Home ColunasLista | Os Melhores Filmes de 2025 – Kevin Rick

Lista | Os Melhores Filmes de 2025 – Kevin Rick

Famílias em conflito.

por Kevin Rick
777 views

Foram elegíveis para esta lista, apenas: o que foi OFICIALMENTE lançado nos cinemas brasileiros em 2025; o que foi lançado nos streamings e VODs OFICIALMENTE acessíveis no Brasil em 2025 (ou seja, HBO Max, Hulu e iTunes com conta americana estão fora); o que foi exibido OFICIALMENTE em Festivais brasileiros em 2025 ou filmes de festivais que foram OFICIALMENTE acessíveis a partir do Brasil.

***

Diferente de 2024, acredito que, em 2025, consegui conferir boa parcela dos melhores filmes do ano ou pelo menos os mais cotados do período de premiação. Sigo um pouco mais voltado para o universo televisivo em seu mar de séries infindável que só aumenta a cada ano, mas fiquei relativamente feliz com minha trajetória cinéfila ao longo deste ano, não apenas em relação aos lançamentos, mas também pelo que vi em termos de catálogos. Talvez faltou apenas um foco maior da minha parte no cinema independente e estrangeiro, mas não dá pra ver tudo hehe.

Dito isso, inicialmente pensava que 2025 tinha sido um ano relativamente fraco em termos qualitativos. Da minha perspectiva, não tivemos nenhuma obra-prima esse ano, por exemplo. Mas pensando e refletindo um pouco melhor, percebo que tivemos uma tendência ao longo do ano de retornar a termos filmes e não apenas conteúdo, se conseguem me entender, em especial com o retorno de obras autorais para as telonas. É notável o crescimento do cinema independente através dos serviços de streaming também. Sei que todo mundo gosta de bater nos lançamentos digitais – e concordo que o lançamento nas telonas é, sim , melhor -, mas aprecio a crescente democratização e visibilidade dada pelos streamings, quando em complementação e não substituição dos cinemas de verdade.

Espero que 2026 seja mais um ano de grandes lançamentos cinematográficos autorais (Spielberg e Nolan estão aí, puxando uma fila interessante de produções para o próximo ano), e que blockbusters genéricos continuem perdendo espaço. Também espero que o próximo ano seja mais gentil com as animações, porque 2025 bateu um pouco nesse tipo de produção. No mais, segue abaixo minha lista, sendo que evitei colocar filmes de bonequinhos (apesar das más línguas, foi um ótimo ano para os heróis), e também não quis colocar nenhum filme que só passou em festival por aqui, como Hamnet ou Marty Supreme. Confira logo a seguir minha seleção e deixe seus comentários!

10º – The Mastermind (2025)

Kelly Reichardt | Estados Unidos | 2025

The Mastermind manipula nossas expectativas a partir de uma premissa conhecida e faz um belíssimo estudo de personagem que é um eco de um país na época em o filme se passa e que, em muitos aspectos, vale para os conturbados dias atuais. Mais uma vez, Kelly Reichardt entrega um filme contemplativo em seu estilo rigoroso e minimalista que faz a tela transbordar com emoções contidas, com verdades não ditas e com imagens belíssimas que pedem meditação por parte do espectador. Até podemos considerar que se trata mesmo de um filme de roubo, mas a grande diferença é que o butim, aqui, é profundamente emocional.

.

9º – Sonhos de Trem

Clint Bentley | Estados Unidos | 2025

A dupla Clint Bentley e Greg Kwedar, responsável pelo belíssimo longa prisional Sing Sing, retorna com Sonhos de Trem, mas com Bentley e não Kwedar na direção, novamente oferecendo uma obra para contemplação e para ser absorvida com calma e vagar pelo espectador. Baseado em aclamada novela de Denis Johnson, o filme é uma jornada pelos 80 anos de vida de Robert Grainier (Joel Edgerton) do final do século XIX até o final de 1968, que funciona também como um retrato das transformações profundas sofridas pelos Estados Unidos no mesmo período, um país ainda sofrendo por ecos divisivos da Guerra Civil, terminando sua malha ferroviária e, no processo industrial, devastando suas florestas. É um épico geracional, mas um épico visto a partir do ponto de vista micro e pessoal de um homem comum vivendo uma vida comum.

.

8º – Twinless – Um Gêmeo a Menos

James Sweeney | Estados Unidos | 2025

Todas as peças se encaixam bem, mesmo que, por vezes, Sweeney pareça sentir a obrigação de esmiuçar detalhes que talvez pudessem ficar apenas subentendidos e o que ele acaba entregando com Twinless é uma inspiradora jornada em que almas solitárias encontram-se e improvavelmente se completam em uma relação repleta de amizade e de conflitos. Como um poema inspirador sendo declamado, o filme abraça forte o luto e a solidão e indica que há uma luz no fim do túnel, afinal de contas.

.

7º – Morra, Amor

Lynne Ramsay | Estados Unidos | 2025

É um filme difícil em diversos sentidos, devastador e profundamente humano. Não nos pede para julgar Grace, mas para acompanhá-la até o limite daquilo que ela consegue suportar. E, no fim, talvez seja esse o maior horror: perceber que a protagonista poderia ter sido salva, se alguém tivesse realmente escutado antes de apenas olhar. Se Morra, Amor é tão devastador emocionalmente, muito disso vem do modo como sua direção e sua concepção estética moldam a subjetividade de Grace. O filme poderia facilmente cair no melodrama ou na caricatura de “mulher à beira de um ataque de nervos”, mas a cineasta entende que o colapso mental não se expressa em explosões, e sim em gestos mínimos, silêncios, e uma câmera que observa mais do que explica.

