Lista | Os Mais Lidos do Plano Crítico em 2019

plano critico os mais lidos de 2019

Mais um ano juntos, senhoras e senhores! E como de praxe, eis aqui a nossa lista de publicações mais acessadas por vocês, leitores, ao longo do ano. O período de contagem de acessos aqui é entre 1º de janeiro e 30 de dezembro de 2019.

E aí, quantas ou quais dessas publicações vocês leram ou comentaram? Quais vocês nem faziam ideia de que tínhamos publicado? E quais delas espantaram vocês por estarem entre as mais lidos do PC ao longo do ano?

Quero deixar aqui o meu agradecimento, e também em nome de toda a equipe do site, pelos acessos, divulgação e comentários. Uma lista como essa não seria possível sem a presença, as brigas, concordâncias, discordâncias, confabulações, risos e conversas que tivemos no decorrer do ano. Muito obrigado a todos vocês! E agora, vamos aos mais acessados, que dividi por categorias nas abas abaixo.


10. Homem-Aranha: Longe de Casa (Com Spoilers)

Homem-Aranha: Longe de Casa é um filme difícil de julgar pela estranheza que causa e pelo ritmos claudicante que as reviravoltas obrigam a fita a ter. Em retrospecto, é sem dúvida divertido ver a obra começar como um filme B mal-pensado  e ir tomando forma na medida que mini-retcons são inseridos e que nos fazem ver que há uma lógica por trás de tudo.

No entanto, essa lógica é canhestra e executada ali no limite do burocrático, exagerando no texto expositivo e tentando costurar um romance que não conecta de verdade em momento algum. Talvez a versão clássica do Aranha funcione melhor, no final das contas. Mesmo assim, a sensação de ter visto um filme estruturalmente diferente e talvez por isso mesmo tanto estranho como memorável (do seu jeito), permanece.

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9. A Gente Se Vê Ontem

Com cenas de violência policial, violência urbana e conflitos dentro de uma comunidade que podem gerar uma bola de neve de vingança e “prestação de contas”, A Gente Se Vê Ontem consegue ser divertido, emotivo e bem interessante ao mostrar o conceito de viagem no tempo dentro de um ambiente diferente, protagonizado por jovens e brincando com algo bastante sério, fazendo com que a gente se questione: caso pudéssemos viajar para o passado, nós mudaríamos alguma coisa? Deveríamos mudar? O filme tem uma ótima trilha sonora e eu gostei bastante do tom em forte contraste da fotografia, especialmente nas cenas diurnas em plena rua, onde também temos uma variedade de cores em todo o bairro. Pudesse trabalhar melhor os seus conflitos, especialmente no final, o resultado seria ainda mais agradável e divertido.

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8. Vingadores: Ultimato (Sem Spoilers)

Vingadores: Ultimato sem dúvida é o filme que o UCM e seus espectadores mereciam. É uma obra que se desmancha em agradecimentos efusivos a tudo o que foi criado ao longo de 11 anos e a todo o carinho demonstrado pelos fãs de todas as idades que foram sendo amealhados por 22 filmes de variados tons e qualidades. É o melhor filme da franquia até agora? Pelo que ele celebra, sem dúvida que sim, mas, se retirarmos esse fator – que nem sei se deveria ser retirado para ser sincero – ele é “apenas” muito, muito bom. O que me deixa curioso e, ao mesmo tempo, receoso, é imaginar como os estúdios Marvel conseguirão manter essa sua imbatível linha de produção funcionando no mesmo nível de qualidade pela próxima década.

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7. O Menino Que Descobriu o Vento

O engrandecimento, a jornada de edificação, está presente, entretanto, é acompanhada por uma manipulação de grandiosidade bem barata, que expõe a simplicidade do projeto. A exemplo, o trabalho de cinematografia captura muito mais as pequenas belezas, como a iluminação avantajada e uma riqueza cultural notada pontualmente, que as possíveis imundícies, sugeridas com receio por um roteiro que prenuncia evidenciar mais a influência governamental, mas nunca enxerga isso de uma maneira de fato sóbria. Essa estreia em longas continua sendo, ao menos, uma ode à importância da educação, que não deve ser restrita a quem pode, no entanto, universal.

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6. A Favorita

A Favorita é um filme sobre ambição e sobre o que alguém pode fazer para conseguir o que quer. O tema não é novo em dramas históricos, mas aqui ganha um excelente e cômico tempero ligado à sexualidade da rainha e suas protegidas, além de nos fazer acompanhar um governo tipicamente manipulado, tendo na maior voz do país uma frágil (de saúde e emoções) e enciumada figura para quem o poder era um brinquedo difícil. Lanthimos acertou em cheio no seu modo agressivo e um tanto cruel de filmar histórias sobre laços entre pessoas de comportamento difícil. Um modo que combina bem com o tema de A Favorita, onde o maior destaque de todos, por trás da pompa, riqueza e problemas do Reino, é a miséria e a profunda necessidade de cada um dos indivíduos. A boa e velha condição humana, no fim de tudo.

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5. Parasita

De Parasita eu só não gosto do final. O distanciamento do olhar impiedoso do diretor para algo um pouco mais didático e de braços abertos para o verdadeiro tema do conflito do filme trai parcialmente as consequências que o texto reserva para esses personagens. De certa forma, há uma dupla via de interpretação para o que nós vemos no final. Ainda assim, a permissão desse “sonho/desejo” ou de um real “olhar para o futuro“, nessas cenas, interrompem uma jornada quase cínica de pertencimento e não-pertencimento a certas camadas sociais, frustrando um pouco certos caminhos do roteiro. O filme, no entanto, se mantém em altíssimo patamar. Uma imensa surpresa de Bong Joon Ho, que desafia um pouco a si mesmo e problematiza social e emocionalmente o status quo no mais amplo aspecto possível: afinal, quem, nos arranjos de nossa sociedade, é o parasita de quem?

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4. O Irlandês

Na reflexão sobre a vida, sobre o fim de uma Era, sobre a velhice e o contraste da essência calejada de um indivíduo com os novos tempos em torno dele (notem que, nesta mesma safra, Era Uma Vez em… Hollywood e Dor e Glória fazem exatamente a mesma reflexão, em tempos e abordagens distintas) temos por fim a divulgação de uma lenda contrastada com o medo final de seu narrador… e o filme sobre esse dilema, mostrando os últimos momentos de alguém com um passado grandioso. Este é O Homem Que Matou o Facínora da nossa Era, com uma revisão de carreira no crepúsculo de uma década, na mudança do público e do jeito de se produzir, exibir, entender e discutir a Sétima Arte. O Irlandês é um filme histórico feito sob medida para quem realmente ama CINEMA. A obra que concentra a essência do trabalho de Martin Scorsese e apresenta uma linha de abordagem que será melhor compreendida, fortalecida e relevante à medida que o tempo passar. Em outras palavras, eis aqui um clássico.

