Lista | See – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Nota da temporada
(não é uma média)

A promessa de uma série pós-apocalíptica com a população remanescente da Terra reduzindo-se a tribos involuídas e com todos os humanos completamente cegos era intrigante. A presença de Steven Knight, responsável por Peaky Blinders, como criador e showrunner, era garantia de qualidade. A aposta da Apple TV+ que colocou See como uma das séries de lançamento de seus serviço de streaming era certeza de confiança no produto.

No entanto, apesar de ter começado muito bem, See mostrou-se errática, com roteiros cheio de conveniências e situações inexplicáveis ao ponto de serem risíveis. Sem dúvida com visuais belíssimos e com sequências de batalha e conflitos muito bem coreografados e sem economizar na violência, a série não soube desenvolver de maneira lógica sua narrativa e rapidamente se perdeu em meio a um vazio genérico.

Vamos lá para o nosso tradicional ranking dos episódios?

8º Lugar: House of Enlightenment

1X08

Na verdade, no afã de criar um cliffhanger inesperado, o roteiro que Knight co-escreveu com Jonathan Tropper atropela o próprio episódio, esvaziando-o de qualquer significado e retirando qualquer possibilidade de “iluminação” na tal House of Enlightenment, uma prisão com energia elétrica e uma vasta biblioteca onde o misterioso Jerlamarel coleciona filhos (e netos) com o poder da visão. Até visualmente o local é pouco inspirado e, ironicamente, mais escuro do que as tomadas exteriores da série, com o patriarca pouco falando de suas intenções, mas deixando evidente que ele deixou sua hubris  subir à cabeça, levando-o a comparar-se com um deus ou pelo menos equiparar-se a um messias.

7º Lugar: Plastic

1X05

Afinal de contas, se Maghra é uma princesa e bastava ela balançar aquele anel que ela protege obsessivamente, porque afinal ela não fez exatamente isso lá no vilarejo dos Alkenny, antes que todos fossem massacrados? Para que fazer suas crianças passarem por mais perigos se ela tinha o poder de parar Tamacti Jun de maneira tão dramática e eficiente? Sei que sempre haverá aquela resposta espertinha do tipo “senão não tinha história”, mas não é disso que falo. Espero muito fortemente que Steven Knight consiga explicar essa inconsistência de algum jeito minimamente convincente, caso contrário See poderá ser ferida de morte sob o ponto de vista narrativo, abrindo caminho para literalmente qualquer coisa, por mais ilógica que possa ser.

6º Lugar: Lavender Road

1X07

Faltando apenas um episódio para o encerramento da 1ª temporada, See traz um episódio que consiste basicamente na estirada final da peregrinação de Baba Voss, Haniwa, Kofun, Paris e Bow Lion pela estrada do título até o misterioso quartel-general de Jerlamarel, com todas as promessas que vêm embutidas nessa premissa e que permanecem como mistério para o espectador e como o artifício que move os jovens que enxergam para deixar seus pais em uma forçadíssima metáfora da jornada de amadurecimento que já vimos tantas vezes antes. É o típico episódio que poderia ser condensado em algo como 10 minutos e fundido ao último, sem toda a enrolação que o roteiro de The Lavender Road traz.

5º Lugar: Silk

1X06

A resposta não é nem de longe um sim, infelizmente, mas, por outro lado, também não é um não retumbante. A questão toda é que, no lugar de racionalizar suas inações, Maghra, provocada por Tamacti Jun, apenas oferece explicações que não eram lá realmente necessárias, além de serem basicamente aquela receita de bolo de fubá bem simplesinha, feita com massa semipronta e doses cavalares de desleixo. Aprendemos, com um breve flashback, que, apesar de mais nova que sua irmã Kane, seu pai moribundo desejava que Maghra tomasse o trono, por ver na outra a semente da loucura ou da incapacidade de governar. Logo em seguida, agora sem apoio de flashback, ou seja, marretando um preguiçoso texto expositivo de maneira inclemente, a princesa explica que tentou um golpe, mas que Tamacti Jun, ao manter-se fiel à Kane, acabou frustrando-o, fazendo-a fugir do reino levando Jerlamarel, aparentemente o homem mais irresistível do mundo, a tira-colo.

4º Lugar: Message in a Bottle

1X02

Há muito a ser desenvolvido ainda em See e, apesar da atmosfera familiarmente bizarra no estilo Mad Max, só que bem mais verdejante e sem os carros, é perfeitamente possível permanecer sedento por mais ao longo de toda a projeção. Trocando em miúdos, esse começo da série cumpre sua função de atrair o espectador para esse estranho e angustiante mundo em que a visão não só é raríssima, como é temida. Se Knight cumprirá a promessa que faz com esses três primeiros episódios, só o tempo dirá.

3º Lugar: The River

1X04

Não demora e descobrimos que o líder dos Alkenny construiu uma versão em tamanho real do barquinho que os pais das crianças havia colocado em sua caixa de tesouros, o que imediatamente estabelece o desafio: como navegar o rio sem enxergar nada e, mais ainda, como fazer isso sem que os perseguidores descubram onde os fugitivos estão. Mais uma vez, o roteiro trabalha de maneira perfeitamente crível as estratégias dos dois lados, com o silêncio profundo por parte dos Alkenny sobreviventes que, claro, têm a vantagem da visão de Kofun (Archie Madekwe) e Haniwa (Nesta Cooper) e todo o tipo de provocações por parte de Tamacti Jun. São vários minutos de tensão silenciosa que faz uso magistral de uma fotografia que, ironicamente, enche os olhos. Quando a violência entra em erupção, as sequências são muito bem trabalhadas sem permitir que a narrativa esfrie e terminando de estabelecer o grupo base da temporada que, fora do círculo familiar, inclui Paris (Alfre Woodard) e Bow Lion (Yadira Guevara-Prip), que é a Sombra.

2º Lugar: Godflame

1X01

A ambição da criação de Steven Knight, responsável também pela sensacional Peaky Blinders, fica evidente já nas tomadas em planos gerais e outras em contra-plongée de paisagens florestais belíssimas e silenciosas que a fotografia em locação no Canadá permitiu capturar e que imediatamente passam a necessária sensação primal de regressão civilizatória por que a humanidade atravessa nessa ficção. E, imediatamente, o espectador é arremessado no seio do minúsculo vilarejo chefiado por Baba Voss (Momoa) como um recorte micro dessa civilização com regras completamente novas.

1º Lugar: Fresh Blood

1X03

No entanto, uma vez ultrapassada a novidade da situação inusitada que a premissa exige, o que há é um épico que segue a estrutura clássica do “messias perseguido” e que economiza na ação propriamente dita pelo menos aqui nesse começo, revelando mistérios a conta-gotas e de pouco em pouco expandido o mundo que aborda. Falando em ação, apesar de raras, quando ela vem fica aquela sensação de que a espera valeu a pena, com coreografias de luta que merecem particular atenção, começando pela inicial, na forma de uma batalha campal, e terminando (até agora), com um espetacularmente violento “voo solo” de Baba Voss no terceiro episódio que deixa evidente toda sua fúria e potencial futuro de outros momentos em que Momoa volta a encarnar seu saudoso Khal Drogo.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.