.

6º – Valor Sentimental

Joachim Trier | Noruega, França, Suécia, Dinamarca, Alemanha, Reino Unido | 2025

No balanço, Valor Sentimental é um filme maduro, engraçado quando precisa ser, triste sem chantagem emocional e tecnicamente refinado de ponta a ponta. Ele talvez não vá até o fundo do poço emocional que insinua, mas talvez essa seja a escolha estética de Trier: filmar a dor com a mesma civilidade e sutileza com que a família tenta esconder que está quebrando. Mesmo com suas contenções, fica a sensação rara de ver um drama que entende que memória não é passado: é uma casa em que a gente continua morando, mesmo quando diz que já foi embora.

.

5º – Pecadores

Ryan Coogler | Estados Unidos | 2025

Mesmo com essas ressalvas, Pecadores é inegavelmente uma obra que foge do padrão para seu típico filme vampiresco, não tanto pelas criaturas ou a mitologia em torno delas, mas do que está por trás do terror e do ataque dos bebedores de sangue, que, aqui, representam destruições de outra ordem, acompanhados por um trabalho musical e histórico que encanta em suas sensações líricas e que te faz pensar em seu subtexto denso e rico. Ryan Coogler sempre foi um diretor que soube andar entre o autoral e o enlatado de grandes franquias, então é apropriado que sua primeira obra de grande porte completamente (ou pelo menos parcialmente, porque ainda é um filme de um grande estúdio) sem amarras seja sua produção tematicamente mais madura, profunda e provocativa, além de ser muito divertido de assistir em toda sua variedade de estilos e mistura de narrativas. Quando o pesadelo acaba, a resistência cultural e social parece ter uma vitória agridoce, porém sensível no sacrifício, enquanto a imortalidade artística jaz na condenação da alma. Não dá para julgar, até porque o pecador muitas das vezes é produto do seu meio, mas fica claro que o acordo com o diabo cobra alto. É triste quando a fuga da opressão é a corrupção.

.

4º – Uma Batalha Após a Outra

Paul Thomas Anderson | Estados Unidos | 2025

Mesmo assim, o saldo final é mais do que positivo. Uma Batalha Após a Outra é uma obra ambiciosa, cheia de destaques formais e com uma tremenda energia narrativa, que arrisca sem perder a coesão, que mistura humor, choro e tensão de forma ousada, até mesmo flertando com a sátira. É um filme que seduz pela sensação de que o cinema ainda pode ser aventura e ideologia, não apenas espetáculo vazio, caminhando num terreno atualmente quase infértil entre crítica social e cinema inventivo. Se não é obra-prima, é obra grande; e obras grandes merecem ser vistas, debatidas, somadas e inspiradas. Gosto de pensar que, para Anderson, esse é o filme em que ele tomou o caos como matéria-prima. E, mesmo entre tropeços, deu certo.

.

3º – O Agente Secreto

Kleber Mendonça Filho | Brasil, França, Países Baixos, Alemanha | 2025

No entanto, um encerramento menos do que perfeito de um épico de outra forma quase irretocável não é um  problema realmente sério e O Agente Secreto triunfa como um thriller de queima lenta que nos deixa ver um aspecto pouco explorado da ditadura em meio a uma história carregada de vigor narrativo e apuro estético, com um fenomenal trabalho dramático de Wagner Moura. Kleber Mendonça Filho, com “apenas” seis longas em sua filmografia, sedimenta-se como um daqueles raros cineastas modernos incapazes de oferecer menos do que pérolas cinematográficas aos espectadores, algo que já fica evidente aqui antes mesmo de a cena no posto de gasolina de beira de estrada acabar, mas que é reiterado sucessivas vezes até os créditos começarem a subir.

.

2º – Foi Apenas Um Acidente

Jafar Panahi | Irã, França, Luxemburgo, Estados Unidos | 2025

O acidente do título recorta um grupo de pessoas e cria uma rede de conexões traumáticas que buscam pelo menos entender quem estava por trás dos piores momentos de suas vidas. Não existe, na verdade, um plano geral. Existe a vontade de saber. De entender. Porque nenhuma dessas pessoas consegue lidar com aquilo que não podem remediar. Elas não sabem o que fazer com aquilo que não pode mais ser desfeito. Porque “o que foi feito” está em seus corpos, em suas memórias, em seus sentimentos. O quanto isso não está contaminado pelo ódio ou pelas nuvens do tempo, nós não sabemos. Mas temos a certeza de que, para transformar pessoas comuns em cruéis aterrorizadores que vão usar de todas as zonas cinzentas para justificar seus atos, basta um pequeno acidente. E toda a cadeia de eventos que daí surge, vira trauma e história.

.

1º – Frankenstein (2025)

Guillermo del Toro | Estados Unidos | 2025

Del Toro entende que a história de Frankenstein não é sobre a morte, mas sobre o abandono. A criatura não busca vingança; busca pertencimento. Quando descobre, nas anotações de Victor, a origem de seu corpo, o horror não é físico, mas existencial. Ele percebe que foi criado não para ser amado, mas para provar uma tese. O choque entre a razão do criador e o sentimento da criatura é o verdadeiro centro filosófico do filme.

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais