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Lista | Invencível – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

por Kevin Rick
934 views (a partir de agosto de 2020)

Avaliação da temporada:
(não é uma média)

Antes que (alguns) de vocês gritem e esperneiem sobre a nota “baixa” acima, tomem em conta que é uma avaliação geral da primeira temporada, e não apenas dos dois episódios finais, que sim, são simplesmente fantásticos. A série não tem um único episódio ruim, e nem regular na minha opinião, mas tem sim alguns pequenos problemas de equilibrar o tom duplo da narrativa, algumas inconsistências técnicas e o ritmo sofre um pouco por causa das dezenas de subtramas desenvolvidas. Dito isso, são pormenores na sensacional introdução audiovisual do universo de Robert Kirkman, que, como já expus incansavelmente nas críticas por episódio, faz uma homenagem ao heroísmo ao mesmo tempo que utiliza a violência para descontruir a visão otimista de Mark sobre a vida heroica.

A adaptação veio com um certo buzz em torno de seu lançamento, mas parece que a Amazon Prime conseguiu mais um hit anual sobre o heroísmo de uma perspectiva adversa. A animação já foi renovada para mais duas temporadas, e aposto que os quadrinhos estão, merecidamente, recebendo mais atenção, e parece que Kirkman conseguiu mais uma vez estabelecer uma de suas HQ’s no meio televisivo. Invencível veio, felizmente, para ficar, chocar, emocionar e satirizar o tão amado mito heroico. Não irei me estender mais do que já faço nas críticas semanais, e, como de praxe no Plano Crítico, fiquem com nosso ranking de episódios. Concordam, discordam, muito pelo contrário? Comentem e vamos debater!

 

8º Lugar:
Eu Só Quero o Progresso

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Eu Só Quero o Progresso é o típico episódio ordinário de animações (com o acréscimo da violência incomum), e ele é bom, honestamente bom. Há um conflito bacana de Mark com seu manto, e Amber é uma personagem genuinamente interessante, fugindo de arquétipos bobos de interesses românticos. A aventura contida tem uma boa dose de horror juvenil e as esperadas cenas de ação violentamente gráficas, além da boa inserção de William, que oferece um ótimo toque humorístico à narrativa. A questão é que o episódio foca no romântico, que sempre funcionou melhor como núcleo secundário, fazendo pouco para progredir os excelentes acontecimentos dos episódios anteriores, decidindo construir um capítulo mais intimista e de elaboração de tensão para o clímax, mas acaba sendo decepcionante. Ainda assim, estou otimista para os dois episódios finais de Invencível, que provavelmente terão uma abordagem semelhante à Essa Doeu de Verdade, ou pelo menos eu espero que sim.

 

7º Lugar:
Problemas em Marte

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Ademais, Problemas em Marte é um episódio de elaboração, tanto de subtramas que ganham pouco espaço, mas têm suas migalhas jogadas aqui e ali, como os Sequids e o Robô, além do bom desenvolvimento de personagens secundários como Cecil e Damien Darkblood – espero que ele retorne! -, que fragmenta a narrativa geral – duas, na verdade – com mais cuidado. Núcleos principais esses que trabalham o mesmo discurso de elaboração, mas de uma perspectiva mais intimista e identitária dos Grayson. Um episódio que não será lembrado por um grande impacto ou evento memorável, mas que cumpre seu papel de progresso narrativo com bastante atenção e eficiência, provando que a adaptação de Invencível está em boas mãos criativas.

 

6º Lugar:
Quem Você Chamou de Feia?

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A trinca de episódios lançados pela Amazon fazem um ótimo trabalho em equilibrar a sátira e homenagem propostas por Kirkman, com um toque contemporâneo à piadas, diversificação étnica e ambiente juvenil. A pegada violenta é identidade do quadrinho, e definitivamente não precisa ser dosada na adaptação, mas necessita existir em prol de algo, seja cinismo ou ambiguidade, e sinto um certo exagero gráfico pelo exagero mesmo, com propósito de chocar. Mas é um pequeno – bem pequeno mesmo, já bem retificado no segundo episódio – incomodo para uma série que tem tudo para ser especial. Uma ode e paródia ao mito heroico, dispondo de belos visuais, um trabalho vocal irretocável e uma abordagem narrativa que exprime com louvor no audiovisual tudo que Kirkman fez nesse belo Universo.

