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Lista | See – 2ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Aquaman vs Drax.

por Ritter Fan
6.857 views (a partir de agosto de 2020)

Avaliação da temporada:
(não é uma média)

  • Há spoilers.

A mais ambiciosa série da leva inicial do Apple TV+, apesar de seus visuais deslumbrantes e a premissa realmente interessante, abordando um futuro apocalíptico em que o que restou da humanidade não mais tem o dom da visão, falhou em sua missão básica de contar uma história verdadeiramente engajante e muito disso foi em razão do peso narrativo trazido pelo suposto messianismo de Jerlamarel, uma das raras pessoas que enxerga e que passa a vida tentando reproduzir o máximo possível para espalhar seus cromossomos avantajados. Mas Steven Knight parece ter percebido isso e encerrou rapidamente esse arco na 2ª temporada, introduziu Edo Voss, vivido por Dave Bautista, irmão de Baba Voss e estabeleceu a nova premissa, ou seja, o conflito entre Trivantis, poderosa cidade industrial cujo exército é comandado por Edo e Pennsa, cuja rainha é a louca Sibeth Kane que, na verdade, provoca a guerra.

Com isso, o showrunner, com uma cajadada só, simplifica sua história macro – ainda que mantendo a oposição existente entre aqueles que não enxergam e os que enxergam – para um grande conflito entre nações, o que permite mais manobras políticas dos dois lados e excelentes momentos de ação que fazem o melhor uso possível das necessidades e peculiaridades trazidas pelo fato de quase ninguém ter visão. Com isso, Knight “destravou” sua série e começou a mostrar o potencial verdadeiro que ela tem, sem deixar de desenvolver núcleos específicos como o relacionamento amoroso de Haniwa e Wren, a manipulação política de Sibeth, que também manipula Kofun de forma a engravidar dele, o retorno de Tamacti Jun, a introdução de Toad e sua conexão com Paris e, claro, a força da natureza que é Baba Voss, capaz de absolutamente tudo por sua família.

Foi uma temporada homogeneamente de qualidade, sem quase nenhuma oscilação entre altos e baixos e nenhum episódio abaixo do “bom”, o que é realmente importante considerando que são apenas oito e todos precisam contar para o todo, sem desvios, sem fillers, sem nada que afunde a narrativa. Com isso, houve uma sensível melhora da qualidade que acompanhou a progressão da temporada quase que perfeitamente, com os dois episódios finais, fortemente galgados em clichês muito bem executados, sendo o ponto alto do segundo ano da série.

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Como fazemos em toda série que analisamos semanalmente, preparamos nosso tradicional ranking dos episódios para podermos debater com vocês, lembrando que os textos abaixo são apenas trechos das críticas completas que podem ser acessadas ao clicar nos títulos dos capítulos. Qual foi seu preferido? E o pior? Mandem suas listas e comentários!

8º Lugar:
The Witchfinder

2X04

Do lado da Princesa Maghra, os acontecimentos correm com velocidade. Seja seu casamento com Lorde Harlan ou o retorno de Kofun para o seu lado, com uma razoavelmente esperada indignação do jovem com o que está acontecendo que o leva a ficar contra a mãe e, ao que tudo indica, do lado da tia, o roteiro não perde tempo em mover as peças e recolocá-las estrategicamente no tabuleiro para a chegada próxima de Baba Voss e Haniwa, além de, claro, Tamacti Jun, o que pode fazer ruir a frágil aliança que tem como objetivo – ou desculpa, na verdade – manter vivos os filhos de Maghra. Confesso que tudo talvez tenha andado rapidamente demais, com a inexplicável demora da princesa em revelar seus segredos para o filho precipitando a separação deles, o que só tende a se agravar com a chegada do retorno da família.

7º Lugar:
Brothers and Sisters

2X01

O roteiro do episódio carrega com bastante facilidade sua carga introdutória de um novo status quo. De um lado, temos Baba Voss invadindo Trivantis e, claro, sendo capturado ao final depois de ser traído e de matar muita gente, o que garante toda a dose necessária de violência sanguinolenta e, de outro, temos a Rainha Sibeth Kane, acompanhada de sua irmã Maghra e de Boots, outro filho que enxerga de Jerlamarel, chegando à cidade fortificada de Pennsa, parte de seu reino Payan de forma a reafirmar seu status. Essa segunda linha narrativa é a que oferece os vislumbres das intrigas palacianas que foram tão mal abordadas na primeira temporada, com a introdução de Lorde Harlan (Tom Mison), regente da cidade que muito claramente não está confortável com o retorno de sua rainha, especialmente diante das dúvidas do que aconteceu em Kanzua, antiga capital do reino.

