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Lista | Pixar – Os Filmes Ranqueados

por Iann Jeliel e Davi Lima
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O estúdio Pixar, sempre conhecido pela criatividade para conceber universos de exercício verossimilhante a nossa realidade, tem sua origem provocada pelo sonho tecnológico independente de uma empresa com ares da Disney moderna do final do século XX. Isso sempre influenciou as obras em geral, em que a inspiração por temas lúdicos, emocionais, familiares e da vida como um todo sempre olhou para detalhes da infância se tornando grandes histórias. A empresa de caráter plural, de estagiários quase vitalícios e impulsionadora de novas ideias inacabáveis, mesmo depois da compra pela Disney e das sequências que para o público em geral correspondem apenas a estufas que esquentam as finanças de uma empresa agora subsidiária de animação, na verdade permitia que seus criadores se aventurassem com as mesmas aventuras cada vez menos verossimilhantes e mais emocionais com a realidade já existente do nosso mundo.

Com a estreia de Soul, na última semana no Disney Plus, surgiu uma nova oportunidade para a equipe do Plano Crítico, atualizar o ranking das animações do estúdio, da pior à melhor, desta vez com a visão atualizada e acrescentada de nossos novos colunistas. Além de nós (Iann Jeliel e Davi Lima), participaram deste ranking o nosso editor Ritter Fan e os escritores Handerson Ornelas, Roberto Honorato e Kevin Rick. Por se tratar de uma lista conjunta, existiram alguns critérios para chegarmos a este veredito (por ordem de prioridade):

  1. Somatório das notas. Cada participante mandou seu ranking com a nota de cada filme, quanto maior o somatório, melhor a colocação;
  2. Somatório das posições. Em caso de empate no primeiro critério, os dois filmes disputariam o somatório dos números das posições dos rankings. O menor número (indicando o melhor posicionado) levaria vantagem;
  3. Maior nota, mais vezes. Persistindo o empate, aquele que tivesse a maior nota individual presente na disputa por mais vezes levaria a vantagem.

Lembrando que nenhuma lista tem caráter definitivo, especialmente as compostas por mais de uma pessoa, que por si só já divergem entre si. Portanto, deixem suas listas nos comentários! Abaixo, alguns comentários (de Iann e Davi) sobre cada animação, mas você pode conferir uma opinião bem mais detalhada acessando nossas críticas, é só clicar no link de cada título.
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23° Lugar: Carros 2

(13,5 Pontos)

Davi Lima: “O título muito falado de ‘pior filme da Pixar’ é pura consequência da ironia de tornar a verossimilhança e a referência cinematográfica do primeiro Carros em um pastiche de homenagens a filmes de espionagem com princípio cômico. Assim, toda a estrutura do universo Carros se torna frágil na incapacidade de compreender que o seu combustível da homenagem é exatamente nunca torná-la totalmente explícita, muito menos depender dos estereótipos para dramas de um protagonista como Tom Mate.
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22° Lugar: Valente 

(18,5 Pontos)

Iann Jeliel: “É mais um filme da Disney do que da Pixar, o que não necessariamente é ruim, mas torna a ruptura de ideias propostas aqui mal-transicionada. Não se explora o universo, tampouco os signos se relacionam à temática familiar colocada goela abaixo na mística do urso. Assim, o empoderamento de uma princesa autossuficiente acaba sendo escanteado por uma história fraca.
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21° Lugar: O Bom Dinossauro

(18,5 Pontos – Vantagem Por Posição)

Iann Jeliel: “É um espetáculo visual animado à parte, talvez o filme mais bonito da Pixar, que tinha todas as ferramentas para auxiliar a tentativa falha de transformar sua narrativa em algo mais sensorial. Em termos de estrutura, talvez seja o filme que menos pensou adaptativamente na fórmula Pixar se adequar à história, porque os pormenores são insuficientes para dar o mínimo de personalidade à obra.
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20° Lugar: Universidade Monstros

(18,5 Pontos – Vantagem Por Posição)

Davi Lima: “O método de exposição do universo Pixar como reverso de conceitos em um prelúdio assumido de Monstros S.A.. O diretor Dan Scanlon trouxe o princípio de uma nova Pixar que traduz a realidade para os pixels, como a universidade, em vez de inventar um novo universo. Apesar da limitação em dependência do futuro já estabelecido, é um filme determinante para compreender a capacidade da Pixar de redistribuir seus conceitos de medo e ousadia como antíteses dramáticas num mundo de monstros.
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19° Lugar: Carros 3

(19,5 Pontos)