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3. Vingadores: Ultimato (Com Spoilers)

Ultimato comove por estar constantemente associando-se, em outra instância, ao que o espectador consegue compartilhar consigo, que é a noção de família e grupo, basicamente o cerne que move a complexidade do conceito do super-herói e até mesmo representatividade em um ambiente tão humanista e com pés no chão quanto o da Marvel Comics. Esse sentimento de causa, de missão, de objetivo e unidade é muito importante, por evidenciar algo a que devemos celebrar e lutar por, acreditar como o nosso super-heroísmo do cotidiano. Uma das cenas de Ultimato, aumentando assim como o longa aumenta todas as suas vertentes, também expande o girl power de Guerra Infinita, agora com – quase – todas as personagens femininas do MCU. Eis a mistura entre a grandiosidade de um “evento” com as menores escalas que importam.

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2. Coringa (Com Spoilers)

Depois de ser visto quase o tempo inteiro em meio às sombras, de costas, atrás de objetos ou barreiras, Arthur Fleck acaba desaparecendo. Em seu lugar surge o palhaço do crime, a quem a câmera de Todd Phillips captura de maneira livre e não só em closes: ele é inserido em grandes quadros, num espaço centralizado e, pelo menos uma vez, num plano engrandecedor de baixo para cima (contra-plongée), mostrando a diferença entre o indivíduo que vimos no início e o vilão que vemos no final. É um filme perturbador, diferente das adaptações de quadrinhos a que estamos acostumados, mas que tem tudo a ver com o que o Coringa é e representa. Um estudo de personagem e de seu ambiente que faz todo o sentido ter nascido em tempos como os nossos. Um retrato medonho sobre a crueldade em seu nível mais básico e sobre como a loucura pode estar em qualquer lugar, especialmente nos risos desesperados, exibidos a qualquer custo. É um lado extremo e aterrador da vida, mas é a vida. Então que entrem os palhaços.

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1. Capitã Marvel (Com Spoilers)

Muito antes de ser a Capitã Marvel, Carol era uma garota destemida encontrando seu espaço num mundo de homens. Uma criança, uma adolescente, uma jovem adulta. A transformação em Kree seria o ponto de partida para a personagem, caso todo o seu passado já não presumisse uma jornada de herói. Em terra de faroeste, Danvers atira primeiro. Durante o confronto final entre a protagonista e Yon-Rogg, Brie Larson é quase uma mistura de Clint Eastwood com Harrison Ford, sem precisar provar nada a ninguém – e a trilha sonora brinca, espirituosamente, com melodias de western. Qual garoto não queria ser seus heróis favoritos? Uma mistura perfeita de crença no mito do herói com crença em poder ser o herói, de uma forma ou de outra. Capitã Marvel é a obra mais Marvel que essa saga cinematográfica já trouxe ao mundo. Contudo, essa é mais. Obrigado, Stan.

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10. Rambo IV

Rambo IV é sem dúvida uma produção que cai na categoria das que tentam reviver ícones da Sétima Arte décadas depois de seu auge na eterna tentativa de Hollywood de requentar tudo e não criar nada. Mas o filme surpreende por ter coração e qualidade técnica acima do que notabilizou a franquia depois do sensacional primeiro capítulo. Mesmo que os exageros imperem, exageros esses conscientes e bem realizados, o quarto episódio da saga de John Rambo merece mais crédito do que recebeu à época de seu lançamento nos cinemas.

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9. Os Oito Odiados

Longo, econômico em ação, mas cadenciado e esteticamente virtuoso, Os Oito Odiados é um filme quase inclassificável. Quentin Tarantino colocou-se em uma sinuca de bico cinematográfica de onde saiu triunfante com uma obra diferente, mas ao mesmo tempo familiar em relação a tudo o que veio antes em sua cinematografia. Esse faroeste confinado de mistério em tempo quase real até pode ser odiado por muita gente e não faço julgamentos aqui, mas diria que a experimentação do cineasta pode ser igualmente fascinante do começo ao fim se formos além do que costumeiramente esperamos de Tarantino.

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8. Watchmen – Ultimate Cut

Dentre as três versões existentes do filme, o Ultimate Cut é a que menos me agrada pelas razões expostas, mas que não são nem de longe suficientes para fazer a experiência ruir sob seu peso. No final das contas, quando tudo é levado em consideração, o conjunto funciona, apesar da desarmonia, e acaba aproximando ainda mais a adaptação de sua clássica fonte inspiradora.

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7. No Direction Home: Bob Dylan

O documentário não dá conta das fases posteriores da carreira do músico norte-americano. Sua produção com a The Band e sua vida após se tornar artista elétrico não são o mote aqui. O que Martin Scorsese elucida é mais o caráter e a alma do artista. Do homem que amou a música desde menino e continuou a amá-la do mesmo modo nos anos de estrelato. Do músico que encarnou a militância política em suas letras, em um dos períodos mais críticos da história norte-americana no século XX, ao compositor que se rebelou contra a dominação de outros sobre o seu próprio fazer artístico. De um autêntico nômade musical ao homem que tinha medo de não chegar em casa após um vôo pelo Tennessee. Em busca de um rumo e sem medo de nunca o encontrar.

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6. Bastardos Inglórios

Bastardos Inglórios é imperdível e não só reitera a versatilidade de Tarantino, como, também, representa mais um degrau em sua escada diretorial. Se é o mais alto, talvez só depois, olhando para trás para o conjunto de sua carreira, sejamos capazes de determinar.

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5. Rambo II: A Missão

Rambo II: A Missão é uma bobagem, mas uma bobagem divertida demais que marcou época. Se considerarmos o quanto de paródias e imitações o filme teve ao longo das décadas, é perfeitamente possível concluir que ele está entre os grandes símbolos de sua década, para o mal ou para o bem.

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4. Rambo – Programado Para Matar

Mesmo com o derramamento de lágrimas didáticas ao final, o primeiro filme da franquia Rambo, que ganhou até desenho animado(!!!), é um dos mais completos e bem-acabados exemplos dos filmes de ação oitentistas carregados de testosterona. Um verdadeiro triunfo em sua simplicidade e mensagem que em quase nada lembra as versões turbinadas do mesmo personagem nos dois filmes seguintes ou sua versão aposentada no quarto e (até agora) último capítulo.