6º Lugar:
The Compass

2X03

O interessante em The Compass é a forma como o roteiro de Shelley Meals fecha um grande ciclo narrativo que gravitava ao redor do mítico Jerlamarel, homem que enxerga que peregrinou pelo mundo espalhando sua “semente” mutante, por assim dizer, depois colhendo os frutos de sua plantação. Tendo sido cegado por Baba Voss ao final da temporada inaugural, tinha dificuldade de imaginar qual seria seu propósito dali em diante e o episódio, então, vem responder minha dúvida com um singelo “nenhum”. Com compreensíveis dificuldades para se adaptar ao novo status quo, Jerlamarel tem sua cabeça decepada por Edo Voss que, inicialmente desconfiando que ele teria ajudado na fuga de seu irmão, Haniwa e Tamacti Jun, aproveita a oportunidade para tomar controle do santuário e de todos os filhos com visão da figura profética, ganhando, com isso, potencial vantagem tecnológica que logo usará para tomar controle total de Trivantis via um inevitável golpe de estado e, em seguida, entrando em guerra com Paya.

5º Lugar:
Forever

2X02

A adição de Dave Bautista ao elenco de See como Edo Voss, irmão mais novo do protagonista, foi uma decisão mais do que acertada. Não só o ex-lutador empresta outro nível de ameaça no horizonte, servindo de veículo para a apresentação da aparentemente invencível cidade de Trivantis, como ele permite a abordagem mais direta do passado de Baba Voss que ainda permanece envolto em mistérios, mas que já deixa vários indicativos – também presentes na temporada inaugural, mas que, aqui, ganham mais relevo – de que o pai protetor e marido sofredor vivido por Jason Momoa foi, em outra vida, um homem bem diferente do que o apresentado até agora.

4º Lugar:
The Dinner Party

2X05

Mas o que realmente se destaca são as manobras políticas, com Maghra tentando convencer sua irmã a tentar a paz e oferecendo-se como a emissária de Paya nas tratativas com Trivantis, ao mesmo tempo que Sibeth deixa bem claro que ela não tem o menor interesse em uma trégua, preferindo arriscar tudo em uma jogada arriscadíssima contra uma potência bélica. E é claro que não podemos esquecer as maquinações da rainha para encantar seu próprio sobrinho, de forma a engravidar dele, o que potencialmente colocar Kofun contra a própria irmã em algum momento da temporada.

3º Lugar:
The Truth About Unicorns

2X06

Essa sequência é uma daquelas oportunidades audiovisuais que mencionei no primeiro parágrafo, pois a fotografia no quase breu total é um triunfo de Michael Snyman, o diretor de fotografia do episódio, que trabalha quase que exclusivamente com superfícies não reflexivas – a exceção é a neve no chão, claro – sem jamais tornar a progressão narrativa confusa ou perdida na escuridão. A arquitetura sonora também merece comenda por fazer muito uso do silêncio interrompido por mínimos sons da natureza, dos sinais verbais e do metal das armas, resultando em um balé assíncrono, se considerarmos a entrada de Baba Voss na “dança”, que consegue fazer o coração de qualquer um bater mais forte.

2º Lugar:
Rock-a-Bye

2X08

Com isso, claro, o grande destaque é o combate entre os exércitos de Trivantis e Paya, combate esse regido pelas regras internas que tentam com bastante sucesso, tenho para mim, imaginar como seria algo dessa escala em um mundo em que a esmagadora maior das pessoas não tem o dom da visão. Não preciso dizer que tudo o que ocorre na pancadaria generalizada, com direito a diversas cabeças voando e crânios partidos ao meio, além de muito bem boladas flechas com sinos lançadas por Haniwa para marcar os alvos para os demais, é uma sucessão de clichês, não é mesmo? Temos o bom e velho ataque de um exército claramente superior, a chegada quase deus ex machina das Tribos Escondidas que Paris e Toad trouxeram para a guerra a pedido de Baba Voss e o clichê mais clichê de todos: as engenhosas armadilhas que, aos poucos, vão dando vantagem ao exército que queremos que ganhe. É necessário engolir um potente pílula de suspensão da descrença sobre essas armadilhas, pois não havia tempo hábil para montá-las já que o exército de Paya chegou ao forte na mesma hora que o de Trivantis, mas podemos fingir que elas já estavam instaladas há tempos, não é mesmo?

1º Lugar:
The Queen’s Speech

2X07

Mas o real valor do uso desse monte de artifícios comuns vai além de eles serem encaixados com cuidado para formar um episódio redondo, pois a execução de cada um deles é cativante ao ponto de conseguir criar tensão em momentos importantes, especialmente o atentado à Maghra pelos assassinos enviados por Edo Voss e as tratativas rápidas entre Haniwa e Wren na Terra de Ninguém. Igualmente, há grandiosidade na virada de mesa que finalmente derruba a Rainha Sibeth Kane de seu trono, com a entrada triunfal de Tamacti Jun demonstrando que conseguiu amealhar a lealdade dos soldados e todo o desenvolvimento a partir desse ponto com Maghra e Lorde Harlan trabalhando em conjunto, incluindo aí a intervenção de último segundo de Paris. Falando na vidente, até seu momento de alívio cômico com Toad e a proximidade interrompida de uma inusitada noite de amor com o guerreiro funciona corretamente no episódio.

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