Favoritos do Plano Crítico | Diretores

E lá vamos nós outra vez, fundir os neurônios com mais uma lista. Só que dessa vez a coisa é ainda mais pessoal do que em todos os outros casos. Porque esta é uma LISTA DE FAVORITOS, sendo considerados cineastas de qualquer época da História do Cinema, vivos ou já falecidos. As listas estão acompanhadas do nome do cineasta, seu ano de nascimento e, se for o caso, de morte; além de seu país de nascimento e seus primeiros, principais e últimos filmes.

NOTA: Esta é uma versão 2.0 da lista. A primeira publicação aconteceu em janeiro de 2015, com uma estrutura completamente diferente (para começar, era um TOP 5 e não TOP 10) e com muita gente diferente na equipe. Hoje, cinco anos depois, trago a versão atualizada e acrescida de novos comentários e indicações! Vocês também vão notar que fiz uma marcação na seção de comentários, separando visualmente as participações feitas pré e pós a publicação desta segunda versão. Não se esqueçam de comentar abaixo e deixar também a sua lista de 10 diretores favoritos! Divirtam-se!


RITTER FAN

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Fiz umas 15 listas de dez diretores favoritos até chegar nessa abaixo. Não esperava muita dificuldade, mas acabei tendo problemas com nomes que eu simplesmente não poderia deixar de fora como Francis Ford CoppolaMartin Scorsese, Billy Wilder, Fritz Lang, Yasujiro Ozu, Satyajit Ray e Steven Spielberg, isso só para citar alguns. Mas não teve jeito. Tive que cortar na carne. Foi um sofrimento terrível, mas passei a focar nas memórias afetivas que guardava sobre o coletivo de filmes de cada um e, quando fiz isso, reparei que não havia muito espaço para dúvidas.
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Ainda que adore o conjunto da obra de Coppola, por exemplo, os filmes dos diretores de minha lista abaixo são aqueles que eu sei que levaria para uma ilha deserta se tivesse essa escolha e os veria ritualisticamente o resto de minha vida. São os conjuntos cinematográficos que, nesse momento, sei que não me enjoaria jamais. Vale lembrar que essa lista é dos dez diretores FAVORITOS, não necessariamente os melhores, ainda que, de todas as listas dessa natureza que tenha feito para o site, essa é a que mais deixa próximos os dois conceitos. Vamos a ela.
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Luis Buñuel

🇪🇸 1900 — 1983
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Luis Bunuel
A primeira vez que tive contato com uma obra de Buñuel não foi por causa de Buñuel. Eu nem sabia quem era o sujeito, na verdade, pois meus hormônios adolescentes só tinham olhos para a beleza misteriosa de Catherine Deneuve em A Bela da Tarde. Hipnotizado, vi aquele filme “proibido” de cabo a rabo, possivelmente só querendo vê-la nua e deixando de captar maiores significados. Mas o fato é que, daí, parti para procurar outras obras do diretor (novamente, não para ver arte e sim para ver corpos femininos desnudos) e acabei mergulhando nesse estranhíssimo e muito particular mundo desse diretor aragonês. Ao longo dos anos, minha admiração só foi crescendo, com suas visões brutais de mundo, com seus sonhos surreais colocados na tela, com sua incrível variedade de obras na Espanha, na França e no México. Luis Buñuel me fisgou com Deneuve e eu nunca mais soltei o anzol.
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Alfred Hitchcock

🇬🇧 1899 — 1980
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On the Set of "The Birds"
  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Number 13 (filme inacabado, 1922), Always Tell Your Wife (curta, não creditado, 1923) e O Jardim dos Prazeres (longa, 1925). Seu último filme foi Trama Macabra (1976).
Mestre do Suspense, para mim, é o “menor” dos títulos desse magnífico diretor britânico. Hitchcock, sozinho, literalmente revolucionou o cinema com o uso habilidoso de cenários orgânica e milimetricamente construídos que funcionam como personagens de suas produções, a criação de técnicas fotográficas impressionantes e que até hoje são utilizadas com grande constância, sua capacidade tirânica de extrair de seus atores exatamente o que ele queria, seu gênio em adaptar as histórias mais improváveis, sua ousadia em tentar aquilo que antes não fora tentado, sua plasticidade inigualável, sua parceria épica com Bernard Herrmann, sua teimosia em arriscar tudo por uma produção, sua capilarização pela televisão, sua coragem em pegar o material fonte e contorcer ao seu bel-prazer, sua criação de personagens icônicas, sua descoberta de atores que ficaram marcados por seus papeis. Nossa, se eu sair aqui listando tudo que Hitchcock trouxe para a Sétima Arte, vou tomar essa lista de assalto. Sua enorme filmografia é uma das mais importantes do Cinema, transitando por diversos gêneros (ainda que ele seja mais famoso pelo suspense, há obras dramáticas, outras que flertam com a comédia, filmes de espionagem e por aí vai) e sempre produzindo obras-primas em quantidades apoteóticas. Um verdadeiro gênio.
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Akira Kurosawa

🇯🇵 1910 — 1998
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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Uma (direção parcial, 1941) e A Saga do Judô (solo, 1943). Seu último filme foi Madadayo (1993).
Ah, Akira Kurosawa… O que escrever sobre esse diretor? Minha admiração por sua carreira, por suas lutas pessoais, por sua filmografia invejável não tem limites. Deixe-me então ilustrar com um relato pessoal. Meu primeiro contato com o diretor foi completamente inusitado. Meu pai, que já contava histórias do Rei Arthur e de Ulisses para eu dormir, um dia mudou a “prosa” e passou a me contar histórias de samurai. Eu era bem pequeno, algo como 8, 9, talvez 10 anos, mas lembro-me com clareza como fique fascinado pela narrativa de um vilarejo constantemente atacado e abusado por bandidos que tenta recrutar protetores e acaba com sete nobilíssimos samurais ao seu lado. Lembro-me meu pai contando como o samurai principal recrutou os demais, chamando cada candidato para um casebre e testando-os de várias maneiras diferentes. Lembro-me do candidato jovem afobado que não era aceito pelo samurai experiente.
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Anos e anos se passaram até eu descobrir que essa era a história de Os Sete Samurais, clássico imortal de Kurosawa, que devorei de uma tacada só apesar de sua longa duração. E, a partir daí, não parei e descobri que Kurosawa ia muito além de filmes no Japão feudal. Descobri maravilhas como Dersu UzalaViver e Céu e Inferno e não parei mais. Mesmo em suas obras mais fracas, Kurosawa está um passo além de seus pares.
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Sergio Leone

🇮🇹 1929 — 1989
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Filmografia microscópica em comparação com outros dessa lista, mas seus poucos filmes, especialmente os da Trilogia dos Dólares e seus dois “Era Uma Vez”, são obras-primas que não me canso de ver e rever. Sem muitas dúvidas, Leone é, para mim, o grande nome do western mundial e não falo aqui apenas do sub-gênero Spaghetti. Seus personagens são as formas usadas em um sem-número de outras obras do mesmo gênero ou de vários outros completamente diferentes. Sua descoberta de atores hoje icônicos é inigualável e sua capacidade de fazer muito com quase nada é imbatível. E, lógico, como poderia deixar de citar que sua parceria com o grande Ennio Morricone é uma das mais prolíficas do Cinema, com grandes composições usadas, reusadas e abusadas.
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Quentin Tarantino

🇺🇸 1963
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plano crítico quentin tarantino especial 2019
  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Love Birds in Bondage (curta inacabado, 1983) e My Best Friend’s Birthday (longa, 1987). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Era Uma Vez em… Hollywood (2019).
Tarantino é uma lenda em seu próprio tempo. Muitos o consideram “superestimado”, mas essa classificação chega a ser ridícula. É difícil – diria impossível – encontrar um diretor dos anos 90 para cá que tenha influenciado tanto o Cinema pop quanto Tarantino. Além disso, suas homenagens – que os detratores gostam de chamar de “cópias” – a filmes dos mais diversos gêneros e nacionalidades vão MUITO além de homenagens. Tarantino tem a invejável habilidade de pegar material obscuro, reempacotar e criar obras com personalidade e assinatura próprias que formam um conjunto cinematográfico quase perfeito.
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E eu poderia falar de sua capacidade de descobrir e REdescobrir atores, de escolher sua trilha sonora à dedo, gerando álbuns inesquecíveis, sua montagem não-linear de tirar o chapéu, de seu domínio narrativo enlouquecedor, de seus diálogos primorosos, de suas próprias pontas hilárias. Mas não vou falar. Assistam Pulp Fiction – ou qualquer outra obra dele – novamente e ponto final!

