Lista | Graphic MSP: As Histórias Ranqueadas

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Listas. Algo que a gente ama odiar e odeia amar. Quando falamos de rankings, então, a coisa parece ficar ainda mais intensa, o que não nos impede de fazer, afinal, quem é que não gosta do estrago? O presente ranking traz a minha classificação para as histórias do selo Graphic MSP, projeto que apresenta releituras dos personagens de Mauricio de Sousa feitas por diversos nomes dos quadrinhos nacionais. TODAS as graphic novels da lista possuem críticas aqui no site, basta clicar nos links para ler o texto completo.

Se você sabe discordar respeitosamente e, nessa mesma linha, debater diferentes pontos de vista (ou se já é antigo da casa e sabe exatamente do que me chamar em situações assim), bem-vindo à mais uma arena! Já estou afiando a minha peixeira. Vem tranquilo, vem na maciota… Agora, se você é daqueles que gosta de chorar por não ter as coisas exatamente do jeito que queria, xingar, atribuir estados de espírito aos outros, fazer cordel de ad hominem ou espernear nos comentários sempre que se depara com algo que não concorda… esteja à vontade também, a vergonha alheia não tem limites. Pior pra você. Mas saiba que é mais proveitoso comentar com a sua própria lista e escrever um textão justificando tintin-por-tintin as suas escolhas. Você tem neurônios e é um ser humano pensante. Aja de acordo.

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23º Lugar: Piteco – Fogo

A arte, por sua vez, foi o maior atrativo para mim. Assim como na história do Shiko, eu vejo que os desenhos aqui combinam com este Universo rústico, algo que a aplicação de cores também valoriza. Em termos de preferência, eu gostaria que a finalização fosse um pouco mais suja e que houvessem menos quadros de fundo branco, mas é apenas um detalhe de gosto pessoal que não conta na visão geral para a arte, da qual gostei bastante. Assim como gostei da forma como o autor finalizou a luta e trouxe conclusão… pelo menos até a cena final, que achei abrupta, talvez com um gancho para uma futura edição, mas pelo menos para mim, essa escolha não funcionou muito bem.

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22º Lugar: Astronauta – Entropia

Astronauta – Entropia é diferente de tudo o que o selo Graphic MSP publicou na mesma safra, tanto em termos de abordagem para o personagem (sinceramente, parece pertencer a um selo completamente diferente) quanto de temáticas trabalhadas ao longo de todo o enredo. Evidente que estes não são apontamentos negativos, são apenas alguns fatos sobre as tramas do Astronauta em geral, sempre mais sérias e complexas, mas no fim, acenando para alguns sentimentos que a gente conhece muito bem e que parecem seguir todos os seres inteligentes pelo espaço e dimensões afora.

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21º Lugar: Astronauta – Magnetar

Mesmo não tendo ousado além da zona de conforto, Danilo Beyruth faz de Astronauta: Magnetarum ótimo primeiro número do projeto Graphic MSP, que merece ser lido por qualquer fã de quadrinhos, não só por aqueles que gostam do trabalho de Mauricio de Sousa.

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20º Lugar: Mônica – Tesouros

Independente dessa aproximação ou não, eu gostei de Tesouros. A mensagem da autora é clara e todo o trajeto é bastante sutil. Em alguns pontos eu vi a mim mesmo, viajando com meus pais e imaginando que seria tudo um porre enorme, mas depois curtindo muitíssimo a viagem, talvez até mais do que eles. Tesouros é uma história sobre encontrar aquilo que é capaz de nos conectar, de nos trazer felicidade e de manter a esperança que nosso coração estará aquecido pelo amor e companheirismo daqueles que cativamos.

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19º Lugar: Astronauta – Singularidade

A diagramação muitíssimo bem pensada (o ritmo da história é preciso, praticamente o de um filme de ficção científica bem editado) e as belas cores de Cris Peter dão à história uma identidade visual única, totalmente contrastante com o predomínio do azul em Magnetar e capaz de nos fazer querer ver o álbum sem ler os diálogos. Peço que peguem o volume e vejam novamente a longa sequência da página 42 à 67. Observem o ritmo crescente e decrescente dos quadros, como são bem alternados, as nuances de cor bem aplicadas e a ótima constância de qualidade nos desenhos de Beyruth. A briga do Astro com o Major (ambos vestidos com seus mega uniformes) e a preparação para a desativação da arma-buraco negro são de fazer cair o queixo.