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3. Top Gun: Ases Indomáveis

Cada cena, portanto, é um meio para Scott transformar a sua obra em vetor a estímulos e tensões indomáveis. Tanto é que o relacionamento amoroso custa a engatar, mas sempre é sugerido, permanecendo por muito tempo em um ambiente de insinuações e flertes. Quando, muito bem lembrado pelo personagem de Tarantino, Maverick vai à casa de Charlie, espera-se a consumação do interesse amoroso, o que surpreendentemente não acontece. Já na cena do elevador, o protagonista apenas provoca, sem beijar a suas instrutura. Dos apertos de mão às cantorias no bar, cenas com homens de cueca e se provocando,  Top Gun, em muitos sentidos e para muitos públicos distintos, nos deixa sem respirar.

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2. Pulp Fiction – Tempo de Violência

Não é todo filme que consegue esse tipo de façanha: ser um fenômeno pop em sua própria época e, ao mesmo tempo, ser uma obra que demonstra o mais absoluto controle de câmera e de montagem. Pulp Fiction, com toda sua extrema violência (tem pedaços de cérebro no cabelo de Vince e Jules!), é um deleite para os olhos e para os ouvidos, além de ser instrutivo. Afinal de contas, onde mais você poderia saber que, em Amsterdam, eles servem cerveja em copos de vidro no cinema ou que massagem nos pés sempre tem conotação sexual?

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1. Corpo Fechado

Apesar de ser um filme de super-herói, Corpo Fechado é uma obra madura, que explora a fundo as angústias de seus personagens e compreende perfeitamente a mitologia que está abordando, construindo não apenas um grande protagonista, mas também um vilão à altura. Além da ótima história, Shyamalan mostra mais uma vez sua enorme habilidade em conduzir a narrativa e criar uma atmosfera de tensão, mostrando como é um dos diretores mais talentosos de sua geração.

10. Monstro do Pântano (Swamp Thing) – 1X01: Pilot

Diante disso, tenham em mente que estamos lidando com forças da natureza vs. criações humanas perigosas (especialmente em áreas como química, farmácia, biologia e botânica). E que a natureza pode ser tanto uma bênção e um milagre, quanto uma tragédia e uma maldição, podendo trazer vida e morte. Logo, não se espantem com as cenas de violência causadas pelas árvores nem nada do tipo. E também não esperem que o Monstro do Pântano seja moralmente reto a todo o tempo. Nos quadrinhos, em dado momento, ele chega a se vingar matando de propósito algumas pessoas, por motivos totalmente justificáveis. Pelo que vi nesse Piloto, a série deverá respeitar essa dualidade, o que é ótimo. O DC Universe começa mais uma série com o pé direito. E só em constatar que se trata de uma série do Monstro do Pântano que teve um início sólido, instigante e respeitoso com o personagem, me enche de alegria. Depois de Patrulha do Destino, parece que já tenho a minha dose de expectativa heroica da semana. #vemmonstro

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9. Game of Thrones – 8X05: The Bells

The Bells redime Miguel Sapochnik na temporada e entrega o final da linha narrativa de Cersei da maneira que  tinha que ser: com muito fogo, crueldade, mortes, sangue e dor. O jogo de tronos está chegando ao fim, mas o trono em si já perdeu seu significado diante do preço cobrado. Não há guerras bonitas e os showrunners sabem disso.

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8. The Flash – 5X21: The Girl With The Red Lightning

Apostando tudo em cartas marcadas, insistindo nos mesmos erros e perdendo tempo demais brincando de gato e rato e caçando bugigangas, The Girl With The Red Lightining é sobre tudo, menos sobre a garota dos relâmpagos vermelhos. Para falar a verdade, ele não é sobre nada: é mais uma parada obrigatória da temporada antes de chegar ao desfecho, que não parece ter muitas chances de amarrar muito bem as coisas de forma satisfatória. O “melhor” que o espectador tem a esperar a essas alturas é algum teaser a respeito da Crise da CW…

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7. The Handmaid’s Tale – 3X10: Bear Witness

Com uma direção muitíssimo elegante de Daina Reid, que sabe exatamente o quê e como mostrar as coisas a ponto de deixar fúria, curiosidade e outras emoções no espectador, Bear Witness é, em andamento e exposição de personagens, o que essa temporada inteira deveria ter sido. Como disse antes, a rusga do episódio está apenas na motivação direta para a inspeção de Winslow, mas isso é algo que logo se ajusta no propósito do capítulo e resulta em um inteligente concatenador de temáticas. É aquela história: bons roteiros fazem milagres, não descaracterizam personagens ou inserem arcos inúteis na temporada. Será maravilhoso se os três capítulos seguintes seguirem por este mesmo caminho de boas abordagens. Bendito seja o fruto.

p.s.: Janine! Janine! Janineeeeeeeeee!!!

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6. The Handmaid’s Tale – 3X11: Liars

Embora caminhem em ritmos diferentes, com tratamentos estéticos opostos e tendo diferentes consequências para a série, ambos carregam algo de suma importância em termos de ação. A prisão de um lado e um belíssimo assassinato do outro. June agora está lutando exatamente contra quem ela deveria lutar: o sistema. E quando isso resulta em algo positivo… ah, o prazer é todo nosso. A cena do assassinato é uma das mais fortes e mais libertadoras que eu já vi na série e, mesmo que todo o elenco esteja incrível, não dá para não exaltar (mais uma vez!) a grande Elisabeth Moss.

Agora, como sempre, após uma vitória, a reação do sistema virá. Pois que venha. A nossa rainha de gelo está de volta… As mulheres, enfim, se levantarão.

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5. The Handmaid’s Tale – 3X08: Unfit

Unfit foi um episódio difícil e que me deixou estranhamento confuso em relação a como avaliá-lo. Penso que o flashback para Tia Lydia foi decepcionante e que o bloco em Gilead trouxe uma June muito descaracterizada. Ela já se mostrou badass na série sem ser cruel com outras mulheres vítimas dessa sociedade. E eu não gosto dessa nova versão da protagonista. Devemos temer pelo que vem pela frente?

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4. The Handmaid’s Tale – 3X05: Unknown Caller

Caso contrário, temos aqui um indicativo de que a série não está evoluindo e está em perigo. Se for assim, é melhor que acabe. Mas ainda é cedo. Vamos torcer para que boas coisas sejam feitas dessa nova decisão colocada um episódio tão bom como este, mas com consequências que, dependendo da forma como forem trabalhadas, não farão nada bem ao show.

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3. The Handmaid’s Tale – 3X06: Household

Cenas terríveis e dolorosas como o castigo das aias com as argolas nos lábios e a discussão entre Serena e June no Memorial Lincoln, mais a tocante cena entre June e Tia Lydia colocaram ainda mais lenha na fogueira das nossas dúvidas ou raiva. Além disso, temos uma visão geral a respeito dos caminhos que a temporada pode tomar, sempre com interessantes surpresas como a abertura para o passado de Nick, algo que provavelmente deve retornar no próximo episódio. Não tenho certeza se vou curtir tanto o desenvolvido da temporada em torno do dilema de Nichole, mas uma coisa é certa: já temos o episódio candidato a primeiro lugar na lista de melhores deste ano. Bendito seja.

