Lista | Séries Marvel-Netflix: As Temporadas Ranqueadas

A experiência Marvel/Netflix como um todo:

Depois de breves cinco anos, a parceria da Marvel com a Netflix acabou, legando-nos 12 temporadas de cinco séries e uma minissérie que trouxe para as telinhas os mais importantes heróis urbanos da Marvel Comics: Demolidor, Jessica Jones, Justiceiro, Luke Cage e Punho de Ferro. A variação de qualidade entre uma série e outra, entre uma temporada e outra foi muito grande, com adaptações espetaculares vivendo lado-a-lado com adaptações tenebrosas. No entanto, tenho para mim que o saldo final da experiência como um todo tenha sido positivo e essa pequena era do Universo Cinematográfico Marvel deixará saudades.

Aproveitando que a última temporada de Jessica Jones – e que efetivamente marca o final da parceria – foi ao ar recentemente, decidi fazer um ranqueamento diferente do que costumamos fazer, misturando todas as 13 temporadas em um ranking único precedido de uma nota geral (que não é exatamente uma média) e com notas e mini-textos individuais para cada temporada. Fiz assim para criar unicidade, já que não só a lista foi feita apenas por mim, Ritter Fan, como eu não escrevi as críticas de todas as temporadas e há naturalmente discrepâncias entre o que eu acho de cada uma delas e o que meus colegas escreveram.

Mas quero saber o que vocês acharam tanto da experiência como um todo, como também de cada temporada. Mandem seus comentários discordando e concordando da minha lista, com suas listas próprias se quiserem fazer e vamos conversar!

13º Lugar:
Punho de Ferro: 1ª Temporada

Dá até raiva escrever sobre Punho de Ferro. O personagem dos quadrinhos é muito bom, com enorme potencial cinematográfico e televisivo e, ainda que a transposição para o formato de série tenha fundamentalmente seguido sua essência, a execução foi patética em todas as frentes, especialmente, por mais absurdo que isso seja, justamente no quesito coreografia de lutas. Ora, seria até compreensível que os roteiros da temporada inaugural do super-herói fossem uma porcaria (e são uma porcaria, só para deixar bem claro) e que o design de produção empobrecesse toda a mitologia dele (exatamente o que acontece), mas uma série sobre, em tese, o maior lutador marcial do mundo, com a habilidade de transformar seu punho em uma arma poderosa, simplesmente não poderia ter lutas menos do que espetaculares. Na 1ª temporada de Punho de Ferro, as lutas são, todas elas, frustrantes, cansativas, pouco originais e piores do que todas as demais lutas em séries Marvel-Netflix, inclusive Luke Cage e Jessica Jones que não têm lutas propriamente ditas, só mesmo pancadaria na base da força bruta. Nem mesmo o punho ficou bacana, não passando de uma lanterna com pilha fraca. Sem nenhuma sombra de dúvida, a pior das 13 temporadas desse micro-universo compartilhado.

12º Lugar:
Punho de Ferro: 2ª Temporada

Há várias razões para a 2ª temporada de Punho de Ferro ser melhor que a 1ª. A primeira delas é que era simplesmente impossível fazer algo tão ruim ou pior. A segunda é que só há 10 episódios contra os 13 da anterior, o que é sempre um bônus. E, em cima disso tudo, as lutas melhoraram (um pouco), o que, novamente, não é exatamente um mérito, pois não dava para fazer pior. No entanto, a verdadeira razão para essa temporada ser superior à 1ª é que, aqui, a produção bebeu muito da mitologia mais recente do personagem, desenvolvida pelo incrível Ed Brubaker em seu run de O Imortal Punho de Ferro. O final aberto até chega a dar vontade de ver eventual 3ª temporada. Mas é aquele tipo de vontade que passa rapidinho…

11º Lugar:
Os Defensores

Eu quase – por muito pouco – não rebaixei Os Defensores para o 12º lugar nessa lista. A história é ruim DEMAIS para justificar a reunião dos heróis urbanos Marvel/Netflix ao ponto de dar raiva quando tudo é revelado. Mas eu acabei colocando em 11º lugar por razões bem objetivas: (1) só tem oito episódios; (2) não é focada só no insuportável Punho de Ferro e (3) minha má-vontade com Punho de Ferro é suprema. Viram? Só argumentos BEM objetivos…

