Home ColunasLista | Star Trek: Academia da Frota Estelar – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Lista | Star Trek: Academia da Frota Estelar – 1ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

Trek colegial.

por Kevin Rick
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Avaliação da temporada:
(não é uma média)

  • Há spoilers.

A primeira temporada de Star Trek: Academia da Frota Estelar foi, no fim das contas, uma experiência bastante irregular, mas nunca desinteressante. Desde o início, a série deixou claro que não queria apenas ocupar mais um espaço dentro do mosaico contemporâneo da franquia, e sim testar o que acontece quando o universo de Star Trek é filtrado por uma abordagem deliberadamente juvenil, mais próxima de um drama estudantil sci-fi do que de uma narrativa clássica de exploração espacial. Em seus melhores momentos, essa escolha rendeu algo genuinamente refrescante: uma série que entende a Academia como laboratório moral, onde crescer, errar, competir, fazer trotes, flertar ou ensaiar uma peça também pode servir de veículo para discutir pertencimento, identidade, cultura, fé, trauma e responsabilidade. Em seus piores momentos, porém, a temporada escorregou justamente nos vícios mais previsíveis desse tipo de formato, com melodramas pouco sofisticados, sentimentalismos forçados, diálogos expositivos demais e conflitos resolvidos mais no discurso do que no drama.

No balanço geral, Star Trek: Academia da Frota Estelar terminou seu primeiro ano como uma série razoável, funcional e com potencial, mas ainda longe de se tornar algo realmente marcante dentro da franquia. O que fica de melhor é a percepção de que há uma proposta ali: usar a juventude como território legítimo para discutir temas caros a Star Trek com mais leveza, humor e energia de coming of age. O que fica de pior é a constatação de que o texto ainda tropeça com frequência em convenções escolares, soluções fáceis, exposição excessiva e uma certa dificuldade de transformar boas premissas em grandes episódios. Quem sabe um segundo ano aumenta o nível?

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Como fazemos em toda série que analisamos semanalmente, preparamos nosso tradicional ranking dos episódios para podermos debater com vocês, lembrando que os textos abaixo são apenas trechos das críticas completas que podem ser acessadas ao clicar nos títulos dos capítulos. Qual foi seu preferido? E o pior? Mandem suas listas e comentários!

10º Lugar:
A Vida das Estrelas

1X08

No fim, A Vida das Estrelas quer ser o episódio sobre cura e reconstrução (algo que deveria ter sido feito no intervalo da semana passada), mas acaba sendo um capítulo excessivamente expositivo e sentimental, cuja carga emocional não se sustenta pela construção dramática. A série, mesmo com suas limitações e ressalvas, já provou que pode discutir temas densos com leveza e tensão. Aqui, porém, a série opta por uma abordagem mais direta e menos sofisticada. O resultado é um episódio que parece importante em teoria, mas pouco envolvente na prática.

 

9º Lugar:
Ko’Zeine

1X07

O novo episódio de Star Trek: Academia da Frota Estelar desacelera depois do caos político e bélico recente e aposta em algo mais íntimo, com temas sobre dever, maturidade e a ansiedade de crescer antes da hora. É um capítulo que se divide claramente em dois eixos, entre o ritual khioniano envolvendo Darem e Jay’Den, e a pequena transgressão de Caleb e Genesis no campus. Embora não seja um episódio grandioso, é uma narrativa bonitinha e um dos mais coerentes tematicamente da temporada.

 

8º Lugar:
Vitus Reflex

1X03

Ainda assim, Vitus Reflex é um episódio importante. Não por expandir mitologia ou discutir grandes dilemas galácticos, mas por mostrar que a série pode sustentar histórias pequenas sem trair seus princípios. Ao aceitar que Academia da Frota Estelar é, sim, uma série sobre crescer, errar, competir e aprender a cooperar, o episódio encontra uma voz mais confiante. Mesmo com tudo soando meio bobinho, infantil ou convencional, há mérito na diferença de que, em Star Trek, até a guerra de trotes pode virar uma aula sobre empatia, estratégia e contenção de conflitos. Se a série conseguir manter esse equilíbrio entre leveza juvenil e comentário ético, deve seguir sendo razoavelmente boa em suas redundâncias. Só não sei se vai muito além disso.