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2. Game of Thrones – 8X03: The Long Night

Mesmo com Sapochnik no leme, The Long Night deixou a desejar naquilo que se tornou sua especialidade, mas quase conseguiu compensar em pequenos detalhes, em construções e desenvolvimentos inesperadamente interessantes para alguns personagens e algumas sequências individuais inspiradas. Seja como for, com o problema dos zumbis agora no passado, talvez a série possa voltar de vez ao jogo de tronos que é realmente seu forte.

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1. The Handmaid’s Tale – 3X12: Sacrifice

E aí temos June, agora em uma mais uma (compreensível e esperada) ação moralmente impactante. Fred deu a letra certinho para Luke sobre como June está agora. De fato, Gilead transforma uma pessoa e June (olha só como é bom empreender uma mudança de maneira orgânica, justificável, narrativamente lógica dentro da série, da temporada e para a jornada da personagem… dá vontade, não é Unfit?) vem passado por remodelações intensas nessa temporada, sendo essa guinada final a que mais se encaixa coerentemente na personagem. E é esta mulher que está organizado uma fuga de crianças de Gilead, prestes a enfraquecer abertamente o sistema. A cena dela com Rita foi uma das coisas mais belas e delicadas do episódio e June está realmente assumindo o seu lugar de liderança. Que mulher, minha gente, que mulher! Que venha agora o final.

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10. Peaky Blinders – 2ª Temporada

A segunda temporada de Peaky Blinders amplia os horizontes de Tommy Shelby e encerra o arco envolvendo Campbell, ao mesmo tempo que eleva o risco para todos os envolvidos. Se a primeira temporada poderia ser vista como o começo da adolescência dos Blinders, essa sem dúvida já os coloca no mundo dos adultos. E isso não é necessariamente uma notícia boa para eles.

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9. O Justiceiro – 2ª Temporada

O Justiceiro era para ser um personagem pão-pão-queijo-queijo, daqueles que não pedem muitos embelezamentos para funcionar nas telonas e telinhas. Se volta e meia temos um John Wick ou um Protetor da vida chegando para mostrar que pancadaria descerebrada pode ser boa, porque logo o Justiceiro precisa ganhar tratamento pseudo-vip com pseudo-intelectualidades para mostrar a pseudo-correção política de seu showrunner? Porque um cara com uma caveira no peito e armado até os dentes precisa hesitar para apertar o gatilho de uma arma apontada para um bandido? Perguntas retóricas, eu sei, mas elas precisam ser feitas de toda forma…

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8. Slasher: Solstice – 3ª Temporada

Uma pergunta, óbvio, fica no ar. Haverá quarta temporada? Creio que seja possível comercialmente, mas os envolvidos precisam ampliar as suas possibilidades para conseguir fazer algo diferente. Não que seja necessário, afinal, os consumidores ávidos do estilo slasher no geral querem ver mortes sangrentas, sexo e nudez, palavrões e coisas do tipo. Isso, portanto, é mais aceitável e passageiro num filme de 90 minutos. Quero ver dar conta de oito episódios e um feixe maior de personagens.

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7. Justiça Jovem – 3ª Temporada: Parte Um

Seja como for, apesar de seus problemas, a tão aguardada terceira temporada de Justiça Jovem funciona bem como a devida continuação do arco narrativo macro anterior e também como veículo de entrada de novos e interessantes personagens. É muito provável que a segunda metade da temporada corrija os problemas detectados aqui, mas só o tempo dirá se minha previsão está correta. De toda forma, há material suficiente na animação para animar a Warner/DC a oferecer vários spin-offs para turbinar seu serviço de streaming.

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6. Stranger Things – 3ª Temporada

O bully que amargura um passado imerso em suas memórias de infância, portanto, é amargurado por ser incompreensível para os outros. Há o namorado que não entende os desafios de sua namorada. Há a namorada que não consegue se expressar em um mundo masculino. O garoto que não consegue deixar de se comunicar e termina, portanto, nada expressando. A garota que não tem espaço para se expressar como indivíduo. A mãe que acumula tragédias, mas não comunica os seus atuais anseios. O pai que tem medo de mudanças, mas não consegue expressar seus temores. Em meio a isso, a temporada usa referências originalmente mais pessimistas para as redefinir em uma abordagem esperançosa. Do quão a restauração da comunicação humana, mesmo no menor pedaço da sociedade, pode impedir o caos e os colapsos.

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5. Peaky Blinders – 3ª Temporada

Peaky Blinders vem em um crescendo de tirar o fôlego. A primeira temporada já imediatamente mostrou a que veio, sendo superada pela segunda em complexidade e amplitude, mas a terceira faz a série chegar a seu ponto mais alto. Chega até ser difícil imaginar como é que ela vai se superar, se é que vai.

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4. Dark – 2ª Temporada

A segunda temporada de Dark tem o mérito de facilitar os mistérios não por explicá-los de maneira simplista, mas sim por fazer-nos viver a mesma situação sob pontos de vista diferentes até que nos “acostumemos” com os conceitos e com os personagens que formam sua estrutura básica. Mas, ao introduzir novos personagens e novos mistérios, alguns deles que realmente mudam nossa percepção de tudo o que foi mostrado até agora, os showrunners arriscam não conseguir encerrá-los a contento (o que não significa necessariamente explicá-los). Mas o que é a vida sem assumirmos riscos, não é mesmo? É a estranheza atmosférica de Dark que paga dividendos e eles são tão gordos e polpudos quanto os riscos que Baran bo Odar e Jantje Friese (e, em última análise, os espectadores) estiverem dispostos a assumir. Que venha a derradeira temporada!

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3. The Boys – 1ª Temporada

A 1ª temporada de The Boys é, portanto, uma grata surpresa mesmo considerando a saturação de séries baseadas em quadrinhos. Há uma baita história ainda a ser contada e esse começo foi exemplar a ponto de superar o material fonte. Agora é torcer para que a qualidade demonstrada aqui seja repetida nas vindouras temporadas, mas sem que a série se estenda para além do que estritamente precisa.

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2. Peaky Blinders – 5ª Temporada

A quinta temporada de Peaky Blinders mais uma vez é bem sucedida em elevar as apostas da série, mergulhando-a profundamente no mar revolto da década em que se insere, além de trabalhar com eficiência o lado psicológico do protagonista. Sem dúvida, porém, a temporada pareceu mais a primeira parte de algo maior e mais longo que talvez nem se resolva completamente na próxima. Foi uma quebra de paradigma para o trabalho que Knight vinha fazendo, mas é só arriscando que se consegue inovar e seu jogo pagou dividendos aqui e promete pagar mais ainda em futuro próximo se ele continuar nessa direção.