10º Lugar:
Luke Cage: 2ª Temporada

luke-cage-segunda-temporada-pc

É a partir dessa colocação que as coisas começam a ficar mais complicadas, pois acho que não há muitas dúvidas sobre as três colocações anteriores e nem sobre as que estão lá em cima no ranking. Seja como for, Luke Cage é uma série bem complicada de se assistir, pois o cadenciamento narrativo é lerdo demais, cansativo demais, repetitivo demais. E, convenhamos, Mike Colter pode até ser carismático, mas ele é um ator de uma nota só, nota essa que cansa muito rápido. Na 2ª temporada da série, vemos uma evolução interessante para o personagem, mas ela vem ao custo de um ritmo fragmentado e de uma das histórias Marvel/Netflix que menos justificam seus 13 episódios.

9º Lugar:
Justiceiro: 2ª Temporada

Confesso que não entendo o que se passa com o Justiceiro. Com exceção da adaptação original do personagem de 1989, mais gutural e com Dolph Lundgren como Frank Castle e do curta Roupa Suja, ele nunca teve muita sorte no audiovisual. Quando o Justiceiro foi introduzido na 2ª temporada de Demolidor, a esperança de uma boa versão do personagem reacendeu, mas, quando ele finalmente ganhou uma temporada solo, ela desapontou. Mas pior ainda foi a 2ª, que não é muito mais do que uma longa e torturante sessão de terapia sobre matar ou não matar, cometer atos de extrema violência ou não. Sim, há bons momentos aqui e ali, especialmente o começo à la Rambo – Programado para Matar, mas o resto troca o chumbo grosso por lenga lenga e filosofia de botequim.

8º Lugar:
Luke Cage: 1ª Temporada

Reconheço que a 1ª temporada de Luke Cage foi um enorme avanço em termos de abordagem étnica em obras de super-heróis com fortes e bem-vindas críticas sociais, algo equivalente ao efeito que Pantera Negra teve. Nesse quesito, ela merece aplausos e, juntamente com a escalação de Mahershala Ali para viver o primeiro super-vilão, é a verdadeira razão de ela ter ficado nessa colocação. No entanto, essa foi uma das temporadas que mais tive dificuldade de ver de todas da Marvel/Netflix por sua mais absoluta lerdeza. Cada avanço é seguido de episódios e mais episódios andando de lado, com o (b)ônus da inexplicável troca de vilões do meio em diante (ninguém tira Ali de uma série impunemente!), o que termina de vez de destruir toda a atmosfera construída.

7º Lugar:
Justiceiro: 1ª Temporada

Jon Bernthal faz um ótimo Frank Castle, disso não tenho dúvida. No entanto, como disse mais acima, o personagem nunca teve seu potencial verdadeiramente aproveitado no audiovisual e não é diferente nas séries Marvel distribuídas pela Netflix, ainda que esta temporada seja a melhor adaptação do personagem até agora. A questão é que falta coragem para transformar Castle na máquina assassina de bandidos que ele deveria ser e o que os roteiros tentam criar são maneiras atrás de maneiras de tornar suas ações mais “justificáveis” aos olhos mais sensíveis dos politicamente corretos. E olha que eu nem mesmo sou contra que um anti-herói violento desse jeito cumpra uma função social narrativa importante, mas o problema é quando essa função social engole o personagem, transformando-o e pervertendo-o. Pancadaria descerebrada, às vezes, é bom e o Justiceiro seria o perfeito candidato para isso no Universo Cinematográfico Marvel.

6º Lugar:
Jessica Jones: 2ª Temporada

Agora começamos a chegar às portas da elite das temporadas Marvel/Netflix. A 2ª temporada de Jessica Jones ainda carrega e sofre o estigma por fazer algo diferente e “atrasar” a entrada de um vilão bem definido, algo que eu pessoalmente vejo como uma boa tentativa de se fazer algo diferente. Mas talvez justamente por isso, a temporada tenha seus “capítulos-barriga” mais salientes, mais facilmente identificados lá pela sua metade, o que atravanca um pouco a fluidez. No entanto, o drama pessoal e familiar da personagem-título lidando com sua mãe, que descobre estar viva e  também com poderes, além do começo da espetacular queda de Trish Walker, valem o preço do ingresso.