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David Fincher

🇺🇸 1962
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  • Filmografia: O primeiro filme do diretor foi Alien 3 (1992). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Mank (2020).

Fincher começou sua carreira como diretor de videoclipes e caiu de paraquedas em Hollywood como “diretor de emergência” do conturbadíssimo Alien 3. Do jeito que foi a coisa toda, era para ele ter pendurado as chuteiras imediatamente e mandado tudo às favas, mas ele perseverou e seu filme seguinte, Seven, mostrou toda sua categoria. Dali em diante, foram só maravilhas que reúnem técnica invejável com roteiros impressionantes e uma direção de atores de se tirar o chapéu. Com exceção de seu début hollywoodiano, Fincher não tem um filme sequer que é só mediano.

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Stanley Kubrick

🇺🇸 1928 — 1999
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Eu odiei 2001 – Uma Odisseia no Espaço todas as vezes que vi esse filme forçado pelo meu pai. Troço chato, parado, sem graça, com exceção do início com os homens da caverna, claro, já que eu era tarado por tudo da pré-história (ainda sou, na verdade). Mas aí eu cresci e notei que 2001 faz a expressão obra-prima parecer inadequada até. E mais: seu diretor, Stanley Kubrick, foi o responsável pelo melhor filme sobre a Primeira Guerra Mundial, pelo melhor filme de terror já feito, pelo melhor filme de época com fotografia natural já feito e, claro, pelo melhor filme com laranja no título já feito. Não, sério, o cara era um gênio que morreu cedo demais, mas deixou um legado de fazer inveja.

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F.W. Murnau

🇩🇪 1888 — 1931
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plano crítico f w murnau
  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Der Knabe in Blau (curta, 1919) e Satanas (longa, 1920). Seu último filme foi Tabu (1931).

Eu tive uma professora de teatro e cinema em inglês (o que raios estava eu fazendo essas aulas com meros 18 anos, não me pergunte!!!) que me apresentou a Nosferatu em meio às aulas sobre o expressionismo alemão. Foi paixão à primeira vista e até hoje eu tenho dificuldade de encontrar um filme de terror melhor do que esse. Não foi fácil achar o resto da filmografia de Murnau, especialmente considerando que, quando eu tinha 18 anos, a internet era coisa de ficção científica. Por tanto, demorei DÉCADAS para ver tudo, mas, um dia, consegui e descobri que o sujeito é realmente espetacular, já que ele conseguiu me fazer chorar copiosamente (mentira, eu não choro, mas fica legal escrever isso em um texto com esse) com A Última Gargalhada.

  • 5 Filmes de Destaque: O Castelo Vogelöd (1921), Nosferatu (1922), A Última Gargalhada (1924), Fausto (1926), Aurora (1927).

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Guillermo del Toro

🇲🇽 1964
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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Doña Lupe (curta, 1986) e Cronos (longa, 1997). Seu último filme até a publicação da presente lista foi A Forma da Água (2017).

Guillermo del Toro é um diretor complicado, que se envolve em muito mais projetos do que consegue efetivamente fazer, o que resulta em uma filmografia por enquanto ainda muito acanhada, mas que se destaca tremendamente graças à sua marca registrada: o detalhismo extremo e o estilo muito característico que mistura pegadas góticas, lovecraftianas e até mesmo “deltorianas” em obras cinematográficas inesquecíveis como O Labirinto do Fauno. Minha admiração pelo simpático mexicano com cara de bonachão aumentou exponencialmente quando tive a oportunidade de ver uma exposição de parte de sua coleção pessoal (que ele deixa exposta em sua mansão, vale dizer) em um museu em Los Angeles. De cadernos de anotação que fariam inveja à Leonardo da Vinci passando por esculturas gigantescas que adornam seu hall de entrada, o sujeito é um sensacional nerd completamente apaixonado pelo que faz.

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Denis Villeneuve

🇨🇦 1967
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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram REW FFWD (curta, 1994) e 32 de Agosto na Terra (1998). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Duna (2020).

Meu primeiro contato com Villeneuve foi completamente sem querer e sem maiores pretensões com nada menos do que Incêndios, filme que me deixou perturbadíssimo por semanas após a sessão de cinema. Foi como tomar uma surra sem sequer ver o que me atingiu. O diretor canadense, então, tornou-se alvo de um “pequeno surto obsessivo” meu, que me fez correr atrás de tudo o que ele havia dirigido em sua ainda curta carreira. Mais obras excelentes se seguiram tanto ao descobrir seu passado, como quando eu – e o mundo, na verdade – comecei a ver a fase Hollywoodiana dele com uma obra-prima atrás da outra: Os Suspeitos, O Homem Duplicado, Sicario: Terra de Ninguém, A Chegada e Blade Runner 2049.

LUIZ SANTIAGO

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Que lista tenebrosa de se fazer! Estou aqui lutando contra os muitos rascunhos que coloquei no papel, no computador, na cabeça… Escolher favoritos pode até parecer algo fácil, afinal, o único corte/filtro a se considerar é o próprio gosto pessoal! E ainda assim… que troço difícil! Talvez porque tenha muitos para escolher ou talvez porque a gente enlouquece um pouco quando é forçado a eleger e cortar opções dentre uma lista de coisas que gostamos muito, não é?

Um pensamento que me ocorre agora: se esta lista fosse feita lá por 2009, com certeza Woody Allen (que foi o meu primeiro diretor favorito e o primeiro que “zerei” a filmografia) e Orson Welles estariam nela. Se fosse feita por 2011 ou no máximo 2012, Carl Theodor Dreyer, Mikio Naruse, Carlos Saura e Marco Ferreri com certeza estariam nela. Mas hoje, minha lista de diretores favoritos é essa aí abaixo. O bacana de se fazer listas de favoritos é que elas podem mudar com o tempo, à medida que também mudamos a nossa visão e conhecemos mais coisas. Todavia, essa minha configuração de cineastas favoritos que vocês veem abaixo já está comigo há pelo menos uns cinco anos. E a essa altura do campeonato, não tenho muita certeza se alguma descoberta ou redescoberta deverá desbancar um desses. Mas pode acontecer, claro.
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Federico Fellini

🇮🇹 1920 — 1993

Federico Fellini

Eu conheci Fellini pela reta final. O primeiro filme que eu vi dele foi o sensacional E La Nave Va, em um DVD emprestado de um colega da faculdade. E vi o filme duas vezes na mesma semana, porque não acreditava que um diretor pudesse fazer mágica no sentido mais rústico e mais tocante possível como ele faz nesse filme. Em seguida vi Amarcord, e novamente me espantei como o “tal de Fellini” conseguia abordar a história de uma vida em todas as suas nuances, amores, felicidades, tristezas e loucuras… e ainda assim abrir espaço para estruturar a ascensão do fascismo na Itália, a guerra, a morte. Bastaram esses dois filmes para eu me apaixonar completamente pelo diretor, que tentei “zerar” a filmografia o mais rápido possível, ficado alguns poucos longas difíceis de serem encontrados na época e que por ocasião do nosso Especial Fellini aqui no site, acabei conseguido, enfim, assistir. Este é o cineasta da vida em sua face libidinosa, onírica, meio mística e sempre em busca do prazer, da memória alegre do passado e da vida, em seus muitos estágios.