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1. The Good Doctor – 2ª Temporada

O mesmo fica como dica para os episódios, cativantes graças aos personagens carismáticos e atualidade dos temas narrados, algo que no entanto, pode encontrar problemas na terceira temporada, pois há necessidade de avanço e diferenciação do que já é feito constantemente em outras séries médicas, afinal, o programa deve buscar sair da linha de cancelamento e o telespectador precisa ter a chance de ver algo diferente da mesmice que se tornou o formato procedural médico, “viciante, mas automático” quando se repete demais e torna a audiência um grupo de pessoas robotizadas diante da mesma história, contada repetidamente por roteiristas, atores e canais televisivos diferentes.

10. Doomsday Clock #10: Ação

Em Ação, temos uma sequência que nos exige máxima atenção devido aos saltos temporais da narrativa de Manhattan (alguém aqui imaginava que seria diferente? Nessa altura do campeonato?), mas em nenhum momento nos deparamos com eventos truncados ou becos sem saída, que jogam no leitor a responsabilidade que deveria ser do roteirista: escrever algo que seja compreensível. Da excelente arte de Gary Frank à “conclusão” da investigação ‘Multiversal‘ (ou ‘Metamultiversal‘) de Manhattan, vemos os muitos caminhos dessa série se afunilarem para uma via única, chegarem ao ponto prometido desde o princípio. Agora nós já sabemos “como” e “por quê“. Até o final de 2019 — se todas as forças do Multiverso nos ajudar — veremos a grande batalha entre os Azulões e a forma como Manhattan, suas criações e anulações mais uma série de outras alterações feitas por ele irão se aglutinar na DC. Impossível não ficar pilhado por isso.

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9. The Boys – Vol. 5: Herogasm

Mesmo que a trama envolvendo o vice-presidente acabe fácil e conveniente demais, pelo menos pelo momento, o arco em seis edições mantém o leitor aceso e curioso o tempo todo, sem dar descanso visual algum e ainda “introduzindo” – he, he, he – uma subtrama breve, mas doentia, para Hughie que fica sem desfecho aqui e que promete ter desdobramentos em futuro próximo. O preço disso é que as sagas e crossovers dos quadrinhos, agora, serão motivos de chacota eterna e não pelas razões usuais…

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8. Doomsday Clock #9: Crise

Ver aquele mutirão de grandes heróis com medo estampado em suas faces ainda quando estavam em suas naves; depois, diante de Manhattan, experimentando o que é lidar com o refinamento da própria noção de energia e poder… é algo que certamente entrará para a nossa lista de momentos inesquecíveis dos quadrinhos (pelo menos para a minha lista vai entrar). Faltam apenas mais três edições para o fim da saga. Eu realmente espero que elas saiam até o Natal de 2099. Até lá, mesmo reclamando, eu não consigo deixar de esperar com gosto, porque, com base no que tive até aqui, sei que vem coisa muito boa pela frente. O Relógio do Apocalipse fazendo valer o medonho tique-taque do tempo criado e recriado por um único Ser.

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7. Superman: Ano Um – Livro Um

Essa “origem definitiva” do Superman está mais para a “origem sonolenta” dele. A não ser que nas próximas duas edições tudo mude radicalmente, será complicado não bater cabeça durante a leitura desse marasmo enrolador que não sai do lugar e, quando sai, erra feio…

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6. Druuna: Morbus Gravis

Desde a sua primeira trama sci-fi, a semente para Druuna (uma pequena história chamada Forse…, publicada na revista Orient Express, em agosto de 1982), Serpieri procurou colocar a mutação, a podridão e tudo aquilo que tem de ruim na humanidade — aliado ao comportamento instintivo, sempre viciado, sempre querendo possuir o que não pode — versus a vida de pessoas que só querem paz. O enredo cava muito mais fundo e a gente tem um contexto de sociedade em crise, à beira da extinção e cuja metade não-contaminada parece ser tão monstruosa como aquela já dominada pelo vírus. Do desejo reprimido ao estupro, Morbus Gravis nos mostra o começo espetacular de uma jornada cuja personagem nasceu e cresceu num mundo que a enganou e dominou. O roteiro de Serpieri funciona bem na relação entre os indivíduos desse mundo podre e o forte erotismo que permeia a obra (poucas exceções às frases bobas e reações de Druuna frente ao perigo) e o resultado final, com uma inesperada revelação digna das grandes ficções científicas, é simplesmente soberbo.

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5. Doomsday Clock #12: Desesperançado do Homem

Como disse no começo, foi um bom encerramento, mas eu não consigo deixar de amargar pontadas de anticlímax e até mesmo a sensação de ter sido parcialmente enganado. Mais uma vez, além do original, o plano de Ozymandias acaba sendo envolto em mistérios e quase morre na praia. A conclusão que a gente tira disso tudo é: pelo amor dos Deus, vamos parar de buscar algum sentido ou ordem na linha do tempo ou nos Universos da DC, porque a editora não vai parar de bagunçar e complicar tudo de novo. Esta é a moral da história.

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4. Doomsday Clock #11: Um Erro Que Dure Toda a Vida

Levando em conta que, exceto pelo Batman (preso) e pela Mulher-Maravilha (levada pelas Amazonas de volta a Themyscira), todos os heróis estão bem afastados do combate na Terra, o que deixa uma interrogação para o estilo que Geoff Johns usará na edição final — e também já espero um tratamento artístico épico de Gary Frank. Será que o autor usará o efeito de grandes sagas onde a cavalaria chega na última hora para salvar uma situação “perdida”… ou esse cheirinho de reboot no ar vai mesmo se escrever através da luta isolada entre esses seres poderosos do Universo DC? Seja lá o que for, meu íntimo desejo é que o autor consiga aproveitar todos os bons cenários que ele criou ao longo dessas onze edições e ponha um valioso fim a este ambicioso projeto. Uma coisa é certa: o Universo DC sofrerá diversas mudanças depois do que acontecer no final de Doomsday Clock. Segurem-se. Vem chumbo por aí.

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3. The Umbrella Academy – Vol. 2: Dallas

The Umbrella Academy: Dallas preenche muitos dos “espaços” propositalmente deixados pelas elipses do volume inaugural e desenvolve seus personagens centrais em uma história enlouquecida e frenética, mas que nunca quebra seu ritmo constante. É sandice do começo ao fim, mas não se poderia esperar menos do segundo capítulo das aventuras dessa gente estranha que nasceu das mentes deliciosamente esquisitas de Gerard Way e Gabriel Bá.

