Lista | Mayans M.C. – 2ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

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O segundo ano de Mayans M.C. foi duplamente tenso. A compra da Fox pela Disney levou ao temor justificado de que uma série dessas não teria mais lugar na FX sob comando da Casa do Camundongo, algo que foi assustadoramente reiterado pela demissão de Kurt Sutter, depois de 18 anos na produtora. Todo esse desequilíbrio poderia levar a série à ruína criativa, mas Sutter e Elgin James reagiram bem e entregaram uma temporada sólida que teve como tema principal o fortalecimento dos laços familiares entre EZ e Angel Reyes.

Marcada por episódios desesperadoramente tensos, repletos de traições, mortes e espirais de densidade narrativa raros de se ver por aí, a temporada soube trabalhar muito bem a evolução dos Reyes e dos Galindo, além de também focar em assuntos exclusivos do clube, algo que estava realmente fazendo falta. A série ainda carece de desenvolvimento dos membros dos Mayans fora os irmãos e Coco, mas essa parece ser a direção do próximo ano, já que a série foi renovada para a terceira temporada só com James no comando.

Tradicionalmente em nossas coberturas por episódio de temporadas, elaboramos nosso ranking dos episódios, que segue abaixo. Concordam? Discordam? Têm sua própria lista? Mandem seus comentários e vamos conversar! E não se esqueçam de clicar nos links para lerem as críticas de cada um deles.

10º Lugar: Camazotz

2X03

O aparentemente aleatório assassinato de Medina, ao final de Xaman-Ek, é o ponto central do episódio. Confesso que sequer havia percebido que o assassino era o policial que havia tentado provocar EZ momentos antes, do lado de fora do clube de motocicletas de Stockton, mas essa revelação – ou reiteração para aqueles que pescaram a informação de cara – empresta um pouco de organicidade à narrativa, ainda que não consigamos, nem de longe, sentir todo o drama que a morte significou para os grupos simplesmente por não conhecermos o morto. A revelação de que Bishop havia sido o patrocinador de Medina parece marretada goela abaixo no roteiro para tentar dar um ar mais relevante ao que aconteceu, mas tudo parece muito artificial, literalmente episódico, reiterando o caráter de filler que Camazotz tem.

9º Lugar: Tohil

2X07

Infelizmente, porém, apesar de lidar com assuntos relevantes como a imigração ilegal (tema recorrente da série, claro) e tráfico humano, a ação em si deixa a desejar por sua velocidade e facilidade. Tudo é planejado de qualquer jeito e executado da maneira mais atabalhoada possível, sem que haja tempo para que o espectador absorva a tensão e a dificuldade da missão. Se em Muluc sequência de resgate bem semelhante foi extremamente bem trabalhada, aqui a direção do eterno RoboCop Peter Weller não consegue muito mais do que uma ação de rotina como ir até a esquina dar uns tapas em algum traficante folgado.

8º Lugar: Xaman-Ek

2X02

Dito isso, confesso que me incomodou que o segundo episódio da temporada tenha novamente focado na menina Mini que foge de seu esconderijo e passa a ser caçada pelos mercenários que trabalham para Lincoln Potter (o paralelismo com os motoqueiros bombados não foi sem querer!) e também pelos Mayans. Esse miolo narrativo pareceu-me a clássica “encheção de linguiça” para dar algum tipo de missão para as duas facções opostas e para criar algum tipo de tensão – não muio eficientemente, diria – enquanto as duas linhas narrativas principais do capítulo se desenrolavam, a primeira com os irmãos finalmente voltando a um estado de paz em volta da revelação de EZ para Angel sobre o suposto assassino da mãe deles e a segunda envolvendo Dita Galindo, tendo como pano de fundo a tentativa de Emily e de Miguel de iniciar o processo de legitimação dos negócios escusos da família, bem na linha de O Poderoso Chefão e Peaky Blinders.

7º Lugar: Kukulkan

2X08

E o roteiro de Sean Tretta não tem a menor pressa em desenvolver a narrativa até seu clímax, o que faz com que o episódio crie uma barriga no meio, ainda que ela seja suavizada com os cortes paras as preocupantes descobertas de Emily no depósito da família Galindo depois que EZ lhe conta suas suspeitas. Com isso, a óbvia (basta olhar para o rosto de cada um dos membros do grupo) traição dos Vatos demora demais para acontecer, mas, quando acontece, a simplicidade do que vimos em Tohil ganha em letalidade para os Mayans aqui, com Coco queimado (sem trocadilho) e potencialmente cego e Riz gravemente ferido.