 

5º Lugar:
Já Estava na Hora

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E então nós temos o grand finale insano do episódio, inesperado – para quem não conhecia os quadrinhos – no grande elemento desta obra: quebra de expectativa do que espera-se da ficção heroica. E qual a melhor maneira de utilizar isso senão com violência extrema e muito gore? Contudo, cabe aqui uma crítica minha, não a violência em si, mas a forma como ela foi proposta. Não existe uma construção para esta mudança bruta de abordagem, e que funciona bem como surpresa, mas a correria para esse determinado momento me pareceu… gratuita. Não é uma palavra que gosto de usar, mas achei uma transição de tom um tantinho mal feita, mas que personifica a linguagem da série: comédia/drama adolescente que brinda o heroico e ultraviolência para chocar e satirizar o mesmo. Um ótimo começo para Invencível.

 

4º Lugar:
Ou Vai ou Racha

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Ainda tenho algumas ressalvas pela estrutura posterior a esse evento, pois o encadeamento dado relembra bastante o da HQ, numa série de contos desgarrados sequenciais, subtramas jogadas aqui e ali, enquanto a história “principal” do episódio é diluída, o que torna o ritmo deslocado às vezes. Senti isso na cena com Allen, o Alien (Seth Rogen), que parece fora de lugar. Dito isso, é mais um ótimo episódio, que usa a satisfação do protagonista com a descoberta dos poderes e do manto protetor do primeiro capítulo para aumentar a quebra de realidade e o tratamento cínico do heroísmo, além de desenvolver o bom núcleo investigativo em torno da morte dos Guardiões do Globo com Cecil Steadman e Damien Darkblood.

 

3º Lugar:
Essa Doeu de Verdade

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Por fim, a luta final com Battle Beast – olha esse nome! – traz o diferencial da obra, mas existe aqui mais propósito além do choque, algo que critiquei anteriormente, em especial no primeiro episódio. O choque existe, obviamente, mas a existência da violência, aqui, é exposta com uma camada mais interessante, pegando a construção do episódio e pintando um cenário de consequências desse estilo de vida. Um realismo de combate que pega a trama tradicional e utiliza o twist para desmoronar o glamour, no melhor estilo InvencívelDivertido e brutal, Essa Doeu de Verdade estabelece a melhor dramaturgia vinculada ao tom da série.

 

2º Lugar:
A Verdade

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A segunda metade do episódio final é composta por uma vasta quantidade de epílogos e elaborações para tramas posteriores da já renovada obra, o que termina roubando o ritmo e o sentimento de impacto anterior, mas também funciona narrativamente como a visão realística de como esses personagens reagiriam à traição de um ícone, amigo, marido e pai exemplar. Além disso, a animação continua sendo inconsistente, a despeito do esmero técnico nos momentos chocantes da batalha final. E cabe aqui um elogio às atuações de J.K. Simmons e Steven Yeun, que dominam a dramaticidade e emoção da desmantelada relação entre pai e filho com cada frase pérfida ou comovente. O humano é abordado em diferentes aspectos neste episódio, o cruel, o belo, o companheiro e o decepcionante, e o heroísmo é componente essencial dessa natureza falha. Mark aprendeu isso da pior maneira possível, e nós também.

 

1º Lugar:
Precisamos Conversar

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Precisamos Conversar, apesar de ser uma elaboração para o épico desfecho da temporada, é um capítulo de encerramento, demonstrando o ótimo controle narrativo da equipe criativa em equilibrar, conectar e cercar os arcos e as temáticas de heroísmo da série. Todo o frenético segundo ato com as várias batalhas de Nolan se amontoando, o retorno de personagens e o encontro dele com Mark são de uma grandiosidade de manter o espectador em atenção obsessiva. Minhas únicas críticas negativas seriam a respeito da animação um tantinho inconsistente, e o fato de que as várias subtramas comprimidas poderiam ter sido melhores adaptadas em episódios anteriores, mas é complicado não amar esse episódio que trabalha tão bem os discursos da série, alguns de maneira inversa, e transpassa um sentimento de compensação com as amarras narrativas, ainda trazendo divertidíssimas sequências de ação. O que resta é a esperada conclusão épica.

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