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Ingmar Bergman

🇸🇪 1918 — 2007
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Ingmar Bergman
  • Filmografia: O primeiro filme do diretor foi Crise (1946). Seu último filme foi Saraband (2003).
Dizem que gostar de Bergman é gostar de sofrer. Mas não é bem assim. Ou será que é? Eu vejo Bergman como um diretor que consegue facilmente encontrar os caminhos para a nossa alma e, ao chegar lá, começa a perfurar, passar um rolo compressor pela nossa existência, jogar ácido, atear fogo e depois sair ajeitando a gola da camiseta e a lente da câmera que filmou toda a “tragédia”. Dono de uma filmografia essencialmente existencialista, filosófica, Bergman é um diretor que se mantém na minha lista a mais tempo que todos os outros e foi o segundo cineasta que eu cheguei a conhecer a maior parte da obra quando ainda era bem jovem, começando por uma indicação de A Fonte da Donzela por um professor, para vermos a representação de um feudo na Alta Idade Média, muito antes de os castelos existirem… Sendo um dos meus “cineastas de formação”, estava claro que ele teria lugar cativo nessa lista.
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Jean Renoir

🇫🇷 1894 — 1979
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Jean Renoir
  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Uma Vida Sem Alegria (co-direção, 1924) e A Filha da Água (solo, 1925). Seu último filme foi O Pequeno Teatro de Jean Renoir (telefilme, 1970).
Renoir é um daqueles mestres do cinema que possui uma gigantesca influência na carreira de outros cineastas e na própria construção do cinema e que poucos cinéfilos chegaram a ver mais de três filmes dele. O que é uma lástima colossal. Ele é um diretor objetivo, cômico e com uma capacidade insana de tratar assuntos sérios como se estivesse falando de amenidades do dia-a-dia. Meu filme favorito de todos os tempos, A Regra do Jogo (1939), foi dirigido por ele, que realiza ali uma as mais gloriosas experiências cinematográficas que eu já tive o prazer de vivenciar. Plural em suas temáticas, muitíssimo criativo para escolhas estéticas — filho de peixe… — e com uma obra mais encantadora que a outra, Renoir tem uma das filmografias mais redondas dentre os grandes mestres, um feito raro para um diretor que começou a filmar quando a linguagem do cinema ainda estava em processo de formação e terminou quando ela se transformava em blockbuster. Meu primeiro contato com ele foi por indicações feitas num livro sobre cinema, e o primeiro filme do diretor que eu vi foi A Grande Ilusão.
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Rainer Werner Fassbinder

🇩🇪 1945 — 1982
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Fassbinder

Insaciável. Hiperativo. Prolífico. Gênio. Morreu de overdose aos 37 anos, após uma agitadíssima carreira de 16 anos no cinema e no teatro, que rendeu ao mundo nada menos que 44 obras (dentre filmes e séries de TV), isso sem contar as peças de teatro que ele escreveu e dirigiu, os filmes de outros diretores que ele atuou e os roteiros que ele escreveu para outros diretores. Fassbinder tem uma filmografia de busca, de questionamentos, de insatisfações, sujeiras, vícios e engajamento político. Uma obra sobre o “estrago” e a “reforma” do homem.

Fassbinder é outro cineasta que eu descobri por conta dos empréstimos de DVD entre os colegas da faculdade, e o meu primeiro contato com ele veio através de seus dois últimos filmes, O Desespero de Veronika Voss (filme pelo qual o conheci) e Querelle. Embora tenha tentado completar a filmografia do cineasta durante muito tempo, fiquei só na vontade, até que comecei o Especial Fassbinder aqui no Plano Crítico e fui à caça dos filmes que não tinha visto. Me sinto muito grato por ter feito essa impressionante viagem pelo mundo do diretor. Olha só onde isso o trouxe…

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Yasujiro Ozu

🇯🇵 1903 — 1963
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Yasujiro-Ozu
  • Filmografia: O primeiro filme do diretor foi Espada da Penitência (1927). Seu último filme foi A Rotina Tem Seu Encanto (1962).
Dignidade e tradição. Amor e família. Identidade pessoal. Desejo e obrigação. Cinema clássico. Simplicidade. Câmera no tatame. Sol. Cotidiano. Vocês devem entender que só algo realmente muito pessoal — portanto, inteiramente em par com a proposta desta lista — me impulsionaria a decidir por Ozu ao invés de outros três gigantes que eu amo no Japão: Kurosawa, Mizoguchi e Naruse. A questão é que Ozu tem uma temática que me toca muito, mas muito mesmo, especialmente nas questões familiares. É um diretor que exige um ar de contemplação e desligamento do mundo que sempre em encantou e é curioso que, de todos os cineastas desta lista, Ozu seja o que eu descobri mais tarde. E quando eu digo ‘descobrir’ é sentar para assistir a boa parte da filmografia, não uns dois ou três filmes, porque isto eu já tinha feito antes. E que descoberta! Que alegria, nostalgia, tristeza e alegria novamente foi assistir aos filmes de Ozu e perceber/aprender como é possível ser grande com tão pouco. Acho que os longas desse diretor deveriam servir como algum tipo de teste de caráter. As pessoas deveriam ver e falar sobre eles, daí conheceríamos melhor o que elas pensam da vida e delas mesmas. Que algum psicólogo corra para criar um teste baseado nessa filmografia… pra ontem!

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Agnès Varda

🇧🇪 1928 — 2019

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Eu conheci Agnès Varda em 2010, durante uma pesquisa sobre filmes que retratavam processos políticos de intensas transformações ao redor do mundo. Então caí em um curta-metragem chamado Saudações, Cubanos!, de 1971, filmado durante a visita da diretora a Cuba, em 1963. Foi com este filme que conheci o nome, o cinema e o estilo de Agnès Varda. Demorou mais um ano até que eu voltasse a ter contato com a diretora, curiosamente, não em um de seus filmes, mas em um documentário onde ela é entrevistada e onde os diretores adotaram um modelo diferente de entrevista, numa homenagem estilística à imensa mulher que tinham para entrevistar. O nome do documentário é Da Água Para o Vinho (2007) e foi a partir desse momento que eu não consegui mais desgrudar da diretora, que se tornou um dos meus verdadeiros amores cinematográficos ao longo dos anos.

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Éric Rohmer

🇫🇷 1920 — 2010

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Diário de um Canalha (curta perdido, 1950), Bérénice (curta, 1954) e O Signo do Leão (longa, 1962). Seu último filme foi O Amor de Astrée e Céladon (2007).

Eu costumo dizer que Rohmer é a maior glória e beleza possíveis que o tédio e a rotina podem ter no cinema, e normalmente as pessoas perguntam: “mas vocês gosta mesmo do diretor?“. E aqui está a resposta: ele figura no meu TOP 10 de favoritos de todos os tempos! A questão em relação ao tédio e à rotina é, porém, um imenso elogio. Quando um cineasta adota um estilo que mescla crônica, forte abordagem teatral, personagens jovens e enorme inteligência nos diálogos e nos plots ao falar essencialmente de rotina, do abalo da rotina e do desejo humano por diversas coisas, ele precisa ser muito bom a ponto de tornar esse retrato cotidiano fartamente interessante. E é justamente o que Rohmer faz. Ele torna a rotina, o tédio da humanidade em algo imenso. Em algo que dá o maior prazer de ver. Minha chegada ao diretor aconteceu quando, às cegas, numa passagem pela saudosa 2001 Video da Paulista, comprei o DVD de O Raio Verde. E bastou apenas este filme para que eu quisesse procurar mais obras, me encantando e redescobrindo o mundo a cada novo filme do cineasta. É bem isso: Rohmer é um diretor capaz de nos fazer redescobrir as coisas mais simples da vida.

  • 5 Filmes de Destaque: A Colecionadora (1967), O Joelho de Claire (1970), Amor à Tarde (1972), Noites de Lua Cheia (1984) e O Raio Verde (1986).

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Satyajit Ray

🇮🇳 1921 — 1992

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  • Filmografia: O primeiro filme do diretor foi A Canção da Estrada (1955). Seu último filme foi O Estrangeiro (Agantuk, 1991).