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18º Lugar: Turma da Mônica – Lembranças

Lembranças é uma história que tem acontecimentos muito bonitos no tempo presente e trabalha temas atuais com os quais crianças, adolescentes, jovens e até adultos podem facilmente se relacionar. Este ponto do roteiro de Vitor Cafaggi e Lu Cafaggi é intocável. A captura das estranhezas emocionais da infância, a amizade e a quantidade enorme de momentos de fofura aquecem o coração do leitor. Todavia, o uso do elemento principalmente do volume, as lembranças, e algumas escolhas na diagramação das páginas nos fazem questionar se estamos realmente falando da dupla responsável por duas excelentes histórias anteriores da Turma da Mônica no selo Graphic MSP. Embora não se despeçam do projeto com tantos louros como se apresentaram, os irmãos terminam a trilogia de forma bem acima da média. Apesar dos erros, deixaram um final terno e realista. Mais um capítulo na história da Turma se encerra.

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17º Lugar: Papa-Capim – Noite Branca

Com um roteiro que respeita e prima por quadros silenciosos (escolha louvável de Marcela Godoy) e com um bom dedo de terror na história, Papa-Capim – Noite Branca é uma aventura com cara de raízes do Brasil e que até certo ponto se destaca, mas não é o melhor álbum do selo — e em minha leitura, sofre tremendamente com a limitação deste formato –, mas tampouco é uma história a ser desprezada. Torço para que seja um passo inicial para que o curumim ganhe uma outra saga, no futuro, na qual possamos mergulhar mais e ver os personagens com a graça que eles possuem em sua versão original.

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16º Lugar: Louco – Fuga

Louco – Fuga encerra as publicações da Graphic MSP em 2015 com a arte mais poética — as páginas duplas e os grandes quadros provavelmente virarão quadros nas paredes de muita gente — e as cores mais belas de todo o projeto até o momento. Mas infelizmente o volume quebra a boa leva de roteiros bem fechados que tivemos este ano.

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15º Lugar: Astronauta – Assimetria

Temos apenas o gostinho de um bom resultado ao final da graphic novel. Neste ponto, a decisão do autor em optar por um “elemento triste e fofo” foi um grande acerto, especialmente pela dupla adorável que se forma a partir daí e pela não definição de um lugar no espaço. O ponto de chegada da história (ou o caminho para algum ponto, dependendo de como o autor deve seguir com a saga a partir daqui — mas espero que demore muito tempo para que outro volume do Astronauta volte a ser produzido) é um primor por todas as novidades que traz e acaba fazendo valer os obstáculos atravessados durante a leitura. No todo, estamos falando de um volume um pouco melhor que as outras duas histórias do Astronauta no selo. Mas ainda há muita coisa para ajustar. Que isso seja feito na continuação, pelo menos uma excelente premissa ela já tem.

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14º Lugar: Capitão Feio – Identidade

Embora ainda preferisse uma história mais fechada, posso dizer que Identidade não decepcionou. E, pela primeira vez nas publicações dos encadernados das Graphic MSP, eu me vi diante de um cliffhanger no melhor estilo “novelão” (sentido positivo da palavra), onde informações essenciais do caso ou dos personagens são deixadas propositalmente para o futuro. Que venham as continuações!

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13º Lugar: Bidu – Caminhos

A arte sutil, com cores suaves e marcantes, serve como ponte que transporta o leitor para dentro dessa fábula. Cada quadro foi feito com o maior esmero, o que inclui também as expressões, onomatopeias e os balões usados para narrar à história. Balões esses que foram desenhados a mão e de uma forma simples e objetiva, nos conduz através dos percalços do Bidu. Não existe um ilustrador e um roteirista, ambos os criadores se dividem nas tarefas e fazem e refazem a mesma cena até que ambos estejam satisfeitos. Parte da arte foi feita a mão, como mencionado antes, e outra parte foi finalizada por computador. As cenas em que chove forte são de cair o queixo.

