Lista | Top 15 – Melhores Álbuns Nacionais de 2019

Finalmente chegamos aos últimos dias de 2019 e já é de praxe: é hora também das famosas listas de melhores do ano. Pois seguindo nossa tradição, como fazemos desde 2015, listamos aqui os melhores álbuns nacionais de 2019 (a lista dos álbuns internacionais você confere na próxima semana). Vale lembrar que não há ranking ou ordem de preferência na lista, apenas fazemos questão de listar e recomendar o que consideramos os 15 discos nacionais de maior destaque nesse ano que termina. No ano que encerra a década dos anos 2010, observamos uma enorme quantidade de álbuns brilhantes no cenário nacional, exalando todo o frescor da sonoridade de nossa música popular. E, claro, mais uma vez a música deixou nossas vidas mais leves. Confira, logo abaixo, nossa lista, que vai desde o samba ao rock! Aproveitem e compartilhem conosco suas opiniões nos comentários!

Ladrão – Djonga

Um dos maiores do atual cenário do rap nacional, é difícil encontrar um rapper que rime com a mesma fluidez, sagacidade e inteligência que Djonga. É em Ladrão, seu terceiro álbum, que o mineiro parece chegar em seu ápice lírico com versos políticos extremamente ricos, tiradas cômicas e referências inteligentes. Um artista que não cansa de surpreender, demonstrando um vertiginoso crescimento artístico que cria uma expectativa enorme a cada lançamento. Como o próprio rapper diz, Ladrão é um disco sobre resgate, visto aqui tanto dentro do contexto do hip-hop quanto em um contexto social maior: não se esquecer dos nossos ideais mais importantes em meio a esse tempo de transformações.

Estilo: rap, hip-hop

Little Electric Chicken – Ana Frango Elétrico

A primeira artista brasileira a receber elogios em uma crítica formal do canal americano needle drop merece tudo isso e muito mais. A carioca Ana Frango Elétrico demonstra um talento musical absurdo ao conseguir fazer um som que mistura as mais diferentes (e geniais) influências: o rock de Rita Lee, a energia de Jorge Ben, o samba experimental de Tom Zé e tantas outras cabíveis de citar. Mas a verdade é que Ana consegue ser tão autoral e criativa que não merece ficar na sombra de tais comparações a outros artistas. Little Electric Chicken, seu segundo disco, vindo na sequência do ótimo Mormaço queima, é música brasileira no ápice de seu frescor e da mais alta qualidade.

Estilo: samba, rock, experimental

Boa sorte – Teago Oliveira

Dentro do clássico formato que nos acostumamos a chamar de MPB, o primeiro álbum solo de Teago Oliveira é um dos mais admiráveis que ouvi nos últimos anos. O compositor e vocalista por trás da excelente banda baiana Maglore rumou em 2019 para uma brilhante carreira solo, mantendo o mesmo nível extraordinário de composição que já demonstra há anos, aqui cantando sobre suas experiências, sua terra natal e até suas influências musicais (destaque a Corações em Fúria, uma espetacular canção inspirada em Belchior). Uma obra sensível, tocante e lindíssima, digna da atenção de qualquer ouvinte.

Estilo: MPB

<atrás/além> – O Terno

É fascinante observar a evolução do grupo paulista O Terno desde o ar amador, mas cheio de potencial, de 66 até o recente e artisticamente completo <atrás/além>. É verdade que o quarto álbum da banda bebe bastante das experiências da carreira solo de seu vocalista, Tim Bernardes, mas também expande os conceitos da banda de forma impressionante, inserindo um dos melhores teores líricos que vejo no cenário nacional dos últimos anos. Uma obra que dá voz e encapsula uma geração inteira de forma bela e sutil (Triste geração que pode tudo/ Quando tudo ficou tão banal/ Se afogou no raso procurando/ Profundo no superficial). Diante de letras brilhantes e um instrumental delicado e meticuloso, <atrás/além> é um álbum perfeito dO Terno.

Estilo: rock alternativo, MPB

Planeta Fome – Elza Soares

Essa gigante da música brasileira continua seu brilhante projeto musical nessa década ao lado de um time de músicos e produtores de calibre elevadíssimo. Sequência de Deus é Mulher, Planeta Fome apresenta uma Elza Soares mais política do que nunca e um tanto rockeira. Um trabalho repleto de versos direto ao ponto, canções dominadas por guitarras e inchadas de swing, culminando em uma sonoridade mais efervescente comparada a seus dois álbuns anteriores. Um disco de ATITUDE, assim mesmo, em caps lock, demonstrando uma energia e vivacidade assustadora pra uma mulher de 82 anos – algo que muito artista jovem por aí precisa aprender.

Estilo: MPB, samba rock

Veterano – Nego Gallo

O primeiro álbum do rapper cearense Carlos Gallo – que adota o nome Nego Gallo – é uma das maiores surpresas que tive em 2019. O flow do rapper em Veterano é algo invejável, verdadeiramente de um nível absurdo, além de bem incorporado às rimas sagazes do artista. Junto a esse flow impecável temos uma coleção de beats de imensa criatividade dominando com maestria influências tanto do trap quanto do funk. Veterano é uma das maiores obras do rap nacional nos últimos anos, merecendo que total atenção seja voltada a Nego Gallo.

Estilo: rap, funk

O Futuro Não Demora – Baianasystem

Um disco que exala música brasileira em toda sua personalidade. A verdade é que o som que o Baianasystem produz é um verdadeiro movimento cultural, bem aos moldes de quando o manguebeat surgiu lá nos anos 90 com Chico Science, mas aqui capturando um legítimo som baiano e urbano, incorporando um misto de brasilidades: axé, samba, rap, rock em uma salada sonora essencialmente pop e catártica. Lá em 2016, Guilherme Guedes escrevia no TMDQA que o Baianasystem fazia uma verdadeira revolução no mundo da música nacional, algo que, com o tempo, vem ficando notório pra qualquer um minimamente atento no cenário musical por aqui.