5º Lugar:
Demolidor: 2ª Temporada

Demolidor foi o personagem que inaugurou com enorme sucesso a parceria Marvel/Netflix em uma 1ª temporada irretocável. No entanto, a 2ª temporada não manteve o mesmo nível absurdo de qualidade, caindo na tentação de fazer mais barulho e de servir de porta de entrada para o Justiceiro e, com isso, prejudicar sensivelmente o resultado final, especialmente a segunda metade da temporada. Mesmo assim, os mini-arcos funcionaram em grande parte e Charlie Cox continuou seu ótimo trabalho dramático como o Homem Sem Medo.

4º Lugar:
Jessica Jones: 3ª Temporada

Tal qual Demolidor, Jessica Jones foi a única outra série da parceria que ganhou três temporadas. E, exatamente da mesma forma que as temporadas do Diabo da Cozinha do Inferno, as 1ª e 3ª temporadas de cada série foram muito boas, com apenas a 2ª destoando. Foi, portanto, difícil escolher em que colocação exata colocar a 3ª temporada de Jessica Jones em relação à 1ª, já que, aqui, a história de ascensão e queda de Trish Walker é o equivalente Marvel para a pegada realista dada a David Dunne, em Corpo Fechado. Um grande estudo de personagens e sobre o que exatamente é ser um super-herói com atuações matadoras tanto de Krysten Ritter quanto – e aqui especialmente – de Rachael Taylor.

3º Lugar:
Jessica Jones: 1ª Temporada

Como disse logo acima, foi complicado determinar as colocações das 1ª e 3ª temporadas de Jessica Jones. No final das contas, acabei utilizando, como critério de desempate, a presença de David Tennant como o fascinante Kilgrave (o segundo melhor vilão da parceria Marvel/Netflix) na temporada inaugural, além de todo o drama extremamente pessoal e doloroso que gira em torno do significado dele para a vida da detetive alcoólatra.

2º Lugar:
Demolidor: 1ª Temporada

A parceria Marvel/Netflix não poderia ter começado melhor. A 1ª temporada de Demolidor permaneceu facilmente em primeiro lugar em meu ranking pessoal desse conjunto de séries por muito tempo, até o advento da 3ª temporada da mesma série e, mesmo assim, no photochart. Não só Charlie Cox é o perfeito Matt Murdock, como sua evolução de vigilante lidando com crimes menores até arqui-inimigo do Rei do Crime (em atuação soberba de Vincent D’Onofrio) é de se tirar o chapéu, assim como é a coragem da produção de manter o personagem sem seu clássico uniforme até o último segundo. E isso sem falar nas inesquecíveis coreografias de luta que até hoje considero como as melhores em quaisquer séries ou filmes de super-heróis. Uma aula de como adaptar um querido personagem dos quadrinhos para as telinhas (ou telonas!).

1º Lugar:
Demolidor: 3ª Temporada

Quando acabei a 3ª temporada de Demolidor, tive a mais absoluta certeza de ter visto a melhor adaptação de um arco de quadrinhos para o audiovisual. A clássica e espetacular história A Queda de Murdock, de Frank Miller, tinha acabado de ganhar vida perante meus olhos e eu não podia acreditar naquela qualidade toda. Mas, mais do que isso, a temporada é um perfeito trabalho de desconstrução e construção de um super-herói, de introdução de um novo e fascinante vilão (o Mercenário) e o aprofundamento e o merecido destaque do Rei do Crime como grande antagonista, o melhor e mais complexo de todo o Universo Cinematográfico Marvel. Quando escrevi minha crítica da temporada, paralelizei-a com Batman – O Cavaleiro das Trevas, mas, hoje, pensando melhor, talvez ela seja ainda melhor do que o grande filme de super-heróis de Christopher Nolan.

XXXXX ——- XXXXX

E vocês? Concordam? Discordam? Muito pelo contrário? Mandem para cá seus comentários e suas próprias listas!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.