Satyajit Ray foi o último a entrar neste meu TOP 10, substituindo outro grande mestre favorito, que agora ficou um pouco mais atrás na minha lista: John Ford. E o curioso é que meu amor pelos dois cineastas possui raízes bem diferentes. Ford veio de uma influência familiar ligada ao western. Ray foi uma descoberta realmente cinéfila: meu primeiro contato com ele foi por A Esposa Solitária, que vi em um cineclube organizado por um crush, há pouco mais de dez anos. Devo confessar: eu nunca acompanhei um diretor para ter uma filmografia com qualidade tão alta de cabo a rabo. E o mais surpreendente é que Ray fez de tudo no cinema: dirigiu, escreveu, compôs trilha sonora, produziu, fez figurino e editou! Um artista completo, com um olhar social humanista e uma grande preocupação em investigar a corrupção do indivíduo e a perda de suas raízes. O senso de comunidade, relações humanas (em diversos níveis), relações extra-humanas (com o divino e/ou com a natureza) e a reflexão de seus personagens sobre seu lugar num ambiente de mudanças ou de estagnação são ingredientes que transbordam a veia clássica na abordagem, tornando estas obras atemporais. Não é à toa que Ray é admirado e citado como influência por uma porrada de outros grandes diretores até hoje.

  • 5 Filmes de Destaque: A Canção da Estrada (1955), O Invencível (1956), O Mundo de Apu (1959), A Esposa Solitária (1964) e O Herói (1966).

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Aleksandr Sokúrov

🇷🇺 1951

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Uma velha amiga da primeira escola em que eu trabalhei foi responsável por me colocar em contato com o Cinema Russo. Foi através dela que eu cursei uma disciplina ligada ao cinema de Tarkóvski, e depois outra, ligada ao Cinema Soviético, onde redescobri Eisenstein e conheci Vertov & Cia. logo de cara. Foi um período de muita novidade para mim. Encerrados os trabalhos que precisei entregar para as disciplinas, a mesma amiga me arrastou para uma disciplina que falaria sobre o cinema de Aleksandr Sokúrov, um diretor de quem eu nunca tinha ouvido falar. Vocês não têm ideia do quanto eu fiquei embasbacado com o que eu vi naquelas aulas. Em poucos dias assisti a Mãe e Filho, Pai e Filho e Arca Russa. Estava marcada a minha jornada de conhecimento do diretor, que já nos três primeiros longas tinha entrado para a minha lista de favoritos. Os outros filmes que fui vendo com o tempo só confirmaram tudo isso.

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Wes Anderson

🇺🇸 1969

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Bottle Rocket (curta, 1993) e Pura Adrenalina (1996). Seu último filme até a publicação da presente lista foi The French Dispatch (2020).

Até o lançamento de Moonrise Kingdom, minha atenção em relação a Wes Anderson era a de admiração distanciada. Eu ainda não havia despertado para o que hoje vejo de maior e melhor em sua filmografia. Quando saí da sala de cinema após a sessão de Moonrise, eu estava flutuando e minha obrigação era clara: iria rever todos os filmes dele que já tinha visto, conhecer os que não vira e tentar chegar a uma conclusão sobre meu alumbramento. E que conclusão! Foi como se eu tivesse descoberto o diretor pela primeira vez! Eu tenho imenso apego a composições estéticas que beiram o absurdo e flertam com a pintura, o teatro, a literatura, a música (Sokúrov não está nessa lista por acaso…) então foi como entrar em um novo mundo. No meu TOP 10 da vida Wes Anderson entrou tarde, tirando o lugar de Pedro Almodóvar, outro grande esteta que amo.

HANDERSON ORNELAS

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Hayao Miyazaki

🇯🇵 1941

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Yuki no Taiyô (curta, 1972) e Lupin III – O Castelo de Cagliostro (1979). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Boro, a Lagarta (2018).

Sou um grande fã do estúdio Ghibli, qualquer coisa relativa a Myiazaki acho fascinante. Sua rotina metódica, sua paixão pelo voo, sua temática ambientalista e pacifista e até seu conservadorismo quanto à animação. As obras de Myiazaki incorporam um ar contemplativo que não encontro em nenhuma outra obra. É um cinema que, em meio a sua honestidade e sutileza ao abordar personagens tão encantadores, aventuras instigantes e visão efêmera da vida, se torna algo transformador e permanece no nosso íntimo. Um gênio da animação.

  • 5 Filmes de Destaque: Meu Amigo Totoro (1988), Princesa Mononoke (1997), A Viagem de Chihiro (2001), O Castelo Animado (2004) e Vidas ao Vento (2013).

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Isao Takahata

🇯🇵 1935 — 2018

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Não haveria Myiazaki se não fosse Takahata e não haveria Takahata se não fosse Myiazaki. Embora distintos, um complementa o outro, o que permitiu a criação do estúdio de animação mais brilhante que já existiu. Isao Takahata sabe provocar catarses emocionais com genialidade, sabendo trabalhar com os limites da felicidade e da melancolia como poucos no mundo da animação.

  • 5 Filmes de Destaque: Túmulo dos Vagalumes (1988), Memórias de Ontem (1991), PomPoko: A Grande Batalha dos Guaxinins (1994), Meus Vizinhos, Os Yamadas (1999) e O Conto da Princesa Kaguya (2013).

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Edgar Wright

🇬🇧 1974

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Dead Right (curta, 1993) e A Fistful of Fingers (1995). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Last Night in Soho (2020).

Um diretor que define muito bem a nova geração. Extremamente criativo, com excelente tom humorístico e uma amor pela música (algo com que me identifico profundamente), Wright é um diretor espetacular que coloca em seus filmes uma salada de elementos que amo. Comédia inteligente, ótimas montagens, cenas de ação criativas e uma personalidade única e fascinante.

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Quentin Tarantino

🇺🇸 1963
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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Love Birds in Bondage (curta inacabado, 1983) e My Best Friend’s Birthday (longa, 1987). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Era Uma Vez em… Hollywood (2019).

Preciso falar mesmo sobre Tarantino? Sua popularidade e aclamação frente a sua assinatura e características geniais falam por si só. É um verdadeiro DJ do cinema, reciclando e reinventando inúmeras ideias, fazendo uso de seu conhecimento avassalador sobre o assunto. Assim que vejo “written and directed by Tarantino“, meu entretenimento é certeza.

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Sergio Leone

🇮🇹 1929 — 1989
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Um gigante. Assistir qualquer obra de Leone é presenciar um feito praticamente irretocável. O herói que criou com Eastwood está entre os personagens mais emblemáticos que já vi e seu Era Uma Vez No Oeste segue entre meus filmes preferidos da vida, arrancando sentimentos catárticos de mim em uma profundidade que poucas mídias conseguiram. Um diretor fabuloso.

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Steven Spielberg

🇺🇸 1946

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram The Last Gun (curta, 1959) e Firelight (1964). Seu último filme até a publicação da presente lista foi West Side Story (2020).

O primeiro diretor que tive conhecimento, antes de sequer ter ideia do que o profissional fazia, lá naqueles anúncios de filmes que passavam na TV aberta que exibiam o nome dele com tanto orgulho. Spielberg acompanhou minha infância (a de quem não?), sabendo ir do drama à diversão com maestria. Hoje, Jurassic Park, toda trilogia Indiana Jones e tantos outros filmes são significado de felicidade pra mim.

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Sam Raimi

🇺🇸 1959

sam-raimi plano crítico

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Out West (curta perdido, 1972) e It’s Murder! (1977). Seu último filme até a publicação da presente lista foi The Black Ghiandola (2017).

Sam Raimi, em meio a toda sua relativa simplicidade cinematográfica, fez escola tanto no horror quanto nas adaptações de quadrinhos. Sua assinatura é marcante, não é a toa que suas trilogias – tanto Homem-Aranha quanto Evil Dead – se encontram entre as franquias que mais dominam meu coração.

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Joel e Ethan Coen

🇺🇸 1954 e 1957

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Zeimers in Zambezi (curta perdido, 1970) e Gosto de Sangue (1984). Seu último filme até a publicação da presente lista foi A Balada de Buster Scruggs (2018).