Estilo: axé, samba, pop

Violeta – Terno Rei

Nostalgia, imaginário e sonhos talvez sejam palavras apropriadas para definir o som do Terno Rei. A banda paulista cria texturas sonoras que parecem divagar pelas memórias mais íntimas, viajando pelo passado, se aprofundando no valor e no efeito da solidão ao explorar atmosferas imensamente contemplativas e íntimas. Violeta talvez seja o melhor disco do grupo, criando uma ótima, sincera e legítima experiência sensorial. Se trata de música para se permitir entregar, mergulhando totalmente no imaginário de suas belas linhas de guitarra.

Estilo: rock alternativo

Morri de raiva – Brvnks

A clássica sonoridade de guitarras contemplativas e carregadas de efeitos que viria a definir o shoegaze e o rock alternativo dos anos 90 poucas vezes assumiu em terras tupiniquins uma forma tão perfeita como a explorada por Bruna Guimarães em seu primeiro trabalho de estúdio. A goiana, que assina seu projeto musical como Brvnks, se aprofunda em provocações, memórias e experiências em seu excelente Morri de Raiva. Uma obra que garante completa imersão através do ótimo vocal da cantora e um conjunto de linhas de guitarra absolutamente fascinantes.

Estilo: rock alternativo, shoegaze

ft (pt. 1) – Jaloo

Facilmente um dos maiores produtores da nova geração da música brasileira, o paraense Jaloo possui um talento indiscutível para produzir canções pop, o que permitiu seu destaque na cena indie crescer para públicos cada vez maiores. Ft (pt. 1) mostra a vasta lista de contatos do cantor em um disco totalmente feito de parcerias com outros artistas (Gaby Amarantos, Céu, Karol Conká), um conceito que de forma recorrente costuma não dar tão certo, mas que aqui se prova espetacular diante da absoluta competência de Jaloo como produtor. Um catálogo de canções pop perfeitamente lapidadas, bem compostas e brilhantemente produzidas. Claro, sigo no aguardo da parte 2.

Estilo: Pop, Indie Pop

Rap de Massagem – Hot & Oreia

Hot e Oreia constroem uma magistral estreia com Rap de Massagem. A dupla possui uma autenticidade extraordinária em um trabalho que os expõem com extrema honestidade e liberdade, totalmente a vontade com o ouvinte. Esse é o caminho para os rappers lançarem um álbum de hip-hop que absorve múltiplas influências sonoras ao mesmo tempo que é absurdamente provocador e político, sem papas na língua ou qualquer freio em suas brilhantes rimas. A dupla se prova, definitivamente, uma das grandes revelações da música brasileira, com um humor ácido que muitas vezes instiga e questiona o ouvinte – algo essencial nos dias de hoje.

Estilo: rap, hip-hop

Drik Barbosa – Drik Barbosa

Drik Barbosa chama atenção no rap nacional já faz um tempo, o que faz com que seja surpreendente só agora ter lançado seu primeiro álbum de estúdio. E o que Drik entrega é digno de toda espera e hype, desfilando rimas inteligentes dentro de um flow preciso e muito bem acertado. A rapper ainda aproveita pra absorver muita influência de R&B e soul brasileiro, entregando uma obra que possui um intrínseco ar dançante, repleto de swing. A estreia da rapper paulistana estabelece um patamar altíssimo de qualidade esperado por ela em futuros trabalhos.

Estilo: rap, R&B

Sombrou Dúvida – Boogarins

Boogarins já possui uma discografia invejável, Sombrou Dúvida só é mais uma excelente contribuição a esse catálogo. A banda responsável por puxar a nova safra de psicodelia da música nacional acerta mais uma vez com um trabalho de enorme criatividade sonora, explorando inteligentes colagens musicais, texturas rítmicas instigantes, vocais hipnotizantes e uma atmosfera de sonho completamente imersiva. Diante de uma sequência de quatro ótimos álbuns de estúdio, é com tranquilidade que se pode inserir o Boogarins entre gigantes do rock psicodélico nacional.

Estilo: rock psicodélico

Goela Abaixo – Liniker & Os Caramelows

Eu vivo dizendo que o feito musical de Liniker & Os Caramelows é grandioso, merecendo ser uma das bandas mais aclamadas do atual cenário nacional. Isso porque o típico soul brasileiro que o grupo evoca – outrora dominado por gigantes como Tim Maia, Cassiano, Simonal – é um dos sons que mais parece ter perdido espaço nos últimos anos, muitas vezes esquecido até pelo âmbito indie. Goela Abaixo, o segundo disco de estúdio da banda, expande as qualidades já apresentadas no trabalho de estreia e apresenta uma soul music mega harmoniosa e bem arranjada, inspirada nas melhores influências possíveis que já surgiram pela música nacional.

Estilo: soul, MPB

Harmonize – Hamilton de Holanda Quarteto

Hamilton de Holanda já se consolidou no cenário do samba já faz um tempo, tendo tocado ao lado dos mais diferentes intérpretes nacionais. Mas em seu mais recente trabalho, Harmonize, o bandolinista, junto a sua excelente banda, talvez tenha criado uma de suas melhores obras. O álbum, que conta com 10 canções autorais, apresenta composições de um teor harmônico magnífico, transmitindo uma belíssima paz musical e frescor criativo, mesclando jazz e samba com uma sutileza e maestria que apenas os grandes possuem.

Estilo: samba, jazz, música instrumental

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.