6º Lugar: Xbalanque

2X01

Para começo de conversa, há um salto temporal de algo como oito meses. Nesse tempo, aprendemos que Adelita está grávida, mas que ninguém sabe quem é o pai, com o episódio fazendo de tudo para apontar para Miguel Galindo. Na mesma linha, a mãe de Galindo está com saúde em franca deterioração, com a revelação de queimaduras misteriosas em suas costas. O que exatamente aconteceu e se o que ela está sentido é (também) um problema psicológico causado por seu afastamento de seu filho depois que ele descobre que ela e Nestor o traíram, saberemos ao longo da temporada. O ponto principal é que o roteiro de Sutter joga uma rede ainda mais ampla na já complexa narrativa criada da primeira temporada, o que cada vez mais contribui para que a série saia de uma vez por todas da sombra de Sons of Anarchy.

5º Lugar: Lahun Chan

2X04

Mas o roteiro de Bryan Gracia tem muito mais a oferecer. A gangue dos motoqueiros bombados de Xaman-Ek também volta para mais uma vez atazanar a vida dos Mayans e oferecer bons momentos cômicos em que eles tentam mostrar toda sua “macheza” somente para quebrarem a cara com o revide violento dos veteranos. A bem-vinda ponta do eterno T-1000 Robert Patrick, novamente na pele de Les Packer, presidente do Sons of Anarchy de San Bernardino, é sem dúvida um bônus, mas o que fica de verdade é a decepção de Bishop com Angel e EZ, o que provavelmente terá consequências graves. Novamente, notamos como tudo se encaixa perfeitamente.

4º Lugar: Hunahpu

2X1o

Hunahpu, por exemplo, é pródigo em frustrar as expectativas de quem acompanha a série. Mas é uma frustração boa, daquelas que levam à conclusão que o caminho mais fácil até poderia ser interessante, mas certamente também o mais vazio. No lugar de simplesmente começar uma guerra campal entre os Mayans e os Vatos Malditos pela morte de Riz, como fora prometido por Bishop ao final de Ytzam-Ye, a questão do dinheiro – do quanto o clube perderia com isso tanto financeira quanto moralmente, com a possível saída de duas filiais – volta à mesa e volta a atormentar Bishop, pressionado pelos outros dois “reis”. A revolta de Coco, que perdeu grande parte de sua valiosa visão no conflito, é novamente palpável e é muito fácil ficarmos do lado dele. No entanto, no mundo real, algo que a série se esmera em refletir, o dinheiro costuma falar mais alto e o roteiro da dupla de showrunners dialoga muito bem com essa questão, ao mesmo tempo deixando nas entrelinhas todas as pistas necessárias para que seja perfeitamente possível concluir que não havia como os Mayans deixarem isso barato, o que resulta no massacre na festa da abuelita de Palo, líder dos VM e na morte de um membro dos Sons. Quem exatamente só descobriremos na temporada que vem, já que a série, ainda bem foi renovada, mas, seja quem for, o problema é gigantesco.

3º Lugar: Itzam-Ye

2X09

Mas há outra guerra entrando em ebulição, esta mais pessoal e que envolve diretamente os Reyes e os Galindo. Toda a trama de mistérios envolvendo Felipe, Dita e o assassinato de Marisol por Happy foi desenrolada, com o toque final ficando por conta da memória eidética (e levemente deus ex machina) de EZ que conecta Dita como mandante direta do ataque há 10 anos. A reação de Edward James Olmos no momento da revelação final foi outro momento em que o ator mostra que merece ser laureado com os prêmios máximos da televisão, já que ele sabe imprimir, em segundos, um misto mais do que convincente de emoções para seu personagem que oscila entre a profunda tristeza, um sentimento lancinante de culpa e, claro, uma ardente raiva que o consome.

2º Lugar: Muluc

2X06

Não só há um bom equilíbrio no uso de cada personagem – Coco e seu rifle sniper, Angel decifrando a mensagem de Marcus e mostrando coragem ao ir sozinho na frente como batedor e Miguel, que se recusa a ficar nos bastidores – como toda a sequência de salvamento é muito bem coreografada, com close-ups sendo intercalados com planos gerais e médios em uma sucessão de se tirar o chapéu. E, quando Marcus, cambaleante, recusa a pistola que lhe é oferecida para terminar de matar Hobart, ato contínuo aceitando o gigantesco alicate das mãos de EZ, foi impossível não soltar um sorriso de satisfação, o que me fez sentir-me imundo – mas feliz, não tem jeito – quando ele finalmente se vinga de seu algoz.

1º Lugar: Xquic

2X05

Xquic realmente não é um episódio que impulsiona a narrativa principal de maneira vertiginosa, além de ser bastante econômico na ação e até mesmo classificável como lento, especialmente em seu começo. No entanto, ele é um belo e muito bem estruturado estudo de personagens que, aqui, são conectados de maneiras diferentes pela bela revolucionária grávida que, heroicamente, entregou-se à polícia para desviar a atenção de Miguel Galindo e, com isso, garantir a continuidade de seu grupo. Ela é a grande âncora que justifica a existência do capítulo e o roteiro de Debra Moore Munoz (do excelente Gato/Mis) faz bom proveito disso ao usar cada oportunidade para, muito singelamente, olhar para a psiquê de cada grande personagem.

 

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.