Um humor ácido cheio de personalidade em meio a histórias instigantes e fascinantes. Os personagens das obras dos Cohen estão sempre em crises internas e possuem uma invejável e vasta densidade de personalidade. E como sempre digo, personagens bem trabalhados são o essencial para uma completa conexão com a arte do cinema. E isso, em conjunto à direção imersiva da dupla, seus personagens possuem de sobra.

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Pete Docter

🇺🇸 1968

Pete-Docter-plano crítico

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Winter (curta, 1988) e Monstros S.A. (co-direção, 2001). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Soul (2020).

A Pixar conquistou completamente meu coração desde o primeiro Toy Story. Exemplo de criatividade, storytelling e animação primorosa. Esse espaço aqui poderia ser de John Lasseter, que começou isso tudo, mas a verdade é que Pete Docter possui um currículo tão impressionante e já criou histórias tão apaixonantes em sua curta filmografia, que eu posso confiar cegamente em qualquer coisa que ele toca. 

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Damien Chazelle

🇺🇸 1985

plano crítico Damien Chazelle

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Guy and Madeline on a Park Bench (2009) e Whiplash (curta, 2013). Seu último filme até a publicação da presente lista foi O Primeiro Homem (2018).

Por mais novo que Chazelle seja na indústria cinematográfica, ele já possui a minha admiração. Dois de seus filmes – La La Land e Whiplash – estão entre minhas obras preferidas da vida. Um musical apaixonante e um thriller visceral, ambos com jazz como plano de fundo. Brilhante.

RODRIGO PEREIRA

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Gosto demais de participar de listas. Acho super divertido a ideia de montá-las, ler a dos colegas e leitores e debater com todos sobre. A empolgação, no entanto, rapidamente perde espaço para indecisão e sofrimento em deixar de fora nomes adorados, já que o espaço é limitado. E, mesmo com dez posições, logo percebemos que é bastante limitado. Depois de quase sangrar por deixar alguns diretores que tanto gosto, acho que o resultado final é justo com meu sentimento de favoritismo.

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Martin Scorsese

🇺🇸 1942

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Vesuvius VI (curta, 1959) e New York City… Melting Point (1966). Seu último filme até a publicação da presente lista foi O Irlandês (2019).

Esse velhinho extremamente simpático é tão querido por mim que chega ser difícil descrever quanto o gosto. Sou um tremendo admirador de sua carreira e não lembro de ter desgostado de nenhum de seus filmes depois de assisti-los. Foi o primeiro diretor que tive grande vontade de conhecer mais a fundo sua filmografia quando me interessei por cinema. Acho que a primeira colocação é extremamente justa.

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Denis Villeneuve

🇨🇦 1967

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram REW FFWD (curta, 1994) e 32 de Agosto na Terra (1998). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Duna (2020).

Denis Villeneuve é um dos diretores de sua geração que considero com grande potencial de estabelecer-se como um dos grande do cinema com o passar do tempo. Ainda não assisti toda a sua filmografia, entretanto não houve, até agora, uma obra sua que não considere, no mínimo, ótima. Ah, o fato de A Chegada ser meu filme favorito da vida também tem bastante peso para ele estar aqui.

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Stanley Kubrick

🇺🇸 1928 — 1999
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Esse é daqueles essenciais para todo cinéfilo. Não que outros citados nessa lista não o sejam, porém Stanley Kubrick é sempre o primeiro nome que surge em minha mente quando o assunto é excelência cinematográfica. Ficção científica, terror, drama ou qualquer gênero e subgênero que desejar, Kubrick fazia todos com uma qualidade invejável. Sou um apaixonado por sua obra.

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Charles Chaplin

🇬🇧 1889 — 1977

plano critico charles chaplin o circo filme 1928

O único representante do cinema mudo na minha lista — e um dos maiores, senão o maior nome daquela Era — notabilizou-se por suas deliciosas comédias (algumas carregadas de críticas sociais). Mais de um século após começar no meio, Charlie Chaplin continua fazendo as pessoas rirem, e muito. Eu mesmo choro de rir sempre que paro para olhar Tempos Modernos. Gosto tanto de seu trabalho que tenho uma tatuagem em sua homenagem. O Vagabundo (ou Carlitos, como ficou conhecido no Brasil) tem um lugar especial em meu coração.

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Quentin Tarantino

🇺🇸 1963
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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Love Birds in Bondage (curta inacabado, 1983) e My Best Friend’s Birthday (longa, 1987). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Era Uma Vez em… Hollywood (2019).

Ele foi o primeiro diretor que zerei a filmografia. Também teve um papel importante na minha formação como adorador da sétima arte, pois vi e revi seus filmes várias vezes quando meu interesse por cinema começava a tornar-se algo maior que um mero passatempo. Quentin Tarantino talvez seja o mais cultuado e lembrado da cultura pop em minha lista, mas poderia não colocar seus maravilhosos diálogos, seus litros e mais litros de sangue e seu fetiche por pés femininos? Jamais!

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Sergio Leone

🇮🇹 1929 — 1989
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Responsável por alguns dos mais clássicos filmes de western spaghettimas não somente por isso, Sergio Leone foi um nome que demorei para finalmente assistir a algo de sua filmografia. No entanto, após ver a primeira obra da Trilogia dos Dólares, devorei tudo que pude do diretor. Mesmo com um número pequeno de filmes dirigidos, Leone consolidou-se como um dos gigantes do cinema e não poderia deixá-lo de fora da lista.

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Agnès Varda

🇧🇪 1928 — 2019

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Para adorar Agnès Varda é bastante simples. Basta assistir Cléo das 5 às 7. Sério. A forma como ela brinca com os espelhos nesse filme já seria suficiente para isso, mas os simbolismos e a intimidade com que ela expõe a protagonista é incrível. Esse cuidado e qualidade se estendem, claro, a suas outras obras, criando uma filmografia maravilhosa e com méritos de sobra para ser considerada uma das gigantes da arte.

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Pedro Almodóvar

🇪🇸 1949

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  • Filmografia: O primeiro filme do diretor foi Film Político (curta, 1974) e Folle… folle… fólleme Tim! (1978). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Dor e Glória (2019).

A exploração da sexualidade de modo completamente aberto e sem tabus, algo que considero de grande importância, somada a delicadeza com que conta suas histórias são os principais pontos que me encantam na filmografia de Pedro Almodóvar. E, assim como Wes Anderson, seus cenários extremamente coloridos enchem meus olhos de satisfação ao apreciar qualquer uma de suas obras.

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Wes Anderson

🇺🇸 1969

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Bottle Rocket (curta, 1993) e Pura Adrenalina (1996). Seu último filme até a publicação da presente lista foi The French Dispatch (2020).

Filmes divertidos e gostosos, cores e muita, muita simetria. Para quem é fascinado em prestar atenção na fotografia das obras que assiste, como eu, as produções de Wes Anderson são um verdadeiro deleite. O fato de sempre ter meu humor melhorado após assistir algo dele fazem seu nome obrigatório na lista (não à toa foi um dos primeiros que pensei ao elaborá-la).

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Guillermo del Toro

🇲🇽 1964
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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Doña Lupe (curta, 1986) e Cronos (longa, 1997). Seu último filme até a publicação da presente lista foi A Forma da Água (2017).

Os mundos fantásticos sempre me encantaram. Seja no espaço, em realidades paralelas, em planetas ou terras parecidas com a nossa. Por conta disso, era quase inevitável adorar os monstros e os Universos criados por Guillermo del Toro. Até por me remeter a lembranças da infância, a presença do mexicano é mais do que justificada.