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12º Lugar: Cebolinha – Recuperação

Embora eu não tenha gostado do desenvolvimento mais reticente na relação entre Cebolinha e Robertinho, todo o miolo dessa aventura é simplesmente um espelho do cotidiano que Borges guia muito bem. Até o princípio do amadurecimento para o Cebolinha (sem jamais perder o seu jeito travesso, brincalhão e com um inesperado senso de responsabilidade) se encaixa com os dois grandes problemas que ele enfrenta e que tenta resolver da melhor maneira possível, com ajuda da Turma (num cameo rápido, mas muito bonito) ou de suas fantásticas ideias para salvar as finanças da casa. O desenrolar disso não poderia deixar de emocionar. Aliás, o leitor se vê lacrimejando mais de uma vez nessa história…

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11º Lugar: Mônica – Força

Há bastante coerência nos dilemas enfrentados pela Mônica nessa história com os aprendizados anteriores da personagem em Laços e Lições. É muito interessante ver esse universo se construindo aos poucos (pena que de forma tão lenta e não tão livre quanto deveria ser) e ideias mais sombrias aparecendo e sendo bem representadas, mesmo que com algumas ausências. Força cumpre, na temática, aquilo que promete, mas não tem todo o impacto que os grandes lançamentos anteriores desse Universo da Turma nos trouxe. Independente disso, é uma história que todo fã da gorduchinha mais forte dos quadrinhos brasileiros deve ler. Uma história que com certeza vai fazer muita gente se identificar e se emocionar.

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10º Lugar: Piteco – Ingá

O final da história nos apresenta uma reticência não muito bem vinda mas que não tem o poder de nos fazer desgostar do que lemos anteriormente. Trata-se de uma forma de encerramento que deixa algum vazio, quase uma pergunta no ar, algo que não creio ter sido a melhor escolha, mas que não entendo como totalmente à parte da saga. Assim como começa, Piteco termina de frente para um dilema particular e sociológico, um impasse que pode alçar voo e nos trazer uma outra faceta do caçador numa futura continuação dessa nova empreitada do povo de Lem. Quem sabe?

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9º Lugar: Bidu – Juntos

Exceto no comecinho da HQ, todos os pequenos arcos, especialmente o do ponto de vista do Bidu, são trabalhados com perfeição. A organicidade com que as coisas acontecem, o trabalho com o tempo — os roteiristas estão de parabéns por nos transmitirem de maneira orgânica essa passagem — e o significado das relações estabelecidas possivelmente farão alguns leitores lacrimejarem. O entendimento final entre a dupla é o resultado de um impasse que se resolveu com um pouco de sofrimento para os dois lados, mas que enfim encontrou um status de compreensão final. Enfim, humano e cachorro, estão juntos.

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8º Lugar: Turma da Mata – Muralha

Contando com uma inteligente e bem fluída diagramação de páginas, belas páginas duplas e um verdadeiro show de arte e roteiro, Turma da Mata – Muralha, superou todas as minhas expectativas e creio que as de muita gente também. O final da história, como já disse, é um tantinho mais apressado do que deveria e reticente demais para um desenvolvimento tão bem azeitado, mas está longe, muito longe de ser ruim. O projeto Graphic MSP acerta mais uma vez. E mais uma vez, todos saem ganhando.

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7º Lugar: Turma da Mônica – Lições

Escrever uma história sobre crianças para uma grande editora e dentro de um grande projeto é um desafio tremendo. E trabalhar o crescimento dessas crianças com temas como bullying, moral, relações familiares e fraternas, relação escola-família e conflito de gerações torna o desafio ainda maior. Mas isso parece não ter sido um empecilho para os irmãos Cafaggi criarem mais uma obra inesquecível, mostrando as frustrações e alegrias da vida de um grupo de personagens tão queridos dos brasileiros, uma abordagem de gente grande que encontra em cada um de nós, que já fizemos essa travessia, um elemento nostálgico e de identificação; e em outro extremo, dialogando com precisão com as crianças que ainda estão nessa estrada. Uma lição de vida mesmo.