 

7º Lugar:
Série Aclimatação Mil

1X05

No fim, o episódio reafirma aquilo que Academia da Frota Estelar promete quando está em seu melhor momento: não apenas contar histórias de jovens no espaço, mas usar a juventude como território legítimo para discutir os temas densos da franquia com um nível maior de leveza. É um episódio imperfeito, sim, mas emocionalmente honesto e tematicamente alinhado com temas caros à Star Trek.

 

6º Lugar:
Rubincão

1X10

Em síntese, temos um desfecho competente, mas não particularmente memorável, o que meio que representa bem a série. O episódio final entrega as respostas necessárias e oferece momentos de espetáculo e emoção suficientes para encerrar a temporada de forma satisfatória, mas raramente atinge o tipo de profundidade temática ou intensidade dramática que as melhores histórias de Star Trek costumam alcançar.

 

5º Lugar:
Trezentésima Noite

1X09

No geral, Trezentésima Noite é um capítulo funcional. Ele recupera parte da tensão narrativa após um episódio anterior excessivamente sentimental, mas ainda sofre com certa pressa estrutural e conflitos emocionais resolvidos rapidamente demais. Ainda assim, cumpre bem seu papel: reposicionar os personagens, elevar a ameaça e preparar o terreno para um final que promete ser muito mais decisivo para o destino da Academia e talvez da própria Federação.

 

4º Lugar:
A Garotada Hoje em Dia

1X01

Os dois primeiros episódios de Star Trek: Academia da Frota Estelar deixam claro, desde o início, que a nova série não pretende apenas ocupar mais um espaço no já vasto mosaico da era Alex Kurtzman, mas testar até onde Star Trek pode ir sem abandonar completamente sua espinha dorsal, deixando os fãs mais saudosistas de cabelo em pé mais uma vez. Da premissa de um drama juvenil nesse universo até o marketing bastante provocativo com a pegada teen da produção, a dupla de capítulos iniciais funciona como uma espécie de manifesto bastante claro: esta não parecer ser uma série sobre explorar o desconhecido no sentido clássico, mas sobre formar aqueles que, no futuro, irão explorá-lo. A mudança de eixo é significativa e, nos melhores momentos, genuinamente refrescante. Nos piores, expõe os vícios recorrentes do Trek contemporâneo.

 

3º Lugar:
Vox in Excelso

1X04

Outro limite incômodo no episódio está na simplificação de algumas tensões políticas mais amplas. A extinção klingon e a negociação com a Federação mereceriam, talvez, um espaço maior para ambiguidade e consequências futuras. Ainda assim, dentro do formato e do público-alvo da série, o capítulo vende bem a proposta. No fim, este episódio continua demonstrando com clareza aquilo que Star Trek: Academia da Frota Estelar pode ser quando acerta o foco: um laboratório moral, onde dilemas civilizacionais são testados em escala humana; mesmo em suas limitações narrativas e dramáticas.

 

2º Lugar:
Teste Beta

1X02

Inclusive, o segundo episódio, Teste Beta, é um pouco mais revelador sobre o que Star Trek: Academia da Frota Estelar pode ser. Ao se passar majoritariamente em São Francisco, no campus da Academia, o episódio adota uma estrutura mais clássica de Star Trek, com tramas paralelas que dialogam entre si. O foco no cotidiano dos cadetes com avaliações, inseguranças, relações interpessoais é exatamente onde a série se mostra mais segura, se ainda não necessariamente cativante.

 

1º Lugar:
Vem, Vamos Partir

1X06

O encerramento, com Braka enviando uma mensagem provocativa a Ake, recoloca o conflito em escala pessoal e cria uma certa linha narrativa principal para o restante da temporada, mesmo dentro da proposta mais episódica e procedural. Este episódio é sobre o preço de representar uma instituição em tempos de guerra. Academia da Frota Estelar dá aqui um passo importante na história de formação desses personagens, no que é o melhor capítulo até aqui. É risco, é erro e, às vezes, é luto. A série continua irregular em certos diálogos expositivos e atalhos dramáticos, mas demonstra maturidade ao aceitar que, no universo de Star Trek, crescer significa inevitavelmente encarar perigos maiores e consequências devastadoras.

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