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Lista | Perry Mason – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

por Ritter Fan
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Temporada:
(não é uma média)

Anunciada primeiro como uma minissérie, mas ganhando o status de série quando nem bem passava da metade, o retorno de Perry Mason, depois de 27 anos distante do audiovisual não poderia ter sido melhor. Contando uma história de origem inédita do clássico personagem que Erle Stanley Gardner imortalizou a partir de 1933, a HBO e os showrunners Rolin Jones e Ron Fitzgerald colocaram nas telinhas uma obra que já nasce clássica não só pela incrível transformação do protagonista de detetive desgrenhado, mal vestido e depressivo em um advogado esperto, capaz de dobrar a lei para fazer Justiça, como também pela magnífica escolha do elenco principal e pela cuidadosa reconstrução de época, imergindo o espectador na Los Angeles corrupta, mas economicamente ascendente dos anos 30, apesar da Grande Depressão.

Os oito episódios são tão homogêneos em qualidade que chega a ser escruciante a tarefa de ranqueá-los. A diferença entre os último e primeiro lugares são mínimas, realmente quase irrelevantes, pelo que as colocações são, no final das contas, um mero exercício ilustrativo.

Confiram nossa ranqueamento e mandem os de vocês!

8º Lugar: Chapter Six

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Os acontecimentos ao redor do julgamento são interessantes, mas o roteiro nos deixa ver apenas as árvores e não a floresta. Percebe-se que há algum esquema envolvendo terras para desenvolvimento imobiliário e é revelado que o policial corrupto Ennis parece ter agido sozinho quando assassinou os três bandidos, sem que seu parceiro soubesse o que estava acontecendo. Além disso, o envolvimento da igreja – provavelmente sem o conhecimento da Irmã Alice – é sacramentado, mas ainda faltam os encaixes que contem uma história coesa, algo que, não tenho dúvida, virá muito provavelmente já no próximo episódio, penúltimo da temporada. Será interessante ver Mason levar isso tudo ao tribunal para demolir o caso do promotor Maynard Barnes, ainda que eu desconfie que boa parte do problema será revolvido com um acordo para livrar a cara de Barnes da vergonha total.

7º Lugar: Chapter One

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O episódio é mesmo introdutório de Mason e não do caso em si, já que ele só ganha foco de maneira marginal ao longo de toda a duração, com exceção dos minutos finais em que a ação entre bandidos ganha ênfase, com revelações importantes para o espectador, mas não para o protagonista. Seja como for, a contextualização da Lei Seca, do divórcio de Mason, que tem um filho que não pode ver, de seu passado obscuro no exército e de seu caso de conveniência com Lupe (Veronica Falcón), dona do aeroporto do outro lado da cerca de sua casa, vestem muito bem o personagem que Rhys tenta construir, sendo emblemática a cena em que ele revira as sacolas de pertences de mortos no IML local para escolher uma gravata nova, que ele “compra” do legista. Além disso, sua moral é no mínimo dúbia considerando o esquema de extorsão que ele e seu colega de profissão Pete Strickland (o sempre bonachão Shea Whigham) tentam impor a um dono de estúdio de cinema.

6º Lugar: Chapter Three

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Perry Mason vem se mostrando surpreendente. Não só o que a série vem entregando é incomum em termos de protagonista, com um homem de moral dúbia (só para usar um eufemismo), pisoteado pela vida e aparentando um mendigo, como a cada episódio da curta minissérie – que já quero que seja a primeira temporada de várias – novos e diferentes elementos são acrescentados à história principal, sem deixar a peteca da crítica social cair sequer por um minuto. Não sei se o bebê Charlie ressuscitará, mas com certeza o nonagenário Perry Mason ganha uma nova vida com o que parece ser mais um grande acerto da HBO.