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2. X-Men (2019) #1: Pax Krakoa

X-Men #1 continua a trilhar o certeiro caminho estabelecido por Hickman em seus prelúdios em uma história que não se arrisca muito, mas entrega algo diferente, notadamente para uma primeira edição. A Pax Krakoa, porém, não me parece algo sustentável por muito tempo e será mais do que interessante ver tudo ruir…

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1. Motoqueiro Fantasma Cósmico Destrói a História da Marvel

Como disse na crítica da primeira minissérie solo do Motoqueiro Fantasma Cósmico, o personagem parece-me ser aqueles de uma tecla só e essa segunda mini prova isso. Mas é claro que um roteiro mais azeitado e mais cuidadoso ainda poderia ter extraído coisa boa do personagem sem fazê-lo necessariamente repetir constantemente seu jeito ruidoso de ser. Mas, mesmo com diversos problemas, há material interessante para ser achado aqui, como em uma procura de tesouros e referências da história do Universo Marvel.

 

10. Conan, o Bárbaro: A Cidadela Escarlate, de Robert E. Howard

Ainda vale citar que esta é uma das raras vezes onde vemos um feiticeiro (no caso, Pelias) se tornar aliado de Conan, e é engraçado que o personagem, mesmo estando ao lado de um mago que não o está desafiando, se sente desconfortável. Sua trajetória de vida mostra claramente o por quê dessa desconfiança e, a despeito do próprio Pelias, os tenebrosos eventos presentes — que vão de um breve olhar para o inferno até uma impossível batalha pelo trono e por um reino — são uma grande prova disso, fazendo de A Cidadela Escarlate uma amedrontadora, instigante e inesquecível história.

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9. Messias de Duna, de Frank Herbert

Messias de Duna é carregado de perguntas que Frank Herbert deixa no ar propositalmente, desafiando-nos a procurar respostas olhando para o presente. O segundo capítulo da saga Duna coloca em xeque o que esperamos de um herói e joga em nosso colo a função cada vez mais “esquecida” de pensar por nós mesmos, sem seguir pensamentos de essa ou aquela pessoa. É difícil, mas é essencial.

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8. Perdoando Deus, de Clarice Lispector

Perdoando Deus é uma grande oportunidade de compreender que a existência não permite facilitações nem soluções. A personagem termina por perdoar não a Deus, mas a si própria por ter imaginado a vida humana como processo embelezável. A existência segue como um inesgotável escândalo.

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7. Nós Matamos o Cão Tinhoso!, de Luís Bernardo Honwana

O cão tinhoso serve de figura para o regime colonial apodrecido, nojento; mas também traz a imagem do negro africano visto da mesma forma, e que por incomodar demais (lembremos do período em que o conto foi escrito), precisa ser morto. Aqui, a ação descrita no título serve como um choque de amadurecimento para os meninos e para a Isaura, que tanto zelou pelo bicho. Um rito de passagem armado, contra uma vida e a mando de terceiros. Certamente o produto de um tempo de guerra e que esclarece a forma como aquele período moldava mentalidades, expunha verdades sociais e criava a figura de um cão tinhoso histórico, que em breve entraria para os livros como vítimas da guerra, sendo seus algozes perdoados porque só estavam ali, de armas em punho, a mando de uma autoridade maior. No fim das contas, as ordens para o massacre se perdem, viram ecos. Os mortos, viram história. E seus descendentes, seguem convidados a trocar resolução de problemas por desenhos…

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6. Celular, de Stephen King

Sendo relativamente enxuto (em nenhum momento senti que o autor tentava esticar a história mais do que devia, sendo este um dos livros mais objetivos de Stephen King), Celular vale a leitura. Não está entre as grandes obras de escritor, mas é um ótimo entretenimento, que traz personagens carismáticos, momentos bem construídos de tensão e terror, e apresenta boas doses de ficção científica, ainda fazendo uma crítica sobre a nossa dependência tecnológica que é ainda mais relevante hoje do que na época da publicação. Decididamente, uma ótima abordagem para o tão desgastado cenário do apocalipse zumbi.

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5. Akhenaton, de Agatha Christie

Exceto por alguns problemas de ritmo nas Cenas 2 e 3 do Segundo Ato e pelo Epílogo totalmente sem graça, Akhenaton é uma absurda surpresa para qualquer fã de Agatha Christie. Uma peça curta, cheia de acontecimentos capazes de nos deixar roendo as unhas para saber o que acontece a seguir e com uma boa segurada do drama por parte da autora, algo que se deve olhar com atenção porque este cenário não era a sua especialidade (nem em tempo histórico nem em tema geral, ou seja, História), mas que ela conseguiu explorar de maneira exemplar. Infelizmente não é uma obra muito conhecida da autora, mas certamente é uma de suas melhores.

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4. A Ilha Perdida, de Maria José Dupré

Como disse antes, a obra tem a aura do tempo em que foi escrita, mas em vários aspectos se conecta com o leitor contemporâneo, especialmente no que diz respeito aos dilemas e à oposição de forças entre homem e natureza. Por se tratar de crianças no meio dessa aventura selvagem, procurando sobreviver aos reais perigos da mata e, depois, o maravilhamento que temos em torno de uma delas, é impossível não se apegar fortemente à história. Não é à toa que o livro perdura até hoje na memória dos que o leram e, espero eu, que ainda faça a alegria de muitas crianças e adolescentes que o descobrirem no futuro.

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3. O Velho e O Mar, de Ernest Hemingway

Contemporaneamente, Hemingway e seu “velho” habitam o imaginário cultural e são constantemente estudados, reeditados, traduzidos, lidos e relidos, bem como veiculados pela indústria do turismo para fornecer aura memorialística e intelectual para drinks e museu em Cuba e nos Estados Unidos. A experiência de derrota de Santiago ganhou uma dimensão profunda no interior do romance, mas na vida real, rendeu um escritor talentoso que até então tinha sido considerado um dos esquecidos pela crítica e pelo público.

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2. Imperador Deus de Duna, de Frank Herbert

Imperador Deus de Duna é um verdadeiro desafio para o leitor, mesmo para aqueles que, como eu, adoraram os livros anteriores. Frank Herbert muda sua narrativa, imobiliza o protagonista (e o desfigura fisicamente), faz a ação propriamente dita quase que desaparecer por completo e nos pede que, assim como Moneo e Idaho, “escutemos” as lições de Leto II nesse mundo estranho, mas ao mesmo tempo familiar que ele cria em cima da pura bizarrice desse seu futuro distante.

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1. Os Testamentos, de Margaret Atwood

Seja quais tenham sido os fatores que levaram Margaret Atwood a escrever Os Testamentos, a grande verdade é que, mesmo que uma boa parte do livro foque no esmiuçamento daquilo que ela já havia apresentado e discutido, a autora soube dar uma roupagem muito boa ao seu trabalho, saindo do óbvio, que seria simplesmente continuar diretamente a história de Offred, e focando em três personagens, com apenas uma já conhecida de seu público leitor. Com isso, ela traz suficiente frescor narrativo capaz de manter o leitor alerta e sempre curioso pelo que acontecerá, mesmo que, no clímax, Atwood tenha falhado em criar momentos de ação e tensão que realmente funcionem em toda sua plenitude.