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6º Lugar: Chico Bento – Arvorada

Há pontas da Rosinha e do Zé Lelé, além dos pais de Chico e do porquinho Torresmo nessa história, todos sendo atingidos, de alguma forma, pela doença da Vó Dita e pela tristeza e luta do Chico para sua recuperação. No fim, a grande lição é dada e molda o misterioso narrador, que junto da tristeza e da alegria de compartilhar alguns momentos, nota que a lembrança desses “pedaços da vida” pode servir de inspiração para quem ouvi-los; e que o chamado para olhar com cuidado as coisas comuns em nosso dia a dia, pode também ser um convite para saborear o que temos de melhor à nossa volta e, na pressa, não se percebemos. Infelizmente, muitos de nós somos campeões nisso.

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5º Lugar: Penadinho – Vida

Penadinho – Vida é uma história emocionante e cheia de fofura. Há apenas um ponto negativo, que são os quadros do desfecho, após a despedida de Dona Morte e Dona Cegonha da turma – as coisas andam rápido demais e a conclusão é… digamos… condescendente demais –, mas se olharmos pelo contexto emotivo, vemos que o final feliz e a condescendência fazem algum sentido, de modo que isso não estraga o enredo, apenas lhe tira alguns pontos de estrutura narrativa original.

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4º Lugar: Horácio – Mãe

Os perigos da vida, as reflexões de alguém que está aprendendo a enxergar o mundo e um humor gostoso de se acompanhar são marcas centrais dessa história, que assim como Jeremias – Pele, nos faz perceber o novo momento que marca a editoria das Graphic MSP, com uma roupagem claramente mais madura, porém, sem perder a ternura e leveza que esses personagens possuem originalmente. Da trama, eu tive apenas alguns problemas com a sequência no “Buraco Tenebroso da Morte Agonizante”, especialmente no final dela, mas nada que suplantasse a lição de coragem, superação, importância da amizade, aceitação de si mesmo e de seu lugar no mundo que esta aventura no traz. E sim, eu chorei no final.

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3º Lugar: Chico Bento – Pavor Espaciar

Pavor Espaciar é uma história interessante em todos os sentidos. As já citadas referências à cultura pop, o tom cômico da história, o “fator fofuchismo” que permeia a relação entre Chico, Zé, Torresmo e Giserda, a ameaça e a finalização. Confesso que num olhar para a linha sequencial de eventos é possível ver uma reticência na história, que apensar de bem conectada visualmente sofre um pouco com as conexões entre os blocos de roteiro (num sentido lógico-narrativo), um problema causado pelo número de páginas (que são poucas, para uma narrativa parcialmente visual) e pela ambição de Gustavo Duarte em querer acrescentar o máximo de obstáculos e dificuldades à jornada de Chico, Zé Lelé, o porco e a galinha. Porém, essa reticência não me incomodou em absolutamente nada, de modo que para mim a história se mostra fechadinha, uma aventura que já reli alguma vezes e que entrou facilmente para o meu hall de “HQs do coração”.

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2º Lugar: Jeremias – Pele

Exibindo um problema real sem exageros e com muita pertinência, Rafael Calça e Jefferson Costa criam em Pele um ponto alto de abordagem para a Graphic MSP. E aqui nós temos de tudo, desde as “brincadeirinhas” racistas de amigos no colégio (os mesmos que depois dizem “eu não quis ofender ninguém!“) até uma abordagem truculenta da polícia no pai de Jeremias, que saca a Carteira de Trabalho para poder provar que não era um bandido. Um quadrinho forte, mas que em nenhum momento perde a essência da série e abre as portas para que o selo traga ainda mais dilemas sociais sofridos por crianças em nosso país. Coisas assim precisam ser ditas, seu impacto precisa ser mostrado e a esperança de melhoria e superação, exatamente como acontece em Pele, precisa estar sempre no horizonte.

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1º Lugar: Turma da Mônica – Laços

Num trabalho narrativo em três ciclos históricos, os autores criam pontes entre a primeira infância do Cebolinha e a adolescência da Turma já formada. Em primeiro lugar, vemos ele ainda bebê ganhando o Floquinho de presente; depois pulamos para o desaparecimento do Floquinho já na adolescência do garoto, como parte da Turma; e depois temos um epílogo com todos eles na pré-escola, em cantos diferentes da sala de espera, na hora da saída. O Floquinho volta a aparecer nesse momento e é o motivo da reunião dos quatro futuros amigos. O primeiro encontro de uma vida toda.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.