MICHEL GUTWILEN

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Stanley Kubrick

🇺🇸 1928 — 1999
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Existem diretores que são apenas especialistas em um gênero: a comédia, ação, noir etc. Aliás, não há nenhum problema nisso. Todavia, é raríssimo (ou praticamente) encontrar um cineasta que transitou com tanto sucesso pela maioria dos gêneros como Stanley Kubrick. Basicamente, temos uma obra de arte para cada um. Ele foi ao espaço, passou por um futuro distópico, voltou ao passado e participou de uma revolta de escravos gladiadores, entrou em um hotel mal-assombrado, foi para um baile de máscaras, viu os horrores do Vietnã e das trincheiras da 1ª Guerra, organizou um roubo, impediu um ataque nuclear e viu a ascensão de um zé ninguém para a nobreza. Ainda que que com suas particularidades, é muito perceptível que existe um grande senso de unidade em toda sua carreira, voltada sempre para uma direção e decupagem extremamente meticulosas, criando atmosferas únicas. Particularmente, o meu favorito é De Olhos Bem Fechados, um dos filmes mais sensuais já existentes.

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Darren Aronofsky

🇺🇸 1969

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Fortune Cookie (curta, 1991) e Pi (1998). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Mãe! (2017).

Inevitavelmente, todo iniciante na cinefilia possui um diretor “modinha” do século atual que seja o seu preferido. Nomes como Christopher Nolan, David Fincher, Wes Anderson, Paul Thomas Anderson e Nicolas Winding Refn são comuns (e, veja bem, não estou botando eles no mesmo patamar de qualidade, obviamente). Certamente, ainda que tenha visitado todos acima, acho que nenhum conseguiu me conquistar tanto como Aronofsky. Acho que o melhor adjetivo que define o diretor é a obsessão. Seja quando recontou a história de Noé, criou 3 histórias paralelas de romance que se separam por séculos, voltou ao mito da criação da Terra, ou investigou a mente de uma bailarina, um matemático, um lutador e viciados em drogas — todos parecem buscar alguma coisa, o que muitas vezes significa a própria salvação. Um diretor que sabe te manipular emocionalmente e te induz a um nível de ansiedade. Sou refém desse cara há alguns anos.

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Charles Chaplin

🇬🇧 1889 — 1977

Particularmente, a comicidade de Buster Keaton como ator me agrada mais do que a de Chaplin, principalmente quando pensamos no quanto ele se botava em constante perigo. Todavia, o Vagabundo (Tramp) — apelido da persona de Chaplin — parece ter chegado a um nível de maturidade dramático em equilíbrio com o humor que seu colega nunca chegou. Sim, eu rio bastante com O Garoto, Luzes da Cidade, Tempos Modernos e O Grande Ditador. Contudo, jamais imaginaria que esses seriam filmes que me fariam chorar. Em seu núcleo, são histórias puras sobre esperança: do garoto que não está sozinho no mundo; o amor que não enxerga; o trabalhador e seu fugere urbem; a paz mundial.

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James Gray

🇺🇸 1969

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Cowboys and Angels (curta, 1991) e Fuga para Odessa (1994). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Ad Astra: Rumo às Estrelas (2019).

Quem aqui não possui seus problemas familiares, que atire a primeira pedra. Na atualidade, penso que não há cineasta melhor do que James Gray em aliar situações extremamente intimistas com ambientações grandiosas, seja Brooklyn, a Floresta Amazônica ou o espaço. Não só isso, mas todo seu cinema parece remeter a uma visão mais clássica de narrativa que o afasta constantemente do público, inclusive de diversos festivais de cinema. Seus 3 filmes mais recentes — Era Uma Vez Em Nova York; Z – A Cidade Perdida; Ad Astra — o credenciam como, potencialmente, um dos maiores diretores da década de 2010. Contudo, seu drama Amantes, de 2008, o coloca entre um dos maiores diretores do cinema. Esqueça Coringa e O Mestre, a melhor atuação de Joaquin Phoenix está aqui.

  • 5 Filmes de Destaque: Caminho sem Volta (2000), Os Donos da Noite (2007), Amantes (2008), Era Uma Vez em Nova York (2013), Z: A Cidade Perdida (2016).

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Clint Eastwood

🇺🇸 1930

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Eu não vi tudo de Clint, principalmente seus filmes mais antigos. Contudo, estou em dia com suas obras mais recentes e meu apreço por elas é tanto que já é o suficiente para colocá-lo entre um dos meus favoritos. Beira o surreal pensar que, aos seus 89 anos, Eastwood parece ser um dos homens mais lúcidos quando se trata de enxergar uma autocrítica tanto de si mesmo quanto de sua própria nação. Neste sentido, A Mula acaba se evidenciando como um dos maiores testamentos em forma de cinema nos últimos anos. Ainda que o heroísmo seja um tema presente ao longo de sua carreira, não há como não notar as correlações entre Sniper Americano, Sully, 15:17 – Trem para Paris e Richard Jewell. Juntas, elas formam a quadrilogia do cidadão comum moderno transformado que foi transformado em herói. Cabe dizer que muitas de minhas ideias são contrárias a do próprio Clint, mas, dentro do que pensa, ninguém trata a questão do patriotismo tão bem.

  • 5 Filmes de Destaque: Os Imperdoáveis (1992), As Pontes de Madison (1995), Menina de Ouro (2004), Gran Torino (2008) e Invictus (2009).

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Naomi Kawase

🇯🇵 1969

naomi kawase plano crítico diretora

  • Filmografia: O primeiro filme da diretora foi Em Seus Braços (curta, 1992) e Suzaku (1997). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Parallel World (curta, 2017).

Não lembro muito bem como conheci esta diretora japonesa, mas eu certamente ainda não tinha ideia do que significava o conceito de “Cinema do Fluxo” — movimento que ela é associada, juntamente com diretores como Apichatpong Weerasethakul. No entanto, eu já tinha total consciência de que eu estava diante de um nível de sensorialidade que até então eu pouco havia experimentado em minha jovem cinefilia. Ao assistir Sabor da Vida, no qual acompanhamos uma idosa cozinheira de docinhos de feijão, tive a experiência mais próxima do que seria sentir um cheiro saindo da tela — tá ouvindo, James Cameron? Melhor que seu 4D em Avatar —. Para além de seus trabalhos ficcionais, eu ainda fico mais impressionado com o lado documental da diretora, que está sempre investigando uma relação muito íntima consigo mesma e a própria família, mas, ao mesmo tempo, muito universal. O nível de compartilhamento de informações com o público é tanto que Kawase chega a se filmar tendo um parto (e, sim, vemos tudo). Certamente um momento que nunca vou esquecer e que liga a ideia de cinema intimamente com a vida.

  • 5 Filmes de Destaque: Floresta dos Lamentos (2007), Hanezu (2011), O Segredo das Águas (2014), Sabor da Vida (2015) e Esplendor (2017). 

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Sergio Leone

🇮🇹 1929 — 1989
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Não é nenhum absurdo cogitar que Era Uma Vez na América talvez seja o maior filme da história. Não à toa, pois Leone conseguiu construir praticamente dois filmes dentro de um, sendo ambos obras de arte: tanto a linha do tempo infantil (aí sim, eu afirmo que é a maior história acompanhando crianças já contada) quanto a trama de máfia. Mais inacreditável ainda é lembrar que ele também fez Era Uma Vez no Oeste, outra obra que não é absurdo cogitar ser a maior dentro do gênero do western, com a gaita de Morricone se eternizando para a história do audiovisual. Em comum, são dois épicos que acabam falando sobre a inevitável chegada do progresso e a morte dos velhos costumes. Acha que acabou? Ainda temos toda a trilogia dos Dólares. Ao ver a carreira de Leone em retrospectiva, é difícil não pensar que ele estava caminhando para se tornar tão mestre como Kubrick no sentido de abordar temáticas diferentes com a mesma maestria, uma pena que sua morte precoce nos deixe apenas imaginar o que mais este diretor poderia ter dirigido.

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Martin Scorsese

🇺🇸 1942

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Vesuvius VI (curta, 1959) e New York City… Melting Point (1966). Seu último filme até a publicação da presente lista foi O Irlandês (2019).