 

10. Séries Marvel-Netflix: As Temporadas Ranqueadas

Depois de breves cinco anos, a parceria da Marvel com a Netflix acabou, legando-nos 12 temporadas de cinco séries e uma minissérie que trouxe para as telinhas os mais importantes heróis urbanos da Marvel Comics: Demolidor, Jessica Jones, Justiceiro, Luke Cage e Punho de Ferro. A variação de qualidade entre uma série e outra, entre uma temporada e outra foi muito grande, com adaptações espetaculares vivendo lado-a-lado com adaptações tenebrosas. No entanto, tenho para mim que o saldo final da experiência como um todo tenha sido positivo e essa pequena era do Universo Cinematográfico Marvel deixará saudades.

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9. Top 10: Os Piores Melhores Filmes do Oscar

Tenho convicção de que a lista abaixo é potencialmente polêmica, mas essa, às vezes, é a essência de listas pessoais como essa, além de ficar mais divertido fazê-las já sabendo disso. E sim, esse Top 10 aqui é a minha lista pessoal olhando para 90 anos de cerimônias do Oscar e tendo assistido a todos os concorrentes ao longo de uma vida. E, como toda lista, não existe certo ou errado, ainda que tenha sido extremamente difícil escolher “só” 10 exemplos (ainda que eu tenha tomado minhas liberdades lá no final…). De toda forma, a lista está aqui justamente para atiçar a curiosidade e permitir o diálogo e, claro, aquela pancadaria simpática nos comentários, pois ninguém é de ferro…

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8. As 20 Melhores Séries de 2019

As regras para a indicação na lista mantiveram-se tal qual a dos anos anteriores: contamos séries e minisséries que terminaram suas temporadas em 2019. Participaram da composição desta lista as versões de melhores do ano enviadas por Ritter Fan, além da minha própria.

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7. Top 10 – Os Melhores Vilões dos Vingadores

Os Vingadores é uma das equipes mais relevantes do Universo Marvel, quiçá a mais, reconhecida como a primeira proteção da Terra a invasores externos e internos. Portanto, é natural que ameaças sejam rotineiras para esses personagens tão super-poderosos, precisando enfrentar inimigos de todas as frentes possíveis e impossíveis. Pensando nos mais de cinquenta anos que os Vingadores possuem como responsáveis pela segurança da nossa realidade, eis a nossa lista citando os melhores vilões da super-equipe, baseada em consequências, importância e constância.plano crítico capitão américa

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6. Vingadores: Ultimato – Teoria das Múltiplas Realidades

Vingadores: Ultimato já estreou nos cinemas e continua comovendo uma grande quantidade dos seus espectadores. Mas o longa-metragem também está causando um quebra-cabeça complexo nas cabeças das pessoas, por tratar de um dos impasses mais clássicos da Ficção: a viagem no tempo. Caso existissem verdadeiramente máquinas do tempo e viajantes temporais, como atravessariam as barreiras que separam o Passado, o presente e o Futuro? Essa é uma pergunta, porém, a que eu não possuo respostas para dar a vocês, por entender pouquíssimo de Física – e crer, paralelamente, que ainda não existem respostas concretas a isso. Porém, pautando-se em conceitos usados pela Ficção, um dos mais “prováveis” é justamente o usado por Vingadores: Ultimato: o estabelecimento de Múltiplas Realidades. Mesmo que provada mentirosa, sem qualquer respaldo científico, essa teoria é uma das mais coerentes – entre as já usadas em obras de Ficção.

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5. Vingadores: Ultimato – Referências e Easter-Eggs

Vingadores: Ultimato é uma catarse para todos os entusiastas do Universo Cinematográfico Marvel, bombardeado por um monte de referências às obras anteriores, aos quadrinhos e à cultura popular. Como conta com viagem no tempo, o prato está cheio para os espectadores revisitarem o que aconteceu anteriormente na franquia. Pois chega um ponto, com mais de vinte filmes já estabelecidos, que esses longas não mais precisam homenagear apenas os quadrinhos, mas se auto-homenagearem também, e nenhum espaço é mais propício para isso que o encerramento da primeiríssima grande saga dos cinema de super-herói. Quer vejam isso como uma característica positiva ou negativa – ao menos nossas críticas gostaram de como os Russo trabalharam -, a quantidade de referências é muito mais do que digna para Ultimato receber um compiladão desse!

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4. Gotham – 5ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Gotham encerra-se justamente com a sua pior temporada. Mesmo que tenha começado bem, os arcos dos personagens foram perdendo vigor, a repetitividade cansando os espectadores e a preguiça do roteiro parando de sustentar uma premissa até interessante. Essa quinta temporada, no caso, tinha começado com o pretexto de uma terra de ninguém, governada por gangues e super-vilões do crime. Gotham não apenas desiste de explorar isso como prefere recriar uma espécie de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, mas de maneira porca e sem qualquer inventividade.

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3. Top 10 – As Melhores Super-Heroínas da Marvel Comics

Se eu tivesse que fazer um Top 10 de listas difíceis de fazer, várias delas seriam compostas de “melhores ou piores personagens de quadrinhos”. São tantos e tão variados, que limitar a apenas 10 é uma tarefa árdua. Mas o exercício é muito divertido, mesmo sabendo – e sofrendo – pelas ausências que fatalmente ocorrerão.

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2. Capitã Marvel – Referências, Easter-Eggs e as Cenas Pós-Créditos

Capitã Marvel é o primeiro filme do Universo Cinematográfico Marvel a ter uma super-heroína como protagonista solo, mostrando que, mesmo tardiamente, a Marvel Studios pretende investir em toda a diversidade possível. Não é um dos melhores filmes do UCM, mas é uma obra de origem consistente que introduz uma personagem que tem tudo para ser muito importante para o futuro desse universo compartilhado. Como é costume, há uma boa quantidade de referências na projeção tanto ao UCM quanto aos quadrinhos, das mais óbvias até as mais obscuras e, também como de praxe, nós reunimos todas as que  achamos em nosso tradicional Entenda Melhor pós-filme.