5º Lugar: Chapter Four

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Mesmo que a investigação tenha andado a passos largos aqui, o que envolveu furto de cadáver, tentativa de convencer o legista amigo de fazer uma segunda autópsia no porão da fazenda de Mason e, depois, a desova do mesmo cadáver em pleno campo de golfe para tornar inevitável a desejada segunda autópsia, tudo feito com convenientes e até engraçadas elipses narrativas, o grande destaque do capítulo ficou por conta do advogado E.B., magistralmente vivido por John Lithgow. Os showrunners têm sido particularmente cruéis com o personagem durante a série, primeiro estabelecendo-o como um advogado de renome, somente para, depois, muito aos poucos, desconstruírem essa noção, inclusive emprestando-lhe uma doença que ele esconde a todo custo, revelando a situação financeira cambaleante de seu escritório e, agora, uma acusação – pelo visto completamente procedente – de desfalque do dinheiro de caução de clientes antigos.

4º Lugar: Chapter Eight

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Usando inteligentemente, e por duas vezes seguidas, o encenamento de sequências enganosas, primeiro dando a entender que o detetive Joe Ennis realmente estava depondo, somente para a cena cortar para o treinamento de Perry em sua casa e, depois, usando um flashback sobre o sequestro do bebê para mergulhar no depoimento verdadeiro de Emily Dodson, o texto da trinca de escritores combinado com a magnífica direção de Tim Van Patten, que capitaneou cinco dos oito episódios, laça o espectador com enorme eficiência, quebrando a expectativa de linearidade, longos discursos e perguntas e respostas quentes, com debates entre os dois lados do caso. A dicotomia entre a verdade e a Justiça é o mote do episódio e da série como um todo. Como Mason afirma, lendo o lema acima do juiz, primeiro vem a verdade, depois a busca pela Justiça, mas ele mesmo sabe que a verdade verdadeira, aqui, é impossível de ser provada, de ser materializada de maneira coerente e tudo é, no final das contas, um jogo.

3º Lugar: Chapter Seven

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Se os contornos das circunstâncias que levaram ao assassinato já haviam sido delineados, faltavam ainda as peças finais para tornar possível a visão do quebra-cabeças. A situação financeira periclitante da igreja ganha então todo o esclarecimento necessário, fazendo com que o sequestro do bebê passe a ser algo planejado por Eric Seidel juntamente com o policial corrupto Ennis para reverter esse cenário. No entanto, a morte em si do bebê foi causada não por vontade dos bandidos, mas sim pela estupidez de Ennis ao arregimentar os serviços de ama de leite de uma prostituta viciada em heroína que conhecia.

2º Lugar: Chapter Two

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Isso fica muito evidente logo na tomada inicial, um flashback para a Primeira Guerra Mundial com o soldado Perry Mason levando seus comandados para o fronte em uma excelente sequência que lembra os melhores filmes de guerra, desde o clássico moderno O Resgate do Soldado Ryan até o recente 1917, passando pelos sensacionais Glória Feita de Sangue e Sem Novidade no Front. A brutalidade é chocante, assim como o impacto em Mason que vê seus colegas sendo mortos e despedaçados ao seu redor, com uma condução soberba de Tim Van Patten. Quando retornamos para o presente, vemos o já detetive quase em estado de mendicância, em uma tomada que por alguns segundos nos deixa dúvida do que está acontecendo, somente para revelar que ele aguarda a abertura da loja de costura para investigar a origem do fio que retirou dos olhos do bebê assassinado, algo que nos relembra do macabro por um lado e, por outro, mantém a potência e o horror da cena de guerra.

 

1º Lugar: Chapter Five

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É o suicídio de E.B. que, ironicamente, faz todas as peças se encaixarem à perfeição. Vemos Perry e Della trabalhando em sincronia para transformar a morte escolhida em morte por causas naturais por uma questão de respeito ao advogado e também para enganar a seguradora – há a justiça e há o que é certo, afinal de contas -, descobrimos que E.B. há muito não via seu filho e netos, o que automaticamente leva Perry a visitar seu próprio filho e a perceber que não quer acabar como seu amigo e empregador, como que se víssemos o nascimento de um novo propósito em sua vida. Por outro lado, com a indicação de um advogado “amigo do promotor” para substituir E.B. na defesa de Emily, vemos Della firme na missão de conseguir alguém que realmente abraçará a causa e não um vendido que entregará tudo de bandeja para a acusação. Essa combinação astral e a capacidade de Della de pensar rápido, sua rede de conhecimentos e sua compreensão de que fazer o certo – e não exatamente o que a lei manda – é realmente o caminho a seguir, levam ao nascimento meteórico de Perry Mason, o advogado.

 

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