Davi Lima: “É uma obra assumidamente tardia dentro dos parâmetros familiares de cisão. Uma franquia, assim como Relâmpago Mcqueen, foi fadada à velhice de brinquedos trocados por videogames, que dá um último suspiro no retorno às origens da Pixar para evidenciar seus olhares modernos afunilados, eufemizados, mas relevantes dentro da empresa da Disney.
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18° Lugar: Procurando Dory

(20 Pontos)

Iann Jeliel: “O que mais interessa aqui é a história intimista de Dory, que talvez tenha se resolvido cedo demais no filme. O ápice emocional disso é maravilhoso, mas o filme, até pela proposta de ressignificação do status de familia, sente a necessidade de criar um novo clímax para resolver apoteoticamente também esse lado, que não precisava acontecer. Apesar desse final, é uma continuação digna de um dos melhores títulos da Pixar.
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17° Lugar: Carros

(22,5 Pontos)

Davi Lima: “Um ato nostálgico do diretor John Lasseter com as viagens prolongadas das rotas desérticas nas rodovias que davam em pequenas cidades do interior, e o apelo infantil com a brincadeira espacial audiovisual com os carrinhos numa trama intimamente envolvida com o estrelato das corridas. Para alguns soa como uma história fúlgida e comum, para outros é a sensação empolgante de um reconhecimento do legado das boas viagens nas estradas.
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16° Lugar: Os Incríveis 2

(23 Pontos)

Iann Jeliel: “As expectativas eram altíssimas, e talvez isso tenha prejudicado um tanto o olhar da continuação, que em nenhum momento busca ser maior que seu antecessor, nem quer exatamente expandir o universo dele, mas tornar a história da família de super-heróis mais intimista e representativa. Obviamente não tem o mesmo frescor de novidade, mas nem precisa, é uma continuação extremamente satisfatória.
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15° Lugar: Toy Story 2

(24 Pontos)

Davi Lima: “O entendimento da real família na mesma medida de modelagem cinematográfica que brinquedos como protagonistas podem oferecer. O protagonista Woody em conflito com sua personalidade e sua essência. A grande novidade convém na trama de assalto e plot-twists que alguns julgam mais intensa no drama da afetividade, mas que parece apenas uma aparelhagem clássica com a primeira obra introdutória do estúdio Pixar.
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14° Lugar: Vida de Inseto

(24,5 Pontos)

Davi Lima: “Partindo de um personagem chamado Flik e da própria natureza como universo para reproduzir estruturas reconhecíveis de histórias clássicas do cinema, é mais um filme da Pixar disposto a flexibilidades em interpretações metafóricas, ou apenas se situar nas referências cinematográficas. Reconhecível mais pelo carisma dos personagens e menos pela criatividade da trama.
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13 ° Lugar: Viva: A Vida é uma Festa

(25 Pontos)

Iann Jeliel: “Certamente o mais divisivo entre os membros da equipe. Há quem olhe para o filme e veja o aspecto emocional de maneira apelativa, o que faz até sentido dentro de um aspecto universal que a história aborda, no entanto a sensibilidade de Lee Unkrich é a chave para esse filme ser tão impactante para quem gosta, especialmente por tratar a morte, algo sempre tão delicado de se discutir, com uma beleza e valorização cultural simplesmente gratificantes.
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12° Lugar: Toy Story 4

(25 Pontos – Vantagem Por Posição)

Iann Jeliel: “Parecia não haver justificativas no imaginário popular para uma continuação da trilogia Toy Story, mas os contornos sociais e o desapego consumista provaram ser uma arma fidedigna para justificar uma nova conclusão para a saga dos brinquedos. Particularmente, é meu filme favorito da saga por conta dessa desconstrução mais inclusiva, mas que não nega as origens da saga que promove a amizade para a união de gerações.
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11° Lugar: Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica

(25 Pontos – Vantagem Por Posição)

Iann Jeliel: “Fico triste que meu favorito da Pixar não tenha entrado no Top 10 (e justamente atrás do filme que menos gosto da empresa), embora entenda que exista uma dificuldade de relação com ele por conta de sua imensa pessoalidade. No entanto, é aí que está a mágica do filme, acho que a Pixar nunca foi tão pessoal, e felizmente essa pessoalidade me atingiu em cheio, de um modo que jamais esquecerei. Assim, apesar da colocação, vejo este como o ápice dessa Pixar mais preocupada com o emocional e histórias intimistas que valorizam as coisas pequenas da vida, tal como irmãos. Por sinal, já agradeceu por ter o seu ao seu lado agora?
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10° Lugar: Up: Altas Aventuras

(25 Pontos – Vantagem Por Posição)

Davi Lima: “A cisão de uma Pixar independente comprada pela Disney representada num filme. A velhice e a perda como início, o meio como uma aventura rejuvenescedora e uma ressignificação do matrimônio para os tempos contemporâneos. Parece um grande anticlímax que alguns superestimam ou subestimam em meio a choros exitosos por quais a Pixar foi se definindo com o público.