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1. Top 10 – Os Melhores Membros dos Vingadores

Os Vingadores é uma das equipes mais conhecidas entre o mundo dos super-heróis, tendo sido criada em 1963 numa revista própria, por Stan Lee e Jack Kirby, como uma reunião de vários nomes famosos da Marvel Comics. O Homem de Ferro, o Incrível Hulk, o Poderoso Thor, a Vespa e o Homem-Formiga, nessa primeiríssima edição, se uniam para combater o Deus da Trapaça, Loki – é uma premissa que remeteria, pontualmente, à adaptação cinematográfica do super-grupo.

plano crítico os vingadores reunidos

  

10. Definitely Maybe – Oasis

Definitely Maybe colocou o nome do Oasis na rota do rock da década de 90 e inscreveu o nome do grupo nas páginas de qualquer livro sobre o tema. O que Noel e Liam conseguiram aqui talvez nunca mais tenham alcançado. Num futuro longínquo e hipotético, em que o rock supostamente tivesse deixado de existir, talvez fosse esse um dos bons discos para presentear alguém que quisesse descobrir o que havia sido esse gênero musical, cuja história se confunde tanto com a própria história do último século.

oasis plano crítico

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9. Dancing Queen – Cher

Em suma, um álbum “cheio de vida”, tal como a sua artista. Cher, num momento brilhante de sua vida, com um musical debruçado sobre a sua biografia prestes a estrear na Broadway e com novos planos para outros covers do ABBA, demonstra para o público que ainda é muito relevante e talentosa, lenda viva do pop, mulher de carreira marcante e inspiradora.

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8. (What’s the Story) Morning Glory? – Oasis

Se Definitely Maybe começa com a esperança de concretizar o sonho de ser um rock star, agora o Oasis o tornava mais real do que nunca. Era preciso despertar do sonho e entendê-lo como um caminho sem volta. Ou nas palavras do próprio Noel em Morging Glory: “I need a little time to wake up”(What’s The Story) Morning Glory? é possivelmente o mais conhecido álbum da banda de Manchester, ombreando em termos de qualidade com o disco de estreia de forma quase inequívoca. Depois de dois magníficos trabalhos, concebidos no esplendor no rock dos anos 90, o Oasis não conseguria mais repetir os mesmos feitos. O que viria a seguir, contudo, consolidaria os irmãos Gallagher como dois dos últimos expoentes vivos do rock mundial. E isso, sem dúvidas, não é pouco.

(What's the Story) Morning Glory?" - Oasis

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7. i,i – Bon Iver

Entre as letras nebulosas para interpretação, o instrumental de Bon Iver é o que realmente dita os sentimentos e interpretações do álbum. E, a julgar pelos belos arranjos contemplativos inseridos aqui, Vernon sugere à audiência tentar ser um pouco mais otimista e olhar para o lado positivo em meio aos conflitos e transformações em nossas vidas. “Parte da vida parece boa, não é mesmo?” – afirma em um dos versos do brilhante encerramento de RAbi. Se trata de um ciclo de belas estações chegando ao fim de forma praticamente impecável.

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6. The Lion King: The Gift – Beyoncé

Em uma estrutura onde cada faixa é intercalada por um interlude de cena do longa, a fluidez do disco perde sérios pontos e talvez seja o maior problema. Não exatamente pela escolha em si – afinal, vários artistas já souberam realizar esse tipo de formato com sucesso – mas por ficar longe de soar orgânico. De qualquer forma, The Lion King: The Gift serve pra oferecer algumas ótimas canções da cantora, revelar interessantes artistas desconhecidos e expandir seu lado como curadora. Um importante passo dado, ainda que falho.

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5. thank u, next – Ariana Grande

Thank u, next pode não ser uma obra pop tão redonda quanto Dangerous Woman, ou uma proposta alternativa tão acertada quanto Sweetener, mas satisfará facilmente tanto a tribo dos que gostaram quanto a dos que não gostaram do álbum anterior da cantora. Ariana continua a surpreender construindo uma discografia de músicas pop precisamente lapidadas e bem estruturadas, além de já deixar curiosas pistas de ousadia para o que pode oferecer em seus próximos trabalhos.

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4. Norman Fucking Rockwell – Lana Del Rey

É interessante observar a evolução artística de Lana Del Rey. Alguém com o respaldo na indústria, visão, talento e conhecimento musical como o dela era apenas questão de tempo até lançar o famoso “trabalho definitivo” de sua carreira. E, a julgar pelas declarações da cantora, que já prevê lançamento de um novo disco para ano que vem, podemos ainda estar diante de obras ainda melhores e mais surpreendentes. De qualquer forma, o feito de Lana em seu sexto álbum de estúdio já demonstra o tamanho da artista que estamos acompanhando.

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3. Jesus Is King – Kanye West

Jesus Is King já demonstra ser um dos discos mais divisivos e controversos de Kanye. Tal como em 808s and Heartbreak, mais uma vez o rapper expande nossa percepção de como um álbum de hip-hop pode ser. Assim como foi com o disco de 2008, profundamente injustiçado em seu lançamento e hoje inegavelmente um dos que mais influenciaram o gênero, apostaria que há grandes chances de JIK gerar uma tendência futura por trabalhos de abordagem mais espiritual. Se a conversão religiosa de Kanye é apenas mais uma de suas fases, ou algo que perdurará por muito tempo, é difícil afirmar com precisão. A única certeza é que, enquanto o rapper permanecer com seu incessável desejo por provocar, distorcer e experimentar dentro do hip-hop, podemos confiar nele.

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2. Madame X – Madonna

Basta acompanhar as críticas dos álbuns antecessores da artista para perceber o equilíbrio no ponto de vista. Confesso o valor musical de algumas incursões de Madonna, mas por exemplo, não me conectei devidamente com as ideias de Erotica e Ray of Light, dois álbuns bem conceituais, mas que digamos, não “faz meu tipo”. Isso não me impede de reconhecer o valor artístico de cada um, poderosos como Madame X, álbum intenso, irreverente, relativamente esquisito, mas necessário para a música pop, para a reafirmação de Madonna enquanto uma das mulheres artistas mais relevantes das últimas décadas e a comprovação absoluta de que o pop pode mesclar entretenimento e engajamento político sem precisar perder a classe e o conteúdo. Madonna é e sempre será múltipla, épica e única.

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1. Ladrão – Djonga

Por fim, Falcão é a síntese final de Djonga fazendo alusão aos resultados de um recente passado (“É, esse ano foi estranho”), ao mesmo tempo que mantém uma perspectiva de firmeza a respeito do futuro e de suas convicções. O artista deixa os últimos segundos do álbum reservados para um sample de Elis Regina e sua clássica Romaria, que ressoa perfeitamente com os temas explorados pelo rapper, fechando a obra com um olhar um tanto agridoce. Ladrão é Djonga caminhando cada vez mais em direção ao ápice e cravando que pouquíssimos possuem uma lírica comparável a dele. É um resgate para com a essência do rap em sua forma mais honesta. Um olhar direcionado a como e onde o gênero começou, de forma que não perca sua principal motivação: ser voz.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.