Scorsese é aquele cara que pode estar presente na lista de melhores diretores de alguém que acabou de conhecer a arte do cinema, como alguém que já vive uma relação de amor com ela há alguns anos. Isso só prova sua grandeza e como seu talento está tanto na técnica reconhecida por cinéfilos, mas que suas narrativas dialogam de uma maneira muito orgânica e assimilável para um público menos rigoroso. Não é para todo mundo a capacidade de fazer, praticamente, duas obras-primas por década desde os anos 70. Taxi Driver e Caminhos Perigosos em 70; Touro Indomável e Rei da Comédia em 80; Os Bons Companheiros e Cabo do Medo em 90; Os Infiltrados em 00; Ilha do Medo, O Lobo de Wall Street e O Irlandês em 10. Do que mais gosto nele é a maneira como ele sempre soube assimilar muito bem a questão da brutalidade e crueldade do mundo com uma alta sofisticação narrativa. Mais do que isso, ele parece entender muito bem cada período que está vivendo, nunca caindo no anacronismo.

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Pedro Costa

🇵🇹 1958

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram É Tudo Invenção Nossa (curta, 1984) e O Sangue (1989). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Vitalina Varela (2019).

Ainda não vi todos os filmes do diretor português. Todavia, baseado no que eu vi, já foi o suficiente para fazer com que ele figure entre os meus diretores favoritos. Ah, ter a oportunidade de ter visto o incrível Vitalina Varela, no Festival do Rio 2019, com a presença do próprio Pedro, é algo que pesa no meu coração. É difícil descrever o cinema de Pedro Costa. É o cinema dos oprimidos e renegados. Filmes mortos e de personagens sem vontade, frios e distantes. Em Ossos, um pedinte que já não tem mais força de pedir esmola para ele e seu filho na rua, e o máximo que sai de sua voz é um sussurro para pessoas que não escutam e não fazem questão de escutar. Não é um cinema de pessoas, mas um cinema de sombras. Cinema que não segue uma narrativa convencional, mas que te faz sentir.

  • 5 Filmes de Destaque: Casa de Lava (1994), Ossos (1997), No Quarto da Vanda (2000), Juventude em Marcha (2006), Cavalo Dinheiro (2014).

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Robert Bresson

🇫🇷 1901 — 1999

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Affaires Publiques (curta, 1934) e Anjos do Pecado (1943). Seu último filme foi O Dinheiro (2083).

Outro diretor que venho me aprofundando aos poucos, mas que cada filme preciso de, no mínimo, alguns dias para digerir, é Robert Bresson. Bresson não é um cineasta de empregar muitos artifícios cinematográficos. Pelo contrário, seu cinema é extremamente minimalista. É o cinema no qual menos significa mais. Aliás, é um pouco parecido do que falei de Pedro Costa, no sentido de que os personagens falam sem nenhuma dramaticidade, praticamente. Com isso, com a “invisibilidade” da atuação, o que ganha força são as palavras e os gestos. Em O Batedor de Carteiras, todo o cinema de Bresson está naquele ballet de mãos. Em O Processo de Joana D’Arc, Bresson faz uma abordagem completamente oposta de Theodor Dreyer ao retratar o mesmo julgamento: o conteúdo daquelas palavras ganham força por si só, justamente porque ele não chama atenção através de outros elementos da mise-en-scène como Dreyer fez através de close-ups em um filme muito pautado na atuação de Falconetti (o que não é nenhum demérito, apenas abordagens diferentes).

RAFAEL LIMA

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Alfred Hitchcock

🇬🇧 1899 — 1980
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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Number 13 (filme inacabado, 1922), Always Tell Your Wife (curta, não creditado, 1923) e O Jardim dos Prazeres (longa, 1925). Seu último filme foi Trama Macabra (1976).

O suspense é um dos meus gêneros favoritos, e poucos diretores souberam trabalhá-lo com tanta elegância e ironia quanto o diretor britânico cuja obra conheci tardiamente, mas que rapidamente me conquistou, me fazendo entrar em uma corrida desesperada para conseguir assistir tudo o que eu podia desse gênio.

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David Fincher

🇺🇸 1962
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David-Fincher plano crítico melhores diretores
  • Filmografia: O primeiro filme do diretor foi Alien 3 (1992). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Mank (2020).

Fincher é um diretor cujos filmes tiveram um grande impacto em mim quando menor, com filmes como Seven e Clube da Luta tendo me deixado totalmente embasbacado quando os assisti pela primeira vez nos Supercine da vida. Hoje, respeito ainda mais a técnica rígida e o modo de contar histórias desse cineasta, cujas obras continuam tão fascinantes quanto no começo de sua carreira.

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Hayao Miyazaki

🇯🇵 1941

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Yuki no Taiyô (curta, 1972) e Lupin III – O Castelo de Cagliostro (1979). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Boro, a Lagarta (2018).

Não sou nenhum entusiasta da animação oriental, mas o surrealismo lírico presente nos filmes de Myazaki sempre me impressionaram, desde que o descobri com A Viagem de Chihiro, quando minha irmã o alugou (ainda na era do VHS) depois de ele ter sido indicado ao Oscar. Me abriu os olhos para um cinema que ia além do Hollywoodiano.

  • 5 Filmes de Destaque: Meu Amigo Totoro (1988), Princesa Mononoke (1997), A Viagem de Chihiro (2001), O Castelo Animado (2004) e Vidas ao Vento (2013).

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Tim Burton

🇺🇸 1958

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram The Island of Doctor Agor (curta, 1971) e As Grandes Aventuras de Pee-wee (1985). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Dumbo (2019).

Um dos diretores que me fizeram amar cinema. Filmes como Batman, e sua sequência, Edward: Mãos de Tesoura e Os Fantasmas se Divertem me encantaram nas Sessões da Tarde da vida, enquanto A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça segue sendo um dos meus filmes de terror favoritos. Embora seus trabalhos recentes deixem muito a desejar, minha relação com o cinema teria sido outra sem Burton.

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Mario Bava

🇮🇹 1914 – 1980

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram L’orecchio (perdido, 1946), Os Vampiros (não-creditado, 1957)  e A Maldição do Demônio (1960). Seu último filme foi Schock (co-direção, 1977).

Outro que só fui descobrir tardiamente. O cinema de Bava é absolutamente visionário pela forma como seus filmes parecem antecipar em anos tendências que o cinema de terror adotaria posteriormente, como o Giallo e o Slasher, mas sem com isso ser vítima do próprio vanguardismo. É muito difícil ser fã do gênero e não ter Bava entre os seus diretores favoritos.

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Charles Chaplin

🇬🇧 1889 — 1977

Assisti Tempos Modernos na escola na 4ª série, e simplesmente me encantei pelo trabalho desse “Palhaço Triste”. Embora só tenha desbravado de fato a filmografia de Chaplin muito tempo depois, Tempos Modernos seguiu sendo uma de minhas comédias favoritas. Quando realmente adentrei a obra de Chaplin, ele imediatamente se tornou um dos nomes que sempre lembro quando penso em cinema.

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Eduardo Coutinho

🇧🇷 1933 — 2014

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  • Filmografia: O primeiro filme do diretor foi El ABC do Amor (1967). Seu último filme foi Últimas Conversas (2015).

Único diretor de documentários dessa lista. Não sou um grande consumidor de documentários, mas após assistir Edifício Master na adolescência, fui imediatamente atraído pela maneira única com que Coutinho conduzia os seus filmes, e passei a buscar mais trabalhos do saudoso cineasta paulista. Seu Jogo de Cena transformou-se rapidamente em um dos meus filmes nacionais preferidos de todos os tempos.

  • 5 Filmes de Destaque: Cabra Marcado Para Morrer (1984), Santo Forte (1999), Edifício Master (2002), Peões (2004) e Jogo de Cena (2007).

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John Carpenter

🇺🇸 1948

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Revenge of the Colossal Beasts (curta, 1962) e Dark Star (1974). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Aterrorizada (2010).