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9° Lugar: Toy Story 3

(26,5 Pontos)

Davi Lima: “O grande exemplo de equilíbrio dramático entre o apelativo sustentável e a real melosidade de uma despedida. O que é mais triste, a morte ou o adeus? Este filme não responde, mas estrutura um playground definitivo de emoções que equivale a uma última brincadeira abrangente e profunda com as representações Pixar mais icônicas do estúdio.
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8° Lugar: Soul

(27 Pontos)

Iann Jeliel: “É a Pixar didatizando sua nova fórmula que já havia sido falada antes: valorizar as coisas pequenas, o aspecto emocional, as histórias íntimas e mais representativas de um modo universal. É a estrutura clássica enfim passando o bastão para a estrutura moderna, num processo tão natural que conquista facilmente, embora corra poucos riscos, acaba por achar seu charme na valorização de dois legados.
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7° Lugar: Toy Story

(27,5 Pontos)

Davi Lima: “Muito mais que uma trama de amizade, é uma verdadeira modelagem para qualquer metáfora que uma narrativa clássica utilizando brinquedos como personagens que não querem se perder na mudança de casa pode oferecer. Isso que torna o filme tão perseverante na memória, pois assim como um brinquedo tem a memória afetiva de uma criança, este longa é uma verdadeira loja de afetividades na busca pela fraternidade.
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6° Lugar: Monstros S.A

(28,5 Pontos)

Davi Lima: “O susto como empatia e a risada como energia em meio aos portais nos quartos das crianças. Numa trama industrial energética, a criança se torna um macguffin matéria bruta de energia renovável para um mundo de monstros que compreende que, melhor do que assustar, amar as crianças é sempre o abrir de uma porta para a felicidade persistente no mundo capitalista.
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5° Lugar: Divertida Mente

(28,5 Pontos – Vantagem Por Melhor Nota)

Iann Jeliel: “Um divisor de águas para uma Pixar que agora entraria mais na cabeça de seus personagens (literalmente) e trataria muito mais de emoções (também literalmente) em um exercício que o universo seria apenas um utensílio em meio a jornadas de amadurecimento pessoais, modernas e ressignificantes. Onde a tristeza vira aprendizado e a felicidade está em momentos mais íntimos do que se imagina.
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4° Lugar: Ratatouille

(28,5 Pontos – Vantagem Por Posição)

Davi Lima: “Se não bastasse a ironia culinária de um rato cozinheiro na França, uma frase de efeito que todo mundo pode cozinhar e uma transposição dos sentimentos gustativos para o audiovisual, este é o filme profundo sobre o conceito de perspectiva e fenômeno da crítica artística. Com fervor parisiense de uma trilha sonora inesquecível, é um filme sinérgico da verossimilhança dos filmes Pixar.
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3° Lugar: WALL-E

(28,5 Pontos – Vantagem Por Posição)

Davi Lima: “Uma verdadeira space opera em defesa do meio ambiente. Nos almejos do diretor Andrew Stanton de capitalizar com a tecnologia Pixar o naturalismo da realidade, o robozinho compactador de lixo tem seu romance futurista enquanto se torna o herói clássico da Terra. Definitivamente um auge de criatividade com o melhor do futurismo, romantismo e ambientalismo.
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2° Lugar: Procurando Nemo

(29 Pontos)

Iann Jeliel: “Talvez a obra mais atemporal da Pixar, que explora seu imenso universo como ninguém e ao mesmo tempo entrega uma de suas histórias mais singelas, pessoais e universais, um pai que atravessa o oceano para aprender a ser um pai melhor. Um filme incrível mesmo com sua previsibilidade, afinal, sabemos que Nemo será encontrado, mas é o ‘como’ a graça da coisa. Um banho de criatividade em uma aventura simplesmente inesquecível para todas as idades.
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1° Lugar: Os Incríveis

(29 Pontos – Vantagem Por Posição)

Iann Jeliel: “Mais do que o melhor filme da Pixar, é o filme de equipe de heróis definitivo. Em uma dinâmica rítmica que não envelheceu sequer um dia, Os Incríveis é a representação máxima da Pixar, que alia o bom entretenimento ao reflexivo íntimo e substancial adulto de temáticas familiares universais. Icônico e empolgante do início ao fim, não há outra forma de descrevê-lo se não pela palavra INCRÍVEL!

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