenzie) e companhia, após o chamado de ajuda por um menino morador dessa cidade quase pós-apocalíptica, redescobrem um mundo perdido para além da zona de segurança ainda mantida pelos policiais do GCPD. Os antagonistas não são os personagens típicos, monstros de circo, mas monstros mais tangíveis, associando-se ao horror cru e não mais a fantasia de criaturas entre o grotesco e o mágico. Apesar, porém, de subtender uma noção mais aprofundada de moralidade, em meio a uma sociedade que deixou de ter regras teoricamente, os envolvimentos interpessoais traçados com o protagonista são muito mais superficiais, redundantes até, que realmente relevantes para justificar, em outros campos que não o de reconstrução de atmosfera, esse enredo.

4º Lugar: Pena Dura
5X05

Pena Dura é a primeira aparição de Eduardo Dorrance (Shane West), ninguém menos que Bane, em Gotham. Mas o capítulo, sem qualquer cerimônia, posiciona o personagem já na primeira sequência do enredo, em que Gordon (Ben McKenzie) vai atrás do vendedor de RPG, arma usada no assassinato de centenas no Haven. O viés interessante inerente a essa sobriedade é que não existe um senso de ameaça rodeando Eduardo em suas primeiras interações com Gordon. Ao mesmo tempo, a revelação de um passado comum aos dois ajuda a criar esse conforto. A segurança, porém, é igualmente problemática. O episódio quer resolver certas coisas rápido demais, como a própria introdução de Dorrance, que entrega a interferência do roteiro na questão.

3º Lugar: Ruin
5X04

Enquanto o arco do Charada é o que mais nos surpreende – e, ainda assim, poderia ter investido mais no mistério da idosa que sabia do envolvimento do antagonista com o incêndio -, o de Selina é o que mais nos decepciona, mesmo sendo crucial, porque resolve-se com o assassinato de Jeremiah. As sequência soam extremamente atropeladas. O palhaço é morto com uma secura interessante, sem tempo para cerimônias, que é muito condizente com a jornada da Gata. Mas a única sequência que temos, “importante” nessa trama paralela, é uma dança que remete à cena icônica entre o Coringa e a Arlequina, aqui sendo ecos das suas versões originais dos quadrinhos.

2º Lugar: Year Zero
5X01

A cena do assassinato de Tabitha (Jessica Lucas), o acontecimento mais chocante do episódio, é movida por uma ironia tão natural que impulsiona a ótima performance de Taylor – é uma coincidência o fracasso de Tabitha, contudo, o texto torna aquele azar crível. Outra questão interessante é a abertura que foi feita à discussão de uma terra verdadeiramente sem leis, porque Gordon poderia ter matado Oswald. Será que Gotham irá discursar acerca disso pela temporada? O Cruzado Encapuzado, que aos poucos nasce, pode ser essencial para essa recriação derradeira da moral humana. Em um mundo sem leis e sem heróis, o que impedirá a carnificina de tornar-se enfim realidade? Gotham acabou?

1º Lugar: Penguin, Our Hero
5X03

A última temporada de Gotham, ainda em seu terceiro episódio, quer repensar completamente algumas noções passadas de heroísmo, ou seja, desconstruir quem são os mitos aclamados pelo povo da cidade, mas agora abandonada pelo governo. As únicas pessoas que cada um dos cidadãos de Gotham possuem para enxergar como seus salvadores são os policiais e principalmente o Capitão Gordon (Ben McKenzie). Quem é o Pinguim no meio disso tudo, senão um líder cada vez mais odiado pelos seus próprios seguidores, com sede e com fome?

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.