Um dos grandes mestres do cinema de terror. A atmosfera única de seus, trilhas sonoras acachapantes e, em alguns casos, um certo clima anárquico, garantem o lugar desse diretor nesta lista. Filmes como Christine: O Carro Assassino, A Bruma Assassina e Os Aventureiros do Bairro Proibido já me impressionavam desde a infância, admiração que só cresceu quando, depois de crescido, conheci os seus melhores filmes, como Halloween e O Enigma Do Outro Mundo.

 

Billy Wilder

🇵🇱 1906 — 2002

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  • Filmografia: O primeiro filme do diretor foi Semente do Mal (co-direção, 1934) e A Incrível Suzana (1942). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Amigos, Amigos, Negócios à Parte (1981).

Um dos grandes da era de ouro de Hollywood. Assisti A Montanha dos Sete Abutres aos dez anos de idade, e descobri que sim, aqueles “filmes velhos em preto e branco” podiam ser tão bons ou até melhores que os filmes produzidos na época em que nasci. Só por isso, ele já tem um lugar especial no meu coração, mas a versatilidade do trabalho desse diretor, que comandou filmes atemporais como Crepúsculo dos Deuses e Quanto Mais Quente Melhor.

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Sergio Leone

🇮🇹 1929 — 1989
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Grande diretor italiano cujos filmes são referência para qualquer um que queira entender um pouco de estética cinematográfica. Outro dessa lista que só descobri na vida adulta, mas que fez com que eu me tornasse consumidor voraz de sua obra. Um cineasta que refinou cada vez mais a sua técnica a cada filme lançado.

FERNANDO CAMPOS

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Martin Scorsese

🇺🇸 1942

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Vesuvius VI (curta, 1959) e New York City… Melting Point (1966). Seu último filme até a publicação da presente lista foi O Irlandês (2019).

Scorsese foi o primeiro diretor que maratonei e não poderia ter feito escolha melhor. Ao assistir cada obra do realizador ítalo-americano, me deparei com um cineasta questionador de regras e que não teme arriscar, me fazendo enxergar um cinema que, até então, não considerava possível. Mais do que isso, Scorsese me encanta por abordar com tanta profundidade temas que a mim também são atrativos, como a religiosidade, efeitos da solidão e o impacto das convenções sociais sobre os indivíduos. O primeiro mestre que estudei por completo e que até hoje permanece no topo da minha lista de diretores preferidos.

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Sergio Leone

🇮🇹 1929 — 1989
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Assistir aos filmes de Leone me ensinou o poder da imagem e do som no cinema. Para ele, uma cena comum como a chegada de um trem em Era Uma Vez no Oeste era suficiente para criar um momento inesquecível e emocionante. O roteiro mais simples, como é o caso de Por Um Punhado de Dólares, nas mãos de Leone vira uma aventura extremamente imersiva e impactante. A obra de Leone questiona todos aqueles que supervalorizam os roteiros, mostrando que o que faz um grande filme é um grande diretor e que o poder da imagem e do som sempre será o maior trunfo do cinema.

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Stanley Kubrick

🇺🇸 1928 — 1999
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Kubrick apresenta o melhor que cada gênero cinematográfico pode ser, tendo revolucionado a ficção científica, o terror, o drama, a comédia, o épico e o filme de guerra. Em meio a tantos realizadores que apostam na exposição e no óbvio, nenhum diretor confiou tanto na inteligência do público quanto Kubrick, provocando nossa percepção sobre as coisas em cada filme. O fato é que, após assistir as grandes obras de Kubrick, ninguém sai a mesma pessoa.

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Quentin Tarantino

🇺🇸 1963
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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Love Birds in Bondage (curta inacabado, 1983) e My Best Friend’s Birthday (longa, 1987). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Era Uma Vez em… Hollywood (2019).

Tarantino foi o diretor que fez eu me interessar por cinema, logo no início da minha cinefilia, fazendo eu perceber que haviam preciosidades que precisava conhecer. Muitos criticam as excessivas referências colocadas por ele nos filmes, no entanto, para mim, isso serve como um convite. As referências levam ao originais e Tarantino desperta o interesse por essas películas. Além das homenagens, ele também coloca personalidade própria nas obras, como os diálogos marcantes, resultando em filmes imersivos, profundos, divertidos e que deixam com um gosto de quero mais.

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Peter Weir

🇦🇺 1944

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram The Life and Times of the Reverend Buck Shotte (curta, perdido, 1968) e Confusão em Paris (1974). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Caminho da Liberdade (2010).

Peter Weir dirigiu o meu filme favorito da vida: O Show de Truman. Só por isso, ele já merecia estar na lista. Porém, Weir ainda entregou outras obras-primas, como A Testemunha e Mestre dos Mares, sem falar em Sociedade dos Poetas Mortos. Um diretor que sabe contar histórias com maestria e que merecia mais reconhecimento por sua brilhante carreira.

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Paul Thomas Anderson

🇺🇸 1970

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram The Dirk Diggler Story (curta, 1988) e Jogada de Risco (1996). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Trama Fantasma (2017).

PTA me faz ficar fissurado por quase todos os seus personagens, mesmo reprovando as atitudes deles. Nenhum diretor utilizou tão bem o talento de Daniel Day-Lewis, nem mesmo Scorsese, e poucos na história do cinema sabem explorar com tanta inteligência o elenco. Até mesmo Adam Sandler foi memorável nas mãos dele, em Embriagado de Amor. Os personagens de Anderson apresentam tantas camadas e nuances que a reflexão sobre si mesmo torna-se inevitável.

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Richard Linklater

🇺🇸 1960

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  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Woodshock (curta, 1985) e It’s Impossible to Learn to Plow by Reading Books (1988). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Cadê Você, Bernadette? (2019).

Linklater é o diretor que me fazer chorar com mais facilidade. É impressionante como as obras dele me atingem fácil e como a visão dele sobre a vida, amor e envelhecimento se comunicam comigo. Chorei não só na Trilogia do Antes, mas também em seus filmes de menos qualidade, como A Melhor Escolha. Linklater atinge em cheio meu coração, justificando a presença na lista.

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Sidney Lumet

🇺🇸 1924 — 2011

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Para mim, Lumet é um dos condutores de diálogos mais habilidosos da história do cinema. Seu trabalho em 12 Homens e Uma Sentença, por si só, exemplifica isso. Além disso, Lumet é responsável pela obra que mais me traz reflexões sobre minha área, o jornalismo, em Rede de Intrigas, mostrando toda a toxidade do sensacionalismo e questionando a visão heroica que Hollywood ajudou a criar do jornalista. Ademais, ele dirigiu outras obras-primas, como Um Dia de Cão e Serpico, mostrando a diversidade de sua filmografia.

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Clint Eastwood

🇺🇸 1930

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O que mais me encanta em Clint Eastwood é sua habilidade em contar histórias de pessoas do cotidiano, mostrando o valor de quem é considerado “normal”. Para ele, uma sociedade melhor ocorre quando cada um faz a sua parte, apresentando heróis reais e críveis. Para isso, realiza um trabalho de direção brilhante, que foca na objetividade e realismo, fazendo-nos prestar atenção nos personagens e menos no realizador. Dito isso, a filmografia de Clint me faz acreditar em mim mesmo, justificando meu apreço por ele.

  • 5 Filmes de Destaque: Os Imperdoáveis (1992), As Pontes de Madison (1995), Menina de Ouro (2004), Gran Torino (2008) e Invictus (2009).

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Christopher Nolan

🇬🇧 1970

  • Filmografia: Os primeiros filmes do diretor foram Tarantella (TV, 1989) e Following (1998). Seu último filme até a publicação da presente lista foi Tenet (2020).

Nolan foi um diretor importante no início da minha cinefilia por apresentar uma estrutura em seus filmes criativa, fruto da montagem inteligente, me fazendo buscar mais obras assim. Some isso ao impacto que senti quando assisti O Cavaleiro das Trevas, tornando-o de cara um dos meus diretores favoritos. Para completar, na minha opinião, ele realizou um dos melhores filmes da última década, Dunkirk. Portanto, Nolan chamou minha atenção quando comecei a acompanhar cinema e segue até hoje me encantando, ou seja, merece presença na lista.


LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.